quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Livros

Um livro (creio) é algo com um princípio e um fim (mesmo se não for um romance em sentido restrito), é um espaço onde o leitor deve entrar, passear, até mesmo perder-se, mas a um certo ponto encontrar uma saída, ou talvez várias saídas.

Italo Calvino

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Livros

vale a pena encontrar livros quando são as pessoas quem os trazem,
pessoas aladas, borboletas carregadas de hístórias, de línguas e de sol.


Jorge Reis-Sá

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Está de parabéns, o centenário Manoel de Oliveira

53 filmes realizados (entre curtas e longas metragens), mais de 100 prémios recebidos, 100 anos e ainda a trabalhar! Manoel de Oliveira é, sem dúvida, um dos maiores cineastas do mundo, "o último dos primitivos", "um visionário",...

Merece, por isso, todas as homenagens que lhe possamos prestar. A nossa biblioteca já lhe dedicou em Novembro uma exposição temática.

Hoje, sugerimos, como leitura, o dossiê oliveiriano especial do JL nº 996 (pp. 6-22)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

António Alçada Baptista (1927- 7/12/2008).

Viajante, ensaísta, memorialista ("Peregrinação Interior"), editor (na Moraes), ficcionista ("O Riso de Deus") – o António Alçada era sobretudo um conversador e um sedutor. Ele seduzia as pessoas com quem se cruzava ao longo da vida, e seduzia os seus leitores com aquele tom suave, como é a inocência da sua obra. Estabeleceu uma ponte entre os dois regimes, em 1974 (as suas "Conversas com Marcelo Caetano" foram uma última tentativa de ler o regime e "O Tempo e o Modo" uma forma de o mudar). Tinha uma inteligência muito intuitiva, o que o levava a pensar com leveza sobre coisas profundas. E chegava antes dos outros a conclusões que poucos hoje lhe atribuem. Isso fazia dele um homem generoso de quem era difícil não gostar. Muita gente lhe deve muita coisa.

Francisco José Viegas em http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt



Alçada Baptista: in memoriam

Muitos já não se lembram, outros nunca souberam, mas António Alçada Baptista foi no seu tempo um dos colunistas de maior sucesso na imprensa portuguesa. As suas crónicas, em jornais como o "Diário Popular", eram lidas e citadas com imenso interesse. Havia nele uma genuína abertura às mais diversas áreas do saber e desprendia-se um toque cosmopolita dos seus escritos, suavemente confessionais, que lhe permitia estabelecer profundos elos de cumplicidade com as mais diversas camadas de leitores. Alçada, um beirão da Covilhã transplantado para Lisboa, gostava de estabelecer pontes - entre pessoas, entre ideologias, entre crenças, entre continentes. Tendo por base a fé cristã, o personalismo de Mounier, os valores da lusofonia e sobretudo o culto da amizade.

Habituei-me desde muito novo a conviver com a prosa ágil de Alçada e a admirar-lhe o talento de pintor de quadros humanos em letra de imprensa. Gostava também de um certo tom humilde da sua escrita, longe das certezas categóricas dos pregoeiros de ilusões. Era um homem que gostava de reflectir sobre a política, a cultura, o quotidiano. Não se importava de exprimir dúvidas e inquietações num país onde demasiada gente cultiva o espírito de trincheira. E era sobretudo um homem de cultura, num sentido muito lato, que não se limitava a perscrutrar o mundo, mas se envolvia nele e procurava torná-lo um pouco melhor. Por isso fundou uma revista como "O Tempo e o Modo" e uma editora fulcral como foi a Moraes. Aí saíram os seus livros mais importantes: "Conversas com Marcello Caetano" (muito incompreendido à época), "O Tempo nas Palavras" e sobretudo a fulgurante "Peregrinação Interior", em dois volumes, um dos melhores roteiros intelectuais que a sua geração legou à posteridade.

Mais tarde viria a cultivar a ficção - faceta literária que nele nunca me interessou - e o texto memorialista, mostrando-se exímio na arte de contar histórias com personagens de carne e osso. Logo ele, que parecia conhecer toda a gente e não ter um só inimigo.

Vi-o pela última vez há cerca de dois anos, já muito alquebrado, à porta de sua casa, na zona de São Bento. Lembro-me de ter pensado, logo aí, que ficaria para sempre adiado o projecto de lhe fazer uma longa entrevista em que discorresse sobre o tempo em que viveu e o lugar que lhe coube em sorte. Ficou-me de lição: estes projectos nunca devem ser adiados. Alçada Baptista acaba de morrer, aos 81 anos. Em jeito de homenagem, vou regressar às páginas da "Pegerinação Interior", essa obra hoje tão esquecida que me ajudou a incutir o gosto de pensar.


Pedro Correia em http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"O Rafa e as férias de Verão" na ESJE


Quinta-feira, 4 de Dezembro

15horas

Sala de Audiovisuais


Apresentação do livro da Prof.Drª Fátima Pombo pela DRª Isabel Roste e dos alunos das turmas G e H do 11º ano. A autora estará presente e haverá sessão de autógrafos.


Sobre a obra publicamos um comentário inserido do Blogue da obra, http://oslivrosdorafa.blogspot.com/ e que diz o seguinte:

"No n.º 69 deste mês de Novembro, a revista "Os Meus Livros", com o título “A adolescência vista pelo próprio”, Maria João Pina de Morais, crítica da secção infantil “primeiras letras”, apresenta assim o livro de Fátima Pombo:“Vale a pena ler este livro porque o Rafa interpreta bem a vida; ou seja, perante os pais divorciados e a tentarem reconstruir a vida afectiva, as duas irmãs mais novas e uma avó com Alzheimer, o Rafa não desarma.O livro está escrito em jeito de diário e, quer as paradigmáticas “borbulhas” e respectiva pomada, quer as emocionantes idas à praia com a Pilar, são momentos em que temos muito a aprender.Apesar de às vezes não parecer, a verdade é que as cabeças dos adolescentes pensam coisas giras!”Acresce a este comentário a indicação da editora – a Trinta Por Uma Linha – e a recomendação da idade – 13 anos. "

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Boas leituras...



Gonçalo M. Tavares premiado em Itália



O escritor recebeu em 21 de Novembro, em Itália, o Prémio Internacional Trieste 2008, com o livro “1″, originalmente publicado na Relógio D’Água.
É a décima primeira edição do Premio Internazionale Trieste - Poesia. O Prémio é composto por uma parte monetária, no valor de mil e quinhentos euros, e por uma obra de arte. Nos anos anteriores ganharam este prémio autores como Justo Jorge Padròn (Espanha), Alvaro Mutis (Colombia), Tahar Ben Jelloun (Marrocos/ França) e Omar Lara (Chile).
Gonçalo M. Tavares também assinou um contrato, para «sete ou oito livros», com a editora francesa Viviane Hamy. A editora Viviane Hamy, que publicou o romance «Jerusalém» e «O Senhor Valery», parece ter uma especial queda para as letras portuguesas ou relacionadas com lisboa, tendo editado «O incêndio do Chiado», de François Vallejo, passado na capital portuguesa.
Lisboa, aliás, será o cenário de algumas dessas obras, revelou Gonçalo M. Tavares à Lusa.
«Lisboa é uma cidade extraordinária. Tenho um projecto de fazer uma ficção inspirada em Lisboa», disse o escritor sobre o próximo trabalho que, possivelmente, incluirá também as cidades de Estocolmo, Helsínquia, Nova Iorque e Buenos Aires.
Gonçalo M. Tavares, apontado pela crítica francesa como «a revelação portuguesa», exprimiu o desejo de falar sobre as suas obras recentemente traduzidas para francês, «Jerusalém» e «O Senhor Valéry», para dar «a conhecer diferentes mundos e linhas de escrita diferentes».
Comentando as críticas positivas que a comunicação social especializada e generalista francesa lhe têm dedicado, Gonçalo M. Tavares considerou ser «agradável perceber que 'Jerusalém' tem impacto em França. Aprecio a qualidade da recepção e como esta acontece em diferentes espaços. Julgo que há um interesse cada vez maior pela Literatura Lortuguesa em França», concluiu o autor.
A mesma opinião parece ter a escritora Lídia Jorge que, juntamente com Gonçalo M. Tavares, representou a Literatura Portuguesa na iniciativa «Les Belles Étrangères», participando de um debate no Teatro de Châtelet, em Paris, para falar da sua produção literária, da literatura portuguesa e da relação entre as literaturas europeias.
À margem do encontro, Lídia Jorge declarou à Lusa: «Hoje os leitores europeus reconhecem que o imaginário português é um contributo para a Europa, abre uma porta do imaginário com África», (fonte
http://diariodigital.sapo.pt/)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Português Exacto

Aloja -se em http://www.portuguesexacto.pt/ e é o nome do site que a Porto Editora acaba de lançar; «pretende esclarecer todas as dúvidas relacionadas com o Português, incluindo as mudanças introduzidas pelo Acordo Ortográfico».

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ler com a Ciência e a Tecnologia

A BE acolhe durante esta semana uma exposição do Clube de Ciências C2 - ESJE, a par de um programa que se espalha por diversos outros espaços, recheado de "Ciência em Poesia", "Ciência em Acção", "Ciência em Comunicação", Ciência em Investigação" e "Ciência em Exposição".
Quem disse que ciência e poesia não podem "casar"? Quem disse que não é possível construir pontes de esparguete? Como se constroem e lançam microfoguetes? Que papel pode ter o Second Life na Educação Virtual Tridimensional?
Há mais questões ! Aqui fica o convite...
Ver mais em

http//www.clubeciencias.esje.edu.pt

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Aveiro: apelo ao espírito científico

Durante cinco dias, o campus universitário de Aveiro transforma-se num mega laboratório científico, com mais de 250 actividades para todas as idades. Trata-se da nona Semana Aberta da Ciência e da Tecnologia que terá 500 sessões com variadíssimas actividades e que espera 12000 visitantes provenientes de todo o país


ver mais em http://www.diarioaveiro.pt/
e em www.ua.pt/semanaberta

domingo, 23 de novembro de 2008

O Centenário "VOUGUINHA"

O futuro do popular “Vouguinha” vai dominar hoje os discursos que vão fazer-se ouvir nas comemorações do Centenário de uma linha que já conheceu melhores dias

Viagens gratuitas nos comboios da Linha do Vouga marcam o início das comemorações do centenário da inauguração desta linha, que começam este domingo com a recriação da viagem inaugural e o descerramento de uma placa comemorativa na estação de Espinho, numa iniciativa conjunta de várias instituições ferroviárias e das sete autarquias servidas por aquela infra-estrutura.

