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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Universidade de coimbra eleita pela UNESCO como patrimonio mundial da humanidade

A Universidade de Coimbra foi classificada  Património Mundial da Humanidade pelo comité da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reunido no Camboja.
O reitor da UC, João Gabriel Silva, afirmou que "mais do que o reconhecimento do valor arquitetónico do complexo universitário de Coimbra, esta decisão da UNESCO sublinha o valor universal da cultura e da língua portuguesas e reconhece o papel central que Portugal teve na formação do Mundo, tal como hoje o conhecemos".
A UC foi a única universidade portuguesa durante tantos séculos e a classificação como património mundial "reconhece a ação central que a Universidade de Coimbra tem vindo a desempenhar na história da humanidade", realça a nota.
Para comemorar a inscrição da Universidade de Coimbra - Alta e Sofia na lista do Património Mundial da Humanidade, realizou-se ontem a iniciativa "Coimbra em Festa", na Praça do Comércio,  na Baixa de Coimbra; de destaque, a serenata na Sé Velha.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Diário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia

A UNESCO selecionou o Diário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia,1497-1499, para integrar a sua lista dos Registos da Memória do Mundo.

O diário, de autoria atribuída a Álvaro Velho, está depositado na Biblioteca Municipal do Porto, vindo do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, de onde transitou, em 1834, por iniciativa de Alexandre Herculano. Trata-se de um documento fundamental para o conhecimento da viagem de Vasco da Gama e do processo inaugural de abertura do mundo que ela inaugurou.

Desta lista já faziam parte, por exemplo, a carta de Pêro Vaz de Caminha ao rei de Portugal D. Manuel I sobre a chegada ao Brasil, (1 de maio de 1500) e o Tratado de Tordesilhas, (7 de junho de 1494)
Sendo um documento precioso está, hoje, como tantos outros, graças aos arquivos e bibliotecas digitais, acessível a todos no sítio das Bibliotecas Municipais do Porto - 

 
 
Que tiver mais dificuldades em ler paleógrafos, pode ler uma transcrição do texto no número 23 da série HALP (Dezembro de 2002) do Boletim dos Serviços de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian. Disponível na Biblioteca da ESA, em suporte papel,  e em http://www.leitura.gulbenkian.pt/boletim_cultural/files/HALP_23.pdf
 
 
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aquilino Ribeiro (1885-1963), um anarquista no Panteão Nacional


