domingo, 24 de julho de 2011

A LEITORA, de PAULA REGO


A BE deseja-vos umas boas férias e ... boas leituras!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

HOJE É DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE

Em plena expansão de redes sociais, a palavra amigo desdobra-se em sentidos diferentes. Recordemos o motivo desta efeméride, que liga a amizade para todo o sempre ao epaço sideral e à... Lua!

A origem do Dia Internacional da Amizade é controversa. Isto é, ninguém sabe ao certo como foi que surgiu a idéia de se criar um dia especialmente dedicado aos amigos. Entretanto, acredita-se que a idéia tenha partido de um dentista argentino, chamado Enrique Febbaro. Segundo histórias contadas na Internet, esse dentista, entusiasmado com a corrida espacial da década de 60, decidiu prestar uma homenagem a toda a Humanidade por seus esforços em estabelecer vínculos para além do planeta Terra.

Durante um ano, Febbaro teria divulgado o seguinte lema: "Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro". Algum tempo depois, com a chegada do homem à Lua em 20 de julho de 1969, ele escolheu esta data para fazer uma festa dedicada à amizade. A comemoração tornou-se oficial em Buenos Aires, capital da Argentina em 1979 e, devagarinho, acabou sendo adoptada em outras partes do mundo.
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Publicada por Maria José Vitorino em ALFINete http://alfinete2008.blogspot.com/2011/07/20-julho-dia-internacional-da-amizade.html

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pessoa interessou-se pelo cinema?

Fernando Pessoa escreveu argumentos para filmes e sonhou criar uma produtora. Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer coligiram todo esse material num livro lançado hoje em Lisboa.

Os autores pesquisaram todo o espólio de Fernando Pessoa, incluindo a sua biblioteca, e recolheram tudo o que dissesse respeito ao cinema. O resultado é "Fernando Pessoa - Argumentos para Filmes", segundo número da nova série das Obras de Fernando Pessoa que a Ática (chancela que hoje integra o grupo Babel) está a publicar, sob a coordenação de Jerónimo Pizzaro.

Embora o título destaque os argumentos que Pessoa escreveu para cinema - alguns deles já divulgados por Patrick Quillier em "Courts-Métrages" (2007) -, a ambição do livro, que será lançado às 20h00 na FNAC do Chiado, é bastante mais vasta. Ferrari e Fischer coligiram as (poucas) reflexões que Pessoa deixou sobre o cinema em apontamentos soltos, reuniram todos os papéis em que o poeta rascunhou os vários projectos que chegou a acalentar relacionados com o cinema, incluindo a criação de uma produtora, e compilaram as cartas trocadas com José Régio e com a revista Presença a propósito de um inquérito sobre cinema ao qual Pessoa acabaria por não responder.

No que respeita ao núcleo principal do livro, que reúne os argumentos escritos por Pessoa, esta obra acrescenta também enriquecimentos significativos ao que Patrick Quillier já divulgara. "Courts-Métrages" inclui cinco argumentos: dois escritos em inglês, um em inglês e português, e dois em francês, sendo que Pessoa não assume expressamente estes dois últimos como argumentos para cinema. E dos primeiros, Quillier oferece apenas a tradução francesa.

Ferrari e Fischer descobriram mais dois argumentos redigidos em inglês, e incluem a versão original e a tradução portuguesa de todos os textos, dando ainda as cotas dos documentos, bem como as suas características, o que confere a este volume características de edição crítica que "Courts-Métrages" não pretendeu ter. O livro abre com uma introdução dos autores e encerra com um excelente posfácio de Fernando Guerreiro, que coloca o caso específico de Pessoa no contexto da relação que mantiveram com o cinema as gerações de Orpheu e da Presença e, em particular, algumas das principais figuras de ambos os movimentos.

Bandidos & nobreza

Os dois novos argumentos agora descobertos são apresentados pelo próprio Pessoa, respectivamnte, como "Note for a silly thriller or a film" e "Note for a thriller, or film". Ambos narram peripécias em navios - um tópico muito da predilecção de Álvaro de Campos (pense-se em "Opiário" ou "Ode Marítima") -, centradas em objectos preciosos cobiçados por bandidos, mas que afinal nunca estiveram a bordo.