Durante todo o dia, a população pode viajar gratuitamente nos comboios da Linha do Vouga, em qualquer percurso entre Espinho e Aveiro (via Sernada).

Após o descerramento daquela placa, às 9 horas, e de uma projecção de fotografias de Aurélio Paz dos Reis, que recriam a chegada de D. Manuel II a Espinho em 1908, para a inauguração da Linha do Vouga, um comboio especial parte da estação às 9.26 horas com destino a Oliveira de Azeméis.

No entanto, até à chegada a Oliveira de Azeméis, prevista para as 14.32 horas, o comboio leva os participantes a Santa Maria da Feira (10.01 horas) e a S. João da Madeira (11.56 horas), locais onde se realizam diversas actividades integradas nas comemorações.

Em Santa Maria da Feira, é descerrada uma segunda placa comemorativa na estação, realiza-se uma missa promovida pelos ferroviários, na Igreja Matriz, e diversas actividades de entretenimento.

Às 11.43 horas, já com a presença da Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, parte de Santa Maria da Feira o comboio, com chegada às 12 horas a S. João da Madeira, sendo na estação desta cidade descerrada uma terceira placa comemorativa e visitadas as obras de requalificação do Centro Coordenador de Transportes, inaugurado o túnel rodoviário sob a linha do Vale do Vouga, assinados o Protocolo “Comboios Frequentes” entre a CP, a REFER e a Câmara Municipal de S. João da Madeira e a Consignação pela REFER da empreitada para a “Automatização de 52 Passagens de Nível na Linha do Vouga”, seguindo-se um almoço comemorativo neste local.

Neste primeiro dia de comemorações, o comboio especial parte em direcção a Oliveira de Azeméis, onde, às 14.35 horas, é descerrada uma última placa comemorativa, na estação.

Segue-se um percurso a pé até à Galeria Tomás Costa, na Praça da Cidade, palco da inauguração da Exposição do Centenário da Linha do Vale do Vouga (15.15 horas), mostra que percorrerá os sete concelhos servidos pelo caminho-de-ferro.

Estas comemorações são uma iniciativa da CP, REFER, Fundação do Museu Nacional Ferroviário e das Câmaras Municipais da área de influência da Linha do Vale do Vouga – Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira.

In "Diário de Aveiro"

domingo, 9 de novembro de 2008

Antes de começares a ler...

«Arranja a posição mais cómoda: sentado, estendido, enroscado, deitado. Deitado de costas, de lado, de barriga. Na poltrona, no sofá, na cadeira de baloiço, na cadeira de praia, no pufe. Numa cama de rede, se tiveres alguma cama de rede. Em cima da cama, naturalmente, ou dentro da cama. Até podes pôr-te de cabeça para baixo, em posição de yoga. Com o livro virado ao contrário, bem entendido.
(...)
Bem, afinal de que estás à espera? Estende as pernas, estica também os pés numa almofada, em duas almofadas, nos braços do sofá, nas orelhas da poltrona, na mesinha de chá, na secretária, no piano, no mapa-mundo. Descalça primeiro os sapatos. Mas só se quiseres ficar de pés soerguidos, porque senão torna a calçá-los. E agora não fiques para aí de sapatos numa mão e livro na outra.
Regula a luz de modo a não te cansar a vista. Fá-lo já, porque assim que estiveres mergulhado na leitura, nem penses em mexer-te. Arranja-te de maneira que a página não fique na sombra, um emaranhado de letras negras sobre um fundo cinzento, uniformes como uma ninhada de ratos; mas tem cuidado para que não lhe bata de chapa uma luz demasiado forte e que não se reflicta no branco cru do papel roendo as sombras dos caracteres como num meio-dia do Sul. Tenta prever agora tudo o que puder evitar-te o interromper a leitura. Os cigarros ao alcance da mão, se fumares, e o cinzeiro. Que mais é que falta? Tens de ir fazer chichi? Bem, tu é que sabes.»


Italo Calvino, "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante"

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Leitura(s) com a Matemática

Parecem ninhos as mãos que se recolhem nos bolsos à medida que o Outono avança.
Parecem dedos hirtos os ramos unidos das árvores nuas que assomam em direcção ao céu.
Diversa é a paisagem cá dentro da escola: na Oficina de Matemática, "uma ideia liga-se a outras com três dedos de uma mão sendo o quarto dedo a liberdade de criar e o quinto a emoção de o fazer".
Como quem procura o calor de um ninho onde é possível aquecer o coração!

[citação retirada do expositor da Oficina de Matemática que se encontra no corredor central do 1º andar]

M. A.

A Biblioteca Escolar tem em exposição uma homenagem simbólica a Manoel de Oliveira, 99 anos, o mais "velho" cineasta em actividade. De momento realiza o filme "Singularidades de uma rapariga loira", sobre o conto homónimo de Eça de Queirós.
Quase a fazer 100 anos (12 de Dezembro), M.O. mantém uma invejável actividade, tendo afirmado que a sua melhor realização ainda está para vir...
Assim esperamos.
(PS. Para os mais curiosos, a BE possui o citado conto...Venha ler a história de Macário e a sua noiva)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Novo sítio sobre Literatura


Como estímulo à curiosidade dos nossos leitores, apresenta-se um novo site sobre Literatura onde encontrarão alguns nomes conhecidos...


Para ler/ver devagar...
http://www.PNETliteratura.pt

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Poeta Fernando Guimarães vence Prémio Ruy Belo

O Prémio Literário Ruy Belo 2008, galardão da Câmara Municipal de Sintra, foi atribuído ao poeta Fernando Guimarães, com o livro "Na Voz de um Nome". O livro de Fernando Guimarães foi distinguido entre 47 títulos concorrentes na categoria de obra poética publicada no biénio 2006/2007.
Fernando Guimarães nasceu no Porto em 1928; além de poeta, destaca-se no campo da literatura igualmente como ensaísta e tradutor. Esta não é a primeira vez que Fernando Guimarães é galardoado; já lhe foram atribuídas importantes distinções nacionais , como o Prémio D. Dinis (1985), da Fundação Casa de Mateus, o Prémio do Pen Clube (1988) e o Prémio da Fundação Luís Miguel Nava (2003).
A sua bibliografia inclui, na poesia, títulos como "Casa: o seu desenho" "As Mãos Inteiras", "O Anel Débil", "Tratado de Harmonia","A Analogia das Folhas; no ensaio, "Linguagem e Ideologia", "Simbolismo, Modernismo e Vanguardas" e "Os Problemas da Modernidade", entre outros.
Como tradutor, transpôs para a língua portuguesa poemas de autores como Byron, Shelley, Keats e Dylan Thomas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

LIVROS ESQUECIDOS

-Daniel, não podes contar a ninguém o que vais ver hoje. Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém.
Um homenzinho com traços de ave de rapina e cabeleira prateada abriu-nos a porta. O seu olhar aquilino poisou sobre mim, impenetrável.
-Bom dia, Isaac. Este é o meu filho Daniel - anunciou o meu pai. - Está quase a fazer onze anos, e um dia ficará a tomar conta da loja. Já tem idade para conhecer este lugar.
O tal Isaac convidou-nos a entrar com um leve gesto de assentimento. Uma penumbra azulada cobria tudo, insinuando apenas traços de uma escadaria de mármore e uma galeria de frescos povoados de figuras de anjos e criaturas fabulosas. Seguimos o guardião através daquele corredor palaciano e chegámos a uma grande sala circular onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula retalhada por feixes de luz que pendiam lá do alto. Um labirinto de corredores e estantes refletas de livros subia da base até à cúspide, desenhando uma colmeia tecida de túneis, escadarias, plataformas e pontes que deixavam adivinhar uma gigantesca biblioteca de geometria impossível. Olhei para o meu pai, boquiaberto. Ele sorriu-me, piscadando-me o olho.
-Bem-vindo ao cemitério dos Livros Esquecidos, Daniel.
(...) O meu pai ajoelhou-se ao pé de mim e, sustendo-me o olhar, falou-me com aquela voz leve das promessas e das confidências.
- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há muitos anos quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que ninguém já se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. Agora só nos têm a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?
O meu olhar perdeu-se na imensidade daquele lugar, na sua luz encantada. Fiz um sinal de assentimento e o meu pai sorriu.
- E sabes o melhor? - Perguntou.
Abanei a cabeça em silêncio.
- O costume é que a primeira vez que alguém visita este lugar tem de escolher um livro, aquele que preferir, e adoptá-lo, assegurando-se de que ele nunca desapareça, de que permaneça sempre vivo. É uma promessa muito importante - Para toda a vida - explicou o meu pai. - Hoje é a tua vez.

Carlos Ruiz Zafón - "A Sombra do Vento")

terça-feira, 28 de outubro de 2008

SOBRE A LEITURA

A leitura é um antídoto do medo. Quem saboreia o prazer da leitura nunca está sozinho. Entende a transitoriedade de tudo, e a possibilidade de mudança. Entende-se a si mesmo, e aprende a saber o que quer.


(Inês Pedrosa, "Expresso" 27/09/2008)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Plano Nacional de Leitura: 2 anos de actividade

A LEITURA ESTÁ A GANHAR CADA VEZ MAIS ESPAÇO NAS ESCOLAS

As crianças estão a ler mais e isso contribui para a melhoria dos seus resultados escolares, dizem as escolas em inquérito de avaliação do Plano Nacional de Leitura.


ler mais nas pp. 2-4 do jornal "Público" de hoje

Plano Nacional de Leitura : 2 anos de actividade

"A leitura está a ganhar cada vez mais espaço nas escolas.
As crianças estão a ler mais e isso contribui para a melhoria dos seus resultados escolares, dizem as escolas em inquérito de avaliação do Plano Nacional de Leitura."


ler mais nas pp. 2-4 do jornal "Público" de hoje

Plano Nacional de Leitura - 2 anos de actividade

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

NATUREZA

Já há 300 cabras selvagens no Gerês , mas... Só resta uma águia-real

A cabra-montês foi extinta do único parque nacional do país no final do século XIX. Mas, em 1999, uma escapada de alguns animais de um cercado galego permitiu o seu regresso em força.