 
aquilino_ribeiro
Este ano assinalam-se os 50 anos da morte de Aquilino Ribeiro, um dos grandes escritores portugueses. Para além de uma escrita notável, empenhado nos aspectos sociais e sensível ao sofrimento dos mais pobres e dos explorados, Aquilino Ribeiro teve uma militância anarquista conhecida na sua juventude, permanecendo sempre muito ligado aos princípios libertários.
Segundo os seus biógrafos, e nunca escondido por ele próprio (nomeadamente nos seus livros mais autobiográficos como “Um Escritor Confessa-se”), foi um homem de acção, esteve preso e foi perseguido, enquanto anarquista, e segundo alguns historiadores, poderá ter estado mesmo ligado ao regicídio de D. Carlos. Os métodos de acção directa não lhe eram estranhos.
A partir de 1902 frequentou o Seminário de Beja, de onde foi expulso em 1904, “depois de ter dado uma réplica cortante a uma acusação do Padre Manuel Ançã, um dos dois irmãos que ao tempo dirigiam a instituição” (1)
Três anos depois, em 1907, com 22 anos de idade, “o rebentamento de caixotes de explosivos guardados na sua casa leva à morte de dois correligionários e a que seja encarcerado na esquadra do Caminho Novo, de onde se evade em situações rocambolescas, como se pode ler no volume de memórias antes mencionado”.(1)
Evade-se da prisão a 12 de Janeiro de 1908 e durante a clandestinidade em Lisboa mantém os contactos com os regicidas, refugiado, na Rua Nova do Almada, em frente da Boa Hora.
Homem de acção, depois de estar algum tempo na clandestinidade, foge para Paris, de onde regressa em 1914.
Participa na revolta de 7 de Fevereiro de 1927, em Lisboa. Exila-se em Paris. No fim do ano regressa a Portugal, clandestinamente, participando na revolta de Pinhel. Encarcerado no presídio de Fontelo (Viseu), evade-se e volta a Paris. Em Lisboa é julgado à revelia em Tribunal Militar, e condenado.
Regressa posteriormente a Portugal, onde morre a 27 de Maio de 1963, quando se comemoravam os 50 anos da sua actividade literária . Na ocasião estavam-lhe a ser feitas homenagens em várias cidades do país. Nessa mesma hora, a Censura comunicava aos jornais não ser mais permitido falar das homenagens que lhe estavam a ser prestadas.
Em 2007, por entre muitos protestos dos sectores mais reaccionários da sociedade portuguesa, a Assembleia da República decidiu homenagear a sua memória e conceder aos seus restos mortais as honras de Panteão Nacional (2). Na frieza da Igreja de Santa Engrácia, se os mortos falassem, Aquilino Ribeiro talvez só pudesse ter uma conversa decente com o velho Guerra Junqueiro, cujos ossos também ali repousam.
lobos uivamNos seus livros a luta pela liberdade é sempre uma constante e uma das suas obras primas “Quando os Lobos Uivam”, que esteve proibido durante o fascismo, é um verdadeiro hino à insubmissão e, por todo ele, perpassa um halo libertário de apelo à revolta e à transformação social.
Aquilino Ribeiro foi um vulto grande do pensamento social, anarquista militante em várias fases da sua vida, para além de um enorme escritor e intelectual, como o foram aliás grandes vultos da sociedade portuguesa do século passado, muito influenciados pelas ideias libertárias até ao fim das suas vidas: os escritores e jornalistas Ferreira de Castro (1898 – 1974) e Jaime Brasil (1896 – 1966); o filósofo Leonardo Coimbra (1883-1936) ou o cientista Aurélio Quintanilha (1892 – 1987), entre muitos outros.
Assinatura de_Aquilino_Ribeiro
 


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Álvaro Barreirinhas Cunhal (Coimbra, 10/nov/1913 - Lisboa, 13/junho/2005)

 foi um político e escritor português, conhecido por ser um resistente ao Estado Novo, e ter dedicado a vida ao ideal comunista e ao seu partido: o Partido Comunista Português.
Neste ano de 2013, realizam-se as comemorações do centenário do nascimento de  Álvaro Cunhal, através de centenas de iniciativas que percorrem a sua vida política, cultural e artística, bem como exposições em sua homenagem, relembrando a sua importância para a liberdade e a democracia conquistadas em Abril.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Documentos para a História da Resistência


Hoje, passam 48 anos sobre a data da morte do General Humberto Delgado, assassinado pela PIDE a 13 de Fevereiro de 1965, em Vila Nueva del Fresno (Espanha)

Em 13 Fevereiro de 1975 a revista Vida Mundial publicava um texto que se mantivera inédito até então.
É um texto divulgado em Março de 1959 escrito em defesa do General Delgado, enviado ao então Ministro da Presidência e assinado por intelectuais ligados à oposição ao regime. Entre eles, encontram-se os nomes de António Sérgio, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Cal Brandão, Mário Soares, Raul Rego
Documentos para a História da Resistência

Hoje, passam 48 anos sobre a data da morte do General Humberto Delgado, assassinado pela PIDE a 13 de Fevereiro de 1965, em Vila Nueva del Fresno (Espanha)

Em 13  Fevereiro de 1975 a  revista Vida Mundial publicava um texto que se mantivera inédito até então.
É um texto divulgado em Março de 1959 escrito em defesa do General Delgado, enviado ao então Ministro da  Presidência e assinado por intelectuais ligados à oposição ao regime. Entre eles, encontram-se os nomes  de António Sérgio, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Cal Brandão, Mário Soares, Raul Rego
Centro de Documentação 25 de Abril

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Centenário do Museu de Aveiro