Dos restantes argumentos redigidos em inglês (um deles parcialmente em português), e que Quillier já traduzira, dois tratam de trocas de identidades e envolvem marqueses e duques. O mais completo dos dois é "The Multiple Nobleman", ao qual Pessoa deu título, e para o qual chegou a redigir vários diálogos.

Ainda em inglês, o autor escreveu "The Three Floors", uma ideia para um filme concentrada em dois parágrafos. Pessoa imagina um edifício de três andares, cujos ocupantes têm um estatuto social tanto mais alto quanto mais elevado é o piso que habitam. Mas em todos os andares se repete, com pequenas variações, a mesma cena.

Nos textos redigidos em francês, possivelmente datados dos fins de 1917, em plena época do cinema mudo, o poeta alterna, em duas colunas, descrições de cenas e interpretações delas. Por exemplo: numa coluna escreve "o actor fuma", fazendo-lhe corresponder, na coluna paralela: "Triunfo sobre os seus inimigos, elevação, comando, satisfação". Quillier inventou para estes fragmentos o neologismo "cinématonirique" e aproxima-os das posteriores experiências cinematográficas dos surrealistas.

A par destas incursões literárias, Pessoa ponderou criar uma empresa - a Cosmopolis - que substituiria a Sociedade de Propaganda Portugal e que auxiliaria a indústria do turismo, servindo, ao mesmo tempo, de "centro de propaganda superior do paiz". O cinema seria uma das linhas de actuação da Cosmopolis, que para tanto deveria incorporar uma produtora que efectivamente existia então em Lisboa. Este projecto parece depois ter sido integrado por Pessoa numa nova ideia, a criação do Grémio de Cultura Portuguesa, ao qual atribui uma secção cinematográfica. Finalmente, ainda no âmbito destas possíveis utilizações comerciais e propagandísticas do cinema, concebe uma produtora, a Ecce Film, para a qual chega a esboçar vários logótipos, que Ferrari e Fisher reproduzem. Não menos interessantes são algumas notas soltas, como aquela em que escreve (em inglês): "Na medida em que as coisas são não podem deixar de ser. As coisas passam na medida em que não são. (Símbolo cinematográfico)." Ou ainda a sua afirmação de que o único cinema onde existe arte é o russo e o alemão, o que parece consistente com os trechos em que critica o cinema comercial de Hollywood e as suas estrelas.

Finalmente, a breve correspondência com a Presença que este volume transcreve abre com uma carta a Régio, na qual Pessoa se dispõe a responder a um inquérito sobre cinema. Mas logo na carta seguinte emenda a mão: "Ao inquérito sobre o cinema não responderei. Não sei o que penso do cinema".

Nova poesia das imagens

A primeira conclusão a retirar do abundante material, maioritariamente inédito, que este livro reúne, defendem os autores, é a de que "a ideia de que Pessoa não se interessou pela cinema estava completamente errada". E recordam que esta tese era ainda defendida em 2008, na entrada sobre cinema do Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, coordenado por Fernando Cabral Martins e editado pela Caminho. Joana Matos Frias, autora da dita entrada, afirma expressamente que "Pessoa nunca se interessou pelo cinema", o que, segundo Ferrari, sugere que não teria tido conhecimento atempado da edição de Quillier, publicada no ano anterior.

Mas Ferrari e Fisher também admitem que o que encontraram não basta para se "construir uma teoria" da relação de Pessoa com o cinema, e lembram que este "não escreveu ensaios sobre o assunto, como António Ferro ou Casais Monteiro". Acham que o seu livro demonstra que Pessoa se interessava pelo cinema, mas não que "se interessava imenso por cinema".

De facto, é difícil defender, mesmo perante estas novas evidências, que a atenção de Pessoa pelo cinema suplantasse a que seria de esperar de qualquer cidadão europeu culto da época. Se o cinema apaixonou boa parte dos presencistas, o único que, na geração de Orpheu, se interessou seriamente pelo cinema parece ter sido António Ferro.

