sábado, 5 de novembro de 2011

TINTIM E A CIÊNCIA



Carlos Fiolhais, IN jornal "SOL", 4/outubro/2011

Agora, que Tintim saiu das páginas da banda desenhada para entrar, em três dimensões, no grande ecrã, através da câmara do realizador norte-americano Steven Spielberg, é oportuno lembrar que são muitas e variadas as conexões entre o famoso personagem criado pelo desenhador belga Hergé (pseudónimo de Georges Remi) e o mundo da ciência.

O álbum "A Estrela Misteriosa", que foi publicado em 1942, na Bélgica ocupada pela Alemanha nazi, trata da queda na Terra de um meteorito, no qual tinha sido detectado um elemento químico novo. Para o estudar é constituída uma Comissão Internacional de Sábios, que apenas inclui cientistas alemães e de países neutros, como era o caso de Portugal e da Suécia. A expedição, que viaja sob a bandeira de um Fundo Europeu de Pesquisas Científicas, muitos anos antes de haver instituições científicas pan-europeias, inclui um investigador português, o Prof. Pedro João dos Santos, que Hergé designa por “célebre físico da Universidade de Coimbra”. Como o autor de Tintim não raro se inspirava em factos e personagens reais, é curioso referir que na época ensinava em Coimbra o Prof. João de Almeida Santos (1906-1975), que mais tarde seria Director do Laboratório de Física. O rosto de outro membro da expedição, o sueco Erik Björgenskjöld, “autor de notáveis trabalhos sobre as protuberâncias solares”, parece inspirado no do Prof. Auguste Piccard (1884-1982), um notável cientista suíço que trabalhou em Bruxelas e que, conforme o próprio Hergé admitiu, foi o modelo para a criação do Prof. Girassol, personagem que só surgiu em "O Tesouro de Rackham o Terrível", sequela de "O Segredo de Licorne", o livro que deu o título ao filme de Spielberg. O argumento deste filme baseia-se precisamente no conjunto dessas duas obras, respectivamente de 1943 e de 1944, portanto imediatamente subsequentes à "Estrela Misteriosa" (Spielberg também usa O Caranguejo das Tenazes de Ouro). O Prof. Piccard protagonizou descidas submarinas a grande profundidade, a bordo de um batiscafo de sua autoria, e também ascensões à estratosfera, a bordo de balões especiais, pelo que foi, no seu tempo, um dos homens que mais fundo desceu e que mais alto subiu. Um batiscafo em forma de tubarão, pilotado por Tintim, aparece premonitoriamente n’ "O Tesouro de Rackham o Terrível".

A dupla de detectives Dupond e Dupont, divertidas figuras dos livros de Hergé e do filme de Spielberg, também já aparece em "A Estrela Misteriosa", ainda que de relance. Os dois não têm nada, mas mesmo nada, de sábios, embora acompanhem Tintim e o Prof. Girassol na expedição à Lua, representada nos álbuns "Rumo à Lua" e "Explorando a Lua", publicados respectivamente em 1953 e 1954. Esses livros descrevem uma viagem ao nosso satélite natural a bordo de um foguetão aparentado ao V2 germânico, muitos anos antes do voo da Apollo 11.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

D de Drummond. Dia D

Uma sugestão para hoje:

http://diadrummond.ims.uol.com.br/
Espalhe-se a ideia, tão simples quanto ambiciosa: transformar o dia 31 de outubro, data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, num dia de grande comemoração do Poeta e da sua poesia.

Ouçamos o poema "No meio do caminho" em várias línguas:
http://www.youtube.com/watch?v=sO6TySzyygE&feature=player_embedded#!

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

in Carlos Drummond de Andrade, 60 Anos de Poesia, Antologia organizada e apresentada por Arnaldo Saraiva, Edições «O Jornal», Março de 1985

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MUSEU HERGÉ NA BÉLGICA


A Bélgica pode congratular-se por ser o país natal de dois grandes artistas do século XX: Hergé, criador do famoso personagem de banda desenhada Tintim, e René Magritte, o subversivo pintor surrealista. Ambos criaram imagens icónicas que são reconhecidas em todo o mundo, e ambos têm, desde o passado dia 2 de Junho, museus próprios no seu país, dedicados às suas respectivas obras e contribuições para a evolução da arte do século XX. Os museus traçam as fortes inovações e ideias que distinguiram o trabalho dos dois artistas, e revelam as suas perspectivas contrastantes.

Situado na cidade belga de Louvain-La-Neuve, o Museu Hergé é uma admirável obra de arquitectura, projectada pelo atelier Christian de Portzamparc, vencedor do Pritzker Prize. Em betão, aço e vidro, o edifício lembra um grande navio, uma imagem que deliberadamente faz eco às várias proezas marítimas de Tintim. Implantado numa floresta, faz ligação à cidade através de uma ponte para peões. Largas e salientes janelas permitem a entrada de luz natural na área da recepção, a qual dá acesso a quatro amplos espaços expositivos, também ligados entre si através de pontes. Além das áreas de exposição, o museu inclui ainda um espaço para projecções de vídeo, uma cafetaria, lojas e ateliers.

O nome verdadeiro de Hergé era Georges Remi. O seu pseudónimo provém da pronúncia francesa das suas iniciais invertidas, R.G. Hergé tinha apenas 21 anos quando criou o famoso Tintim, cuja inspiração veio do seu irmão Paul. “As Aventuras de Tintim” tiveram a sua estreia em Janeiro de 1929, no jornal infantil Le Petit Vingtième e o seu sucesso foi imediato. Hergé escreveu-as e ilustrou-as até à sua morte, em 1983.

Conhecido como o Walt Disney Europeu, Hergé criou diversos personagens além de Tintim, tais como Jo, Zette, Jocko, Quick e Flupke, cujas histórias estão também em exibição no novo museu. Os seus álbuns são de uma precisão incrível, com todos os detalhes minuciosamente cuidados, e são lidos em mais de 40 línguas por todo o mundo. O seu estilo influenciou a criação de outros personagens de banda desenhada, como Asterix, Lucky Luke, Blake & Mortimer, entre muitos outros.
Fonte - http://dailymodalisboa.blogspot.com/2009/07/museu-herge-na-belgica.html
Para uma vista:
http://www.museeherge.com/


As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorn

A adaptação das aventuras de Tintin de Spielberg teve a antestreia nacional em Guimarães. Chega hoje a 117 ecrãs de todo o país.

Título original:
The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn
De:
Steven Spielberg
Com:
Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg
Género:
Animação, Comédia, Aventura
Classificação:
M/6
Outros dados:
Nova Zelândia/EUA, 2011, Cores, 102 min.
Links:
Site Oficial

Depois de, numa feira de antiguidades, encontrar uma réplica de um velho barco designado de "Licorne", o destemido Tintin (Jamie Bell) é arrastado para uma grande aventura em busca de algo inesperado. Ao investigar aquela miniatura, descobre o mapa de um tesouro muito antigo, frustrando os planos de Ivan Ivanovich Sakharine (Daniel Craig), um salteador que está convencido de que o jovem se terá aliado ao velho pirata Rackham. Com a ajuda de Milou, o seu fiel amigo de quatro patas, do capitão Haddock (Andy Serkis, o Gollum da trilogia "O Senhor dos Anéis"), um lobo-do-mar de péssimo feitio, e da dupla Dupond e Dupont (Simon Pegg e Nick Frost), dois polícias desastrados mas cheios de boas intenções, o repórter vai atravessar desertos e tempestades, na busca de um navio afundado, comandado por um antepassado de Haddock, que contém um valioso tesouro e uma terrível maldição.
Com realização de Steven Spielberg e produção de Peter Jackson e Kathleen Kennedy, o filme baseia-se na mais carismática personagem criada, em 1929, por Hergé (1907-1983), centrando a sua trama em três histórias independentes: "O Caranguejo das Tenazes de Ouro", "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível". Em versão animada, recorre às técnicas "performance capture" em 3D, que permite que os gestos e as emoções dos actores sejam reproduzidos nas suas personagens digitais. PÚBLICO

sábado, 22 de outubro de 2011

Lizt nasceu há 200 anos

Pianista e compositor maior da época do Romantismo, Franz Liszt , em húngaro, Liszt Ferenc, nasceu em Doborján, no reino da Hungria a 22 de Outubro de 1811; morreu em Bayreuth a 31 de Julho de 1886.
Liszt foi famoso pela genialidade de sua obra, pela revolução que imprimiu no estilo musical da época e por ter elevado o virtuosismo pianístico a níveis nunca antes imaginados. Ainda hoje é considerado um dos maiores pianistas de todos os tempos, especialmente pelo contributo e o legado que deu ao desenvolvimento da técnica do instrumento em que foi exímio.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Hoje é o Dia Mundial da Alimentação

Sugestão de sítios a visitar e que nos ajudam a adotar um estilo de vida saudável:

- Associação Portuguesa de Nutricionistas
http://www.apn.org.pt/scid/webapn/

- PASSE -Programa Alimentação Saudável em Saúde Escolar
http://www.passe.com.pt/

sábado, 15 de outubro de 2011

Centenário do nascimento de Manuel da Fonseca

Nasceu há 100 anos, em Santiago do Cacém; vira a falecer em Lisboa em 1993.
Foi poeta, cronista, contista, romancista, vulto destacado do Neorrealismo.
Obra Poética (1984), Cerromaior (1943), O Fogo e as Cinzas (1951) e Seara de Vento (1958) são algumas das suas obras mais emblemáticas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

OS PROFESSORES

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança.

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.

Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.

Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.

José Luís Peixoto, revista Visão de 13 de Outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Prémio Nobel da Paz

Três mulheres foram laureadas com o Prémio Nobel da Paz de 2011 - a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a militante Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e ativista iemenita Tawakkul Karman.

