quinta-feira, 19 de novembro de 2009

19 de Novembro, Dia Mundial da Filosofia

"Professores e alunos da E. S. J. E. sublinham a importância da Filosofia no mundo contemporâneo."

(assim se lê nos cartazes afixados na nossa Escola)


terça-feira, 17 de novembro de 2009

A "Nowa proza portugalska po Rewolucji Goździków"


O que é isto?

REVISTA POLACA DÁ A CONHECER NOVA LITERATURA PORTUGUESA

A "Nowa proza portugalska po Rewolucji Goździków", ou "nova prosa portuguesa pós-Revolução dos Cravos", esteve em destaque na revista literária polaca "Lampa", que reuniu numa colectânea, catorze escritores portugueses e cinco autores nacionais de BD.

Os catorze escritores escolhidos são João Aguiar, Agustina Bessa-Luís, Mário de Carvalho, Rodrigo Guedes de Carvalho, Mário Cláudio, Almeida Faria, Lídia Jorge, valter hugo mãe, João de Melo, José Luís Peixoto, Jacinto Lucas Pires, José Saramago, David Soares e Gonçalo M. Tavares, a que se juntaram os seguintes autores de banda desenhada: José Carlos Fernandes/Luís Henriques, João Mascarenhas, Pedro Burgos/João Paulo Cotrim.

O projecto, que tem como limite cronológico os textos publicado após o 25 de Abril – um evento histórico bastante conhecido na Polónia –, foi desenvolvido pelo leitorado do Instituto Camões na Universidade de Varsóvia, dirigido por José Carlos Costa Dias.

A "Lampa" é “uma revista de artes para um público jovem culto e habitualmente inclui apresentação e crítica de BD”, explica José Carlos Costa Dias, responsável pelo leitorado do Instituto Camões na Universidade de Varsóvia e organizador da colectânea.

Na revista, cada prosador “é representado por um excerto de cerca de 17 mil caracteres, uma informação biográfica e bibliográfica”, refere José Carlos Costa Dias, que escreveu a nota introdutória à revista e refez muitas das informações biobibliográficas que acompanham os textos dos seleccionados, com a “preocupação em apresentar o autor a um público estrangeiro”.

A ideia foi “juntar consagrados com autores mais jovens mas de qualidade”, explica o leitor do Instituto Camões. No que toca aos consagrados, se não fossem conhecidos na Polónia, eram incluídos com uma obra publicada depois do 25 de Abril, como aconteceu com Agustina Bessa-Luís. Se já o fossem, “a ideia era mostrar algo novo da sua produção literária”.

http://bisleya.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Redes de bibliotecas escolares... uma ideia com 82 anos!

No acervo histórico da nossa BE, tropecei com este livrinho admirável de Lorenzo Luzuriaga: Bibliotecas Escolares, Madrid, Publicaciones de la Revista de Pedagogía, 1927.
Aí, a dado trecho, vem expresso este pensamento: " Para terminar, diremos que en el caso de que varias localidades proximas se pusieran de acuerdo podrían establecerse cambios de libros entre ellas, como si fueran secciones de una general o, si se quiere, conservando cada una su autonomia. En uno y otro caso, los libros se los prestarian unas bibliotecas a otras, como si fueram de la sección circulante de cada una, es decir, por espacio limitado de tiempo y mediante papeletas que cada una conservaria. Con este procedimiento, se tiene la oportunidad de una colaboración economica entre varias escuelas, las cuales pueden reservar una pequeña cantidad de sus presupuestos para la creación y sostenimiento de una biblioteca escolar común". (p. 15)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A BÍBLIA - inquérito



Eis uma sugestão de leitura sobre um tema tão actual:

Inquérito a propósito de "Caim", de José Saramago.

As respostas de A. M. Pires Cabral, Alice Vieira, Gastão Cruz, José Agostinho Baptista, José Augusto Mourão, José Mattoso, Teresa Toldy e Vasco Graça Moura.