A AMUSA – Associação dos Amigos do Museu de Aveiro e o Museu de Aveiro promoveram no  dia 28 de outubro uma palestra sobre Santa Joana e a sua presença e memória secular no Mosteiro e em Aveiro; foi orador o vigário geral da Diocese, Monsenhor João Gaspar.
Seguiu-se um concerto na Igreja de Jesus, pelo Coro da Sé Catedral da cidade.
Esta iniciativa insere-se nas comemorações dos 100 anos do Museu de Aveiro, que se prolongam até dia 6 de junho de 2013.
Para dia 8 de dezembro, às 15H00, está agendada uma palestra, por Isabel Sousa Pereira, acerca dos 100 anos do Museu de Aveiro. Haverá ainda cinco pequenas palestras, pelos conservadores do museu, acerca das coleções de que são responsáveis.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Série Mar Português: pode um navio contar a história da pesca do bacalhau?


Este navio teve duas vidas e está a caminho da terceira. Foi bacalhoeiro português nos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. Foi cruzeiro turístico nas Caraíbas, quem sabe se não foi como um barco do amor. E agora, que regressou ao país de origem depois de ter sido resgatado do abate nas Antilhas Holandesas, a ideia é torná-lo num navio-memória da sua primeira vida. O Argus ficou célebre mundialmente, tudo por causa de um livro que apareceu em 1951 nas principais livrarias de Londres e Nova Iorque e, pouco depois, em Portugal: A Campanha do Argus — Uma Viagem na Pesca do Bacalhau.
http://www.publico.pt/Sociedade/serie-mar-portugues-pode-um-navio-contar-a-historia-da-pesca-do-bacalhau-1566203

terça-feira, 2 de outubro de 2012

sábado, 31 de março de 2012

HOJE É O DIA NACIONAL DOS CENTROS HISTÓRICOS

Oficialmente, celebram-se os 150 anos das 1ªs edições de Camilo Castelo Branco.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Já abriu o Museu Arte Nova, em Aveiro.



O espaço museológico encontra-se instalado na Casa Major Pessoa, um exemplar de arquitetura inspirada naquele corrente artística do início do sex XIX, propriedade municipal.

A sessão de inauguração integrou uma visita guiada com autarcas, técnicos que estiveram envolvidos nas obras de recuperação do edifício e o designer Francisco Providência, responsável pela conceção do mobiliário do espaço.


O Museu Arte Nova de Aveiro, que tem sede na habitação familiar atribuída a Silva Rocha e/ou Ernesto Korrodi e desenhada para o comerciante Major Pessoa, é o centro interpretativo da extensa rede de motivos Arte Nova disseminados por toda a cidade de Aveiro.



domingo, 22 de janeiro de 2012

GUIMARÃES, CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA EM 2012


Guimarães 2012: "Uma cidade portuguesa, europeia e mundial"

Já começou a Capital Europeia da Cultura. Ao longo de um ano Guimarães é o palco para o encontro entre criadores e criações. Um programa mulltidisciplinar que se assume no panorama nacional e internacional.

Ao longo de um ano, a CEC promove o intercâmbio cultural e a partilha de experiências e ideias para o futuro. Um evento da cidade para o mundo onde as pessoas nunca são esquecidas. Sob o mote "tu fazes parte", Guimarães, em 2012, nas palavras de João Serra, é "uma cidade portugesa, europeia e mundial".

Ver mais em

http://www.guimaraes2012.pt/


segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 DE ABRIL


(na figura cartaz de Vieira da Silva

Elsa Ligeiro, editora da "Alma Azul", a propósito do 25 de Abril:

A história é conhecida.
Salazar recusou a nacionalidade portuguesa a Arpad Szenes, apátrida, pela sua ascendência judaica, e marido da pintora Maria Helena Vieira da Silva.

A pintora, que nasceu em Portugal, em 1908, morreu com passaporte francês para acompanhar o marido quando, em 1956, o governo de França tornou cidadão francês o meteco Arpad que tinha nascido na Hungria e desde jovem vivido em vários países, um pouco por todo o mundo.Também em Portugal, onde esteve com a mulher, com quem partilhou o resto da sua vida depois do casamento, em 1930.