Segundo o Comité norueguês do Nobel, elas foram premiadas pela "luta não violenta pela segurança das mulheres e pelos seus direitos a participar dos processos de paz". A democracia e a paz duradoura no mundo não são viáveis a não ser que as mulheres tenham os mesmos direitos, defendeu o Comité, lembrando que o Conselho de Segurança da ONU aprovou em 2000 uma resolução nessa mesma linha.

Desde 1901, apenas doze mulheres receberam o Nobel da Paz. Estas três mulheres agora premiadas seguem-se à queniana Wangari Maathai - falecida há algumas semanas; esta foi laureada em 2004, por contribuir para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tomas Tranströmer – Nobel da Literatura 2011



Tomas Tranströmer escreve sobre a morte, a história, a memória e é conhecido pelas suas metáforas. É um poeta que tem uma produção pequena, "não é prolixo", disse no final do anúncio o secretário da Academia, o historiador Peter Englund, embora esteja traduzido em várias línguas. Em Portugal, Tranströmer tem poemas publicados em duas antologias, uma delas chama-se "Vinte e um poetas suecos" (Vega ,1987).

Tomas Tranströmer, 80 anos, psicólogo de formação, sofreu um AVC em 1990. Por isso perdeu as faculdades motoras e não consegue falar. Peter Englund disse à televisão sueca que falou com o laureado e ele se mostrou surpreendido pelo prémio. "Ele estava a escutar música", acrescentou o secretário da Academia. O Prémio Nobel da Literatura 2011 vive numa ilha e depois de ter ficado doente publicou três obras.

Desde 1973 que Tomas Tranströmer, que é o poeta sueco mais traduzido no mundo e recebeu o Prémio Literário do Conselho Nórdico em 1990, era candidato ao Nobel. Há 40 anos que um autor sueco não recebia este prémio.
http://www.publico.pt/Cultura/tomas-transtromer-e-o-premio-nobel-da-literatura--1515270


INSEGURANÇA NACIONAL

O subsecretário se inclina para frente e desenha um X
e as suas orelhas gotejantes balançam como espadas de Dâmocles.

Como uma borboleta sarapintada é invisível contra o chão
e então que o demónio se funde com o jornal aberto.

Um capacete usado por ninguém tomou o poder.
A mãe-tartaruga foge voando debaixo de água.

TOMAS TRANSTRÖMER
tradução inédita de Pedro Calouste

domingo, 2 de outubro de 2011

JOGO DA REFORMA ORTOGRÁFICA

Testa os teus conhecimentos:

http://fmu.br/game/home.asp


Reforma Ortográfica (Brasil) / Acordo Ortográfico (Portugal)

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO


http://www.priberam.pt/docs/NovaOrtografia.pdf

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DIA DO DIPLOMA NA NOSSA ESCOLA

30 setembro 2011 , 18 h. 30 min.
sala polivalente


2010/2011
Melhor aluno - Ensino Secundário Regular
Ana Luísa R. de Matos
(Curso de Ciências e Tecnologias)
Melhor aluno - Ensino Profissional
Adriana Filipa da Graça Neves
(Curso Técnico Informática de Gestão)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

HOJE É O DIA EUROPEU DAS LÍNGUAS!

É dia de celebrarmos as líguas, a nossa língua portuguesa, a comunicação, a fala, a escrita, a leitura, enfim,

AS PALAVRAS

Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu
dessas vogais
de um azul tão
apaziguado?


E das consoantes, que
lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos
cavalos?


Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas
minúsculas
sementes que te
confiaram?

Eugénio de Andrade

HOJE É O DIA EUROPEU DAS LÍNGUAS


O dia 26 de Setembro é consagrado às línguas europeias desde 2001. A Europa encerra um verdadeiro tesouro linguístico: 23 línguas oficiais e mais de 60 línguas regionais ou minoritárias, além das línguas faladas pelas pessoas de outros países e continentes que vivem na Europa. Precisamente para chamar a atenção para este imenso património linguístico, a União Europeia e o Conselho da Europa tomaram a iniciativa de comemorar o Ano Europeu das Línguas em 2001.
O Ano Europeu das Línguas chegou a milhões de pessoas nos 45 países participantes. Foram organizadas centenas de actividades em toda a Europa para comemorar a diversidade linguística e fomentar a aprendizagem das línguas. Para aproveitar esta dinâmica e visto que as línguas são um dos fundamentos da construção europeia, essa iniciativa deu origem ao Dia Europeu das Línguas, que tem três objectivos: sensibilizar o público para o plurilinguismo na Europa, cultivar a diversidade cultural e linguística e incentivar as pessoas a aprenderem línguas, dentro e fora do contexto escolar.

Um dia festivo com sonoridades multilingues
Além de prosseguir esses objectivos, o dia 26 de Setembro é também uma ocasião para celebrar. Todos os anos, são organizadas centenas de eventos em toda a Europa relacionados com as línguas: espectáculos, animações para crianças, jogos musicais, cursos de línguas, programas de rádio e de televisão, conferências… as possibilidades são infinitas!

http://ec.europa.eu/education/languages/orphans/doc3302_pt.htm



Também a nossa escola vai assinalar este dia; contamos comm a participação de todos!

domingo, 25 de setembro de 2011

Homenagem a Wangari Maathai

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEifgpzCNH3mXIyt8ibJU4H5wu7hfI2-o1MN6cd721qx3q6ybwZslP2rOKAuHLVgHcTKMZhb7hyphenhyphenuHiEqT7Pa7wHWIlZHPrKeg7GHdEgKoqPkZnc2WZRhVo8-TjL4_ioGUWLlnKArRUcnrgc/s1600/Wangari_Maathai_portrait_by_Martin_Rowe.jpg">
Wangari Muta Maathai (Ihithe, Distrito de Nyeri, 1 de abril de 1940 - Nairóbi, 25 de Setembro de 2011) foi uma professora e ativista política queniana.
Líder do "Green Belt Movement", foi a primeira mulher africana a receber, em 2004, o Prémio Nobel da Paz, "pelo seu contributo para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz".
http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/2004/

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Júlio Resende (23/outubro/1917-21/setembro/2011)

Um Grande Mestre das artes plásticas, a merecer a nossa homenagem


a visão do lugar
"A acumulação de pastas e blocos de desenhos, registos de vivências (quantas!) despertaram em mim o imperativo de uma reflexão desapaixonada quanto ao destino a dar a tais registos.

A distância do tempo e do espaço permitiu-me julgar a consistência de um material face a uma trajectória que me recaía por obscuras leis- E nada teve de "doloroso" da minha parte a destruição de grande quantidade desses desenhos; seria disso testemunha a velha mufla de aquecimento do atelier, se ela falasse....

A consciência mais aliciada levou-me a verificar que as hesitações de percurso uma vez eliminadas, tornavam mais claro o referido trajecto que, iniciado nos anos 30 cobriam 60 anos nos quais a dominante expressionista respondia necessariamente à minha, natureza de homem.
Confesso que na minha mente era consistente o desejo de manter o conjunto íntegro, e isso me bastava. Não entenderam assim o grupo de amigos com quem convivo normalmente, acordando que aquele material poderia constituir um exemplo, entre tantos outros, quiçá mais válidos, haveria de encontrar o modo e o espaço para a sua divulgação. Daí, o surgir o "Lugar do Desenho", daí surgir a Fundação com aquela carga de instituição que sempre esteve arredada dos meus propósitos. Porém se o "Lugar do Desenho" corresponder aos propósitos por que sempre me bati, então tudo bem! Que o Desenho seja entendido no seu mais amplo sentido. Não apenas restrito às Artes-Plásticas mas a todas atitudes criativas do Homem. Não é monopólio de qualquer época nem de qualquer sociedade.

O Desenho é expressão de um consciente que o particulariza"


http://lugardodesenho.org/

Biografia
1917 Nasceu no Porto a 23 de Outubro

1930/1936 Pratica ilustrações e banda desenhada para jornais e publicações infantis.
Aprendizagem do desenho e da pintura na Academia Silva Porto.

1937 Frequenta a Escola de Belas-Artes do Porto e é discípulo de Dórdio Gomes.

1943 Participa na organização do "Grupo dos Independentes".
Primeira exposição individual no Salão Silva Porto.

1944 Exerce docência no ensino secundário.

1945 Conclui o Curso na Escola de Belas-Artes com a pintura "Os Fantoches".
Visita o Museu do Prado.
Tem em Madrid um encontro com Vasquez Diaz.
Obtém os prémios da Academia Nacional e "Armando de Bastos".

1946 Bolsa de estudo no estrangeiro do "Instituto Para a Alta Cultura".
Primeira exposição em Lisboa.

1947/1948 Estuda as técnicas de afresco e gravura na Escola de Belas-Artes de Paris.
Discípulo de Duco de La Haix.
Na Academia Grande Chaumière recebe lições de Othon Friesz.
Copia os Mestres no Museu do Louvre.
Visita os museus da Bélgica, Holanda, Inglaterra e Itália.

1949/1950 Professor na pequena escola de cerâmica em Viana do Alentejo.
Contactos com o escritor Virgílio Ferreira e com os artistas Júlio e Charrua.
Em Lisboa conhece Almada Negreiros e E. Viana.
Primeira viagem à Noruega onde é hospede de Oddvard Straume.
Permanência em Orstavik.

1951 Em Portugal fixa-se no Porto mantendo actividade docente no ensino secundário.
A gente do mar passa a constituir tema dominante da pintura.
Prémio Especial na Bienal de S. Paulo.

1952 Prémio na 7ª Exposição Contemporânea dos Artistas do Norte.
Permanece um mês na Noruega.
Executa o afresco da Escola Gomes Teixeira, Porto.
Investiga o desenho infantil.