O que não quer dizer que, de um modo difícil de detectar em evidências textuais, o cinema, como algo que impregnava a cultura da época, não tenha tido importância na obra poética de Pessoa ou Sá-Carneiro. Mas, para darmos a devida dimensão a estas escassas e dispersas reflexões de Pessoa, basta pensarmos, por exemplo, em Guillaume Appolinaire, oito anos mais velho do que o poeta português, que, pela mesma altura, via no cinema a síntese de todas as artes e decretava que o livro ia desaparecer e ser substituído pelo filme. Uma mudança que Appolinaire saudava, acreditando que essa nova poesia das imagens, dispensando a palavra, daria aos poetas "uma liberdade até hoje desconhecida".

In http://www.publico.pt/Cultura/dois-mil-exemplares-de-argumentos-para-filmes-de-fernando-pessoa-lancados-esta-semana_1502365?all=1

sábado, 9 de julho de 2011

FLIP- Festa Literária Internacional de Paraty

No blogue da editora Cosac Naify podem acompanhar o que tem andado valter hugo mãe a fazer em Paraty
http://editora.cosacnaify.com.br/blog/
Aqui fica o texto que valter hugo mãe pediu para ler no final da sua mesa e que levou às lágrimas o público que estava na Tenda dos Autores.

“Quando eu tinha uns 8 anos, veio morar para a casa ao lado da dos meus pais um casal de brasileiros com duas filhas moças. Ao chegar, o casal ofereceu uma ambulância ao quartel de bombeiros da nossa vila e toda a vila se emocionou. Foram os primeiros brasileiros que eu vi fora da tv, fora das novelas. Eu e os meus amigos fomos ao quartel dos bombeiros apreciar a ambulância nova, bem pintada, que se mostrava a todos como prova bonita da bondade de alguém. O meu pai tinha um carro pequeno, velho, difícil de levar a família inteira dentro. A ambulância era enorme, um luxo, como se fosse para transportar doentes felizes. Eu e os meus amigos ficamos estupefactamente felizes.

Depois, algumas mulheres e alguns homens mais delicados reuniam-se diante da senhora e das moças brasileiras e faziam perguntas sobre as novelas. Naquele tempo, passavam com muito atraso em relação ao Brasil, e todos queriam avidamente saber quem casava com quem na ‘Gabriela’.

A senhora e as suas duas filhas, porque sabiam o que ia acontecer nas novelas, eram aos olhos de todos como adivinhas, gente que via coisas do futuro, gente que viveu o futuro e que se juntou a nós para reviver o passado. Por causa disto, eram mágicas e as pessoas queriam a opinião delas para cada decisão.

A minha mãe pediu à nova vizinha a receita para fazer pizza, porque ainda não havia pizzarias e só víamos nas revistas como deviam ser bonitos e saborosos aqueles círculos de pão e queijo coloridos pousados nas mesas. Passámos a comer uma pizza de atum com muitas azeitonas pretas. Ainda hoje peço nos restaurantes pizza de atum com a esperança de que seja exactamente igual à da minha infância, mas nunca é.

As moças brasileiras eram mais velhas do que eu e ficaram amigas das minhas irmãs. As minhas irmãs saíam com elas à rua inchadas de orgulho, porque as pessoas todas, sempre comovidas com a ambulância, faziam vénia e sorriam. Havia gente que dizia que as moças brasileiras eram as mais belas de todas. Elas eram, na verdade, sorridentes, e eu senti que também seriam muito felizes na nossa pequena vila.

Um dia a minha irmã mais velha fez anos e foi festejá-los com uma festa na garagem das brasileiras. Na noite desse dia, ali pelas oito horas, uma outra menina, filha de um vizinho português, mostrou-me tudo. Não foi a primeira vez, mas eu queria sempre ver, embora ela não quisesse sempre mostrar. Um amigo meu surpreendeu-nos e quis ver também, mas a menina respondeu que não. Ela disse que mostrava apenas a mim porque eu era amigo das brasileiras. Entendi que as brasileiras eram como um toque de midas que me transformava num menino de ouro.