No último JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias), nº1020, (de 4 a 17 de Novembro)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

40 anos da Rua Sésamo


O sol nasceu,
como está lindo o céu,
cá vou eu,
vem tu daí também,
aprender como se vai
até à rua Sésamo!


Já lá vão 40 anos. A 10 de Novembro de 1969, estreava nos EUA o "Sesame Street", programa televisivo infantil.

Desde então, as personagens - o Egas, o Becas, o Ferrão, o Monstro das Bolachas, o Poupas Amarelo, o Zé Maria, o Sr Almiro, o André , a Guiomar, a Carolina, a Tita e a Avó Chica - têm povoado os sonhos de várias gerações de fãs deste programa pedagógico que só em 1989 começou a ser emitido em Portugal, adaptado à realidade nacional.

"Sesame Street" conta com um site , onde se podem encontrar vídeos e jogos:
http://www.sesamestreet.org/home

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O MURO DE BERLIM CAIU HÁ 20 ANOS

Construído em Agosto de 1961, dividiu praças, ruas, casas, cidade(s), sistemas políticos, pessoas, vidas... causou mortes, feridos, prisões... Era o "Berliner Mauer" e foi, durante quase 30 anos, uma barreira física e ideológica, erguida entre a República Democrática Alemã e a República Federal da Alemanha; circundava toda a Berlim Ocidental, separando-a do sector oriental; para além de dividir a cidade de Berlim, o "muro da vergonha" marcava a divisão do mundo em dois blocos.
A queda do Muro de Berlim em 9 de Novembro de 1989 abriu o caminho para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada em 3 de Outubro de 1990. Este momento simboliza também o fim da Guerra Fria e da bipolarização, o início do esboroamento da URSS e da independência de muitos países do Leste europeu .

É preciso não esquecer que há outros muros por ruir - velhos e novos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

UM MINUTO DE ASTRONOMIA


"Diversos relatórios apontam que as maiores contribuições da astronomia para a sociedade não são apenas aplicações tecnológicas ou os pequenos avanços científicos da astronomia, mas sim a oportunidade que todos nós... temos de alargar os nossos limitados horizontes, de nos ajudar a descobrir a beleza e grandeza do Universo e do nosso lugar nele."


O que têm em comum: Nuno Markl, Nicolau Breyner, Silvia Alberto, Sérgio Godinho, Carla Chambel, Francisco Mendes, Cláudia Semedo, Margarida Martins, Helena Coelho, Jorge Gabriel, Luis Represas, Maria Gambina e Vitor de Sousa? São uns improváveis professores de astronomia durante 1 Minuto!

Explicar o que são buracos negros num minuto pode ser uma tarefa de peso para um cientista, mas e para um humorista, um actor ou um músico?
Algumas "estrelas" portuguesas, como Nuno Markl, Nicolau Breyner, Sérgio Godinho e Sílvia Alberto decidiram vestir a camisola do Ano Internacional da Astronomia 2009 e trocar por miúdos os grandes temas do Universo. O resultado está no ar na RTP.

Com apreesentação de Silvia Alberto e Produzido por Science Office e Duvideo,
1 Minuto de Astronomia estreou com o primeiro vídeo "Porque é a Astronomia importante?"


Programação 1 Minuto de Astronomia :

RTP1
Quarta-Feira, 4 de Novembro 9:27 / 11:37 / 17:10 / 18:30
Quinta-Feira, 5 de Novembro 9:21 / 11:36 / 14:20 / 17:08 / 18:40 / 22:47 / 02:38
Sexta-Feira, 6 de Novembro 9:28 / 11:36 / 14:22 / 17:11 / 18:37 / 0:57 / 2:40
Sábado, 7 Novembro 9:49 / 11:35 / 15:58 / 17:15 / 18:13 / 22:59 / 02:55
Domingo, 8 de Novembro 10:00 / 14:45 / 17:12 / 18:28 / 22:59 / 02:41

RTP2
Quinta-Feira, 5 de Novembro 13:00 / 20:31 / 21:06 / 1:15 / 2:07
Sexta-Feira, 6 de Novembro 13:58 / 16:47 / 19:25 / 0:18 / 02:00

terça-feira, 3 de novembro de 2009

EXPOSIÇÃO «PELOS CAMINHOS DE JOSÉ ESTÊVÃO»



Na sala de leitura da Biblioteca da nossa Escola, ainda a comemorar o bicentenário do nascimento do nosso patrono.