1953 Cria as "Missões Internacionais de Arte", a primeira das quais ocorreu em Trás-os-Montes.

1954 Lecciona na Escola Secundária da Póvoa de Varzim.

1955 Promove a 2ª "Missão Internacional de Arte", na Póvoa de Varzim.

1956 Integra a equipa com o Arq. João Andersen para o projecto "Mar Novo" para Sagres que obtém o Primeiro Prémio em concurso internacional.
Prémio "Artistas de Hoje", Lisboa.
Conclui o curso de Ciências Pedagógicas na Universidade de Coimbra.

1957 Organiza a exposição "4 Artistas Portugueses" em Oslo e Helsínquia. 2º prémio de Pintura da Fundação
Calouste Gulbenkian, Lisboa.

1958 Executa um painel para a "Exposição de Bruxelas". Prémio "Columbano" da Câmara Municipal de Almada.
Promove a 3ª "Missão Internacional de Arte", Évora.
Convidado para a docência na Escola de Belas-Artes do Porto.
Executa vários painéis de azulejo para a estação de fronteira de Vilar Formoso.

1959 Menção Honrosa na 5ª Bienal de S. Paulo.
Cria dois painéis cerâmicos para o Hospital de S. João, Porto.
Executa oito painéis de azulejo para a pousada de Miranda do Douro.

1960 Prémio "Diogo de Macedo" no Salão de Arte Moderna do SNBA, Lisboa. Painel cerâmico para a Pousada de Bragança.

1962 Presta provas públicas para a Cadeira de Professores na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
Mural afresco no Palácio de Justiça do Porto.

1964 Executa cinco painéis cerâmicos para obras de arquitectura.

1965 Cria cenários e figurinos para o "Auto da Índia" de Gil Vicente, encenação de Carlos Avilez para o TEP, Porto.

1966 Realiza um afresco para o Tribunal de Justiça em Anadia.

1967 Cria cenários e figurinos para "Fedra" de Racine, encenação de Carlos Avilez para o Teatro Experimental de Cascais.

1968 Ilustra "Aparição" de Virgílio Ferreira. Realiza cenário e figurinos para o bailado "Judas",
coreografia de Agueda Sena e Companhia da Fundação C. Gulbenkian, Lisboa.

1969 Prémio "Artes Gráficas" na Bienal de Artes de S. Paulo, com ilustrações do romance "Aparição". Cria cenários e figurinos para o "Auto da Alma" de Gil Vicente no TEP, Porto.
Realiza seis painéis em grés para o Palácio de Justiça de Lisboa.

1970 Orienta o visual estético do Espectáculo de Portugal na "Exposição Mundial de Osaka".
Cria cenários e figurinos para "Antígona" no Teatro Experimental de Cascais.

1971 Primeira viagem ao Brasil encontrando-se com Jorge Amado e Mário Cravo Filho.

1972 Nomeado Membro da Academia real das Ciências, Letras e Belas-Artes Belgas, Bruxelas, onde
fez uma comunicação.

1973 Ilustra a obra de Fernando Namora "Retalhos da Vida de um Médico". Nova viagem ao Brasil. recebe o grau de Oficial da Ordem de Santiago da Espada.

1974 Exerce funções de gestão na ESBAP.
Realiza cenário para o filme "Cântico Final" de Manuel Guimarães, adaptação do romance de Virgílio Ferreira.

1975/1976 Dedica-se a tempo inteiro à gestão da ESBAP.

1977 Viagem ao Nordeste Brasileiro.
Encontro com os artistas Sérgio Lemos e Francisco Brennand.

1978 Cria cenários e figurinos para o bailado "Canto de Amor e Morte" coreografia de Patrick Hurde, inspirado na obra musical de Lopes Graça para a Companhia Nacional de Bailado.
Visita às Faculdades de Belas-Artes de Espanha.

1981 Executa os vitrais para a Igreja Nª Sª da Boavista, Porto.
Viagem a Pernambuco e Baía.
Profere uma palestra na Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

1982 Recebe as insígnias de Comendador de "Mérito Civil de Espanha" atribuídas pelo Rei de Espanha.

1984 Realiza o painel mural "Ribeira Negra".

1985 É-lhe atribuído o Prémio AICA.

1986 Executa em grés o grande mural "Ribeira Negra" no Porto.

1987 Profere a última lição na ESBAP.

1989 Exposição retrospectiva na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

1992 Viagem a S. Vicente e Stº Antão (Cabo Verde).

1993 É criado o "Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende".

1994/1995 Realiza painéis cerâmicos para a estação do Metropolitano de Lisboa, "Sete Rios".

1996 Viagem a Goa

1997 Viagem a Santiago e Fogo (Cabo-Verde).
Recebe a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Realiza a decoração de azulejos da estação do Metropolitano de Lisboa, "Sete Rios".

1999 Viagem à Ilha de Moçambique.

2000 Viagem a Recife, Brasil.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Provérbios com livros - Plano pessoal de leitura

Em Janeiro,
Leio o primeiro.

Em Fevereiro, é Carnaval.
Leio outro, afinal.

Em Março, marçagão,
Leio de manhã, à tarde e ao serão.

Em Abril,
Chego à página mil.

Em Maio,
Pego noutro livro e descontraio.

Em Junho, começa o Verão.
Saio pró campo, com um livro na mão.

Em Julho, faz muito calor.
Ponho-me à sombra e leio com fervor.

Nas férias de Agosto,
Leio ainda com mais gosto.

Chega o mês de Setembro
E já li tantos que nem me lembro.

Em Outubro, começa a chover.
E eu continuo a ler.

Em Novembro, chega o frio.
Leio mais um, de fio a pavio.

Em Dezembro, vem o Natal.
Dar e receber livros é o ideal.

--
Publicada por Carlos A. Silva em A Vida Secreta dos Livros a 4/04/2011


http://avidasecretadoslivros.blogspot.com/2011/04/plano-de-leitura.html

domingo, 4 de setembro de 2011

BOM ANO LETIVO PARA TODOS!

Estamos em setembro, mês de recomeço e de regresso.
Setembro é mês de boas-vindas.
Setembro é mês de traçar planos, de reencontrar os amigos, de imaginar aventuras; e por vezes, setembro também traz consigo as despedidas.
Em setembro parece que nos sentimos mais disponíveis e temos mais tempo, mais vontade de fazer tudo certo desde o início do ano letivo. As estantes limpas e organizadas, as mochilas preparadas, a escola a chegar, o verão a esconder-se...
Mais do que uma marca na passagem do tempo, setembro é mês de encher o peito de ar e respirar fundo, de tomar decisões, de (re)pensar novidades; é mês de promessas, esperanças e sonhos...
Setembro cheira a livros que apetece abrir, a cadernos de folhas limpas e a lápis por afiar.
E em setembro temos aquela sensação feliz de iniciarmos um caderno novo e fazermos a letra muito bem feitinha, na certeza de o mantermos organizado, sem rabiscos feios e desnecessários.
Vem aí um ano novinho em folha para convivermos, ensinarmos, aprendermos, crescermos...
Vamos fazer do regresso à escola um longo dia do mês de setembro cheio de cadernos novos prontos a estrear!

domingo, 24 de julho de 2011

A LEITORA, de PAULA REGO


A BE deseja-vos umas boas férias e ... boas leituras!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

HOJE É DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE

Em plena expansão de redes sociais, a palavra amigo desdobra-se em sentidos diferentes. Recordemos o motivo desta efeméride, que liga a amizade para todo o sempre ao epaço sideral e à... Lua!

A origem do Dia Internacional da Amizade é controversa. Isto é, ninguém sabe ao certo como foi que surgiu a idéia de se criar um dia especialmente dedicado aos amigos. Entretanto, acredita-se que a idéia tenha partido de um dentista argentino, chamado Enrique Febbaro. Segundo histórias contadas na Internet, esse dentista, entusiasmado com a corrida espacial da década de 60, decidiu prestar uma homenagem a toda a Humanidade por seus esforços em estabelecer vínculos para além do planeta Terra.

Durante um ano, Febbaro teria divulgado o seguinte lema: "Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro". Algum tempo depois, com a chegada do homem à Lua em 20 de julho de 1969, ele escolheu esta data para fazer uma festa dedicada à amizade. A comemoração tornou-se oficial em Buenos Aires, capital da Argentina em 1979 e, devagarinho, acabou sendo adoptada em outras partes do mundo.
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Publicada por Maria José Vitorino em ALFINete http://alfinete2008.blogspot.com/2011/07/20-julho-dia-internacional-da-amizade.html

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pessoa interessou-se pelo cinema?

Fernando Pessoa escreveu argumentos para filmes e sonhou criar uma produtora. Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer coligiram todo esse material num livro lançado hoje em Lisboa.

Os autores pesquisaram todo o espólio de Fernando Pessoa, incluindo a sua biblioteca, e recolheram tudo o que dissesse respeito ao cinema. O resultado é "Fernando Pessoa - Argumentos para Filmes", segundo número da nova série das Obras de Fernando Pessoa que a Ática (chancela que hoje integra o grupo Babel) está a publicar, sob a coordenação de Jerónimo Pizzaro.

Embora o título destaque os argumentos que Pessoa escreveu para cinema - alguns deles já divulgados por Patrick Quillier em "Courts-Métrages" (2007) -, a ambição do livro, que será lançado às 20h00 na FNAC do Chiado, é bastante mais vasta. Ferrari e Fischer coligiram as (poucas) reflexões que Pessoa deixou sobre o cinema em apontamentos soltos, reuniram todos os papéis em que o poeta rascunhou os vários projectos que chegou a acalentar relacionados com o cinema, incluindo a criação de uma produtora, e compilaram as cartas trocadas com José Régio e com a revista Presença a propósito de um inquérito sobre cinema ao qual Pessoa acabaria por não responder.