Há um filme de José Álvaro Morais, um dos maiores cineastas portugueses, que apesar de ter nascido em Coimbra, cresceu na Covilhã, onde está sepultado, que conta esta bela história de amor entre os dois. O filme tem como título Ma Femme Chamada Bicho. Durante os primeiros dez minutos até parece um filme sobre Arpad Szenes. É ele que fala de Viena e Berlim e do seu ambiente totalitário no início do século XX, pouco antes da I Grande Guerra Mundial (sábias as suas palavras, como inteligentes e cáusticas serão mais tarde quando fala de Portugal).

Mas aparece Vieira da Silva, a sua musa, e ela toma conta do filme. Passa a uma história de amor extraordinária. Talvez mais bela porque reúne um talentoso artista que encontra um génio. Até na postura.

O filme é de 1976, o que torna possível escutar da boca de Maria Helena Vieira da Silva como nasceram os cartazes sobre o 25 de Abril de 1974 que fixarão para sempre a imagem de um país com uma revolução ímpar. A forma como Vieira da Silva o conta, com uma felicidade genuína e desprendida, é um dos momentos mais sublimes do filme. Só superado pelas imagens em que a pintora tenta continuar um quadro em frente à câmara e, depois de duas pinceladas, abandona as tintas dizendo: “Não consigo, não parece autêntico, não é autêntico”. Nada há de mais autêntico para Vieira da Silva que os seus quadros, onde com o seu génio condensa cidades. Mas fazê-lo diante de uma câmara é uma ilustração que não lhe cabe. Exemplar.

O que não a impede de no final do filme, numa verdadeira pantomínia, pintar a cara de negro e de mão dada com Arpad Szenes, caminharem, como dois adolescentes apaixonados, diante da câmara de José Álvaro Morais. Num final verdadeiro e feliz. Como devem ter as grandes histórias.

http://dererummundi.blogspot.com/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A GUERRA COLONIAL (1961-1975) COMEÇOU HÁ 50 ANOS

http://www.guerracolonial.org/intro


http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Colonial_Portuguesa


Designa-se por Guerra Colonial, Guerra do Ultramar (designação oficial portuguesa do conflito até ao 25 de Abril), ou Guerra de Libertação (designação mais utilizada pelos africanos independentistas), o período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, entre 1961 e 1974. Na época, era também referida vulgarmente em Portugal como Guerra de África.

O início deste episódio da história militar portuguesa ocorreu em Angola, a 4 de Fevereiro de 1961, na zona que viria a designar-se por Zona Sublevada do Norte, que corresponde aos distritos do Zaire, Uíje e Quanza-Norte. A Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, determinou o seu fim. Com a mudança do rumo político do país, o empenhamento militar das forças armadas portuguesas deixou de fazer sentido. Os novos dirigentes anunciavam a democratização do país e predispunham-se a aceitar as reivindicações de independência das colónias — pelo que se passaram a negociar as fases de transição com os movimentos de libertação empenhados na luta armada.

Ao longo do seu desenvolvimento foi necessário aumentar progressivamente a mobilização das forças portuguesas, nos três teatros de operações, de forma proporcional ao alargamento das frentes de combate que, no início da década de 1970, atingiria o seu limite crítico. Pela parte portuguesa, a guerra sustentava-se pelo princípio político da defesa daquilo que considerava território nacional, baseando-se ideologicamente num conceito de nação pluricontinental e multi-racial. Pelo outro lado, os movimentos de libertação justificavam-se com base no princípio inalienável de autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à luta.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Centenário da República