Tal como aconteceu com a cabra-montês, também a águia--real está à beira da extinção no Parque Nacional da Peneda-Gerês.


Ler mais na edição do jornal Público de hoje e em


http://jornal.publico.clix.pt/

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

Afinal, este dia também é pretexto para promoção da leitura e da literacia.
Logo de manhã, fomos surpreendidos pelos alunos do 7ºC que, assinalando na escola o Dia Mundial da Alimentação, distribuíram uma receita de creme de cenouras. À hora do almoço, pudemos saborear a dita sopa, cujo texto passamos a divulgar:

CREME DE CENOURAS

5 cenouras (lavadas e descascadas)
4 batatas (lavadas e descascadas)
1 cebola (descascada)
1 dente de alho (descascado)
1 colher (de sopa de arroz ou massinhas)
1 colher ( de sobremesa de azeite)
1 colher ( chá mal cheia de sal)

Põe a panela ao lume com dois litros de água. Junta o dente de alho, as cenouras, as batatas e a cebola, cortados aos pedacinhos.
Depois de tudo cozido, tempera com sal e azeite. Tritura com a varinha mágica.
Podes variar o creme, juntando uma colher de arroz ou de massinhas.
Deixa ferver até cozer.

Bom apetite!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

JOSÉ CARDOSO PIRES

A cidade de Lisboa iniciou, este mês, uma série de iniciativas dedicadas a José Cardoso Pires, passada que está uma década sobre a sua morte. Entre as actividades a empreender destacam-se encontros de amigos do escritor, leituras de excertos das suas obras, exposições bibliográficas, de ilustrações e de cartazes de divulgação dos títulos publicados, conferências, visitas guiadas para estudantes do 2º, 3º ciclos, secundário e público em geral, lançamentos de obras dedicadas ao autor, ciclos de cinema e documentários.

Nomes (e só citando alguns) como António Lobo Antunes, Júlio Pomar, Inês Pedrosa, Rui Zink, Lauro António, José Fonseca e Costa, António Mega Ferreira, José Eduardo Agualusa, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, João Lobo Antunes e João Abel Manta e instituições como a Câmara Municipal de Lisboa, a Casa Fernando Pessoa, o Instituto de Ciência Sociais da Universidade de Lisboa, as Edições Nelson de Matos e o Centro Cultural de Belém participam (os primeiros) e apoiam (as segundas) esta justa homenagem ao escritor de Alexandra Alpha, A Balada da Praia dos Cães, Cartilha do Marialva, De Profundis: Valsa Lenta, Lavagante: encontro desabitado, O Delfim, entre outros. Mais informações nesta notícia Siconline.

(...) já agora, deixa-se uma sugestão: passear, por Lisboa, tendo como roteiro os lugares descritos em Lisboa: Livro de Bordo. Um excerto, para dar ânimo à empresa:

“A descer a Rua do Alecrim é que eu me quero pelas nove e tantas da manhã e no Outono, se possível. Deixo o Camões em bronze no meio do largo (sempre com uma pomba no ombro, nunca percebi porquê) e começo a descida. A poucos passos tenho o Eça, didáctico, a levantar o véu da fantasia a uma beldade desnuda como se alguém se deslumbrasse com semelhantes intimidades. Nem me volto, sigo em frente.Nisto, quando olho para o fundo da rua, descubro que os enormes guindastes da Lisnave da Outra Banda do rio se encontram quase do lado de cá, em cima do Cais do Sodré. Atravessaram o Tejo ou foi o Tejo que encolheu durante a noite?”


IN
http://oeiras-a-ler.blogspot.com/

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Os Deolinda - sabe quem são?

"Oscilam entre a crónica de costumes e a desmontagem de clichés. (...)
O mal deles faz-nos tão bem."

Depois do album de estreia, em Novembro de 2007, "Canção ao Lado", no próximo dia 18 culminam a tournée pelo país com um concerto na Aula Magna , em Lisboa, e lançam agora um videoclip...

A leitura que hoje propomos é sobre esta "banda bipolar", cujo trabalho é marcado pelos "contrastes, as subversões, as luzes , as sombras", e encontra-se nas pp 124-126 do último nº da revista "VISÃO" (de 9 a 15 de Outubro de 2008):

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Dinis Machado (1930 - 2008)

Considerado um dos génios da Literatura Portuguesa do século XX, faleceu no passado dia 3.
Dos muitos testemunhos e das palavras de homenagem que sobre ele se publicaram, destacamos o texto de Francisco José Viegas em

http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/

Nobel da Literatura para o escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio

Para saber mais, consultar notícia de última hora em

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1345433&idCanal=14

Eduardo Lourenço, "o homem que ensina Portugal a pensar"

Aos 85 anos, Eduardo Lourenço foi tema e figura central de um congresso internacional que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a 6 e 7 de Outubro.
Em destaque, estiveram o seu trabalho e as suas ideias nas áreas da Filosofia, dos Estudos Literários, da Teoria da Cultura, da História, da Teoria Política.
O autor do "Labirinto da Saudade" foi também homenageado na revista RELÂMPAGO, nº 22, lançada dia 29 de Setembro, na Casa Fernado Pessoa.
De igual modo, a última edição da revista LER apresenta uma extensa entrevista com Eduardo Lourenço, de que destacamos a seguinte reflexão acerca dos livros e da leitura:
" (...) Há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelos livros. Esse pó que fica nos livros. O pó do Tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, quer dizer a própria essência da nossa vida."

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Literatura

Em Lisboa, estão duas exposições a não perder:

Weltliteratur - "Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!", na Gulbenkian

e Os Desenhos dos Escritores, no CCB

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

1 de Outubro, Dia Mundial da Música

A propósito, e porque todos os motivos são bons para celebrar este dia, aqui vai uma sugestão de uma boa biblioteca musical, onde se podem realizar buscas por ano, artista, género, sendo também possível criar a nossa própria lista pessoal:

terça-feira, 30 de setembro de 2008

PORTUGAL, UM PAÍS A ENVELHECER

Para debater o declínio populacional, desde ontem até 3 de Outubro, está a decorrer em Lisboa o III Congresso Português de Demografia.
Somos já o sétimo país mais envelhecido do mundo e nos últimos anos temos estado a aproximar-nos cada vez mais do Japão, a nação com maior percentegem de idosos. Possuímos hoje mais idosos (pessoas com 65 anos ou mais) do que jovens (menores de 15 anos). Para esta tendência contribuiu a emigração que se verificou a partir da década de 1960, mas sobretudo a diminuição da natalidade.
Prevê-se que em 2035 a imigração, solução de curto prazo, deixe de ser suficiente para assegurar o crescimento efectivo da população activa no nosso país, devendo os governos tomar medidas favoráveis ao acréscimo da natalidade, tais como licenças parentais e apoios à maternidade, incluindo incentivos financeiros.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

50 anos de CINEMATECA

A Cinemateca Portuguesa cumpre hoje 50 anos de actividade, a mostrar filmes portugueses e estrangeiros que, de outra forma, dificilmente passariam em salas de cinema. Considerada o "templo" do cinema em no nosso país, a Cinemateca guarda no seu Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM) mais de 30.000 filmes; durante muito tempo, foi praticamente a única editora a criar bibliografia cinematográfica em Portugal; e tem uma Biblioteca com um vasto espólio de livros e iconografia.


Para saber mais, ler J.L. nº 991 ("Jornal de Letras, Artes e Ideias"), de 24 de Setembro a 7 de Outubro, pp 8-10

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

DIA MUNDIAL DO MAR

Em Portugal, celebra-se hoje, 25 de Setembro, o DIA MUNDIAL DO MAR.
O tema deste ano é "IMO: 60 anos ao serviço da navegação".

IMO significa, em Português, "Organização Marítima Internacional".

Para saber mais , consultar

http://www.emam.com.pt

http://ec.europa.eu/research/research-eu

http://imarpor.pt/dmm_2008.htm

www.fabrica.cenciaviva.ua.pt

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Concurso - 12º ano

"Del8 - APAGA COM OS OBJECTIVOS DO MILÉNIO"



Consultar Regulamento na Biblioteca Escolar ou em

http://www.del8.com/

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Em Aveiro, "VARIAÇÕES DOS TEMPOS"

Na galeria dos Paços do Concelho, o aveirense Lopes de Sousa apresenta uma exposição de pintura representativa das suas mais recentes criações artísticas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Design e Arquitectura

Turim está cheia de design e arquitectura.

Turim é, em 2008, a primeira Capital Mundial do Design, escolhida pelo International Council of Industrial Design em 2005. O P2 esteve em Turim e aponta as mostras essenciais, à mistura com a arquitectura.

(...)
À margem do design

Mole Antonelliana, o museu do cinema no topo de Turim

Já que se está em Turim, não se perca o Museu Nacional de Cinema, na antiga Mole Antonelliana. Foi ali que foram entregues os prémios Young? Creative? Chevrolet, entre os quais foram distinguidos estudantes portugueses - Ricardo Trindade e Rafael Gonçalves com o 2º lugar em artes visuais e Paulo Duarte com o terceiro lugar em fotografia. É como estar numa cena de A Biblía, rumo ao topo da Torre de Babel, ou no Gugenheim de Nova Iorque, mas numa espiral de uma sinagoga que nunca o foi. Desenhado por Alessandro Antonelli em 1863, já foi o edifício mais alto da Europa e hoje é um dos museus mais altos do mundo. A colecção está espalhada ao longo das paredes. É em espiral que se visita o museu, mas é na mais pura vertical que se apanha o elevador transparente que vai da cave até meio da torre metálica (que ascende até aos 167 metros) para ver um outro filme: o da panorâmica imbatível sobre a cidade de Turim. A imagem da Mole Antonelliana é tão icónica quanto a da memória cinematográfica que alberga e até foi desenhada por Hayao Miyazaki no filme The Crimson Pig. Lá dentro está o Alien de Ridley Scott, mais de 300 mil posters e cartazes de época do cinema italiano e mundial, entre os quais dois originais raros do Cinématographe Lumière que anunciam o nascimento do cinema. Do espólio também constam adereços e elementos de cenário (mais de 1500) de O Gigante a Casanova, passando por O Império Contra-Ataca, além de fotografias e dos primeiros aparelhos que fizeram a história do cinema. J.A.C.