No que respeita ao núcleo principal do livro, que reúne os argumentos escritos por Pessoa, esta obra acrescenta também enriquecimentos significativos ao que Patrick Quillier já divulgara. "Courts-Métrages" inclui cinco argumentos: dois escritos em inglês, um em inglês e português, e dois em francês, sendo que Pessoa não assume expressamente estes dois últimos como argumentos para cinema. E dos primeiros, Quillier oferece apenas a tradução francesa.

Ferrari e Fischer descobriram mais dois argumentos redigidos em inglês, e incluem a versão original e a tradução portuguesa de todos os textos, dando ainda as cotas dos documentos, bem como as suas características, o que confere a este volume características de edição crítica que "Courts-Métrages" não pretendeu ter. O livro abre com uma introdução dos autores e encerra com um excelente posfácio de Fernando Guerreiro, que coloca o caso específico de Pessoa no contexto da relação que mantiveram com o cinema as gerações de Orpheu e da Presença e, em particular, algumas das principais figuras de ambos os movimentos.

Bandidos & nobreza

Os dois novos argumentos agora descobertos são apresentados pelo próprio Pessoa, respectivamnte, como "Note for a silly thriller or a film" e "Note for a thriller, or film". Ambos narram peripécias em navios - um tópico muito da predilecção de Álvaro de Campos (pense-se em "Opiário" ou "Ode Marítima") -, centradas em objectos preciosos cobiçados por bandidos, mas que afinal nunca estiveram a bordo.

Dos restantes argumentos redigidos em inglês (um deles parcialmente em português), e que Quillier já traduzira, dois tratam de trocas de identidades e envolvem marqueses e duques. O mais completo dos dois é "The Multiple Nobleman", ao qual Pessoa deu título, e para o qual chegou a redigir vários diálogos.

Ainda em inglês, o autor escreveu "The Three Floors", uma ideia para um filme concentrada em dois parágrafos. Pessoa imagina um edifício de três andares, cujos ocupantes têm um estatuto social tanto mais alto quanto mais elevado é o piso que habitam. Mas em todos os andares se repete, com pequenas variações, a mesma cena.

Nos textos redigidos em francês, possivelmente datados dos fins de 1917, em plena época do cinema mudo, o poeta alterna, em duas colunas, descrições de cenas e interpretações delas. Por exemplo: numa coluna escreve "o actor fuma", fazendo-lhe corresponder, na coluna paralela: "Triunfo sobre os seus inimigos, elevação, comando, satisfação". Quillier inventou para estes fragmentos o neologismo "cinématonirique" e aproxima-os das posteriores experiências cinematográficas dos surrealistas.

A par destas incursões literárias, Pessoa ponderou criar uma empresa - a Cosmopolis - que substituiria a Sociedade de Propaganda Portugal e que auxiliaria a indústria do turismo, servindo, ao mesmo tempo, de "centro de propaganda superior do paiz". O cinema seria uma das linhas de actuação da Cosmopolis, que para tanto deveria incorporar uma produtora que efectivamente existia então em Lisboa. Este projecto parece depois ter sido integrado por Pessoa numa nova ideia, a criação do Grémio de Cultura Portuguesa, ao qual atribui uma secção cinematográfica. Finalmente, ainda no âmbito destas possíveis utilizações comerciais e propagandísticas do cinema, concebe uma produtora, a Ecce Film, para a qual chega a esboçar vários logótipos, que Ferrari e Fisher reproduzem. Não menos interessantes são algumas notas soltas, como aquela em que escreve (em inglês): "Na medida em que as coisas são não podem deixar de ser. As coisas passam na medida em que não são. (Símbolo cinematográfico)." Ou ainda a sua afirmação de que o único cinema onde existe arte é o russo e o alemão, o que parece consistente com os trechos em que critica o cinema comercial de Hollywood e as suas estrelas.

Finalmente, a breve correspondência com a Presença que este volume transcreve abre com uma carta a Régio, na qual Pessoa se dispõe a responder a um inquérito sobre cinema. Mas logo na carta seguinte emenda a mão: "Ao inquérito sobre o cinema não responderei. Não sei o que penso do cinema".

Nova poesia das imagens

A primeira conclusão a retirar do abundante material, maioritariamente inédito, que este livro reúne, defendem os autores, é a de que "a ideia de que Pessoa não se interessou pela cinema estava completamente errada". E recordam que esta tese era ainda defendida em 2008, na entrada sobre cinema do Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, coordenado por Fernando Cabral Martins e editado pela Caminho. Joana Matos Frias, autora da dita entrada, afirma expressamente que "Pessoa nunca se interessou pelo cinema", o que, segundo Ferrari, sugere que não teria tido conhecimento atempado da edição de Quillier, publicada no ano anterior.

Mas Ferrari e Fisher também admitem que o que encontraram não basta para se "construir uma teoria" da relação de Pessoa com o cinema, e lembram que este "não escreveu ensaios sobre o assunto, como António Ferro ou Casais Monteiro". Acham que o seu livro demonstra que Pessoa se interessava pelo cinema, mas não que "se interessava imenso por cinema".

De facto, é difícil defender, mesmo perante estas novas evidências, que a atenção de Pessoa pelo cinema suplantasse a que seria de esperar de qualquer cidadão europeu culto da época. Se o cinema apaixonou boa parte dos presencistas, o único que, na geração de Orpheu, se interessou seriamente pelo cinema parece ter sido António Ferro.

O que não quer dizer que, de um modo difícil de detectar em evidências textuais, o cinema, como algo que impregnava a cultura da época, não tenha tido importância na obra poética de Pessoa ou Sá-Carneiro. Mas, para darmos a devida dimensão a estas escassas e dispersas reflexões de Pessoa, basta pensarmos, por exemplo, em Guillaume Appolinaire, oito anos mais velho do que o poeta português, que, pela mesma altura, via no cinema a síntese de todas as artes e decretava que o livro ia desaparecer e ser substituído pelo filme. Uma mudança que Appolinaire saudava, acreditando que essa nova poesia das imagens, dispensando a palavra, daria aos poetas "uma liberdade até hoje desconhecida".

In http://www.publico.pt/Cultura/dois-mil-exemplares-de-argumentos-para-filmes-de-fernando-pessoa-lancados-esta-semana_1502365?all=1

sábado, 9 de julho de 2011

FLIP- Festa Literária Internacional de Paraty

No blogue da editora Cosac Naify podem acompanhar o que tem andado valter hugo mãe a fazer em Paraty
http://editora.cosacnaify.com.br/blog/
Aqui fica o texto que valter hugo mãe pediu para ler no final da sua mesa e que levou às lágrimas o público que estava na Tenda dos Autores.

“Quando eu tinha uns 8 anos, veio morar para a casa ao lado da dos meus pais um casal de brasileiros com duas filhas moças. Ao chegar, o casal ofereceu uma ambulância ao quartel de bombeiros da nossa vila e toda a vila se emocionou. Foram os primeiros brasileiros que eu vi fora da tv, fora das novelas. Eu e os meus amigos fomos ao quartel dos bombeiros apreciar a ambulância nova, bem pintada, que se mostrava a todos como prova bonita da bondade de alguém. O meu pai tinha um carro pequeno, velho, difícil de levar a família inteira dentro. A ambulância era enorme, um luxo, como se fosse para transportar doentes felizes. Eu e os meus amigos ficamos estupefactamente felizes.

Depois, algumas mulheres e alguns homens mais delicados reuniam-se diante da senhora e das moças brasileiras e faziam perguntas sobre as novelas. Naquele tempo, passavam com muito atraso em relação ao Brasil, e todos queriam avidamente saber quem casava com quem na ‘Gabriela’.

A senhora e as suas duas filhas, porque sabiam o que ia acontecer nas novelas, eram aos olhos de todos como adivinhas, gente que via coisas do futuro, gente que viveu o futuro e que se juntou a nós para reviver o passado. Por causa disto, eram mágicas e as pessoas queriam a opinião delas para cada decisão.

A minha mãe pediu à nova vizinha a receita para fazer pizza, porque ainda não havia pizzarias e só víamos nas revistas como deviam ser bonitos e saborosos aqueles círculos de pão e queijo coloridos pousados nas mesas. Passámos a comer uma pizza de atum com muitas azeitonas pretas. Ainda hoje peço nos restaurantes pizza de atum com a esperança de que seja exactamente igual à da minha infância, mas nunca é.

As moças brasileiras eram mais velhas do que eu e ficaram amigas das minhas irmãs. As minhas irmãs saíam com elas à rua inchadas de orgulho, porque as pessoas todas, sempre comovidas com a ambulância, faziam vénia e sorriam. Havia gente que dizia que as moças brasileiras eram as mais belas de todas. Elas eram, na verdade, sorridentes, e eu senti que também seriam muito felizes na nossa pequena vila.

Um dia a minha irmã mais velha fez anos e foi festejá-los com uma festa na garagem das brasileiras. Na noite desse dia, ali pelas oito horas, uma outra menina, filha de um vizinho português, mostrou-me tudo. Não foi a primeira vez, mas eu queria sempre ver, embora ela não quisesse sempre mostrar. Um amigo meu surpreendeu-nos e quis ver também, mas a menina respondeu que não. Ela disse que mostrava apenas a mim porque eu era amigo das brasileiras. Entendi que as brasileiras eram como um toque de midas que me transformava num menino de ouro.