De 2 a 23 de Novembro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Todo aquele que abre um livro

Todo aquele que abre um livro entra numa nuvem
ou para beber a água de um espelho
ou para se embriagar como um pássaro ingénuo
A sôfrega retina
vai-se tornando felina e inflada
e os seus liames tremem entre o júbilo e agonia
Um livro é redondo como uma serpente enrolada
e formado de fragmentos onde lateja o sangue de um pulso
que já não é de um autor que nunca o foi
e que será sempre o ritmo do que está a nascer
irrigando o nada e os terraços sobre os abismos
Nunca o livro se completa embora o redondo o circunde
e o mova para o seu interior sem nunca o envolver
Jamais a nuvem se dissipa mesmo quando a claridade ofusca
Como se fosse preciso adormecer nela como sobre os ombros do mundo
para acompanhar o fluxo ingenuamente novo
com os delicados diademas de fogo e espuma
O livro ora é de veludo ora de bronze
e os seus traços abrem janelas ou terraços
sobre o corpo latente como um arbusto entre pedras
Se a palavra vibra como um meteoro ou desliza como uma anémona
ou não é mais do que uma estrela de areia
a sua proa sulca o incessante intervalo
entre o ardor de incompletos liames
e a estátua aérea que se eleva à sua frente
e continuamente se forma e se deforma
por não ser nada e ser o alvo puro
de um movimento ingénuo sonâmbulo e incerto.

(António Ramos Rosa, 1996)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

APRESENTAÇÃO DA CASA DAS CIÊNCIAS

Portal Gulbenkian para professores. Visite em


http://www.casadasciencias.org/index.php?menu=1&intro=1



APRESENTAÇÃO DA CASA DAS CIÊNCIAS

PORTO, 26 DE OUTUBRO DE 2009
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO
DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

Lat 41° 9'7.96"N
Long 8°38'17.43"W


http://www.casadasciencias.org/index.php?option=com_content&view=article&id=130&Itemid=74&menu=1

HOJE É O DIA DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES EM PORTUGAL


Lembram-se do nosso post do dia 2?




Já repararam que desde o início do mês a nossa Biblioteca se vestiu com alguns adereços diferentes?
Aqui e ali, esperam-nos muitas surpresas - diversas em formatos, cores, tamanhos, cheiros, texturas, finalidades,... grandes, pequenas, coloridas, mais ou menos brilhantes, aos grupinhos, à unidade, à vista, meio escondidas,...
São dezenas de objectos tão díspares e inesperados quanto a nossa imaginação ditou - espalhados entre os livros, quer dizer, estrategicamente colocados nas estantes, a ilustrar as áreas do conhecimento e do saber, a reforçar visualmente a arrumação pela ordem da CDU.
Quando grande parte da escola está em obras, quem diria que no sossego da Biblioteca continuam a nascer coisas novas?

A razão?

Desde o ano passado que se comemora em Outubro o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares por decisão da IASL (Dezembro de 2007).
Este ano as comemorações estão subordinadas ao tema "School Libraries: The Big Picture"
O dia 26 de Outubro será, por excelência, o dia das Bibliotecas Escolares em Portugal.