In P2 - 17.09.2008, Por Joana Amaral Cardoso

Ler mais em http://jornal.publico.clix.pt/

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Recomecemos...com felicidade e votos de bom ano escolar

L I V R O S

Livros são bafos de vida
- Lições de formas de ser
Vindas da alma - à medida
De quem as queira aprender.

Por muito que eu saiba agora,
Sempre que leio outro livro
Aprendo mais, numa hora,
Do que, não lendo, consigo.

Todos os livros que li
Mais os que vou, ou não, ler
Dizem o que eu aprendi
E o que me falta saber.






Vítor Cintra
(In “ MURMÚRIOS”)

domingo, 13 de julho de 2008

Há 50 nos

Portugal vivia sob uma ditadura que cerceava as liberdades e os direitos dos cidadão; surgem vozes na Igreja que vão questionar o tipo de regime ditatorial que não permitiam a liberdade de expressão, as liberdades de associação , que reprimia as oposições politicas, e controlava a Igreja Católica.Um dos principais polémicas com o regime de Salazar foi provocada pelo Bispo do Porto.Em 13 Julho de 1958 , o Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes escreveu uma carta a Salazar, onde questionou o governante sobre a questão da liberdade de consciência , sobre a independencia da Igreja do Estado , sobre a liberdade sindical.Faz hoje 50 anos que o Bispo do Porto teve um acto de grande coragem e de consciência cívica. E deu um grande contributo para a tomada de consciencia de muitos católicos para o tipo de regime que existia em Portugal.
No jornal público de 6ª feira , 11 Julho, vinha um artigo sobre a apresentação de um livro com textos inéditos do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes:" O caso do antigo bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, que condenou aspectos da política de Salazar, revelou sobretudo "um notável desfasamento" entre o modo de ver de D. António e o dos restantes colegas de episcopado. A tese é do próprio bispo, que morreu em 1989, e está publicada em livro ontem apresentado no Porto, que reúne textos e documentos inéditos de Ferreira Gomes. Em Provas - A Outra Face da Situação e dos Factos do Caso do Bispo do Porto, que tinha sido organizado pelo próprio Ferreira Gomes mas que não chegou a publicar-se antes da sua morte, o bispo defende as suas posições e contesta as acusações do Estado Novo e do próprio Salazar.

A 13 de Julho de 1958, o bispo escreveu um pró-memória ao presidente do Conselho de Ministros, que deveria servir de base para um encontro entre ambos. No final, a audiência não se realizou e a "carta do bispo do Porto a Salazar", como o documento ficaria conhecido, acabou profusamente divulgada. Por causa disso, o bispo viveu exilado dez anos. O texto foi escrito após as eleições presidenciais em que participou Humberto Delgado, que acabaria derrotado, com a oposição ao regime a falar de fraude eleitoral. D. António defendia a autonomia da Igreja Católica em relação ao Estado, o sindicalismo livre e a liberdade de consciência. E criticava "o já hoje exclusivo privilégio português do mendigo, do pé-descalço, do maltrapilho". O ditador acusava o bispo de ter sido este a divulgar a carta, para denegrir o regime e abrir brechas na "frente nacional", perturbando "muitas consciências, até agora tranquilas", como referiu num discurso. Embora não dissesse que era por causa da carta, o presidente do Conselho ameaçava mesmo denunciar a Concordata entre Portugal e a Santa Sé e dissolver a Acção Católica - que congregava milhares de pessoas. "

In

http://www.leiturapartilhada. blogspot.com

terça-feira, 8 de julho de 2008

MANOEL DE OLIVEIRA, o mais velho cineasta do Mundo ainda no activo, completa 100 anos em Dezembro

"Aniki-bébé / Aniki-bóbó / Passarinho Tótó / Berimbau, Cavaquinho / Salomão, Sacristão / Tu és Polícia, Tu és Ladrão".

"Aniki-Bóbó", fórmula mágica que, nas brincadeiras de crianças, permite determinar, sem discussão, quem é polícia e quem é ladrão. A caminho da escola, Carlitos, o sonhador, e Eduardo, o chefe do bando, levantam, ambos, os olhos para a pequena Teresinha que lhes faz sinal do alto da sua varanda... Quanto mais o tempo passa, mais "Aniki-Bóbó" se revela surpreendentemente moderno, pondo em questão sucessivos discursos críticos e sucessivas interpretações. Já então rotulado de "subversivo", inspirado no conto de Rodrigues de Freitas "Os meninos milionários", o filme não teve antecedentes no imaginário cinematográfico português e não teve consequentes a não ser os que - muitos, muitos anos depois - o próprio Oliveira lhes daria, como permanente perturbador das visões estabelecidas e permanente voyeur das visões proibidas.




A Casa da Música antecipou-se à data do centenário do nascimento do cineasta e programou um grande concerto; o espectáculo, dirigido pelo violoncelista e compositor Ernst Reijseger, resulta de um trabalho elaborado ao longo de vários meses, com a colaboração de cerca de 150 pessoas.



35 mm - pb - 1937 mt - 70 mn. Realização: - Manoel de Oliveira. Produção: - António Lopes Ribeiro. Obra Original: - "Meninos Milionários". Autor Original: - João Rodrigues de Freitas. Fotografia: - António Mendes.
Elenco: - Nascimento Fernandes, Fernanda Matos, Horácio Silva, António Santos, António Morais.
Primeira longa metragem ficcional de Manoel de Oliveira, com que prosseguiu a produção contínua de António Lopes Ribeiro. Fábula para adultos, interpretada por jovens. Além dos exteriores processados no Porto – bairros da Sé, Ribeira, Massarelos e Foz, ou no Monte do Seminário –, a rodagem dos interiores decorreu em Lisboa, nos estúdios da Tobis Portuguesa.Um dos precursores do neo-realismo, exemplo clássico pela dimensão poética, a consistência visual e a coerência estética, sobressai em Aniki-Bobó o testemunho amável - extracção da sociedade, sob uma matriz infantil, desvendando o Porto, pelo intenso pitoresco da zona ribeirinha. Houve dois títulos prévios: Corações Pequeninos em sinopse, Gente Miúda como projecto. Admirado já pela competência e sensibilidade, Oliveira fez ensaios prévios em 9,5 mm, e participou com 150 contos, um quinto do orçamento global. Em 1931, Lopes Ribeiro havia já proporcionado a Oliveira a sonorização de "Douro, Faina Fluvial".



http://www.instituto-camoes.pt/cvc/cinema/longas/lon011.html

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Congresso Feminista 2008 - 26 e 27 de Junho

Em Junho de 2008, celebram-se os 80 anos do último congresso feminista que se realizou em Portugal: o 2º Congresso Feminista e da Educação. Organizado pelo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, coube a uma nova geração de mulheres da época fazer a abertura pela voz de Elina Guimarães.
Tal como então, a necessidade de desafiar as estruturas patriarcais da sociedade que ainda mantêm as amarras das mulheres a situações de discriminação e opressão e a importância de construir um "outro mundo possível" também feminista constituem a essência deste impulso de criar um forte movimento que conduza à realização de um Congresso Feminista em 2008.
Assim, se a memória histórica dos feminismos se foi apagando ao longo da década de 1950 e o "feminismo" foi considerada expressão "mal-amada", acabando por deixar de fazer parte do vocabulário político, mesmo no Portugal democrático, algumas organizações pioneiras, mulheres protagonistas foram segurando o testemunho de levar por diante os ideiais e as causas feministas até aos dias de hoje. Também a conquista da paridade na política foi um avanço importante, já neste século, mas este avanço legislativo só poderá ter concretização se completado com a paridade em termos da vida privada e profissional.Uma nova etapa se abre às mulheres em Portugal com a vitória histórica do SIM no referendo da interrupção voluntária da gravidez enquanto uma das dimensões importantes na determinação dos nossos destinos enquanto mulheres. Esta vitória do SIM no referendo sobre a despenalização do aborto representou o alcançar de um direito de cidadania até aí vedado às mulheres: o de poderem decidir sobre a sua maternidade. O direito de opção das mulheres foi a questão que mais incomodou as forças conservadoras que estiveram pelo ³não². Quebrou-se, deste modo, um dos redutos da dominação sobre as mulheres e daí falarmos de um novo quadro político com melhores condições para que se dê expressão e maior visibilidade às lutas das mulheres pelos seus direitos e pela sua afirmação social.
Talvez possamos afirmar que, em termos sociais, o termo feminismo deixou de ser uma palavra maldita. Todavia, ainda não lhe é reconhecido o verdadeiro significado, na sua tripla dimensão, quer como perspectiva epistemológica (de investigação científica), quer como filosofia (conjunto de ideias e princípios de orientação da visão do mundo e do quotidiano), quer como perspectiva de intervenção política e activista. No entanto, o número cada vez maior de mulheres (e homens) que afirmam o seu feminismo na ciência, na literatura, na arte, no trabalho, na política, na intervenção, mostram que já não temos vergonha nem medo de nos denominarmos feministas. Para mais, com uma grande consciência e humildade que o feminismo é plural.



http://caminhosdamemoria.wordpress.com/

http://congressofeminista2008.org/



terça-feira, 17 de junho de 2008

Prémio de Conto "Camilo Castelo Branco" para Ondjaki

«O Grande Prémio de Conto "Camilo Castelo Branco" 2007 foi atribuído ao escritor angolano Ondjaki pelo seu livro "Os da Minha Rua"

Mais desenvolvimentos no


Público.

As diversas facetas de Fernado Pessoa

(Re)veja o 3º programa da série, transmitido no dia 15


http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM842014-7823-AS+DIVERSAS+FACETAS+DE+FERNANDO+PESSOA,00.html

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Dia de aniversários

Maria Helena Vieira da Silva nasceu há 100 anos; Fernando Pessoa há 120. Nasceram ambos a 13 de Junho.
Viu a exposição evocativa que deixámos à entrada da nossa biblioteca?

terça-feira, 10 de junho de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Fernando Pessoa: ícone pop do século 20 ?

Domingo, 01/06/2008 - foi transmitido na TV Globo o primeiro programa da série sobre Fernando Pessoa. No próximo dia 13 cumprem-se 120 anos sobre a data do nascimento do "escritor-mito" .
Em Lisboa, o repórter Claufe Rodrigues conversou com as únicas pessoas vivas que conviveram com o poeta fingidor.