Aos dezoito anos, aquele que é o meu amigo mais irmão chegou do Brasil e ingressou na minha escola. Eu instintivamente corri atrás dele. Queria ser amigo dele como se fosse vital para mim. Ele mostrou-me Titãs e Legião Urbana. Eu achava que o Renato Russo ia salvar a minha vida com aquela canção do ‘Tempo perdido’. Quando o Renato Russo morreu, chorei muito e passei só a chorar quando ouço o ‘Tempo perdido’. Eu não sei se a arte nos deve salvar, mas tenho a certeza de que pode conduzir ao melhor que há em nós, para que não nos desperdicemos na vida.

O Alexandre, esse meu amigo brasileiro, mudou tudo em mim para melhor. Adorava viajar de comboio com ele quando entalávamos as meias mal cheirosas nas janelas para que arejassem durante a marcha. Nesse tempo, o Alexandre ensinou-me a perder aquela vergonha que só atrapalha. Porque os portugueses sempre foram meio envergonhados.

Hoje, temos quase quarenta anos, ele casou com uma portuguesa e tem filhos. Eu, não. Fiquei para tio a escrever romances e os romances tornaram-se fundamentais na minha vida, como a máquina de fazer espanhóis. Sonhei sempre vir ao Brasil e vim várias vezes, faltava vir como escritor, publicado e recebido, pois aqui estou, a FLIP fez isso, não esquecerei nunca, sinto que fazem de mim um homem de ouro, agradeço a todos muito por isso.”

valter hugo mãe, Paraty 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Calendário escolar 2011/2012

As aulas começam entre 8 e 15 de Setembro.
Pré-escolar: o termo das actividades acontece a 6 de Julho de 2012. As interrupções das atividades educativas nestes estabelecimentos para a Páscoa e o Natal correspondem a cinco dias úteis seguidos ou não, entre 19 e 30 de Dezembro e 28 de Março e 9 de Abril, respectivamente. No Carnaval a pausa é 20 e 22 de Fevereiro.
Ensino Básico e Secundário: o 1.º período termina a 16 de Dezembro. As aulas recomeçam no dia 03 de Janeiro e voltam a terminar a 23 de Março para as férias da Páscoa.
A 10 de Abril pcomeça o último período.
A 8 de Junho terminam as aulas para o 6.º, 9.º, 11.º e 12.º anos.
A 15 de Junho, entram de férias os alunos dos restantes anos de escolaridade.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ROSA ALICE BRANCO

Hoje, às 22h30, Rosa Alice Branco (n. Aveiro, 1950)lança o seu novo livro no Espaço Maus Hábitos, no Porto, intitulado "Gado do Senhor" (& Etc). A VISÃO conversou com a poetisa sobre a obra onde "o homem é a doença mortal do animal e Deus é a doença mortal do Homem" e dá conta da paixão das revistas literárias norte-americanas pela escritora.

LEIA A ENTREVISTA PUBLICADA NA VISÃO DESTA SEMANA E OUÇA AQUI EM BAIXO 4 POEMAS LIDOS PELA AUTORA

http://aeiou.visao.pt/gado-do-senhor-o-livro-da-rosa=f610383


Para mais informações sobre a autora, Ver
http://www.revista.agulha.nom.br/jprabranco1.html#biografia

OUTROS TEMPOS, OUTRAS FERRAMENTAS, OUTRA ESCOLA!


Humor da BiblioZARC, da Escola JGZARCO em Matosinhos

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Grande Prémio de Romance e Novela para Gonçalo M. Tavares

pela obra "Uma Viagem à Índia" (Caminho).

http://www.youtube.com/watch?v=ntelHo27u1o


«Uma Viagem à Índia», com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objectos do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles.
«A singular e provocante Viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares não é, contudo, a epopeia desta espécie de terra de ninguém do sentido, em que o Ocidente se converteu, mas a travessia e o confronto, ao mesmo tempo intemerato e burlesco, desse caos, não para descobrir nele uma mítica porta de saída mais ilusória ainda que as já conhecidas, mas para encarar a sério o seu paradoxal enigma. É apenas, num travestimento sem precedentes do texto epopaico (Os Lusíadas, a seu modo também é já texto de decepção, por conta da realidade), uma viagem ao fim do nosso fabuloso presente como glosa interminável da existência como tédio de si mesma. Partindo como Gama de Lisboa, e diferindo o mais que pode e sabe, como Ulisses, não o regresso, mas o “fim” da Viagem, Bloom, o seu tão célebre e literário herói, não contemplará (como a humanidade inteira) a face de Deus ou as pegadas de Deus, que no espelho da Índia imaginava contemplar, mas não volverá o mesmo. Agora sabe o que já pressentia. Que não viajamos para nenhum paraíso. Que todas as viagens são sempre um regresso ao passado de onde nunca saímos.»
(Eduardo Lourenço, no prefácio ao livro)

Críticas de imprensa

«Livro absolutamente inolvidável por mais anos que se viva. Ou, de outro modo, um livro para a eternidade.» (Miguel Real, JL)

«É um livro cheio de fantasmas, fantasmas dos Lusíadas, fantasmas do homem contemporâneo, uma viagem, uma anti-epopeia, e é um livro extraordinário. Estou convencido de que dentro de cem anos ainda haverá teses de doutoramento sobre passagens e fragmentos». (Vasco Graça Moura, TVI24)

«Trata-se, como sempre em Tavares de um texto inteligente, brilhante mesmo […]» (Pedro Mexia, Público)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

As bibliotecas escolares são essenciais

No novo contexto informacional em que vivemos, resultado do desenvolvimento das tecnologias e da Internet, em particular, é fundamental que a escola seja capaz de preparar jovens que, para além de um leque de conhecimentos, alguns axiais como a língua materna e a matemática, dominem um conjunto de competências complexas no que à informação diz respeito. Para responder a essa exigência, as bibliotecas escolares são um bem educativo e cultural essencial.

As formas clássicas de produção, conservação e circulação do saber, intimamente ligadas ao livro e ao impresso, estão a alterar-se profundamente. Crianças e jovens são cada vez mais marcados pelo acesso e uso precoce duma grande parafernália tecnológica - telemóveis, consolas de jogos, mp3, computadores, ipads... -, uma grande apetência por conteúdos audiovisuais e, sobretudo, pela Internet. No final da escola aguarda-os um mercado de trabalho caracterizado pela mudança, flexibilidade, necessidade constante de adaptação e de trabalhadores cada vez mais qualificados. Vão mudar de emprego várias vezes e vão ter de continuar a aprender ao longo da vida.

Quando todo o conhecimento de que necessitamos parece encontrar-se na Web, à distância e velocidade de um clique, as actividades de pesquisa e tratamento de informação tornaram-se mais complexas do que podíamos imaginar. E a geração que apelidamos de "nativos digitais" ou "geração google", apesar da destreza tecnológica, revela grandes fragilidades na procura e uso de conteúdos informativos relevantes e fiáveis, assim como na capacidade de os transformar em conhecimento. Quem é que hoje, no papel de professor ou de pai, não experienciou a frequência com que crianças e jovens se limitam a "googlar" um tema, aplicando a seguir o método do "copiar e colar" para produzirem o trabalho que lhes foi pedido?

Todo este cenário exige que a escola promova o ensino e aprendizagem de diferentes literacias, nomeadamente a literacia de informação, aqui entendida como o conjunto de competências que capacitam para o acesso, uso e aplicação eficaz da informação, em diferentes suportes, formatos e contextos. É este desafio recente, assim como o da leitura, nos tradicionais e nos novos ambientes, que torna as bibliotecas escolares tão necessárias. Vejamos.

Por mais que a tecnologia nos inunde, a leitura continua a ser uma aprendizagem primordial, condição de todas as outras. Aprende-se a ler, lendo, o livro continua a ser o suporte de eleição para essa aprendizagem, e a leitura, analógica ou digital, o instrumento de compreensão global. Nem todas as famílias têm condições para proporcionar livros e um ambiente leitor às suas crianças e jovens. As bibliotecas escolares são, pois, um ponto de acesso ao livro, a outros suportes e a actividades que estimulam o interesse e competências de leitura ao longo da escolaridade.

As bibliotecas escolares são igualmente um espaço de inclusão digital. Alguns programas do Ministério da Educação, o próprio embaratecimento da tecnologia, facilitaram a posse de computador pessoal. Em relação à Internet, considerando os dados do projecto Eukids Online, verificamos que só 78% das crianças e dos jovens portugueses entre 9 e 16 anos acedem à Internet. E cerca de um terço através das bibliotecas, tanto escolares como públicas.

Mas a inclusão digital não se resume ao acesso, pelo contrário, transfere-se cada vez mais, mesmo nos países mais desenvolvidos, para o problema do uso. Entendidas como espaços de aprendizagem, as bibliotecas escolares desempenham um papel fundamental na promoção de um uso seguro, criterioso, crítico e eficaz da informação. Em todos os agrupamentos de escolas e escolas secundárias têm sido o lugar por excelência onde estas questões são especificamente colocadas e trabalhadas com os professores bibliotecários, com todos os docentes já sensibilizados para o tema e, em especial, com os alunos. O Programa Rede de Bibliotecas Escolares tem sido decisivo no desenvolvimento destes espaços na escola.

por MARGARIDA TOSCANO, PROFESSORA E MEMBRO DO GABINETE DA REDE DE BIBLIOTECAS ECOLARES
Artigo Parcial em http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1890187&seccao=Convidados&page=-1

domingo, 19 de junho de 2011

Uma Torre de Babel feita de livros *




Em Maio, a artista Marta Minujin (http://www.marta-minujin.com/exhibitions19.html) criou em Buenos Aires uma espantosa obra efémera: uma Torre de Babel de estrutura helicoidal, com uma altura equivalente a sete andares, coberta com 30 mil livros nas mais diversas línguas e dialectos, formando no seu todo uma grande «biblioteca multilinguística».