[…] Quatro quintas partes do povo português não sabem ler nem escrever, quer dizer: sabem falar incompletissimamente. A palavra escrita é imprescindível para a vida social moderna. Actualmente ela é o instrumento usual mais importante da sociabilidade. Na complexidade da vida de hoje, o homem que não sabe ler e escrever é um homem incompleto, desarmado para a luta do pão quotidiano. É nestas lastimosas condições de inferioridade social que se encontra a maioria da população portuguesa. Incapaz de receber e transmitir ideias e sentimentos, o cérebro da grande massa da sociedade portuguesa, em virtude daquele impiedoso princípio lamarckiano que condena à morte o órgão que não trabalha, definha-se, atrofia-se, lenhifica-se, e a alma portuguesa estagna na tranquilidade morta das águas paludosas. Acrescente-se a esta lenta agonia do espírito nacional a influência corruptora e secular da educação jesuítica, sinistra e deprimente, e a única coisa que espanta verdadeiramente é a pasmosa resistência deste desgraçado povo que tudo tem sofrido e que ainda não sucumbiu totalmente ao peso do seu mau destino. […]

Manuel Laranjeira, "O Pessimismo Nacional", Lisboa, Frenesi, 2009 (publicado em O Norte, 7 de 1908)


http://www.iplb.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/exposicaorepublica2010.aspx

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Educação e o ideário da República

Nas literaturas vivem todos os sonhos e aspirações humanas. Todas as experiências de sentimento aí aparecem: a curiosidade nova, o amor, o enternecimento, a audácia.

A alma arrastada para a rigidez e secura das abstracções científicas precisa tomar contacto com a vida real, se sorrisos e lágrimas, de amor e sofrimento, de dedicações e heroísmo. Que monstruoso homem esse que aí passa ruminando fórmulas e esquecendo a vida!

Se dá alegria e facilidade intelectual saber classificar uma planta, quanto mais não vale poder sentir-lhe a beleza, o inebriamento de perfume, adivinhar-lhe o sentido oculto, as palpitações intranhas!

E tudo isto é economicamente inútil, mas tudo isto é moralmente sublime.

A educação deve dar o homem a si mesmo, envolvendo-o de claridade interior; dá-lo à família pelo enternecimento, à humanidade pelo amor, ao Universo pelo deslumbramento e pelo sacrifício. Partindo de si, o homem deve abraçar todo o Universo.
Ser boca onde todas as dores venham cantar; olhos onde todos os sofrimentos venham chorar lágrimas de piedade e ternura universais.


Leornardo Coimbra, "Obras Completas", I, tomo I, Lisboa, INCM, 2004 (publicado em A Águia, Porto, ano I, 1ª série, nº1, 1 de Dezembro de 1910).


http://www.iplb.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/exposicaorepublica2010.aspx

terça-feira, 5 de outubro de 2010

http://www.diarioaveiro.pt/

100 anos da República: Aveiro só festejou o acontecimento no dia 7 de Outubro

Maria da Luz Nolasco apela a uma participação dos aveirenses nas acções que a autarquia vai levar a cabo hoje para celebrar os 100 anos da República
“Vivemos uma outra república, com um outro sentido democrático”, disse Maria da Luz Nolasco, vereadora dos Assuntos Culturais da Câmara Municipal de Aveiro, para quem os 100 anos sobre a implantação da república permitem ter uma “maior consciência do papel” de cada um na sociedade.
O município associa-se às Comemorações do I centenário da Implantação da República, hoje, com a realização da actividade “Aveiro nas Páginas da República” durante todo o dia, na Praça da República. Até final do ano estão previstas outras acções evocativas da efeméride.
Maria da Luz Nolasco apela a uma participação activa dos aveirenses nas várias actividades agendadas para hoje. “Queremos que as pessoas venham para a rua, se trajem à época”, disse a autarca que gostaria de ver, em Aveiro, uma alusão sentida à época da primeira república, onde os ideais republicanos eram mais vincados e genuinamente sentidos pela população.
“Aveiro nas Páginas da República”, um projecto elaborado pelo professor Joaquim Rocha (Jackas), tem como finalidade “trazer à memória dos aveirenses e a todos aqueles que naquele dia visitaram a cidade, excertos do que aconteceu há 100 anos atrás em Aveiro”, refere nota da autarquia.