VER em

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM835458-7823-FERNANDO+PESSOA+ICONE+POP+DO+SECULO,00.html

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dia da Escola, dias de escola

Assinala-se hoje o Dia da Escola Secundária de José Estêvão , embora o dia seja mesmo a 25 de Maio. Têm-se mostrado os trabalhos da Área de Projecto desde segunda-feira e a semana culmina com a festa temática dos anos 60. Apesar da azáfama, a escola tenta manter as rotinas como se esta casa à beira-avenida, de frente para o vasto jardim, fosse o lugar onde todos moram e a trabalham como uma grande família.

Ver o programa na página oficial da escola

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Pessoa entre as 50 maiores personalidades europeias


O poeta português Fernando Pessoa foi eleito uma das 50 personalidades que mais influência teve na cultura europeia, revelou o Bureau Internacional das Capitais da Cultura. Este foi o resultado de uma votação de âmbito universitário promovida pela organização da Capital da Cultura Catalã em vários países europeus. Um total de 137.622 pessoas do continente europeu participaram neste inquérito que decorreu durante nove meses. Entre os eleitos, que se destacaram nas áreas das Humanidades, Artes e Ciências encontram-se para além de Fernando Pessoa, Leonardo da Vinci, Shakespeare, Mozart, Einstein, Sócrates, Goethe, Galileu Galilei, e Dostoievski. (fonte: Portugal Diário)

terça-feira, 13 de maio de 2008

concurso «Na Senda de Darwin»

O prometido é devido! Anunciado publicamente na Gala de Entrega dos Prémios Seeds of Science no passado dia 14 de Março no Casino da Figueira da Foz, o concurso «Na Senda de Darwin» dá-se hoje a conhecer a todos os estudantes do 10º ao 12º anos e também a todos os professores interessados. Com o apoio do Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, vai ser «vedeta» - estamos convencidos - na Internet entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Damos a conhecer o Regulamento e as Provas de que consta um dia depois de Ciência Hoje ter batido, uma vez mais, os índices de procura com 14 665 visitas.

In www.cienciahoje.pt

sexta-feira, 18 de abril de 2008

BIBLIOFILMES

Um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através das novas tecnologias.3,2,1...
O concurso de vídeos no YouTube “BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!” destinou-se à comunidade da Língua Portuguesa.

A Votação Popular começou!
Veja os 17 vídeos a concurso ao BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!.
Vote, até 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, no que acha deve ser o vencedor na categoria Votação Popular. O público é convidado a basear-se nos mesmos critérios que sugeridos ao Júri do concurso:
- Originalidade e criatividade: 20%
- Mensagem clara e cumprimento dos objectivos do concurso (mostrar como gostam de ler, de uma biblioteca e/ou de um livro): 40%
- Entretenimento do filme (Dá vontade de continuar a ver? Dá vontade de dar a conhecer aos amigos?): 20%
- Inspirador (dá vontade de visitar uma biblioteca ou ler um livro?): 20%



VOTE AQUI!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

«De longe é arte, de perto é lixo»

Exposição «Running the Numbers» ilustra o impacto do consumo na poluição do Planeta:: 2008-04-15

(Por Marta F. Reis )

De longe é arte, de perto é lixo, resume o fotógrafo Chris Jordan. Na exposição "Running the Numbers", inaugurada hoje no Pavilhão do Conhecimento e patente até 30 de Abril, em Lisboa, 426 mil telemóveis fora de uso, 1,14 milhões de sacos de papel, 200 mil maços de cigarros, dois milhões de garrafas de plástico por reciclar e outros tantos desperdícios são matéria-prima de uma colecção de imagens que promete ajudar a perceber o que tentam dizer as estatísticas sobre a poluição do planeta. :: Continuar a Ler...


http://cienciahoje.pt


um sítio a visitar diariamente!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

OMS nasceu a 7 de Abril de 1948

Ao longo dos seus 60 anos, a Organização Mundial da Saúde enfrentou vários desafios da saúde pública que se foram colocando ao homem e ao mundo, concretamente, a luta contra certas doenças - a tuberculose, o tétano, a poliomielite, o HIV, a luta contra o tabaco.
O Dia Mundial da Saúde, que hoje se comemora, assinala, assim, a entrada em vigor da Constituição da OMS que, tendo alcançado a erradicação da varicela , continua ainda a trabalhar no programa do controlo da malária, uma das suas grandes batalhas a nível global.
Para o corrente ano, a OMS escolheu como tema a protecção da saúde contra os efeitos das alterações climáticas.
(adaptado de "Público", P2, pag. 2)
Ver mais em

segunda-feira, 31 de março de 2008

Nouvel, o arquitecto da luz e das transparências, é o novo Pritzker



Jean Nouvel, o "Arquitecto Camaleónico", aos 62 anos, o autor do Instituto do Mundo Árabe de Paris, torna-se no 32º vencedor do mais importante prémio de arquitectura do mundo.
Di-lo com a transparência que é a marca da sua obra: "O papel do arquitecto na sociedade é agir como intérprete dos seus movimentos. Escutando as suas tendências, mutações históricas, culturais, sociais e ambientais, a sua missão é transcrevê-las para uma linguagem poética."Aos 62 anos, Jean Nouvel, que em 1987 se tornou conhecido pelo edifício do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, é o vencedor da trigésima edição do Pritzker, o mais importante prémio de arquitectura do mundo. A cerimónia de entrega do prémio (100 mil dólares, ou seja, 63,3 mil euros) é só no dia 2 de Junho, na Biblioteca do Congresso, em Washington, mas o júri já justificou a sua escolha. Ontem, em Los Angeles, Thomas J. Pritzker, leu a partir da acta: "Entre as muitas frases que poderiam descrever a carreira de Jean Nouvel, estão as que enfatizam a sua coragem e o desafiar de normas estabelecidas. O júri reconheceu a persistência, imaginação, exuberância e, sobretudo, a insaciável necessidade de experimentação do trabalho de Nouvel." O premiado, desde que se estabeleceu na Paris dos anos 1970, como assistente de Claude Parent e Paul Virilio, tem procurado "novas abordagens aos problemas convencionais da arquitectura". Nouvel reagiu, explicando à Reuters estar "feliz por passar a pertencer ao clube de bons amigos como Frank Gehry, Renzo Piano e Zaha Hadid". Gehry, vencedor em 1989, Renzo Piano (1998) e Zaha Hadid (2004) estão numa lista de agora 32 distinguidos de que faz parte apenas um português: Álvaro Siza Vieira, premiado em 1992. Nouvel é apenas o segundo francês - depois de Christian de Portzamparc, em 1996. Tendo desenvolvido a parte mais significativa da sua obra na Europa, e estando alguns dos seus mais emblemáticos edifícios em Paris [o Instituto do Mundo Árabe,mas também a etérea sede da Fundação Cartier (1994) e o Museu de Branly (2006), por exemplo], Nouvel tem projectos para mais de 200 países, incluindo Portugal (ver caixa). Autor da Ópera de Lyon (1993), da Torre Agbar de Barcelona (2005), e com projectos como a Tour Verre, um edifício de 75 andares para Nova Iorque, Nouvel é conhecido pelo seu trabalho de luz e transparências. Costuma dizer que gosta de brincar com o reflexo das nuvens e da vegetação: "Estes jogos de luz e profundidade de campo existem para fazer perguntas sobre a pertinência do edifício neste mundo."Inspirado pelas catedrais e igrejas dos séculos XI e XII, o desejo de Nouvel "é sempre fazer um projecto cheio de simplicidade, delicadeza, profundidade. Projectos que mantenham o espírito da sua localização, o desejo das pessoas, da cidade, do campo, dos edifícios que vieram antes dele".

31.03.2008, Vanessa Rato, In "Público"

Nouvel, o arquitecto da luz e das transparências, é o novo Pritzker

31.03.2008, Vanessa Rato
Aos 62 anos, o autor do Instituto do Mundo Árabe de Paris, torna-se no 32º vencedor do mais importante prémio de arquitectura do mundo
Di-lo com a transparência que é a marca da sua obra: "O papel do arquitecto na sociedade é agir como intérprete dos seus movimentos. Escutando as suas tendências, mutações históricas, culturais, sociais e ambientais, a sua missão é transcrevê-las para uma linguagem poética."Aos 62 anos, Jean Nouvel, que em 1987 se tornou conhecido pelo edifício do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, é o vencedor da trigésima edição do Pritzker, o mais importante prémio de arquitectura do mundo. A cerimónia de entrega do prémio (100 mil dólares, ou seja, 63,3 mil euros) é só no dia 2 de Junho, na Biblioteca do Congresso, em Washington, mas o júri já justificou a sua escolha. Ontem, em Los Angeles, Thomas J. Pritzker, leu a partir da acta: "Entre as muitas frases que poderiam descrever a carreira de Jean Nouvel, estão as que enfatizam a sua coragem e o desafiar de normas estabelecidas. O júri reconheceu a persistência, imaginação, exuberância e, sobretudo, a insaciável necessidade de experimentação do trabalho de Nouvel." O premiado, desde que se estabeleceu na Paris dos anos 1970, como assistente de Claude Parent e Paul Virilio, tem procurado "novas abordagens aos problemas convencionais da arquitectura". Nouvel reagiu, explicando à Reuters estar "feliz por passar a pertencer ao clube de bons amigos como Frank Gehry, Renzo Piano e Zaha Hadid". Gehry, vencedor em 1989, Renzo Piano (1998) e Zaha Hadid (2004) estão numa lista de agora 32 distinguidos de que faz parte apenas um português: Álvaro Siza Vieira, premiado em 1992. Nouvel é apenas o segundo francês - depois de Christian de Portzamparc, em 1996. Tendo desenvolvido a parte mais significativa da sua obra na Europa, e estando alguns dos seus mais emblemáticos edifícios em Paris [o Instituto do Mundo Árabe,mas também a etérea sede da Fundação Cartier (1994) e o Museu de Branly (2006), por exemplo], Nouvel tem projectos para mais de 200 países, incluindo Portugal (ver caixa). Autor da Ópera de Lyon (1993), da Torre Agbar de Barcelona (2005), e com projectos como a Tour Verre, um edifício de 75 andares para Nova Iorque, Nouvel é conhecido pelo seu trabalho de luz e transparências. Costuma dizer que gosta de brincar com o reflexo das nuvens e da vegetação: "Estes jogos de luz e profundidade de campo existem para fazer perguntas sobre a pertinência do edifício neste mundo."Inspirado pelas catedrais e igrejas dos séculos XI e XII, o desejo de Nouvel "é sempre fazer um projecto cheio de simplicidade, delicadeza, profundidade. Projectos que mantenham o espírito da sua localização, o desejo das pessoas, da cidade, do campo, dos edifícios que vieram antes dele".