* IN http://bibliotecariodebabel.com/

sábado, 18 de junho de 2011

"Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia." *

Tu não serás as cinzas que Pilar vai depositar sob a oliveira (…), serás os milhares de páginas que escreveste (…) De resto, nós queremos que este momento seja alegre, que sejas seiva desta cidade (...)
Quanto a nós, enquanto formos vivos, recordar-te-emos sempre. Não temos outra eternidade para te dar (Lídia Jorge , "Palavras para Ti".

Numa primeira intervenção, o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho leu um texto de Saramago sobre a cidade de Lisboa, intitulado "Palavras para Uma Cidade".

No Campo das Cebolas, em frente ao Tejo e à Casa dos Bicos ( futura sede da Fundação José Saramago), Pilar del Río colocou as cinzas junto às raízes da oliveira vinda da terra natal do escritor, escolhida pelo presidente da junta de freguesia da Azinhaga do Ribatejo, por ser aquela onde ele imaginava que pudesse estar o lagarto verde que Saramago descreve no seu livro As Pequenas Memórias.

Juntamente com um livro de textos sobre o Prémio Nobel 1998, as cinzas foram cobertas por terra de Lanzarote, colocada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa no canteiro onde se encontra plantada a árvore, junto a um banco de mármore e ladeada de duas placas de pedra embutidas no chão, lendo-se na primeira, do lado esquerdo, José Saramago 1922-2010 e na outra a última frase do romance * "Memorial do Convento"

Catorze de Junho

Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.

José Saramago, publicado por Fundação José Saramago em http://caderno.josesaramago.org/ - Poesía completa, Alfaguara, pp. 636-637

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"Um ano sem Saramago" (*)

A 18 de Junho, às 11 Horas, um ano depois da sua morte, as cinzas de José Saramago serão depositadas no Campo das Cebolas, diante da Casa dos Bicos,
frente ao rio Tejo, em Lisboa.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Azinhaga e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para um acto que não será de despedida porque há pessoas a quem não se pode dizer adeus.

No acto intervirão o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho, que lerá Palavras para uma Cidade, de José Saramago, e a escritora Lídia Jorge. Actuará a Orquestra de Percussão Tocá Rufar.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa encerrará a cerimónia.

IN http://www.josesaramago.org/


(*)Título de um texto publicado no suplemento Atual do jornal Expresso, de 04 de Junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa no Google


Colocando hoje, na homepage, um doodle com o poeta Fernando Pessoa a escrever, o Google levou hoje a imagem e o nome do nosso maior poeta do século XX a centenas de milhares de pessoas em todo o Mundo.
Com o logotipo da Google por trás, aparece a imagem de Pessoa em primeiro plano, uma caneta, uma folha de papel, uma chávena de café e o número 2 da revista "Orpheu" - tal como no célebre retrato pintado por Almada Negreiros.

Fernando Pessoa nasceu, em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888. Morreu, em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935. Faria hoje 123 anos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Em Dia de Camões, dois poemas do Prémio Camões/2011

A POESIA VAI

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –


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NA BIBLIOTECA

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’


[in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PORTUGAL

Excerto do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga, dito por Miguel Borges.

http://vimeo.com/11921365

No mesmo sítio, há mais vídeos - e com óptimas interpretações.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Prémio Pritzker 2011

Discurso do Arquitecto Souto Moura ao receber o Prémio Pritzker (2011)


Exmo. Sr. Presidente dos EUA, Presidente do Júri, elementos do Júri, meus Amigos, minhas Senhoras e meus Senhores,

Só quando recebi o convite dizendo “Eduardo Souto de Moura of Portugal” é que acreditei que tinha ganho o Pritzker 2011. Não posso esconder que fiquei feliz, por mim, pela minha família, colaboradores, amigos e clientes. Em nome de todos, os meus sinceros agradecimentos.

Aprendi a desenhar na Escola Italiana do Porto, cidade onde nasci, e no liceu decidi ser arquitecto. Não é que tivesse alguma paixão especial pela disciplina, mas na crise agnóstica dos 15 anos, duvidei se Deus devia ter descansado ao 7º dia. É que, pensando bem, ficou por fazer uma geografia como a de Delfos, a Acrópole para receber o Parténon ou secar um pântano no Illinois, onde a Farnsworth pudesse ficar.


Em 1975 depois da Revolução dos Cravos, comecei a trabalhar com o Arqº Siza Vieira. Não só pela arquitectura, mas sobretudo pela pessoa em si, foi uma experiência excepcional que ainda hoje continuo a fazer com o mesmo prazer. Saí do seu escritório nos anos 80, para ser arquitecto. Foi difícil começar, mas usar a sua “linguagem” parecia-me uma traição e mesmo que o quisesse, não o conseguia fazer, por pudor.


Depois da Revolução, e restabelecida a Democracia, abriu-se a oportunidade de redesenhar um país, onde faltavam escolas, hospitais, outros equipamentos, e sobretudo meio milhão de casas. Não era certamente o Pós-Modernismo, na altura em voga, que nos poderia resolver a questão. Construir meio milhão de casas, com frontões e colunas seria uma perda de energia, pois a ditadura já o tinha ensaiado. O Pós-Modernismo chegou a Portugal, sem quase termos passado pelo Movimento Moderno. É essa a ironia do nosso destino: “antes de o ser já o éramos”.


Do que precisávamos era de uma linguagem clara, simples e pragmática para reconstruir um país, uma cultura, e ninguém melhor que o proibido Movimento Moderno poderia responder a esse desafio. Não era só um problema ideológico, mas sobretudo de coerência entre material, sistema construtivo e linguagem. Se “arquitectura é a vontade de uma época traduzida num espaço”, Mies van der Rohe abriu-nos as portas na redefinição da disciplina tão massacrada até aí, pela linguística, semiótica, sociologia e outras ciências afins. O importante é que a arquitectura fosse “construção”, assim com urgência, nos pedia o país.


Com 10 séculos de História, Portugal encontra-se hoje numa grande crise social e económica, como já aconteceu em vários períodos anteriores. Hoje, como ontem, a solução para a arquitectura portuguesa é emigrar. Como dizia Paul Claudel: “Le Portugal est un pays en voyage, de temps en temps il touche l’Europe”. Resta-nos a “mudança”, como quer dizer a palavra “crise” em grego. Resta-nos decifrar o significado dos dois caracteres chineses que compõem a palavra “crise”: o primeiro significa “perigo”, o segundo “oportunidade”. Em África e noutras economias emergentes não nos faltarão oportunidades, o futuro é já aí. “Trabalhar na transmutação, na transformação, na metamorfose é obra própria nossa.” (1)

Muito obrigado.

Eduardo Souto de Moura
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(1) Herberto Helder, “O Corpo. O Luxo, A Obra”

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Se estivermos atentos, todos os dias há matéria para histórias."

"A ficção é muito mais intensa que a vida"

Lídia Jorge, em entrevista ao "I" - 1/4/2011.

http://www.ionline.pt/conteudo/114485-lidia-jorge-a-ficcao-e-muito-mais-intensa-que-vida

"A Noite das Mulheres Cantoras" é o novo romance da autora algarvia que conta já com 30 anos de escrita.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Wikiciências em português


Via http://dererummundi.blogspot.com/

Informação recebida da Casa das Ciências, projecto da Fundação Gulbenkian para o ensino das ciências, sobre o início do Wikiciências:

A internet é hoje um recurso de uso universal. É ali que todos procuramos a resposta às nossas questões, seja a simples hora do filme que tencionamos ir ver seja a última experiência em curso no CERN. Todas as revistas científicas estão hoje disponíveis, embora o acesso dependa do pagamento de uma assinatura. Está em curso um grande esforço para digitalização de livros mas o futuro é ainda incerto e a maioria dos livros recentes só pode ser acedida em papel. A realidade é que os estudantes fazem hoje um uso muito amplo da internet para o acompanhamento do seu estudo mas as têm muito poucas fontes de confiança em português. Para o ensino básico e secundário, esta é uma carência que foi identificada como muito relevante e a que a Casa das Ciências está a dar uma resposta.

Num estudo prévio, foram identificados os termos básicos presentes nos programas das disciplinas científicas e este constitui o acervo inicial que a Casa das Ciências se propõe reunir. Na fase inicial, a Casa das Ciências convidou cientistas reconhecidos a participar neste projecto como editores sectoriais. Todas as entradas ficam permanentemente registadas e disponíveis para consulta mesmo depois de substituídas. A identidade dos autores e dos editores será pública e servirá de primeiro garante da qualidade da entrada. Uma vez aprovada, fica livremente disponível e exposta à crítica havendo uma hierarquia de editores que lidarão com todas as sugestões de melhoria que sejam apresentadas.

Tendo como Editor-Chefe o Professor José Ferreira Gomes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e como Comissão Editorial a mesma da Casa das Ciências, o Corpo editorial tem 2 Editores de Geologia, 3 de Matemática, 2 de Física, 2 de Geologia, 3 de Química, 3 de Biologia e 2 de Ciências dos computadores.

Dispõe nesta primeira fase de cerca de 650 entradas das quais 250 já se encontram “abertas” para toda a gente. Todas as outras estão em fase de avaliação para poderem ser editadas e publicadas dentro dos prazos habituais nestas circunstâncias.

Estima-se que até ao fim do ano estejam disponíveis para leitura universal cerca de 1000 entradas que, segundo os estudos prévios que foram efectuados, correspondem a uma dimensão aceitável para o universo de conceitos essenciais que são utilizados nos níveis de ensino a que a WikiCiências prioritariamente se destina.