Mais informações no sítio RBE http://www.rbe.min-edu.pt/np4/616.html

e em IASL http://www.iasl-online.org/events/islm/index.htm

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Astérix, o irredutível gaulês, faz 50 anos

Lançado hoje, com uma tiragem de 2 milhões de exemplares, o novo livro "O Aniversário de Astérix e Obélix - O Livro de Ouro" contém desenhos de Uderzo e textos inéditos de Gosciny.
As comemorações não se esgotam nesta edição. No dia 29, a cidade de Paris será "invadida" por menires evocativas o herói gaulês e inaugurará uma exposição com 3 dezenas de originais da série; para o final do ano está prevista uma emissão filatélica dos correios franceses.
Em Portugal está marcada uma festa na embaixada de França, no próximo dia 29.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Porto e as obras do arquitecto José Marques da Silva (1869-1947)


O arquitecto dos edifícios-monumento

Por Sérgio C. Andrade, 18 de Outubro
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/18-10-2009/o-arquitecto-dos-edificiosmonumento-18018663.htm


Teve tanta importância na configuração urbana do Porto no início do séc. XX como Nasoni no séc. XVIII. Viagem à arquitectura do autor da Estação de S. Bento, guiada por André Tavares



Se há um arquitecto que modelou a face do Porto no início do século passado, em particular a Baixa e as zonas de expansão da cidade após o rasgar da Avenida dos Aliados, ele é José Marques da Silva (1869-1947). Associamos a sua assinatura ao desenho da Estação de S. Bento e do Teatro São João, das sedes da seguradora A Nacional e do banco Pinto Leite, nos Aliados, dos edifícios dos Armazéns Nascimento e Conde de Vizela, entre as ruas de Santa Catarina e das Carmelitas. Mas menos conhecido é que lhe coube também projectar os liceus Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas, o bairro operárioO Comércio do Porto, na Constituição, e a Casa de Serralves ou, menos ainda, monumentos, igrejas e jazigos de famílias nos cemitérios da Lapa e de Agramonte.

O arquitecto e professor André Tavares compara a importância da obra de Marques da Silva no Porto nesta época com a que Nicolau Nasoni fez no período barroco. "Ele foi o protagonista da transformação da cidade, ao lado de Correia da Silva (1880-?), o arquitecto do Mercado do Bolhão e dos novos Paços do Concelho), e de Oliveira Ferreira (1884-1957), autor do edifício dos Fenianos do Porto e dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, por exemplo)", diz. E acrescenta que a intervenção de Marques da Silva na cidade vai bastante além das dezenas de obras que aqui projectou, prolongando-se também na arquitectura de muitos dos seus alunos na Escola de Belas-Artes (de que foi inclusivamente director em dois períodos, entre 1913-1929).

André Tavares, autor do livro Os Fantasmas de Serralves(Dafne Editora, 2007), é o responsável pelos conteúdos do mapa que a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OA/SRN), a Fundação Marques da Silva e a Câmara Municipal do Porto acabam de lançar dedicado a José Marques da Silva, que está a ser divulgado com um programa de visitas guiadas que começou ontem (ver caixa).

O roteiro identifica 24 edifícios dentro do perímetro da cidade, mas a relevância da arquitectura de Marques da Silva não se esgota no Porto. "Seria preciso acrescentar-lhe, entre outros, os principais projectos de Guimarães - o mercado municipal (actualmente em risco de demolição), o edifício da Sociedade Martins Sarmento e a Igreja da Penha - para termos uma ideia mais completa sobre a sua obra", diz André Tavares.

José Marques da Silva nasceu no Porto e diplomou-se na Academia das Belas-Artes, ente 1882-89. Neste ano, vai para Paris frequentar a École National des Beaux-Arts, onde é aluno do mestre Victor Laloux (1850-1937) e onde, em 1896, conquista o ambicionado DPLG (um arquitecto "diplômé par le gouvernement" pode exercer profissionalmente a profissão, sem ter de passar pelo crivo das ordens profissionais).

Tradição e racionalismo

Na capital francesa, Marques da Silva absorve "uma cultura académica que alia os valores da tradição clássica com o racionalismo e esquemas de compromisso funcional mais adaptados à mecânica da vida moderna", escreve André Tavares na apresentação do mapa. Tratou-se, afinal, do aperfeiçoamento da formação que levava da escola do Porto, que bebia já da mesma tradição francófona.