31.03.2008, Vanessa Rato, In

quinta-feira, 27 de março de 2008

27 de Março, dia Mundial do Teatro

O ACTOR

O actor acende a boca.
Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor pôe e tira a cabeçade búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.
O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor,
com uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retirao adjectivo da coisa, a subtilezada forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.
Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terraà confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.
O actor é um advérbio que ramificoude um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.
Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,as ruas -o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.Em estado de graça. Em compactoestado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.
O actor em estado geral de graça.

HERBERTO HÉLDER

sexta-feira, 14 de março de 2008

Em louvor das bibliotecas


"(...) Com o progresso das tecnologias da informação, as bibliotecas mudaram muito nos últimos 18 anos. Agora são também virtuais. (...) Mas as bibliotecas não deixaram por isso de ser reais: palácios à espera de quem neles entre para descobrir os seus tesouros. Hoje como ontem as bibliotecas são indispensáveis ao nosso enriquecimento. (...) Porque são as bibliotecas tão importantes? Porque são tão louváveis? Porque, tal como as escolas, são espaços de inclusão. São sítios onde se cresce intelectual, académica e profissionalmente. (...)"
14.03.2008, Carlos Fiolhais - Para ler no "Público, p. 49

quinta-feira, 13 de março de 2008

Nuno Crato premiado nos European Science Awards



O matemático e divulgador científico Nuno Crato foi ontem distinguido com um dos European Science Awards na área da comunicação da ciência, atribuídos pela Comissão Europeia, em Bruxelas. Na categoria de Melhor Comunicador do Ano, Nuno Crato ficou em segundo lugar, tendo o primeiro lugar sido atribuído ao astrofísico e escritor francês Jean-Pierre Luminet, especialista em buracos negros, do Observatório de Paris. É a primeira vez que um português é distinguido com este galardão, criado em 2004, e só com dois premiados naquela categoria.O gosto pela comunicação da ciência de Nuno Crato, de 56 anos, professor de Matemática no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, tem-se traduzido em livros e programas na televisão e na rádio. O júri do prémio destacou a colaboração de Nuno Crato no jornal Expresso (onde desde 1996 escreve artigos de divulgação científica), na Rádio Europa (com o programa diário Três Minutos de Ciência) e em programas de televisão (de que 4XCiência, na RTPN, é um exemplo). Como presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, tem promovido a Matemática entre os jovens, salientou ainda o júri. Da lista de livros de divulgação, editados pela Gradiva, fazem parte Passeio Aleatório - Pela Ciência do Dia-Dia, A Espiral Dourada, Trânsitos de Vénus, Zodíaco: Constelações e Mitos ou Eclipses. Na descrição do estilo adoptado na divulgação científica, o júri chamou--lhe a "abordagem Crato", com uma "escrita fácil de ler, mas informativa e cientificamente sólida". Abordagem Crato? "Achei imensa piada. Em português, parece ridículo, mas em inglês "it sounds great"", comentou. "É importante que a comunicação científica seja valorizada internacionalmente. Estou muito contente." Na área da comunicação da ciência, os European Science Awards têm ainda as categorias Escritor do Ano e de Documentário do Ano: atribuíram-se, respectivamente, a Delphine Grinberg, autora de livros com experiências para crianças, da Cidade das Ciências de La Villette, em Paris; e a Peter Leonard, da BBC, com um documentário sobre o Universo. Os European Science Awards distinguem ainda a investigação científica, com o Prémio Descartes (venceram trabalhos sobre o clima da Terra nos últimos 800 mil anos; a infecção pela bactéria Listeria; e motores do tamanho de moléculas) e com os Marie Currie para a Excelência (venceram projectos sobre o dinheiro e a felicidade; o cancro; a inflamação; nanotubos; e a energia escura do Universo).

- 13.03.2008, Teresa Firmino - In jornal "Público"

quarta-feira, 12 de março de 2008

"O LIVRO, ESSE GRANDE OBJECTO"

Um artigo publicado recentemente na edição em linha da BBC News, colocava a questão: “Ler livros torna-nos mais espertos?”, a propósito da iniciativa “Ano Nacional de Leitura” lançada a passada semana pelo Primeiro Ministro britânico.Pois é sobre livros que esta coluna trata neste número, mas nada de crítica literária, pois isso fica para quem sabe. Mas até (me) soa bem poder afirmar que os livros são parte fundamental na minha vida, o que é uma boa verdade. Apesar desta coluna se chamar “Geração Vinil”, esclareço desde já que não usa chinó, lentes grossas nem fatos mal amanhados, estereotipo estafado da figura de bibliotecária, também conhecida por “the shhh people” expressão engraçada pela qual são (ou foram) chamados estes técnicos do livro. Falo de livros enquanto objectos e não necessariamente de leitura. Como poderão imaginar, os processos de tratamento de que os livros são alvo, nada têm de romântico: uma secretária cheia de obras à espera de serem classificadas, catalogadas e cotadas não se compadece com os prazeres da leitura nem com obras primas literárias. Dito de outra forma, um livro do Philip Roth leva exactamente o mesmo tratamento que um livro de receitas de sushi. Pode parecer injusto, mas é assim.Estamos bem longe da ideia romântica da imagem da bibliotecária a namoriscar entre estantes de madeira, como Spencer Tracy e Katharine Hepburn no filme "Desk Set”, a loura Carole Lombard enroscada nos braços do Clark Gable em “No man of her own” ou uma Betty Davis destemida, no filme “Storm center” em pleno “mccarthismo”. Coisas de filmes a preto e branco, como os microfilmes.Porque uma bibliotecária, a cores e na vida real, rodeada de códices, obras de botânica, estampas, mapas, romances ou de bases de dados em linha, com cheiro a livros de tinta fresca ou amarelados do tempo, procura, acima de tudo, fazer chegar o seu trabalho junto dos leitores o mais breve possível. Em vez da fantasia das metáforas, da sintaxe apurada da obra e da beleza da escrita, o bibliotecário suspira por um índice bem construído que lhe há-de ser de grande utilidade quando tiver que a classificar.Para além dos livros que estão à nossa guarda, existem também aqueles que nos oferecem e não lemos, aqueles que vamos comprando e os nunca abrimos, aqueles que damos porque gostaríamos de os ler, aqueles que gostaríamos de ter e nunca compramos por serem caros, aqueles que começamos a ler duas, três vezes e nunca os acabamos, porque entretanto dois ou três outros vão entrando e têm os mesmo destino(1). Sem esquecer os livros que se compram com gula, por causa da capa, pelo retrato que lá está ou seduzidos pela badana, mesmo que o recheio seja, (e é tantas vezes) uma enorme desilusão. Como costuma dizer um amigo, com especial acerto, basta colocar as fotografias ou as imagens certas numa qualquer compilação de receitas de pudins em banho-maria para se tornar um estoiro de vendas.Para além do seu valor literário, patrimonial ou estético, pouco se fala do livro enquanto objecto. Por mim, parece-me bem que cada um fale do que conhece e “classifique” como sabe.



(1) "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante", de Italo Calvino -


Maria Isabel Goulão
- In
Revista Atlântico, edição de Fevereiro

sexta-feira, 7 de março de 2008

A Fechar a Semana da Leitura...

«Sonho por vezes que, quando o dia do juízo chegar e os grandes conquistadores, advogados e estadistas vierem receber as suas recompensas – coroas, louros, nomes gravados indelevelmente em mármore imperecível -, o Todo-Poderoso se voltará para S. Pedro e dirá, não sem uma certa inveja, quando nos vir chegar com os nossos livros debaixo dos braços:
— Olhai, estes não precisam de recompensa. Nada temos para lhes dar. Eles amaram a leitura.»
(Virginia Woolf)

quinta-feira, 6 de março de 2008

A Biblioteca Escolar - o "coração da escola"

A BIBLIOTECA ESCOLAR

Num passado recente, a Biblioteca Escolar (BE) era um arquivo de livros e periódicos fechados à chave, cuidadosamente guardados, mais ou menos acessíveis aos utilizadores. Era também um local de silêncio absoluto, vetusto, monástico, vedado a quaisquer outras actividades que não fossem a leitura e a pesquisa de obras. A sua organização espacial e operacional, a sua estrutura hierárquica eram determinadas por um regimento ou regulamento interno rígidos, centralistas, estáticos e pouco favoráveis à mudança. O acesso era restrito quer em termos de horário de funcionamento quer de público, dos espaços e dos equipamentos, entre outros. A ênfase organizacional era colocada na gestão do acervo documental e o “trabalho” desenvolvia-se com base nos serviços prestados e nos recursos disponibilizados (livros e alguns periódicos exclusivamente ligados às matérias curriculares e aos conteúdos programáticos).

Do ponto de vista pedagógico-didáctico, não existia uma preocupação relevante nem uma articulação com as actividades da escola. Por outro lado, o pessoal raramente tinha uma formação especializada, sendo o Director da Biblioteca ou o Director das Instalações, conforme o caso, escolhido entre o quadro docente, normalmente nos grupos de Letras ou Humanidades e já em fim de carreira.

O acervo era determinado pelas escolhas dos Delegados de Grupo (pós-25 de Abril de 74) ou, mais recentemente, pelos Coordenadores de Departamento.

Actualmente, a gestão da BE, de qualquer biblioteca, está muito para além da gestão de fundos documentais: nela coexistem diversificados suportes de informação – CD de música, CD-ROM, DVD, livros, periódicos, acesso à Internet - que implicam outras formas de gerir espaços, relações, aprendizagens.

O Manifesto da IFLA para as BE, de 1999, estabeleceu um conceito mais moderno e actual baseado nas premissas de “competências para a aprendizagem”, articulados com os “manuais escolares e matérias e metodologias de ensino”. Há, portanto, neste conceito duas noções modernas: a “aprendizagem” e o “ensino”, supondo uma relação dinâmica, bidireccional e justaposta. A BE integra-se, pois, no Projecto Educativo da escola e assume um papel primordial, senão central, uma vez que é o espaço articulador das competências e lhe cabe promover o ensino-aprendizagem. À BE compete ainda munir os jovens das competências tecnológicas, de leitura, de manuseamento e partilha da informação, as quais constituem hoje condição incontornável na formação para a cidadania.

