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sexta-feira, 7 de junho de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
DIA MUNDIAL DA POESIA
"Então, todos compreenderam que a memória da árvore nunca mais se perderia, nunca mais deixaria de os proteger, porque os poemas passam de geração em geração e são fiéis ao seu povo."
(Sophia de Mello Breyner Andresen, "A Árvore")

(Sophia de Mello Breyner Andresen, "A Árvore")

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
NOVEMBRO: assim se vestiu a nossa BE
NOVEMBROA respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
OUTONO
Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Miguel Torga, Diário X
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Miguel Torga, Diário X
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quarta-feira, 21 de março de 2012
DIA MUNDIAL DA POESIA
PODE-SE ESCREVER
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar numa caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever
(do poeta surrealista português Pedro Oom; por sugestão de JC)
HOJE
é o DIA MUNDIAL DA POESIA, o DIA DA ÁRVORE, o DIA INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL, o DIA DO SONO.
Na nossa Biblioteca, vamos ter uma surpresa, pelas 10 horas : o Grupo Poético de Aveiro vem visitar-nos!
Na nossa Biblioteca, vamos ter uma surpresa, pelas 10 horas : o Grupo Poético de Aveiro vem visitar-nos!
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segunda-feira, 14 de novembro de 2011
POESIA na nossa Biblioteca
Correspondendo à solicitação dos professores de Português, foi já a terceira turma do 8º ano que recebemos no espaço de três semanas.
O "feed back"? Muito positivo e gratificante! Trabalhar assim é sempre um prazer, porque "há dias assim", muito especiais, "dias que ficam para a história"
(lembram-se da leitura inicial de "Um livro para todos os dias"?)
Espreitem em
http://molharapalavra.wordpress.com/2011/11/11/ida-a-biblioteca/
O "feed back"? Muito positivo e gratificante! Trabalhar assim é sempre um prazer, porque "há dias assim", muito especiais, "dias que ficam para a história"
(lembram-se da leitura inicial de "Um livro para todos os dias"?)
Espreitem em
http://molharapalavra.wordpress.com/2011/11/11/ida-a-biblioteca/
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
D de Drummond. Dia D
Uma sugestão para hoje:
http://diadrummond.ims.uol.com.br/Espalhe-se a ideia, tão simples quanto ambiciosa: transformar o dia 31 de outubro, data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, num dia de grande comemoração do Poeta e da sua poesia.
Ouçamos o poema "No meio do caminho" em várias línguas:
http://www.youtube.com/watch?v=sO6TySzyygE&feature=player_embedded#!
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
in Carlos Drummond de Andrade, 60 Anos de Poesia, Antologia organizada e apresentada por Arnaldo Saraiva, Edições «O Jornal», Março de 1985
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
ROSA ALICE BRANCO
Hoje, às 22h30, Rosa Alice Branco (n. Aveiro, 1950)lança o seu novo livro no Espaço Maus Hábitos, no Porto, intitulado "Gado do Senhor" (& Etc). A VISÃO conversou com a poetisa sobre a obra onde "o homem é a doença mortal do animal e Deus é a doença mortal do Homem" e dá conta da paixão das revistas literárias norte-americanas pela escritora.
LEIA A ENTREVISTA PUBLICADA NA VISÃO DESTA SEMANA E OUÇA AQUI EM BAIXO 4 POEMAS LIDOS PELA AUTORA
http://aeiou.visao.pt/gado-do-senhor-o-livro-da-rosa=f610383
Para mais informações sobre a autora, Ver
http://www.revista.agulha.nom.br/jprabranco1.html#biografia
LEIA A ENTREVISTA PUBLICADA NA VISÃO DESTA SEMANA E OUÇA AQUI EM BAIXO 4 POEMAS LIDOS PELA AUTORA
http://aeiou.visao.pt/gado-do-senhor-o-livro-da-rosa=f610383
Para mais informações sobre a autora, Ver
http://www.revista.agulha.nom.br/jprabranco1.html#biografia
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Em Dia de Camões, dois poemas do Prémio Camões/2011
A POESIA VAI
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –
-------------------
NA BIBLIOTECA
O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’
[in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –
-------------------
NA BIBLIOTECA
O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’
[in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
PORTUGAL
Excerto do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga, dito por Miguel Borges.
http://vimeo.com/11921365
No mesmo sítio, há mais vídeos - e com óptimas interpretações.
http://vimeo.com/11921365
No mesmo sítio, há mais vídeos - e com óptimas interpretações.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Parabéns, Cruzeiro Seixas!