Segue-se um exemplo da Física, ilustrativo do tipo de entradas que se podem encontrar nesta componente da casa das Ciências: aqui
http://wikiciencias.casadasciencias.org/index.php/Lei_de_Coulomb

sexta-feira, 27 de maio de 2011

ACORDO ORTOGRÁFICO – Guia rápido para a aplicação da nova ortografia

Encontra-se disponível para consulta o Guia Rápido para a Aplicação da Nova Ortografia, uma edição dos Ministérios da Educação e da Cultura e da autoria do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).
Sendo a língua portuguesa um elemento essencial do património cultural português, a sua protecção e valorização, bem como a sua defesa e promoção, são tarefas fundamentais do Estado.
O presente Guia tem como objetivo apresentar e contextualizar, de forma sucinta e acessível, as mudanças provocadas na ortografia usada em Portugal pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 1990, e que se encontra em vigor, em Portugal, desde 13 de maio de 2009. A sua aplicação no sistema educativo português será efectuada a partir do ano lectivo de 2011/2012.
Fonte: DGIDC
http://www.dgidc.min-edu.pt/index.php?s=noticias¬icia=74

quinta-feira, 26 de maio de 2011

AVEIRO, FEIRA DO LIVRO E DA MÚSICA 2011

No Rossio, de 26 de Maio a 5 de Junho

Horário:
2ª a 5ª feira – 17:00h às 23:00h
6ª feira – 17:00h às 24:00h
Sábado – 10:00h às 24:00h
Domingo – 10:00h às 23:00h
Dia 1 de Junho – das 10:00h às 23:00h

domingo, 22 de maio de 2011

DIA DA ESCOLA, DIAS DE ESCOLA

Celebramos a 25 de Maio o dia do nosso patrono que é um dia especial de/para todos nós - consulta o programa, colabora e comparece!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Prémio Camões, o mais importante galardão de literatura portuguesa, foi atribuído por unanimidade a Manuel António Pina.


Nome: Manuel António Pina
Nascimento: 1943, Sabugal

Jornalista e escritor, Manuel António Pina nasceu no ano de 1943, no Sabugal, na Beira Alta. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1971, exerceu a advocacia e foi técnico de publicidade. Abraçou a carreira de jornalista no Jornal de Notícias, onde passou a editor. A sua colaboração nos "media" também se distribui pela rádio e pela televisão.
Autor de livros para a infância e juventude e de textos poéticos, a sua obra apresenta uma grande coesão estrutural e reflete uma grande criatividade, exige do leitor um profundo sentido crítico e descodificador."Brincando" com as palavras e os conceitos, num verdadeiro trocadilho, Manuel António Pina faz da sua obra um permanente "jogo de imaginação", tal labirinto que obriga a um verdadeiro trabalho de desconstrução para se encontrar a saída.
Afirmou-se como uma das mais originais vozes poéticas na expressão pós-pessoana da fragmentação do eu, manifestando, sobretudo a partir de Nenhum Sítio, sob a influência de T. S. Elliot, Milton ou Jorge Luis Borges, uma tendência para a exploração das possibilidades filosóficas do poema, transportando a palavra poética "quer para a investigação do processo de conhecimento quer para a investigação do processo de existência literária" (cf. MARTINS, Manuel Frias - Sombras e Transparências da Literatura, Lisboa, INCM, 1983, p. 72).
Transmissora de valores, muita da sua obra infantil e juvenil é selecionada para fazer parte dos manuais escolares, sendo também integrada em antologias portuguesas e espanholas.
Os seus textos dramáticos são frequentemente representados por grupos e companhias de teatro de todo o país e a sua ficção tem constituído o suporte de alguns programas de entretenimento televisivo, de que é exemplo a série infantil de doze episódios Histórias com Pés e Cabeça, 1979/80.
Como escritor, é autor de vários títulos de poesia, novelas, textos dramáticos e ensaios, entre os quais: em poesia - Nenhum Sítio (1984), O Caminho de Casa (1988), Um Sítio Onde pousar a Cabeça (1991), Algo Parecido Com Isto da Mesma Substância (1992); Farewell Happy Fields (1993), Cuidados Intensivos (1994), Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança (1999), Le Noir (2000), Os Livros (2003); em novela - O Escuro (1997); em texto dramático - História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas (1984), A Guerra Do Tabuleiro de Xadrez (1985); no ensaio - Anikki - Bóbó (1997); na crónica - O Anacronista (1994); e, finalmente, na literatura infantil - O País das Pessoas de Pernas para o Ar (1973), Gigões e Amantes (1978), O Têpluquê (1976), O Pássaro da Cabeça (1983), Os Dois Ladrões (1986), Os Piratas (1986), O Inventão (1987), O Tesouro (1993), O Meu Rio é de Ouro (1995), Uma Viagem Fantástica (1996), Morket (1999), Histórias que me contaste tu (1999), O Livro de Desmatemática e A Noite, obra posta em palco pela Companhia de Teatro Pé de Vento, com encenação de João Luís.
A sua obra tem merecido, frequentemente, destaque, tendo sido já homenageado com diversos prémios, como, por exemplo, o Prémio Literário da Casa da Imprensa, em 1978, por Aquele Que Quer Morrer; o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens e a Menção do Júri do Prémio Europeu Pier Paolo Vergerio da Universidade de Pádua, em 1988, por O Inventão; o Prémio do Centro Português de Teatro para a Infância e Juventude, em 1988, pelo conjunto da obra; o Prémio Nacional de Crónica Press Clube/Clube de Jornalistas, em 1993, pelas suas crónicas; o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 2001, por Atropelamento e Fuga; e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava e o Grande Prémio de Poesia da APE/CTT, ambos pela obra Os Livros, recebidos em 2005.

Bibliografia: O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Porto, 1973; Ainda Não É o Fim Nem O Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde, Lisboa, 1974; Gigões e Anantes, Porto, 1974; O Têpluquê, Porto, 1976; Aquele Que Quer Morrer, Lisboa, 1978; A Lâmpada do Quarto? A Criança?, Porto, 1981; O Pássaro da Cabeça, Lisboa, 1983; Os Dois Ladrões, 1983; Nenhum Sítio, Porto, 1984; Os Piratas, 1986; O Inventão: Aventuras do Maior Intelectual do Mundo, Porto, 1987; O Caminho de Casa, Lisboa, 1989; Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, 1991; Farewell Happy Fields, 1992; Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância. Poesia Reunida 1974-1992, Porto, 1992; O Tesouro, 1993; Cuidados Intensivos, Porto, 1994; O Anacronista, 1994; O Meu Rio é de Ouro, Porto, 1995; Aquilo Que os Olhos Vêem ou O Adamastor, 1998; Histórias Que Me Contaste Tu, 1999; Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, 1999; A Noite, 2001; Poesia Reunida 1974-2001, 2001; Atropelamento e Fuga, 2001; Pequeno Livro de Desmatemática, 2001; Perguntem aos Vossos Gatos e aos Vossos Cães, 2002; Porto, Modo de Dizer, 2002; Os Livros, 2003; Os Papéis de K., 2003; Queres Bordalo?, 2005, em parceria com Pedro Proença.

In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
http://www.infopedia.pt/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ruy de Carvalho na nossa escola

O actor participou na iniciativa "perCURSOS", com José Pedro Ramos, também actor, e o guitarrista Paulo Vaz de Carvalho

Ruy de Carvalho contou várias peripécias da sua longa carreira, notando que a sua profissão «parece fácil, mas exige que se tenha formação e cultura geral, e necessita de muito trabalho.» Revelou ainda ter muita esperança nas gerações mais novas, e aconselha, aos jovens que queiram seguir a sua profissão, que «comecem a conhecer pessoas do teatro e a mostrarem valor.»

José Pedro Ramos, um jovem actor e designer, falou do seu percurso diversificado, onde já conta com várias peças de teatro, filmes e até publicidade em televisão, incentivando os presentes a «agarrar as oportunidades que aparecem sempre, mais cedo ou mais tarde.» Também demonstrou um pouco da sua arte, juntamente com o guitarrista Paulo Vaz de Carvalho, que acompanhou a declamação de um poema pelo jovem actor com um solo de guitarra. No final da palestra, seguiu-se uma concorrida sessão de perguntas colocadas pelos alunos, que mostraram, assim, o interesse pelo percurso de vida e pela carreira dos convidados.

Emanuel Madalena, In "Diário de Aveiro", 6 de Maio de 2011, pág.5
Reportagem fotográfica de Henrique Oliveira em
http://www.prof2000.pt/users/secjeste/Secje11/Pg000900.htm

terça-feira, 3 de maio de 2011

Depois de amanhã, na nossa Escola, RUY DE CARVALHO, PAULO VAZ DE CARVALHO E JOSÉ PEDRO RAMOS

Estes três convidados vão estar connosco num painel dedicado às artes do espectáculo, integrado na semana dos PerCURSOS profissionais que tem estado a decorrer no Polivalente da ESJE.

Inserindo-se no âmbito da Semana das Profissões, esta iniciativa dos Cursos Profissionais, em articulação com os SPO, tem por objectivo a sensibilização da comunidade escolar e dos nossos alunos para a diversidade de percursos de vida/profissionais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Livros e Leituras

[NÃO GOSTO TANTO]

Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito de seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever.

De Florbela Espanca espanca (1999)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 DE ABRIL


(na figura cartaz de Vieira da Silva

Elsa Ligeiro, editora da "Alma Azul", a propósito do 25 de Abril:

A história é conhecida.
Salazar recusou a nacionalidade portuguesa a Arpad Szenes, apátrida, pela sua ascendência judaica, e marido da pintora Maria Helena Vieira da Silva.

A pintora, que nasceu em Portugal, em 1908, morreu com passaporte francês para acompanhar o marido quando, em 1956, o governo de França tornou cidadão francês o meteco Arpad que tinha nascido na Hungria e desde jovem vivido em vários países, um pouco por todo o mundo.Também em Portugal, onde esteve com a mulher, com quem partilhou o resto da sua vida depois do casamento, em 1930.