A fim de levar a termo este papel, a BE necessita de ser parceira do Projecto Educativo e do Projecto Curricular de Escola, devendo integrar-se transversalmente no Currículo e, por extensão, no Plano Anual de Actividades da Escola. Este papel, assim assumido, passa pela maior interacção entre a BE e o Conselho Executivo, o Conselho Pedagógico, os Departamentos, os Conselhos de Turma, os Docentes e a Comunidade Educativa em geral.

Deste modo, os objectivos enunciados no Manifesto da International Federation of Library Associations (IFLA) “essenciais ao desenvolvimento da literacia, das competências de informação”, que “ correspondem aos serviços básicos da biblioteca escolar”, podem ser materializados em actividades mais específicas, que envolvam toda a escola e, principalmente, os docentes, não descurando a gestão intermédia e a gestão de topo, assumindo-se como a porta de acesso ao vasto mundo da informação e do conhecimento.

Assim, tendo em conta os objectivos a alcançar e os planos a cumprir, configura-se, a título meramente exemplificativo, a colaboração da BE nas seguintes actividades:

-levantamento de oportunidades de colaboração com os departamentos, clubes, projectos, etc.;

-organização do apoio da BE nas Áreas de Projecto e Estudo Acompanhado;

-produção de materiais didácticos e de apoio (impressos, digitais, multimédia);

-análise da articulação da BE com os programas curriculares e projectos em curso, de modo a determinar as competências de informação que podem ser desenvolvidas na BE, na sala de aula ou noutros espaços escolares;

-cooperação no desenho e execução de um programa de fomento de competências de leitura e escrita;

-promoção da formação (tipologias diversas) dos docentes em competências de leitura e de informação;

-estímulo à formação autónoma na BE, sugerindo técnicas de investigação, de consulta e de trabalho quer individual quer cooperativo.

Aos docentes cabe também um papel importante na relação Escola/BE, uma vez que são simultaneamente actores e espectadores no palco que a BE também deve ser. A sua colaboração pode estender-se a outras actividades (a lista não é exaustiva) tão relevantes como: divulgar os recursos da BE junto dos alunos, de modo a promover a sus utilização autónoma; acompanhar os alunos à BE; participar na organização conjunta de actividades de leitura e animação pedagógica na BE; motivar os alunos para a frequência da BE; incluir a BE nas suas actividades curriculares e de complemento curricular; apoiar a BE no processo de recolha, selecção e tratamento da informação, …

A gestão intermédia e a de topo, na Escola, devem igualmente contribuir para o sucesso da BE, cabendo-lhes o papel de facilitadores em diferentes vertentes. A estes elementos estão reservadas competências como a criação de condições organizacionais da BE (gestão dos espaços, atribuição de horas e créditos horários), procedimentos administrativos (verbas, equipamentos, pessoal), a salvaguarda de uma utilização flexível e adequada da BE, a mobilização de apoios e recursos externos e, de importância relevante, a liderança e o apoio no envolvimento dos docentes, através de acções de informação, sensibilização e formação eventualmente centradas na própria biblioteca.

A BE é uma construção diária que deve envolver toda a escola.

José Caseiro – Coordenador da BE-CRE

UNESCO.IFLA. Manifesto da Biblioteca Escolar: a biblioteca escolar no contexto do ensino aprendizagem para todos. [Lisboa]: Ministério da Educação. Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, cop. 2000.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pausa?

Não, não estamos inactivos... estamos a preparar a Semana da Leitura que aí vem (3 -7 de Março).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Dia 21 de Fevereiro: Dia Internacional da Língua Materna

Mensagem do Sr. Koïchiro Matsuura, Director-Geral da UNESCO, na celebração de “2008, Ano Internacional das Línguas” “As Línguas são importantes!”

O ano de 2008 foi proclamado Ano Internacional das Línguas pela Assembleia-Geral das Nações Unidas. A UNESCO foi incumbida da tarefa de coordenar as actividades do Ano, e está determinada a cumprir o seu papel como organização responsável.
A organização está plenamente ciente da importância crucial das línguas face aos muitos desafios que a humanidade terá de enfrentar nas próximas décadas.
As línguas são, de facto, essenciais para a identidade dos grupos e indivíduos e para a sua coexistência pacífica. Constituem factor estratégico de progresso em direcção ao desenvolvimento sustentável e a uma relação harmoniosa entre os contextos global e local.
São da maior importância para atingir os seis objectivos da Educação para Todos (EFA) e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs) acordados no âmbito das Nações Unidas em 2000.
Como factores de integração social, as línguas desempenham, efectivamente, um papel estratégico na erradicação da pobreza extrema e da fome (ODM 1); como suportes da literacia, aprendizagem e competências para a vida, são essenciais para alcançar a educação primária universal (ODM 2); o combate contra o HIV/SIDA, a malária e outras doenças (ODM 6) deve ser travado nas línguas das populações alvo para surtir efeito; e a salvaguarda do conhecimento e saber-fazer autóctones, tendo em vista assegurar a sustentabilidade ambiental (ODM 7), está intimamente ligado com as línguas locais e autóctones.
Além disso, a diversidade cultural relaciona-se intimamente com a diversidade linguística, como indicado na Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO e plano de acção (2001), na Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003) e na Convenção para a Protecção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais (2005).
Todavia, no espaço de poucas gerações, mais de 50% das 7,000 línguas faladas no mundo podem desaparecer. Menos de um quarto dessas línguas são normalmente usadas na escola e no ciberespaço, e a maioria apenas é utilizada esporadicamente. Milhares de línguas – apesar de dominadas pelas populações, que as utilizam como meio diário de expressão – estão ausentes dos sistemas de educação, da comunicação social, das publicações e do domínio público em geral.
Temos de agir agora, urgentemente. Como? Encorajando e desenvolvendo políticas linguísticas the permitam a cada comunidade utilizar a sua primeira língua, ou língua materna, o mais ampla e frequentemente possível, incluindo na educação, dominando simultaneamente uma língua nacional ou regional e uma língua internacional. Encorajando também os detentores de uma língua dominante a falar outra língua nacional ou regional e uma ou duas línguas internacionais. Só se o multilinguismo for totalmente aceite poderão as línguas encontrar o seu lugar num mundo globalizado.
Por conseguinte, a UNESCO convida os governos, as organizações das Nações Unidas, a sociedade civil, as instituições educativas, as associações profissionais e todos os outros actores envolvidos a incrementarem as suas actividades para fomentar o respeito e promover e proteger todas as línguas, especialmente as línguas em perigo, em todos os contextos individuais e colectivos.
Seja através de iniciativas nas áreas da educação, ciberespaço ou ambiente letrado; seja através de projectos para salvaguardar as línguas em perigo ou para promover as línguas como um instrumento de integração social; ou para explorar a relação entre línguas e economia, línguas e conhecimento autóctone ou línguas e criação, é importante que a ideia de que “as línguas são importantes!” seja promovida por toda a parte. A data de 21 de Fevereiro de 2008, que corresponde ao nono Dia Internacional Língua Materna, terá um significado especial e proporcionará uma data limite especialmente apropriada para a apresentação de iniciativas destinadas a promover as línguas.
O nosso objectivo comum é assegurar que a importância da diversidade linguística e do multilinguismo nos sistemas educativo, administrativo e legal, expressões culturais e comunicação social, ciberespaço e comércio, seja reconhecida a nível nacional, regional e internacional.
O Ano Internacional das Línguas de 2008 constituirá uma oportunidade única para realizar progressos decisivos para alcançar estes objectivos.

Koïchiro Matsuura
05-11-2007

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

CIÊNCIA HOJE

"A data não podia passar em branco: a 12 de Fevereiro de 2009 comemora-se o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, o biólogo responsável pela ideia da selecção natural das espécies, exemplo de persistência e rigor científico nos dias de hoje. João Caraça, director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, falou ao Ciência Hoje da importância de recordar Darwin e dos planos da Fundação para que a ideia de que a ciência ajuda a resolver os problemas da sociedade chegue a todos."



Ler entrevista em http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=25157&op=all

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sessão de escrita criativa

O escritor/professor Paulo Teixeira (PT) passou hoje pela Escola e deixou um rasto criativo na abordagem à escrita com alunos do curso profissional de Informática. Partindo do poema de "O'Neill (Alexandre), moreno português" os alunos elaboraram o seu auto-retrato, seguindo as indicações de PT.
Instante raro de contacto com a criação poética, os alunos sentiram a emoção criativa e descobriram que, afinal, todos tinham um pouco de poeta.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

No passado 13 de Fevereiro de 1965


HUMBERTO DELGADO É ASSASSINADO PERTO DE BADAJÓS


-

Foi um dos crimes mais calculados e mais violentos da PIDE e do Estado Novo de Salazar: o assassínio de Humberto Delgado, que nesse ano de 1965 estava exilado no Brasil, a partir de onde tratava de tentar depor o regime que sete anos antes tinha viciado as eleições presidenciais que o "General sem Medo" havia vencido após uma campanha com uma adesão popular sem precedentes. A 13 de Fevereiro de 1965, Humberto Delgado caiu na cilada que lhe foi montada pela PIDE: aceitou reunir-se, em Badajoz, com um suposto coronel também oposicionista ao salazarismo, com o objectivo de prepararem ambos o derrube do ditador. Nesse dia, Delgado, 60 anos, chegava à cidade espanhola junto à fronteira portuguesa acompanhado da sua secretária brasileira, Arajaryr Campos, 34 anos. Ao final da manhã, envia dos correios de Badajoz quatro postais para outros tantos amigos em países diferentes e assinados com o nome de sua irmã Deolinda. Em linguagem cifrada, o general passava a mensagem de que estava vivo e que não tinha sido preso. Mas seria por poucas horas: ao princípio da tarde, Humberto Delgado aceita a sugestão que lhe é feita pelo seu interlocutor de que o encontro com o tal militar oposicionista, por razões de segurança, se faça junto à ribeira de Olivença. É o local da cilada: quando lá chega, vê-se cercado por quatro agentes da PIDE, chefiados por Rosa Casaco. Ao que tudo indica, apesar de as reais circunstâncias do assassinato estarem ainda envoltas em algum mistério, fruto de depoimentos contraditórios dos intervenientes, foi Casimiro Monteiro o autor dos disparos que vitimaram o "General sem Medo". A sua secretária teve o mesmo destino. Os corpos foram depois levados para outro lugar junto à fronteira, em Villanueva del Fresno. Até à descoberta dos cadáveres, em Abril desse ano, o salazarismo tentou fazer passar a mensagem, através dos jornais, de que a cilada a Delgado teria sido mesmo montada por uma das facções da oposição. Depois de Abril, Mário Soares foi um dos advogados que intervieram na investigação da morte. Delgado tornara-se mártir e um novo símbolo da resistência. O salazarismo caminhavapara o seu estertor.