Meia centena de figurinos
Esta acção envolve a participação de cerca de 30 associações e entidades culturais do concelho de Aveiro, uma adesão que Maria da Luz Nolasco considera “muito positiva” e que envolve mais de meia centenas de figurinos, que procurarão retratar os vários estratos da sociedade portuguesa.
Deste modo, “mergulhados na regular feira que ocorria junto à Capela de S. João (que se encontrava edificada no que hoje conhecemos como Rossio), entre hortaliças, aves, oleiros, ferreiros, batatas, padeiras, circulam ilustres aveirenses entre o povo que buscam incessantemente entre os demais, novas da capital”. Com o intuito de recriar esse momento, será, hoje, apresentada uma feira à moda antiga, onde o povo se concentrará para obter informações sobre a revolução.
Uma vez que, aquando da primeira república, em 1910, a velocidade a que a informação corria era reduzida, Aveiro só festejou o acontecimento no dia 7 de Outubro. Entre muitos actos públicos que surgiram para comemorar o feito, Aveiro hasteou a bandeira nos Paços do Concelho por André dos Reis, aquele que seria nomeado Presidente da Comissão Municipal Administrativa Republicana para Aveiro. Este acto será recriado, hoje, pelas 15.30 horas.
Tal como aconteceu em 1910, a Banda Amizade irá interpretar a Portuguesa após o hastear da Bandeira nos Paços do Concelho, o que ocorrerá por volta das 15.45 horas.
Seguindo algumas das referências que existem sobre a implantação da República e de como se terá manifestado na cidade de Aveiro, os grupos polifónicos do concelho de Aveiro entoarão a “Marselhesa” na sua versão original. Será uma das muitas propostas que a organização tem para as Comemorações do Centenário da República e que ocorrerá a partir dos edifícios contíguos à Praça da República pelas 14.30 horas.

Actividades até final do ano
No âmbito das comemorações do centenário da república, o Museu de Aveiro tem patente, até dia 11 de Outubro, a exposição “Bandeira(s) e Hino(s) Nacional”, uma colecção de bandeiras nacionais do Museu Militar do Porto.
No Museu da Cidade de Aveiro está patente, até dia 31 de Outubro, a exposição “O Museu da Cidade celebra a República – Curiosidades da República”, enquanto que a Biblioteca Municipal de Aveiro dá a conhecer, até 15 de Outubro, a exposição documental “A República e a Imprensa”.
O lançamento do “Roteiro Republicano de Aveiro” da autoria de Flávio Sardo e António Neto Brandão será feito no próximo dia 14 de Outubro, pelas 18.30 horas, no Edifício da Antiga Capitania do Porto de Aveiro, que receberá, ainda, no dia 15 de Outubro, as Jornadas de História Local e Património Documental sobre o centenário da República”.
“A República” é, de resto, tema de um ciclo de palestras que o Museu da Cidade de Aveiro vai receber nos meses de Outubro a Dezembro.l


Programa “Aveiro nas Páginas da República”

n 11 - 17.30 horas - Feira à moda antiga e Exposição Documental no Teatro Aveirense e Escola Secundária Homem Cristo - o Povo concentra-se na Praça para saber informações sobre a Revolução;
n 11 horas – Arruada pelas Fanfarras;
n 14.55 horas – Cantar a “Marselhesa”;
n 15.30 horas - Hastear da Bandeira da República nos Paços do Concelho;
n 15.45 horas – Tocar a “A Portuguesa”;
n 16 horas - Discursos Históricos;
n 16.20 horas - Actuação das Bandas;
n 16.30 horas - Tomada de posse da Comissão Municipal Administrativa;
n 17.30 horas - Cantar da “Portuguesa”