Há um filme de José Álvaro Morais, um dos maiores cineastas portugueses, que apesar de ter nascido em Coimbra, cresceu na Covilhã, onde está sepultado, que conta esta bela história de amor entre os dois. O filme tem como título Ma Femme Chamada Bicho. Durante os primeiros dez minutos até parece um filme sobre Arpad Szenes. É ele que fala de Viena e Berlim e do seu ambiente totalitário no início do século XX, pouco antes da I Grande Guerra Mundial (sábias as suas palavras, como inteligentes e cáusticas serão mais tarde quando fala de Portugal).

Mas aparece Vieira da Silva, a sua musa, e ela toma conta do filme. Passa a uma história de amor extraordinária. Talvez mais bela porque reúne um talentoso artista que encontra um génio. Até na postura.

O filme é de 1976, o que torna possível escutar da boca de Maria Helena Vieira da Silva como nasceram os cartazes sobre o 25 de Abril de 1974 que fixarão para sempre a imagem de um país com uma revolução ímpar. A forma como Vieira da Silva o conta, com uma felicidade genuína e desprendida, é um dos momentos mais sublimes do filme. Só superado pelas imagens em que a pintora tenta continuar um quadro em frente à câmara e, depois de duas pinceladas, abandona as tintas dizendo: “Não consigo, não parece autêntico, não é autêntico”. Nada há de mais autêntico para Vieira da Silva que os seus quadros, onde com o seu génio condensa cidades. Mas fazê-lo diante de uma câmara é uma ilustração que não lhe cabe. Exemplar.

O que não a impede de no final do filme, numa verdadeira pantomínia, pintar a cara de negro e de mão dada com Arpad Szenes, caminharem, como dois adolescentes apaixonados, diante da câmara de José Álvaro Morais. Num final verdadeiro e feliz. Como devem ter as grandes histórias.

http://dererummundi.blogspot.com/

sábado, 23 de abril de 2011

HOJE É DIA MUNDIAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR




A UNESCO celebra o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor com o lançamento de um Observatório Anti-Pirataria. Neste dia as celebrações ocorrem em Ljubljana (Eslovénia), a Capital Mundial do Livro em 2010.


Ler mais em

DIA MUNDIAL DO LIVRO



O cartaz da DGLB deste ano é da autoria do artista plástico e ilustrador João Vaz de Carvalho, premiado nacional e internacionalmente, editado em vários países.

Este é um dia emblemático para a literatura mundial, razão pela qual a UNESCO escolheu esta data para assinalar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Miguel de Cervantes e William Shakespeare morreram a 23 de Abril de 1616; em 1899, nasceu Vladimir Nabokov. Neste dia, segundo uma antiga tradição catalã, começou a generalizar-se por todo o mundo o hábito de os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge, recebendo em troca um livro.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

HOJE É O DIA DA TERRA

Reciclagem marca Dia da Terra

O dia da Terra passa quase despercebido em Portugal. Criado em 1970, pelo senador norte-americano Gaylord Neson, manifesta-se essencialmente nas escolas do país.

O que começou, em 1970, como um protesto nacional contra a poluição, é assinalado à escala mundial, com iniciativas centradas na preservação do Planeta e na importância da reciclagem.

Por todo o país decorrem actividades que comemoram o Dia da Terra, assinalado mundialmente, a partir de 1990, no dia 22 de Abril.

No Porto o projecto "Together Green", vai oferecer flores na Rua S. Francisco Xavier. Se um dos 78 estudantes de “t-shirt” verde mobilizados para a campanha lhe oferecer flores não estranhe, não é "Impulse", é o Dia da Terra.

Em Águeda, 50 organizações de todo o município vão distribuir contentores de recolha selectiva de óleos. Há ainda actividades ligadas à reciclagem, visitas guiadas ao Parque da Alta Vila, actividades ao ar livre e jogos tradicionais. A transformação de resíduos, rastreios de saúde, peças de teatro e a sensibilização para boas práticas de poupança de água pretendem deixar, ainda, uma marca no Planeta.

Em Ferreira do Alentejo, a câmara municipal está a fazer campanhas de sensibilização ambiental através do projecto "Ferreira sustentável". Direccionado para alunos do jardim-de-infância e do 1º ciclo, promove oficinas de reciclagem e de instrumentos musicais, concebidos através da reutilazação de materiais.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1208826


Que impacto causa cada um de nós na terra?
A National Geographic convida-nos a fazer o teste:
http://www.natgeo.com.br/especiais/dia-da-terra/teste.asp

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Top 20 das pessoas mais influentes da história


Tendo procurado na Net uma lista das pessoas mais influentes da história deparei com esta curiosa, embora controversa (não o serão todos), lista da autoria do astrofísico e jurista norte-americano Michael H. Hart, que a apresentou no livro "The 100: A Ranking of the Most Influential Persons in History", primeira edição, 1978 (Carol Publishing, um verdadeiro best-seller!), edição ligeiramente revista 1992 (desceram, entre outros, Marx e Lenine). O autor defende o primeiro lugar que atribuiu a Maomé por ele ter sido ao mesmo tempo um líder religioso e civil, tendo impulsionado uma nova religião, o islamismo, quase sozinho (a evangelização cristã foi muito obra de S. Paulo). Aqui vai a lista, que indica a religião e a actividade de cada um, que poderá suscitar interessantes comentários:

• 1 Maomé, Profeta do Islão, conquistador da Arábia
• 2 Isaac Newton, Anglicano, físico
• 3 Jesus Cristo, Cristianismo, Fundador do Cristianismo
• 4 Buda, Hinduísmo, Fundador do Budismo
• 5 Confúcio, Confucianismo, fundador do Confucianismo
• 6 S. Paulo, Cristianismo, prosélito do Cristianismo
• 7 Ts'ai Lun, Religião tradicional chinesa, inventor do papel
• 8 Johann Gutenberg, Católico, impressor
• 9 Cristóvão Colombo, Católico, explorador
• 10 Albert Einstein, Judeu (só nominalmente), físico
• 11 Louis Pasteur, Católico, cientista
• 12 Galileu Galilei, Católico, astrónomo e físico
• 13 Aristóteles, Platonismo / Filosofia Grega, filósofo
• 14 Euclides, Platonismo / Filosofia Grega, matemático
• 15 Moisés, Judaísmo, maior profeta do Judaísmo
• 16 Charles Darwin, Anglicano (tornou-se agnóstico), biólogo
• 17 Shih Huang Ti, Religião tradicional chinesa, imperador
• 18 César Augusto, Paganismo romano, líder romano
• 19 Nicolau Copérnico, Católico (cónego), astrónomo
• 20 Antoine Laurent Lavoisier, Católico, químico.

Nos 20 encontram-se 9 cientistas (contando Aristóteles entre estes), 2 inventores (papel e tipografia de tipos móveis) e 1 explorador (descobridor da América). Há 7 líderes religiosos e apenas dois líderes civis. A religião dominante é o Cristianismo.

(Carlos Fiolhais) IN http://dererummundi.blogspot.com/

terça-feira, 12 de abril de 2011

50º Aniversário do Primeiro Homem no Espaço



Yuri Gagarine, piloto militar e cosmonauta soviético, o primeiro homem lançado no espaço há 50 anos, efectou uma órbita de 40 mil quilómetros em torno da Terra, no dia 12 de Abril de 1961, durante um voo de 108 minutos a bordo da nave espacial Vostok 1.
Yuri Gagarine nasceu a 9 de Março de 1934 e morreu 34 anos depois, durante um voo de rotina, num acidente aéreo a bordo de um MiG-15, a 27 Março de 1968.
Quando entrou para a história da era espacial, Yuri Gagarin tinha 27 anos e visto que a nave Vostok I apenas tinha lugar para uma pessoa a pequena estatura de Yuri (1,57m) foi determinante para a sua selecção entre on numerosos candidatos a cosmonautas.
Como ainda não se conheciam bem os efeitos da falta de gravidade sobre o ser humano, o voo de Gagarine foi totalmente controlado a partir da Terra. Antes de subir a bordo fez um discurso salientando o «belo momento» de partir para o espaço.

Para assinalar este cinquentenário, o Google criou um "doodle" - já espreitou?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Em dia de Primavera, abrimos as portas da nova Biblioteca!

Olá, e um olhar sorridente!

(Há ainda muito trabalho a fazer, mas a BE espera-vos, com flores e muita poesia...)

quinta-feira, 17 de março de 2011

EM MUDANÇAS, de novo em mudanças...

Após as obras de requalificação da Escola, vamos mudar para as novas instalações; foram 8 meses em espaço provisório; agora, em casa nova, se bem que ainda à espera dos novos equipamentos, cá estaremos para vos acolher.
Até breve - segunda-feira, se tudo correr bem!

terça-feira, 1 de março de 2011

"A melhor Ciência está próxima da Poesia"

Maria de Sousa, uma vida ao microscópio, uma carreira brilhante na investigação em Imunologia, tanto em Portugal como nos Estados Unidos e em Inglaterra, um a actividade decisiva na criação e coordenação no ensino pós-graduado;: a cientista e professora catedrática jubilada recebe hoje o Prémio Universidade de Coimbra.
IN JL nº 1053, de 9 a 22 de Fevereiro, p. 26

"A melhor Ciência está próxima da Poesia"

Maria de Sousa, uma vida ao microscópio, uma carreira brilhante na investigação em Imunologia, tanto em Portugal como nos Estados Unidos e em Inglaterra, um a actividade decisiva na criação e coordenação no ensino pós-graduado;: a cientista e professora catedrática jubilada recebe hoje o Prémio Universidade de Coimbra.
IN JL nº 1053, de 9 a 22 de Fevereiro, p. 26