Faz hoje 90 anos; é um "homem que pinta" (a designação de pintor aborrece-o); poeta português, militante do Surrealismo, é um nome maior da história da arte portuguesa contemporânea.
domingo, 21 de março de 2010
HOJE É O DIA MUNDIAL DA POESIA e O DIA DA ÁRVORE
No dia 21 de Março começa oficialmente a Primavera. Desde 1999, por proclamação da UNESCO, este é o Dia Mundial da Poesia.
Por solicitação da professora de Literatura Portuguesa, os alunos do 11º H escolheram poemas de autores portugueses sobre a "nova" e tão ansiada estação do ano.
M. descobriu uma elegia chinesa na "Clepsidra" de Camilo Pessanha, que acabámos há dias de estudar nas aulas ( Módulo 1 - Romantismo, Realismo e Simbolismo):
Fantasia da Primavera
Cai o sol no imenso horizonte, em flor, do Kiang.
Pára o viandante a olhar. A chuva, que do arvoredo
ainda goteja, vai-lhe repassando a túnica...
Oh! se dos mil chorões, à volta das ruínas do palácio real de Ch'u,
As flores soltas me fizessem cortejo, à despedida, no
regresso à Pátria!
In "Clepsidra e outros Poemas", Elegia VI (tradução de Camilo Pessanha), p. 116; Ática, 1992, 7.ª edição
Por solicitação da professora de Literatura Portuguesa, os alunos do 11º H escolheram poemas de autores portugueses sobre a "nova" e tão ansiada estação do ano.
M. descobriu uma elegia chinesa na "Clepsidra" de Camilo Pessanha, que acabámos há dias de estudar nas aulas ( Módulo 1 - Romantismo, Realismo e Simbolismo):
Fantasia da Primavera
Cai o sol no imenso horizonte, em flor, do Kiang.
Pára o viandante a olhar. A chuva, que do arvoredo
ainda goteja, vai-lhe repassando a túnica...
Oh! se dos mil chorões, à volta das ruínas do palácio real de Ch'u,
As flores soltas me fizessem cortejo, à despedida, no
regresso à Pátria!
In "Clepsidra e outros Poemas", Elegia VI (tradução de Camilo Pessanha), p. 116; Ática, 1992, 7.ª edição
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009
O Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009 é hoje entregue a A. M. Pires Cabral, pelo livro "As Têmporas da Cinza", publicado pelas Edições Cotovia. A casa Fernando Pessoa é a anfitriã da sessão durante a qual o actor Luís Lucas lerá poemas da obra galardoada.
A. M. Pires Cabral, 68 anos, já escreveu poesia, teatro, romance, conto, ensaio e crítica.
Segundo o júri, "a limpidez e a precisão da escrita de A. M. Pires Cabral, a sua penetrante e austera visão dum mundo cuja expressão encontra numa espécie de imitação da terra o modelo para uma linguagem poética de invulgar intensidade, fazem deste autor um dos casos mais representativos da nossa melhor poesia contemporânea".
Luís Miguel de Oliveira Perry Nava (Viseu, 29 de Setembro de 1957 — Bruxelas, 10 de Maio de 1995) foi considerado uma das revelações mais importantes da poesia portuguesa na década de 80/90.
http://www.relampago.pt/fundacaolmn.htm
A. M. Pires Cabral, 68 anos, já escreveu poesia, teatro, romance, conto, ensaio e crítica.
Segundo o júri, "a limpidez e a precisão da escrita de A. M. Pires Cabral, a sua penetrante e austera visão dum mundo cuja expressão encontra numa espécie de imitação da terra o modelo para uma linguagem poética de invulgar intensidade, fazem deste autor um dos casos mais representativos da nossa melhor poesia contemporânea".
Luís Miguel de Oliveira Perry Nava (Viseu, 29 de Setembro de 1957 — Bruxelas, 10 de Maio de 1995) foi considerado uma das revelações mais importantes da poesia portuguesa na década de 80/90.
http://www.relampago.pt/fundacaolmn.htm
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Eugénio de Andrade

Uma pequena notícia no topo da página de um jornal. Um sábado. Uma tarde soalheira. Eugénio de Andrade.
Não serão talvez as melhores razões que levaram a Fundação Eugénio de Andrade a saldar publicações e merchandising relativos ao Poeta. Para mim (nós), foi a conjugação dos factores acima apontados que nos levou à Fundação na Casa de Serrúbia e nos fez regressar carregados de livros, também para a Biblioteca da Escola.