Aos dezoito anos, aquele que é o meu amigo mais irmão chegou do Brasil e ingressou na minha escola. Eu instintivamente corri atrás dele. Queria ser amigo dele como se fosse vital para mim. Ele mostrou-me Titãs e Legião Urbana. Eu achava que o Renato Russo ia salvar a minha vida com aquela canção do ‘Tempo perdido’. Quando o Renato Russo morreu, chorei muito e passei só a chorar quando ouço o ‘Tempo perdido’. Eu não sei se a arte nos deve salvar, mas tenho a certeza de que pode conduzir ao melhor que há em nós, para que não nos desperdicemos na vida.

O Alexandre, esse meu amigo brasileiro, mudou tudo em mim para melhor. Adorava viajar de comboio com ele quando entalávamos as meias mal cheirosas nas janelas para que arejassem durante a marcha. Nesse tempo, o Alexandre ensinou-me a perder aquela vergonha que só atrapalha. Porque os portugueses sempre foram meio envergonhados.

Hoje, temos quase quarenta anos, ele casou com uma portuguesa e tem filhos. Eu, não. Fiquei para tio a escrever romances e os romances tornaram-se fundamentais na minha vida, como a máquina de fazer espanhóis. Sonhei sempre vir ao Brasil e vim várias vezes, faltava vir como escritor, publicado e recebido, pois aqui estou, a FLIP fez isso, não esquecerei nunca, sinto que fazem de mim um homem de ouro, agradeço a todos muito por isso.”

valter hugo mãe, Paraty 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Calendário escolar 2011/2012

As aulas começam entre 8 e 15 de Setembro.
Pré-escolar: o termo das actividades acontece a 6 de Julho de 2012. As interrupções das atividades educativas nestes estabelecimentos para a Páscoa e o Natal correspondem a cinco dias úteis seguidos ou não, entre 19 e 30 de Dezembro e 28 de Março e 9 de Abril, respectivamente. No Carnaval a pausa é 20 e 22 de Fevereiro.
Ensino Básico e Secundário: o 1.º período termina a 16 de Dezembro. As aulas recomeçam no dia 03 de Janeiro e voltam a terminar a 23 de Março para as férias da Páscoa.
A 10 de Abril pcomeça o último período.
A 8 de Junho terminam as aulas para o 6.º, 9.º, 11.º e 12.º anos.
A 15 de Junho, entram de férias os alunos dos restantes anos de escolaridade.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ROSA ALICE BRANCO

Hoje, às 22h30, Rosa Alice Branco (n. Aveiro, 1950)lança o seu novo livro no Espaço Maus Hábitos, no Porto, intitulado "Gado do Senhor" (& Etc). A VISÃO conversou com a poetisa sobre a obra onde "o homem é a doença mortal do animal e Deus é a doença mortal do Homem" e dá conta da paixão das revistas literárias norte-americanas pela escritora.

LEIA A ENTREVISTA PUBLICADA NA VISÃO DESTA SEMANA E OUÇA AQUI EM BAIXO 4 POEMAS LIDOS PELA AUTORA

http://aeiou.visao.pt/gado-do-senhor-o-livro-da-rosa=f610383


Para mais informações sobre a autora, Ver
http://www.revista.agulha.nom.br/jprabranco1.html#biografia

OUTROS TEMPOS, OUTRAS FERRAMENTAS, OUTRA ESCOLA!


Humor da BiblioZARC, da Escola JGZARCO em Matosinhos

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Grande Prémio de Romance e Novela para Gonçalo M. Tavares

pela obra "Uma Viagem à Índia" (Caminho).

http://www.youtube.com/watch?v=ntelHo27u1o


«Uma Viagem à Índia», com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objectos do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles.
«A singular e provocante Viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares não é, contudo, a epopeia desta espécie de terra de ninguém do sentido, em que o Ocidente se converteu, mas a travessia e o confronto, ao mesmo tempo intemerato e burlesco, desse caos, não para descobrir nele uma mítica porta de saída mais ilusória ainda que as já conhecidas, mas para encarar a sério o seu paradoxal enigma. É apenas, num travestimento sem precedentes do texto epopaico (Os Lusíadas, a seu modo também é já texto de decepção, por conta da realidade), uma viagem ao fim do nosso fabuloso presente como glosa interminável da existência como tédio de si mesma. Partindo como Gama de Lisboa, e diferindo o mais que pode e sabe, como Ulisses, não o regresso, mas o “fim” da Viagem, Bloom, o seu tão célebre e literário herói, não contemplará (como a humanidade inteira) a face de Deus ou as pegadas de Deus, que no espelho da Índia imaginava contemplar, mas não volverá o mesmo. Agora sabe o que já pressentia. Que não viajamos para nenhum paraíso. Que todas as viagens são sempre um regresso ao passado de onde nunca saímos.»
(Eduardo Lourenço, no prefácio ao livro)