No regresso à cidade natal, Marques da Silva vai logo poder aplicar o seu projecto de fim de curso na construção da Estação de S. Bento, para acolher o comboio que então acabava de chegar ao Porto. Com o tempo e o seu trabalho continuado, torna-se num dos arquitectos mais influentes, tanto junto do poder municipal como dos empresários (na altura dizia-se "capitalistas") e famílias que a ele recorrem para o projecto das suas casas e edifícios-sede.

André Tavares assinala "o papel muito interveniente" que Marques da Silva desempenhou na discussão técnica do projecto para a Avenida dos Aliados entregue ao arquitecto e urbanista inglês Richard Barry Parker (1867-1947), ligado ao movimento Arts and Crafts, e com o qual a Câmara queria afirmar o Porto como "a" cidade de serviços da Região Norte. "É interessante ver, nessa altura, a associação da racionalidade de construção promovida pelo arquitecto inglês, desenhar a partir da ideia muito óbvia das três janelas em grandes fachadas de vidro sobre uma estrutura toda muito homogénea, como vemos na Rua do Almada, por exemplo, com a intervenção de Marques da Silva e a sua cultura francesa, o seu gosto mais decorativo, com fachadas monumentais de pedra muito trabalhadas e requintadas". Uma influência que iria fazer mais doutrina na configuração futura da Avenida dos Aliados, como depois se pôde ver com edifícios como o do jornal O Comércio do Porto, de Rogério de Azevedo.




As obras de José Marques da Silva

Estação de S. Bento, Praça de Almeida Garrett, 1896-1916

A Estação de S. Bento é a adaptação ao Porto do projecto de fim de curso que Marques da Silva desenhou na Escola de Belas-Artes de Paris, e que expôs depois na Câmara do Porto, logo que regressou. "Ele sabia que o comboio estava a chegar ao Porto e fez o seu projecto à medida das necessidades de uma estação para a cidade", diz André Tavares. No edifício, é visível a influência do mestre de Marques da Silva, Victor Laloux (autor do Quai d"Orsay, em Paris, uma estação ferroviária que é agora um museu). Mas "S. Bento é mais um edifício urbano do que apenas um salão para receber comboios e passageiros", nota Tavares, realçando a importância que a estação, pela sua monumentalidade, tem nesta zona da cidade.

Bairro O Comércio do Porto, R. Constituição/Serpa Pinto, 1899

Para quem conhece as obras mais monumentais de Marques da Silva, não deixa de ser surpreendente ver que ele também abordou o problema da habitação, e também desenhou bairros operários. Um exemplo, que ainda sobrevive mantendo a estrutura original essencial, é o conjunto de pequenas casas implantadas em três ruas na zona da Constituição, numa iniciativa do jornal O Comércio do Porto. A tipologia base é a de quatro habitações geminadas num só volume de quatro frentes, com dois pisos, e rodeado por pequenos jardins, que conseguem "o máximo aproveitamento do espaço e a máxima contenção de custos". O plano original incluiu 14 fogos, que foram construídos entre 1899 e 1904.

Teatro de São João, Praça da Batalha, 1909

É, depois de S. Bento, o outro edifício-monumento com que Marques da Silva marcou a Baixa. O arquitecto aproveitou as fundações e parte dos escombros do anterior teatro, que ardera em 1908. "Nota-se bem a ideia de usar uma "peça de arquitectura" para organizar a irregularidade urbana da Praça da Batalha. O teatro dá-lhe coerência", diz André Tavares. E chama a atenção para os elementos decorativos da fachada e para a solução das portas e das janelas do primeiro piso, com amplos arcos em vidro a emoldurar as janelas instaladas dentro deles. No interior, segue o desenho clássico do teatro à italiana, com a organização dos espaços - os átrios, as escadas e o salão nobre - à francesa, seguindo o modelo da Ópera de Paris.