A "Obra Poética Completa", a 20€, um cd com 42 poemas lidos pelo próprio, a 5€, serigrafias, blocos, esferográficas, Tshirts a 3E e já no fim... Em suma, tudo isto e o gosto pela poesia são motivos fortes para uma deslocação à FEA. De caminho, um passeio literário pela Foz, seguindo os passos e as palavras dos escritores finisseculares - António Nobre e Raúl Brandão.
Aproveitem!
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Camilo Pessanha na web
A Biblioteca Nacional (BN) fez no dia 24 de Setembro a apresentação pública do sítio Web sobre Camilo Pessanha, um incentivo para se revisitar este autor. Representante do simbolismo português, o «exilado da beleza», deu-nos, num só livro, "Clepsidra", uma poética de símbolo, sugestão e música, construída com ânsia, abulia e sentido de diluição, de inutilidade da vida.
Fernando Pessoa considerou-o seu mestre; António Ferro disse, sobre "Clepsidra", o único livro do poeta, publicado em 1897: «a nossa geração tem um missal. Saiu o livro de Camilo Pessanha. A alma de todos nós, desnorteada, tem, enfim, um relógio».
Com efeito, o título "Clepsidra" funciona ele próprio como símbolo de uma poesia de símbolos: no grego significa "relógio de água"; a terminação "–idra" remete para "hidra", mitológico monstro marinho, serpente de inúmeras cabeças que nascem e se desenvolvem à medida que são cortadas, símbolo da impotência humana perante os obstáculos, manifesto sobre a fragilidade da condição humana, a efemeridade das coisas e da existência.
Fernando Pessoa considerou-o seu mestre; António Ferro disse, sobre "Clepsidra", o único livro do poeta, publicado em 1897: «a nossa geração tem um missal. Saiu o livro de Camilo Pessanha. A alma de todos nós, desnorteada, tem, enfim, um relógio».
Com efeito, o título "Clepsidra" funciona ele próprio como símbolo de uma poesia de símbolos: no grego significa "relógio de água"; a terminação "–idra" remete para "hidra", mitológico monstro marinho, serpente de inúmeras cabeças que nascem e se desenvolvem à medida que são cortadas, símbolo da impotência humana perante os obstáculos, manifesto sobre a fragilidade da condição humana, a efemeridade das coisas e da existência.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Recomecemos...com felicidade e votos de bom ano escolar
Recomeça
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
(Miguel Torga, "Diário" XIII)
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
(Miguel Torga, "Diário" XIII)
sábado, 4 de julho de 2009
LISBOA - Um miradouro para Sophia
Digo:
«Lisboa»
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen
Este poema está desde ontem numa placa, no miradouro da Graça que agora tem o nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen falecida há cinco anos.
Trata-se de parte de um projecto arquitectónico assinado por Gonçalo Ribeiro Telles (que já desenhara o jardim da casa de Sophia, na Travessa das Mónicas, ali perto).
Assistiram à homenagem familiares da escritora e vários amigos da família, membros da autarquia, escritores e editores, entre os quais Manuel Alegre, António Osório, Pilar del Río, Teresa Belo, Zeferino Coelho, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Jerónimo Pizarro, Maria Teresa Horta e um grupo de senhoras octogenárias, antigas vizinhas de Sophia.
Foi ainda inaugurado um busto de António Duarte, réplica de um original em bronze, esculpido nos anos 50. O rosto de Sophia olha de frente para a cidade «oscilando como uma grande barca», para o castelo, para o «corpo amontoado de colinas», para o rio ao fundo.
“Se tivesse sido membro da Academia Sueca, teria votado no nome de Sophia para Prémio Nobel em vez de Saramago” disse, não uma nem duas vezes, José Saramago, admirador de Sophia de Mello Breyner Andresen sobre quem escreveu também que havia alcançado como poeta a perfeição e a beleza da linha pura.
http://blogpt.josesaramago.org/2009/07/03/%c2%abao-olhar-sem-fim-o-sucessivo%c2%bb-homenagem-a-sophia/
http://bibliotecariodebabel.com/
«Lisboa»
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen
Este poema está desde ontem numa placa, no miradouro da Graça que agora tem o nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen falecida há cinco anos.
Trata-se de parte de um projecto arquitectónico assinado por Gonçalo Ribeiro Telles (que já desenhara o jardim da casa de Sophia, na Travessa das Mónicas, ali perto).