Críticas de imprensa

«Livro absolutamente inolvidável por mais anos que se viva. Ou, de outro modo, um livro para a eternidade.» (Miguel Real, JL)

«É um livro cheio de fantasmas, fantasmas dos Lusíadas, fantasmas do homem contemporâneo, uma viagem, uma anti-epopeia, e é um livro extraordinário. Estou convencido de que dentro de cem anos ainda haverá teses de doutoramento sobre passagens e fragmentos». (Vasco Graça Moura, TVI24)

«Trata-se, como sempre em Tavares de um texto inteligente, brilhante mesmo […]» (Pedro Mexia, Público)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

As bibliotecas escolares são essenciais

No novo contexto informacional em que vivemos, resultado do desenvolvimento das tecnologias e da Internet, em particular, é fundamental que a escola seja capaz de preparar jovens que, para além de um leque de conhecimentos, alguns axiais como a língua materna e a matemática, dominem um conjunto de competências complexas no que à informação diz respeito. Para responder a essa exigência, as bibliotecas escolares são um bem educativo e cultural essencial.

As formas clássicas de produção, conservação e circulação do saber, intimamente ligadas ao livro e ao impresso, estão a alterar-se profundamente. Crianças e jovens são cada vez mais marcados pelo acesso e uso precoce duma grande parafernália tecnológica - telemóveis, consolas de jogos, mp3, computadores, ipads... -, uma grande apetência por conteúdos audiovisuais e, sobretudo, pela Internet. No final da escola aguarda-os um mercado de trabalho caracterizado pela mudança, flexibilidade, necessidade constante de adaptação e de trabalhadores cada vez mais qualificados. Vão mudar de emprego várias vezes e vão ter de continuar a aprender ao longo da vida.

Quando todo o conhecimento de que necessitamos parece encontrar-se na Web, à distância e velocidade de um clique, as actividades de pesquisa e tratamento de informação tornaram-se mais complexas do que podíamos imaginar. E a geração que apelidamos de "nativos digitais" ou "geração google", apesar da destreza tecnológica, revela grandes fragilidades na procura e uso de conteúdos informativos relevantes e fiáveis, assim como na capacidade de os transformar em conhecimento. Quem é que hoje, no papel de professor ou de pai, não experienciou a frequência com que crianças e jovens se limitam a "googlar" um tema, aplicando a seguir o método do "copiar e colar" para produzirem o trabalho que lhes foi pedido?

Todo este cenário exige que a escola promova o ensino e aprendizagem de diferentes literacias, nomeadamente a literacia de informação, aqui entendida como o conjunto de competências que capacitam para o acesso, uso e aplicação eficaz da informação, em diferentes suportes, formatos e contextos. É este desafio recente, assim como o da leitura, nos tradicionais e nos novos ambientes, que torna as bibliotecas escolares tão necessárias. Vejamos.

Por mais que a tecnologia nos inunde, a leitura continua a ser uma aprendizagem primordial, condição de todas as outras. Aprende-se a ler, lendo, o livro continua a ser o suporte de eleição para essa aprendizagem, e a leitura, analógica ou digital, o instrumento de compreensão global. Nem todas as famílias têm condições para proporcionar livros e um ambiente leitor às suas crianças e jovens. As bibliotecas escolares são, pois, um ponto de acesso ao livro, a outros suportes e a actividades que estimulam o interesse e competências de leitura ao longo da escolaridade.

As bibliotecas escolares são igualmente um espaço de inclusão digital. Alguns programas do Ministério da Educação, o próprio embaratecimento da tecnologia, facilitaram a posse de computador pessoal. Em relação à Internet, considerando os dados do projecto Eukids Online, verificamos que só 78% das crianças e dos jovens portugueses entre 9 e 16 anos acedem à Internet. E cerca de um terço através das bibliotecas, tanto escolares como públicas.