Casa-atelier, Praça do Marquês de Pombal, 1909

Construída num terreno ao lado da casa do seu sogro José Lopes Martins, a casa de Marques da Silva mistura criteriosamente as funções de residência e de atelier, tendo o cuidado de, ao mesmo tempo, as separar e fazer comunicar. A fachada para o Marquês mostra "o entusiasmo decorativo", bebido na estética do românico, com que o arquitecto sempre pontuava as obras. A sala de estar denota o mesmo cuidado decorativo, tanto na projecção da sua bow window como nas formas do fogão de sala ou na escada. O arquitecto fez também intervenções importantes na casa do sogro. Actualmente, ambas as propriedades pertencem à Fundação Instituto Marques da Silva, estando a ser objecto de restauro.

Escola Alexandre Herculano, Avenida de Camilo, 1914-1931

Tanto esta escola como a Rodrigues de Freitas (1918-1932) são obras com que Marques da Silva se envolveu no plano de expansão da cidade e de gestão do crescimento urbano. Qualquer delas tem uma relação estreita com o lugar: a Avenida Camilo, no caso da Alexandre Herculano; a Praça Pedro Nunes, na segunda. Trata-se de dois liceus da República, que respondem ao ideário de instrução do povo, e, arquitectonicamente, seguem "a lógica funcional pragmática" que estava em voga na Europa, diz André Tavares. São edifícios com grande amplitude espacial na disposição ortogonal dos diferentes volumes funcionais. E estão ambos marcados por uma decoração reduzida ao elementar, mas muito eficaz.

Seguros A Nacional, Avenida dos Aliados, 1919

A Avenida dos Aliados, aberta na segunda década do século após a demolição da antiga câmara, é demarcada a sul por dois edifícios monumentais encimados por duas torres-escultura. São ambos de Marques da Silva, que assim deixou também a sua assinatura na "sala de visitas" da cidade. O do lado esquerdo é a sede de uma seguradora, e é marcado por uma pujante docoração Beaux-Arts. São dois edifícios que aproveitam as virtualidades da nova tecnologia construtiva do betão armado que permitia apostar nesta filigrana decorativa. O interior também é muito cuidado, e este contém ainda um hall-galeria comercial (cafetaria, barbearia...) que fazia o espaço urbano entrar pelo edifício dentro. É "a arquitectura como obra total", diz André Tavares.

Jazigo de José Lopes Martins, Cemitério da Lapa, 1921

A arquitectura religiosa e funerária foi também cultivada por Marques da Silva, que desenhou as igrejas de S. Torcato e da Penha, em Guimarães. Paralelamente, sempre se interessou pela arquitectura funerária. Em Paris visitou certamente os cemitérios, e em particular o de Père Lachaise, de onde, diz o especialista na sua obra, António Cardoso, trouxe a inspiração "para capelas de inumação ostentatória e gosto românico". Uma dessas capelas é a estrutura central do jazigo que fez para o seu sogro, na Lapa, e que se completa com uma sepultura do outro lado do passeio, criando um território onde cabem ainda dois bancos de pedra. "É trazer a lógica urbana da cidade dos vivos para a cidade dos mortos", diz Tavares.

Casa de Serralves, Rua de Serralves, 1925-1943

É uma das últimas obras a que Marques da Silva tem o nome ligado, já que só no início dos anos 40 é que foi terminada a Casa de Serralves, para a qual o arquitecto fizera, a pedido do proprietário, o Conde de Vizela, um primeiro projecto de ampliação da velha moradia da família. Sabe-se agora que Serralves resultou da contribuição de múltiplos arquitectos e decoradores franceses, de Jacques Émile Ruhlmann a Charles Siclis, Jacques Gréber e Alfred Porteneuve. Mas Marques da Silva, que era uma espécie de "arquitecto de família", acompanhou a obra até ao fim, sendo, de algum modo, o responsável pela síntese coerente com ar de "modernismo temperado", diz André Tavares.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RAUL SOLNADO

Raul Augusto Almeida Solnado (Lisboa, 19 de Outubro de 1929 — Lisboa, 8 de Agosto de 2009) foi um grande humorista, apresentador de televisão e actor português.
Aqui lhe prestamos merecida homenagem no dia em que faria 80 anos.