S.C.A. - 13.02.2008 -´"Público", caderno P2

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

62 ESCRITORES, 11 PAÍSES

Conferências, lançamento de livros, sessões de poesia, Prémio Literário Casino da Póvoa, uma feira do livro, exibição de filmes, exposições, espectáculos, encontros entre escritores e alunos, uma homenagem a Eduardo Prado Coelho - tudo isto se enquadra nesta edição anual do CORRENTES D´ESCRITA, (12-16 Fev, Póvoa do Varzim).
Mia Couto, Baptista-Bastos e Valter Hugo Mãe são alguns dos 42 estreantes nesta iniciativa que continua a ser o maior encontro de escritores de expressão ibérica.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

2008 - Ano Vieirino



«Arranca o estatuário uma pedra destas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão e começa a formar um homem: primeiro, membro a membro e, depois, feição por feição, até à mais miúda. Ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos. Aqui desprega, ali arruga, acolá recama. E fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar. »


Padre António Vieira, pregando em defesa dos índios brasileiros - in "Sermão do Espírito Santo"

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

2008, ANO VIEIRIANO


O céu 'strela o azul e tem grandeza.

Este, que teve a fama e à glória tem,

Imperador da língua portuguesa,

Foi-nos um céu também.



No imenso espaço seu de meditar,

Constelado de forma e de visão,

Surge, prenúncio claro do luar,

El-Rei D. Sebastião.



Mas não, não é luar: é luz do etéreo.

É um dia, e, no céu amplo de desejo,

A madrugada irreal do Quinto Império

Doira as margens do Tejo.


(Fernando Pessoa. "Mensagem") ____________________________________________________________________


Completam-se hoje 400 anos sobre a data em que nasceu um dos maiores prosadores lusófonos de sempre.

Chamou-se António Vieira, foi padre jesuíta, orador, um combatente feroz por causas que nem sempre venceu: funções de estratega político e diplomáticas, difíceis e frequentemente falhadas, luta intransigente em favor dos mais desprotegidos, cristãos-novos, judeus, índios e escravos; contra a Inquisição, que o perseguiu e teve preso. Simultaneamente atento ao seu tempo e profeta de um 5ºImpério, angariou amigos e inimigos.

Viajante incansável, nasceu em Lisboa há 400 anos e morreu em Salvador da Bahia em de Junho de 1697.




Ver mais em

http://www.anovieirino.com/

http://www.publico.clix.pt/ (caderno P2)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A "alma musical" de Pessoa cantada em italiano



É uma velha paixão que traz de novo a Lisboa o cantor italiano Mariano Deidda. E essa paixão chama-se Fernando Pessoa. Desde que o descobriu, a partir de uma tradução de António Tabucchi para a Feltrinelli (Il Poeta è un Fingitore), que Deidda não parou de o cantar, sobretudo em Itália. Nascido na Sardenha, Deidda já gravou três discos a partir dessa obra poética que tanto o fascina: Deidda Interpreta Pessoa (2001), Nel Mio Spazio Interiore (2003) e L"Incapacità di pensare (2005), que completa a trilogia.
Mas a sua carreira musical começa antes, em 1992, com Canzoni per Ricominciare, seguindo-se mais tarde L"Era dei Replicanti (1998), onde homenageava o celebrado folk-singer inglês Nick Drake (1948-1974). Foi depois da sua passagem pela Expo "98 que deu início ao trabalho em torno da poesia de Fernando Pessoa, que ele considera "um homem extremamente projectado no futuro" e para lá do seu próprio tempo. Nesses discos, Mariano Deidda fez-se rodear de excelentes músicos, como o trompetista Enrico Rava, o acordeonista Gianni Coscia ou o contrabaixista Miroslav Vitous, três figuras de primeira linha do jazz europeu. O disco de estreia da trilogia de Pessoa contou ainda com a participação da cantora cabo-verdiana Celina Pereira, em Misteriosa Orchestra.
O mais recente disco de Deidda, Rosso Rembrandt, é dedicado à poesia da escritora italiana Grazia Deledda, como ele nascida na Sardenha (1871-1936) e distinguida com o Nobel da Literatura em 1926. Nele, Deidda volta a mesclar o universo dos cantautore com o do jazz, tendo agora como convidado o histórico trompetista Kenny Wheeler.
Mas é Fernando Pessoa que o traz a Portugal. O poeta onde ele vislumbrou um dia "uma mentalidade ultramoderna, perfeita na métrica." O poeta que "tinha uma alma musical" e do qual ele se tornou embaixador itinerante e apaixonado, na Itália e fora dela. Com Mariano Deidda (voz) estarão em palco Silvia Cucchi (piano), Luca Zanetti (acordeão), Saverio Miele (contrabaixo) e Diego Mascherpa (saxofone e clarinete).
31.01.2008, Nuno Pacheco - IN jornal "Público", P2,

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

E por falar em prémios... Mário Cláudio distinguido com Prémio Vergílio Ferreira




Mário Cláudio, escritor portuense, foi galardoado pela Universidade de Évora com o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2008, galardão que visa dar projecção e visibilidade às obras de ficção ou ensaio do autore escolhido e inclui uma componente pecuniária de cinco mil euros.
A atribuição do prémio deste ano foi decidida por unanimidade pelo júri composto pelos professores universitários José Alberto Gomes Machado (Évora, presidente), José Carlos Seabra Pereira (Coimbra), Isabel Allegro de Magalhães (Universidade Nova de Lisboa) e Elisa Nunes Esteves (Évora) e pela jornalista e critica literária Clara Ferreira Alves.

(fonte: Diário Digital)

Prémio D.Dinis atribuído a Manuel Alegre



O Prémio D.Dinis 2008, um dos mais prestigiados galardões literários portugueses, foi atribuído ao poeta Manuel Alegre pelo livro Doze Naus.
O júri era constituído pelos poetas Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e Fernando Pinto do Amaral.
Manuel Alegre vai publicar em Fevereiro uma antologia dos seus poemas sobre a guerra colonial, intitulada "Nambuangongo, Meu Amor".
Trata-se de um livro de cerca de 60 páginas, dividido em quatro partes: "Nambuangongo, Meu Amor", "Três Canções com Lágrimas e Sol para um Amigo que Morreu na Guerra", "Continuação de Alcácer Quibir" e "Explicação de Alcácer Quibir".
O autor, agora com 71 anos, participou na guerra colonial em Angola, no início da década de sessenta, e a seguir exilou-se na Argélia.
O seu primeiro livro de poesia, "Praça da Canção", saiu em 1965.
(fonte: Diário Digital)

domingo, 27 de janeiro de 2008

Dia Europeu da Protecção de Dados

«DADUS A CNPD - Comissão Nacional de Protecção de Dados - assinala o Dia Europeu da Protecção de Dados com a apresentação pública do Projecto DADUS , uma iniciativa pioneira a nível europeu, dirigida às escolas do 2º e 3º ciclos do ensino básico, com o objectivo de sensibilizar os jovens alunos para as questões de protecção de dados e da privacidade. »

Para saber mais:
ler
O que é o Projecto Dadus? -
ver «Índice das primeiras unidades temáticas: #1 - Dados pessoais: Noções básicas; #2 - A Internet e a recolha de dados pessoais; #3 - As redes sociais na Internet (social networking); #4 - Dados pessoais em inquéritos e estudos; #5 - A utilização do correio electrónico (e-mail); #6 - O universo dos telemóveis; #7 - Videovigilância e tratamento de dados pessoais; #8 - Conhecer e gerir as novas tecnologias » (Retirado do site oficial)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Livraria Lello, a terceira mais bela do Mundo

Leonel de Castro
Livraria Lello é um dos maiores ex-líbris culturais do Porto

Divina. Chamou-lhe o jornal britânico "The Guardian" e a honraria agora atribuída à Livraria Lello, no Porto, na Rua das Carmelitas, mesmo diante da torre dos Clérigos, de Nasoni, traduz a nobreza de um edifício de linhas neogóticas forrado a livros e com muitas raridades bibliófilas à mistura. "O título suscita orgulho e responsabilidades", conta Antero Braga, o proprietário.

Por estes dias, a clarabóia ainda deixa entrar a luz única do Porto e ilumina a bonita escadaria central, mais as enormes estantes apinhadas de títulos. "Temos cerca de 90 mil obras expostas de autores nacionais e internacionais. Entre nós são publicados, mensalmente, 1300 títulos", traduz Antero Braga.

Satisfeito pelo facto de o "The Guardian" ter colocado a Livraria Lello em terceiro lugar, precedida da "Boekhandel", em Mastricht, na Holanda (1.º lugar) e da "El Ateneo", em Buenos Aires (Argentina), onde funcionou um teatro. "Já corri meio mundo, mas não conheço livraria construída de raiz e tão bonita como esta. É uma preciosidade", elogiou. (Nota minha: todos conhecem a história, verdadeira, do turista americano que queria à viva força comprar a escadaria central da livraria...)

Fundada há mais de um século (1906) e edificada sob o risco de Xavier Esteves, a Livraria Lello é um edifício de grande beleza arquitectónica e faz parte do património portuense. Visitado por milhares de visitantes, não há turista digno desse nome que não vá admirar este espaço de cultura. "Temos muitos títulos traduzidos em várias línguas, obras de José Saramago, Agustina, Eça de Queirós, Camilo. Não vendemos só livros. Por vezes, também somos conselheiros das pessoas. Privilegiamos muito o contacto com os clientes", referiu.
(Este texto, com cortes, foi retirado da edição 19/01/08 do Jornal de Notícias, com autoria de Manuel Vitorino)