Aveiro contribuiu com grandes valores

n A propósito da celebração dos 100 anos da República, Maria da Luz Nolasco lembrou que, durante este período, Portugal e o mundo viveram momentos de grandes convulsões, entre os quais a I Grande Guerra Mundial, que atirou as pessoas para as trincheiras e lutarem pela liberdade, sem esquecer a fome e a crise financeira dos tempos actuais.
A vereadora dos Assuntos Culturais da autarquia aveirense frisou o papel das mulheres na sociedade e no facto de apenas em 1931 uma portuguesa ter conseguido votar. “As mulheres ainda viviam sob algum preconceito e a sua evolução era muito aquém do desejável”, afirmou Maria da Luz, para quem a República foi importante “para uma mudança de mentalidades”, bem como para a “democratização da educação, com a abertura de escolas públicas”.
A autarca frisa o papel de Aveiro durante a república, com a contribuição de uma “plêiade de pessoas”, um conjunto “de valores da cultura, da arte da política”, de “gente eloquente” que são uma referência para os actuais agentes sociais e que reforçam o “despertar político muito aceso” que sempre existiu em Aveiro e que justificam, no seu entender, um centro de estudos políticos.

1910 – o ano da República



EXPOSIÇÃO na Biblioteca Nacional, corredor do Auditório | Entrada livre | até 23 Outubro
http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=482:exposicao-1910-o-ano-da-republica&catid=144:2010&Itemid=523

Breve Cronologia da República em Aveiro 1910



6 de Outubro - A implantação da República foi publicamente proclamada em Aveiro; arbitrariamente tomou posse da Câmara o Comité Revolucionário de Aveiro, formado por Alfredo de Lima e Castro, André João dos Reis, Eduardo de Pinho das Neves, Alberto Souto Ratola, José Marques de Almeida, António Fernandes Duarte Silva e Arnaldo Ribeiro, que esteve em exercício até ao dia 10.

8 de Outubro - Toma posse o primeiro governador civil republicano de Aveiro, Albano Coutinho, logo substituído em Dezembro por Henrique Weiss de Oliveira.

9 de Outubro - Efectuou-se o acto de posse da Comissão Municipal Administrativa do Concelho de Aveiro, após a implantação da República, na presença de muitas pessoas, tendo ficado como presidente André João dos Reis

21 de Outubro - Da Igreja de Jesus foi levado para a vizinha igreja paroquial de Nossa Senhora da Glória o Santíssimo Sacramento, sendo lacrados o templo e o mosteiro, encerrados por ordem do Governo da República. Assim terminou definitivamente o ciclo da vida conventual e formativa para que o secular Mosteiro de Jesus havia sido fundado em 16 de Maio de 1461.

25 de Outubro - Saíram do Convento do S. João Evangelista as últimas moradoras, aí recolhidas desde a morte da última religiosa carmelita

30 de Outubro - A Comissão da Freguesia da Vera Cruz, nomeada logo após o advento da República, deliberou demolir a capela de S. João Baptista, no Rossio

2011

11 de Fevereiro - Começou a publicar-se “A Liberdade”, semanário republicano dirigido por Alberto Souto, suspenso em 12 de Fevereiro de 1915

23 de Agosto - Um decreto assinado pelos ministros Afonso Costa e José Relvas determina o seguinte: “1.º – São cedidos à Câmara Municipal do Concelho de Aveiro os edifícios e suas dependências dos extintos conventos de Jesus e das Carmelitas nessa cidade, a fim de neles instalar repartições públicas, escolas, tribunais e quartéis de polícia; 2.º – A parte do convento de Jesus, contígua ao claustro e à igreja, a qual já foi declarada monumento nacional, será destinada à instalação de um museu regional de arte antiga e moderna”.

5 de Outubro - Dirigido por Alberto Fonseca, publicou-se um jornal denominado “Cinco de Outubro”, que teve por lema “Justiça, Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Fontes:
Rangel de Quadros, “Aveiro – Apontamentos Avulsos”; Arquivo Municipal de Aveiro; Diário do Governo; Governo Civil de Aveiro


http://www.diarioaveiro.pt/

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Centenário da Implantação da República


NOTÍCIAS DA ÉPOCA

Reportagens e fotos da Revolução Republicana na Revista «Ilustração Portuguesa»

Edição de 10 de Outubro de 1910
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1910/N242/N242_master/N242.pdf
Edição de 17 de Outubro de 1910
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1910/N243/N243_master/N243.pdf

Reportagem e fotos da Revolução Republicana na Revista «Ocidente»
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1910/N1144_1145/N1144_1145_master/N1144_1145.pdf