domingo, 18 de outubro de 2009

50 ANOS de "TELEJORNAL"

O "Telejornal", em emissões diárias e regulares, faz hoje meio século!
Os cinquenta anos do principal noticiário televisivo da estação pública portuguesa servem de pretexto para a inauguração do Museu do Telejornal, nas instalações da RTP, em Lisboa.
A RTP vai ter Portas Abertas a partir de 25 de Outubro para oferecer aos seus visitantes uma experiência única!
No âmbito das comemorações do 50º Aniversário do Telejornal, a RTP vai proporcionar uma visita às suas instalações, com diversos pontos de atracção.

O que pode visitar? http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/novidades/?k=RTP-Portas-Abertas-50-Anos-Telejornal.rtp&post=15491

- Estúdios de Informação: Aqui poderá conhecer os bastidores do Telejornal que diariamente chega à sua casa. Este é o maior e melhor equipado estúdio da Europa, funciona como open space, o que permite que aconteçam vários programas ao mesmo tempo.

- Colecção Museológica: Recentemente inaugurada a Colecção Museológica RTP, permitir-lhe-á desfrutar de um fantástica visita no tempo onde poderá apreciar as mais belas peças da história da RTP, segundo uma lógica cronológica, mostrando equipamentos de gravação, recepção e transmissão.

- Documentário: Preparámos para si um pequeno filme sobre a história do Telejornal e da RTP. Uma viagem feita de recordações, histórias e emoções.

- Primeiro Carro Exteriores RTP: Chegou em 1957 a Lisboa, magnífico, recheado da sofisticada tecnologia da época e constituindo um verdadeiro estúdio móvel, foi o primeiro veículo deste género em Portugal.

- Carro Exteriores Digital: Este veículo permite efectuar a cobertura de grandes eventos em território nacional e internacional. Esta unidade móvel permite albergar até 30 canais de câmara de Alta-Definição, sendo um dos maiores e mais avançados Carros de Exteriores existentes na Europa e no Mundo.


Local:
Sede da RTP
Avenida Marechal Gomes da Costa, 37
1849-030 LISBOA
Entrada gratuita

Na mesma semana a delegação da RTP Porto comemora, igualmente, 50 anos.

PRÉMIO JOSÉ SARAMAGO 2009 - JOÃO TORDO É O VENCEDOR

João Tordo, um jovem escritor de 34 anos, venceu o Prémio José Saramago 2009, que a partir do próximo ano será atribuído também em Espanha, de forma bianual.
Trata-se de umgalardão instituído pela Fundação Círculo de Leitores com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.

As edições anteriores do prémio contemplaram Paulo José Miranda (1999 - "Natureza Morta"), José Luís Peixoto (2001 - "Nenhum Olhar"), Adriana Lisboa (2003 - "Sinfonia em Branco"), Gonçalo M. Tavares (2005 - "Jerusalém") e Valter Hugo Mãe (2007 - "O remorso de Baltasar Serapião").

‘As Três Vidas’, romance do filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco, foi elogiado por Saramago, que criticou a "americanização" da língua portuguesa, apelando à defesa do nosso idioma. "Gostei do livro. Temos de defender e cultivar a nossa língua. A escrita tem de ser composta por 70% de linguagem, da mesma forma que o nosso corpo é composto por 70% de água", disse o Nobel da Literatura, no Museu Municipal de Penafiel, cidade que acolhe o Festival Escritaria, este ano dedicado a Saramago.

O jovem, que concorda plenamente com a receita de Saramago, explicou que a partir de agora sente mais responsabilidade enquanto escritor. "É um prémio que tem mais a ver com o futuro do que com o passado. Tem a ver com o que falta fazer. Saramago é um prémio ao qual temos de fazer jus", disse o premiado.

‘As Três Tidas’ é um romance que passa durante trinta anos, no Alentejo, em Lisboa e Nova Iorque. Leva o leitor a desvendar os mistérios que rodeiam a vida de um velho senhor, dono de um casarão de província.
nas palavras do autor, "(...) é um livro que pode ser lido por todos, desde os 17 aos 77 anos, que tem a ver com o mistério, a aventura, o policial, com momentos de tensão e também momentos de introspecção".