Assistiram à homenagem familiares da escritora e vários amigos da família, membros da autarquia, escritores e editores, entre os quais Manuel Alegre, António Osório, Pilar del Río, Teresa Belo, Zeferino Coelho, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Jerónimo Pizarro, Maria Teresa Horta e um grupo de senhoras octogenárias, antigas vizinhas de Sophia.
Foi ainda inaugurado um busto de António Duarte, réplica de um original em bronze, esculpido nos anos 50. O rosto de Sophia olha de frente para a cidade «oscilando como uma grande barca», para o castelo, para o «corpo amontoado de colinas», para o rio ao fundo.
“Se tivesse sido membro da Academia Sueca, teria votado no nome de Sophia para Prémio Nobel em vez de Saramago” disse, não uma nem duas vezes, José Saramago, admirador de Sophia de Mello Breyner Andresen sobre quem escreveu também que havia alcançado como poeta a perfeição e a beleza da linha pura.
http://blogpt.josesaramago.org/2009/07/03/%c2%abao-olhar-sem-fim-o-sucessivo%c2%bb-homenagem-a-sophia/
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segunda-feira, 22 de junho de 2009
" No mundo de Sophia"
«É a paisagem mais maravilhosa que vi na minha vida»
«Piso às quatro e meia a terra grega. Entrada maravilhosa à saída de Patras. Vamos rente ao mar entre oliveiras e ciprestes e montanhas azuladas. Calor leve, ar perfumado. As montanhas ligam a terra ao Olimpo. Paramos e vou molhar os pés, as mãos, os braços e a cara no mar. A água é maravilhosa, transparente e fresca. Bebo-a. É muito salgada. É a paisagem mais maravilhosa que vi na minha vida.»
Diário de viagem de Sophia de Mello Breyner Andresen, 11 de Setembro de 1963.
Cinco anos depois da morte de Sophia de Mello Breyner, a escritora que faria 90 anos em Novembro, o P2 visitou o seu espólio e revela diários, poemas e cartas, entre histórias contadas por dois dos filhos, Maria e Miguel Sousa Tavares.
Alexandra Lucas Coelho (texto) e Daniel Rocha (fotos) - "Público", 21.06.2009
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=/main2.asp%3Fdt%3D20090621%26page%3D4%26c%3DC
«Piso às quatro e meia a terra grega. Entrada maravilhosa à saída de Patras. Vamos rente ao mar entre oliveiras e ciprestes e montanhas azuladas. Calor leve, ar perfumado. As montanhas ligam a terra ao Olimpo. Paramos e vou molhar os pés, as mãos, os braços e a cara no mar. A água é maravilhosa, transparente e fresca. Bebo-a. É muito salgada. É a paisagem mais maravilhosa que vi na minha vida.»
Diário de viagem de Sophia de Mello Breyner Andresen, 11 de Setembro de 1963.
Cinco anos depois da morte de Sophia de Mello Breyner, a escritora que faria 90 anos em Novembro, o P2 visitou o seu espólio e revela diários, poemas e cartas, entre histórias contadas por dois dos filhos, Maria e Miguel Sousa Tavares.
Alexandra Lucas Coelho (texto) e Daniel Rocha (fotos) - "Público", 21.06.2009
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=/main2.asp%3Fdt%3D20090621%26page%3D4%26c%3DC
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sábado, 13 de junho de 2009
Digitalizada Biblioteca de Fernando Pessoa
Digitalizar integralmente a biblioteca de Fernando Pessoa? Projecto ambicioso e demorado!
1400 livros, digitalizados ao ritmo de 30 por dia, ao longo de um ano...
Vamos agora poder folhear os livros do poeta, encontrando notas que ele foi deixando nas margens.
Um contributo valioso para sabermos mais sobre Fernando Pessoa (que hoje festejaria o seu aniversário) e as "pessoas" que o habitaram. Basta ir ao site da Casa Fernando Pessoa:
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/
Leia mais sobre o assunto:
http://livros.sapo.pt/noticias/artigo/3614.html
1400 livros, digitalizados ao ritmo de 30 por dia, ao longo de um ano...
Vamos agora poder folhear os livros do poeta, encontrando notas que ele foi deixando nas margens.
Um contributo valioso para sabermos mais sobre Fernando Pessoa (que hoje festejaria o seu aniversário) e as "pessoas" que o habitaram. Basta ir ao site da Casa Fernando Pessoa:
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/
Leia mais sobre o assunto:
http://livros.sapo.pt/noticias/artigo/3614.html
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