Mas a inclusão digital não se resume ao acesso, pelo contrário, transfere-se cada vez mais, mesmo nos países mais desenvolvidos, para o problema do uso. Entendidas como espaços de aprendizagem, as bibliotecas escolares desempenham um papel fundamental na promoção de um uso seguro, criterioso, crítico e eficaz da informação. Em todos os agrupamentos de escolas e escolas secundárias têm sido o lugar por excelência onde estas questões são especificamente colocadas e trabalhadas com os professores bibliotecários, com todos os docentes já sensibilizados para o tema e, em especial, com os alunos. O Programa Rede de Bibliotecas Escolares tem sido decisivo no desenvolvimento destes espaços na escola.

por MARGARIDA TOSCANO, PROFESSORA E MEMBRO DO GABINETE DA REDE DE BIBLIOTECAS ECOLARES
Artigo Parcial em http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1890187&seccao=Convidados&page=-1

domingo, 19 de junho de 2011

Uma Torre de Babel feita de livros *




Em Maio, a artista Marta Minujin (http://www.marta-minujin.com/exhibitions19.html) criou em Buenos Aires uma espantosa obra efémera: uma Torre de Babel de estrutura helicoidal, com uma altura equivalente a sete andares, coberta com 30 mil livros nas mais diversas línguas e dialectos, formando no seu todo uma grande «biblioteca multilinguística».

* IN http://bibliotecariodebabel.com/

sábado, 18 de junho de 2011

"Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia." *

Tu não serás as cinzas que Pilar vai depositar sob a oliveira (…), serás os milhares de páginas que escreveste (…) De resto, nós queremos que este momento seja alegre, que sejas seiva desta cidade (...)
Quanto a nós, enquanto formos vivos, recordar-te-emos sempre. Não temos outra eternidade para te dar (Lídia Jorge , "Palavras para Ti".

Numa primeira intervenção, o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho leu um texto de Saramago sobre a cidade de Lisboa, intitulado "Palavras para Uma Cidade".

No Campo das Cebolas, em frente ao Tejo e à Casa dos Bicos ( futura sede da Fundação José Saramago), Pilar del Río colocou as cinzas junto às raízes da oliveira vinda da terra natal do escritor, escolhida pelo presidente da junta de freguesia da Azinhaga do Ribatejo, por ser aquela onde ele imaginava que pudesse estar o lagarto verde que Saramago descreve no seu livro As Pequenas Memórias.

Juntamente com um livro de textos sobre o Prémio Nobel 1998, as cinzas foram cobertas por terra de Lanzarote, colocada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa no canteiro onde se encontra plantada a árvore, junto a um banco de mármore e ladeada de duas placas de pedra embutidas no chão, lendo-se na primeira, do lado esquerdo, José Saramago 1922-2010 e na outra a última frase do romance * "Memorial do Convento"

Catorze de Junho

Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.

José Saramago, publicado por Fundação José Saramago em http://caderno.josesaramago.org/ - Poesía completa, Alfaguara, pp. 636-637

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"Um ano sem Saramago" (*)

A 18 de Junho, às 11 Horas, um ano depois da sua morte, as cinzas de José Saramago serão depositadas no Campo das Cebolas, diante da Casa dos Bicos,
frente ao rio Tejo, em Lisboa.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Azinhaga e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para um acto que não será de despedida porque há pessoas a quem não se pode dizer adeus.

No acto intervirão o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho, que lerá Palavras para uma Cidade, de José Saramago, e a escritora Lídia Jorge. Actuará a Orquestra de Percussão Tocá Rufar.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa encerrará a cerimónia.

IN http://www.josesaramago.org/


(*)Título de um texto publicado no suplemento Atual do jornal Expresso, de 04 de Junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa no Google


Colocando hoje, na homepage, um doodle com o poeta Fernando Pessoa a escrever, o Google levou hoje a imagem e o nome do nosso maior poeta do século XX a centenas de milhares de pessoas em todo o Mundo.
Com o logotipo da Google por trás, aparece a imagem de Pessoa em primeiro plano, uma caneta, uma folha de papel, uma chávena de café e o número 2 da revista "Orpheu" - tal como no célebre retrato pintado por Almada Negreiros.