Algumas declarações do júri
IN http://www.josesaramago.org/noticias/noticiasDetalle.php?i=280

Das declarações do júri:

"O autor tem verdadeiras qualidades de ficcionista, sendo especialmente hábil na montagem das sequências narrativas e na caracterização de algumas personagens."

Vasco Graça Moura

"Trava-se, ao longo da narrativa, o contínuo questionamento de uma moral à qual o narrador estivera familiarmente cingido. E tece um discurso dolorido em que ele, perpétua primeira pessoa, ao mergulhar em uma série de acertos malignos, imerge em um desespero irrenunciável."

Nelida Piñón

"Romance assumidamente influenciado pela atmosfera melvilleana de Moby Dick, veicula uma poética fundamental na intertextualidade, espécie de jogo que o autor estabelece com o leitor, com a sua memória cultural e literária."

Maria Nazaré Gomes dos Santos

"Em cada mínomo ponto da estratégia narrativa se reflecte o essencial da complexa estruturação do romance (em abismo). Viver em cima de Três Vidas experimentam as personagens Camila, MP eos secretários, mas também cada um dos múltiplos participantes, como Ustinov ou o Dr. Watson."

Maria de Santa Cruz

"Este é, pois, um romance que cumpre as regras, relacionando os espaços e os tempos com o claro domínio da história que nunca se fecha de forma definitiva permitindo ao leitor uma infinidade de leituras."

Ana Paula Tavares

"Este é, por isso, um romance com a indesmentível força da clássica narrativa fechada, embora expansivamente aberta à representação multifacetada da experiência humana."

Manuel Frias Martins

"Temos escritor."

Pilar del Río




Biografia de João Tordo:

Escritor e jornalista português nascido em 1975, em Lisboa. Formou-se em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa e, de seguida, optou por estudar jornalismo em Londres, Inglaterra. João Tordo viveu na capital inglesa durante três anos, entre 1999 e 2002, e durante este período escreveu artigos para publicações como o semanário O Independente e as revistas Ícon e Notícias Magazine, assim como para a BBC World Service. Entretanto, começou a produzir textos literários e em 2001 foi o vencedor do prémio de Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude. Em 2002, após deixar Londres, João Tordo mudou-se para os Estados Unidos da América e em Nova Iorque participou em workshops de Escrita Criativa do City College. Regressou então a Lisboa para trabalhar como jornalista freelancer, nomeadamente para as revistas Sábado e Elle e para o semanário Expressoe o JL. Em finais de 2004 lançou o seu romance de estreia, "O Livro dos Homens Sem Luz", uma história de mistério cuja acção decorre em Londres e que é inspirada em autores como Edgar Allan Poe e nos ambientes dos contos góticos. "Hotel Memória" é outro romance seu, publicado em 2007.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PRÉMIOS LITERÁRIOS


O romance "Myra", de Maria Velho da Costa (edição da Assírio & Alvim), foi o escolhido pelo júri do PEN clube para o Prémio de Ficção.

O Prémio Fernando Namora, atribuído pelo Estoril Sol, teve como vencedor o escritor Mário de Carvalho, com o romance "A Sala Magenta" (Caminho).

João Paulo Borges Coelho foi o vencedor da segunda edição do Prémio Leya 2009, com o romance "Os Olhos de Hertzog".

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A CIDADE DEPOIS...

É um título de um livro de Pedro Paixão, escrito após o 11 de Setembro e constituído por 13 textos e um poema de Walt Whitman. Adequando-se a leitura pelos alunos do ensino secundário, o livro é recomendado pelo ME para o 10º ano. Uma vez que a obra se encontra esgotada, o autor passou a disponibilizá-la, via web, gratuitamente. Aqui:


http://www.pedropaixao.net/ACidadeDepois/PedroPaixao-ACidadeDepois.pdf.