Fernando Pessoa nasceu, em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888. Morreu, em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935. Faria hoje 123 anos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Em Dia de Camões, dois poemas do Prémio Camões/2011

A POESIA VAI

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –


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NA BIBLIOTECA

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’


[in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PORTUGAL

Excerto do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga, dito por Miguel Borges.

http://vimeo.com/11921365

No mesmo sítio, há mais vídeos - e com óptimas interpretações.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Prémio Pritzker 2011

Discurso do Arquitecto Souto Moura ao receber o Prémio Pritzker (2011)


Exmo. Sr. Presidente dos EUA, Presidente do Júri, elementos do Júri, meus Amigos, minhas Senhoras e meus Senhores,

Só quando recebi o convite dizendo “Eduardo Souto de Moura of Portugal” é que acreditei que tinha ganho o Pritzker 2011. Não posso esconder que fiquei feliz, por mim, pela minha família, colaboradores, amigos e clientes. Em nome de todos, os meus sinceros agradecimentos.

Aprendi a desenhar na Escola Italiana do Porto, cidade onde nasci, e no liceu decidi ser arquitecto. Não é que tivesse alguma paixão especial pela disciplina, mas na crise agnóstica dos 15 anos, duvidei se Deus devia ter descansado ao 7º dia. É que, pensando bem, ficou por fazer uma geografia como a de Delfos, a Acrópole para receber o Parténon ou secar um pântano no Illinois, onde a Farnsworth pudesse ficar.


Em 1975 depois da Revolução dos Cravos, comecei a trabalhar com o Arqº Siza Vieira. Não só pela arquitectura, mas sobretudo pela pessoa em si, foi uma experiência excepcional que ainda hoje continuo a fazer com o mesmo prazer. Saí do seu escritório nos anos 80, para ser arquitecto. Foi difícil começar, mas usar a sua “linguagem” parecia-me uma traição e mesmo que o quisesse, não o conseguia fazer, por pudor.


Depois da Revolução, e restabelecida a Democracia, abriu-se a oportunidade de redesenhar um país, onde faltavam escolas, hospitais, outros equipamentos, e sobretudo meio milhão de casas. Não era certamente o Pós-Modernismo, na altura em voga, que nos poderia resolver a questão. Construir meio milhão de casas, com frontões e colunas seria uma perda de energia, pois a ditadura já o tinha ensaiado. O Pós-Modernismo chegou a Portugal, sem quase termos passado pelo Movimento Moderno. É essa a ironia do nosso destino: “antes de o ser já o éramos”.


Do que precisávamos era de uma linguagem clara, simples e pragmática para reconstruir um país, uma cultura, e ninguém melhor que o proibido Movimento Moderno poderia responder a esse desafio. Não era só um problema ideológico, mas sobretudo de coerência entre material, sistema construtivo e linguagem. Se “arquitectura é a vontade de uma época traduzida num espaço”, Mies van der Rohe abriu-nos as portas na redefinição da disciplina tão massacrada até aí, pela linguística, semiótica, sociologia e outras ciências afins. O importante é que a arquitectura fosse “construção”, assim com urgência, nos pedia o país.


Com 10 séculos de História, Portugal encontra-se hoje numa grande crise social e económica, como já aconteceu em vários períodos anteriores. Hoje, como ontem, a solução para a arquitectura portuguesa é emigrar. Como dizia Paul Claudel: “Le Portugal est un pays en voyage, de temps en temps il touche l’Europe”. Resta-nos a “mudança”, como quer dizer a palavra “crise” em grego. Resta-nos decifrar o significado dos dois caracteres chineses que compõem a palavra “crise”: o primeiro significa “perigo”, o segundo “oportunidade”. Em África e noutras economias emergentes não nos faltarão oportunidades, o futuro é já aí. “Trabalhar na transmutação, na transformação, na metamorfose é obra própria nossa.” (1)

Muito obrigado.

Eduardo Souto de Moura
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(1) Herberto Helder, “O Corpo. O Luxo, A Obra”