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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Joaquim Benite - o teatro português fica muito mais pobre

"Um grande lutador. Um Um grande lutador. Um homem que construiu um grupo, um edifício, e um organismo, e soube lidar com as forças vivas de uma maneira quase inédita"

Nuno Carinhas - Director artístico do TNSJ

terça-feira, 27 de março de 2012

Dia Mundial de Teatro

Mensagem do Dia Mundial de Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores assinada por Urbano Tavares Rodrigues

Com confiança em 2012 para que a mensagem do Dia do Teatro torne possível viver com alegria e amor.

A arte da comunicação por excelência, desde as tragédias gregas que, com o apoio da música e da dança, comentavam o vivido e anunciavam o futuro, o teatro interage com os espectadores, chama-os a uma apaixonada participação, que se traduz em aplausos, outras vezes, raramente, em assobios e pateadas.

Quando a barreira entre o público e a plateia desaparece, consuma-se a vivência profunda do teatro.

É assim o espectáculo teatral um instrumento riquíssimo de educação colectiva e até de formação dos espectadores.

O seu interesse pedagógico e vital mantém-se na passagem à televisão e mesmo ao cinema mas não há como a presença física, corporal que confere ao teatro o seu poder educacional e político. Arte da polis, da cidade ou, em termos muito correctos de formação do ser humano.

O teatro, o teatro verdadeiramente popular, na mais nobre acepção da palavra, é, deve ser, um meio de formação, desalienante, que acautela o espectador contra a propaganda mentirosa de uma sociedade sem valores que visa aliená-lo, para o utilizar como coisa ao serviço de uma máquina triturante de falsos valores económicos.

Vem o teatro ao encontro do povo, que saberá amiúde e por ele, com ele, transformar a vida, torná-la mais bela, mais humana, mais digna de ser vivida com alegria e amor.

Tal é o desejo profundo de Urbano Tavares Rodrigues

Março 2012

HOJE É O DIA MUNDIAL DO TEATRO

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2012 por John Malkovich

O ITI – International Theatre Institute UNESCO, honrou-me ao convidar-me para redigir a mensagem comemorativa do 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro. Vou dirigir estas breves palavras aos meus companheiros do teatro, colegas e amigos.
Que o vosso trabalho seja convincente e genuíno. Que seja profundo, tocante, comunicativo e incomparável. Que nos ajude a refletir sobre a questão do que significa ser humano e que essa reflexão seja conduzida pelo coração, pela sinceridade e pela bondade. Que superem a adversidade, a censura e a escassez algo que, na verdade, muitos de vocês são forçados a confrontar. Que sejam abençoados com talento e rigor necessários para ensinarem, em toda a sua complexidade, as causas pelas quais deve bater o coração Humano, tendo em conta a humildade e a curiosidade para fazer dessa tarefa a obra da vossa vida. E que seja o vosso melhor – porque o melhor que derem, mesmo assim, só acontecerá nos momentos únicos e efémeros – Em consonância com a pergunta mais elementar de todas:
“Porque vivemos?”
Merda!!!

Tradução – Rafael Amaral Vergamota
Presidente da Federação Portuguesa de Teatro (adaptado)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Václav Havel (Praga, 5 de outubro de 1936 — Praga, 18 de dezembro de 2011






Escritor, intelectual, dramaturgo, foi o último presidente da Checoslováquia e o primeiro presidente da República checa . Firme defensor da resistência não-violenta, exemplo de cidadania, passou cinco anos preso pelas suas convicções, tornando-se um ícone da Revolução de Veludo no seu país, em 1989.

domingo, 11 de dezembro de 2011

LUIZ RANCISCO REBELLO (1924-2011)

Advogado, dramaturgo e crítico teatral, Luiz Francisco Rebello publicou também títulos nas áreas do ensaio e da história do teatro.

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, lamentou, esta sexta-feira, a morte do dramaturgo Luiz Francisco Rebello, referindo que a cultura nacional perdeu «um dos seus mais empenhados promotores».

«Com a sua morte, a cultura portuguesa e em particular as artes do palco perderam um dos seus mais empenhados promotores», refere Cavaco Silva na mensagem de condolências que enviou à família de Luiz Francisco Rebello e foi entretanto divulgada na página oficial da Presidência da República.

Já o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, salientou o pioneirismo de Luiz Francisco Rebello, na defesa dos direitos de autor. «Como vulto da cultura, foi pioneiro na defesa dos direitos de autor, deixando uma herança neste domínio que protege e enobrece diversas gerações que têm a produção cultural como ofício», afirma Francisco José Viegas, num comunicado enviado à Agência Lusa.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"O teatro e as serras"

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=u0XJoCCEQvs

Grande Reportagem SIC sobre a encenação da peça "À manhã", de José Luís Peixoto, em Trás-os-Montes pelo Grupo de Teatro Filandorro; uma reportagem de Sofia Arêde e João Gomes (imagem), com edição de imagem de Ricardo Tenreiro.

Um trabalho que nos dá um retrato do encontro entre os actores e a população, entre a ficção e a realidade, um retrato do interior envelhecido e isolado de Portugal.



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

“Prometemos ficar calados, só a abater árvores”

“Prometemos ficar calados, só a abater árvores” é uma proposta do Teatro Aveirense, em parceria com a Escola Secundária Homem Cristo e a Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, que parte de um exercício de mapeamento da memória e da cartografia da cidade de Aveiro. É um projecto de apropriação de uma cidade inundada. E a construção de uma outra. É uma proposta de destruição da cidade. Uma provocação. Um desdobramento da cidade e consequência da sua deslocação para um palco. É uma partitura e um conjunto de heterotopias. É tudo aquilo que já foi feito mas não por eles. É sobre o inevitável abate de árvores.
http://prometemosficarcalados.blogspot.com/


2 de Dezembro | Quinta-feira | 21h45 | 2 Euros (publico em geral) 1 Euro (estudante)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Jaime Salazar Sampaio (1925-2010)

O engenheiro que se tornou dramaturgo
Mais de meia centena de peças de teatro constituem o principal legado da escrita deste autor, que foi também tradutor e poeta. Uma obra que espera ainda o devido reconhecimento
Por Sérgio C. Andrade no "Público"


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http://aeiou.visao.pt/morreu-jaime-salazar-sampaio=f555350

sábado, 27 de março de 2010

HOJE É O DIA MUNDIAL DO TEATRO

O ACTOR
(HERBERTO HÉLDER)

O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor põe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.

O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor, com
uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retira
o adjectivo da coisa, a subtileza
da forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.

Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.
Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terra
à confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.

O actor é um advérbio que ramificou
de um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente
do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,
e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,
enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.

Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.
Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,
as ruas -
o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.

Em estado de graça. Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.

O actor em estado geral de graça.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Portuguesa distinguida em Inglaterra

Em resultado de uma votação on-line efectuada pelo público inglês, SOFIA ESCOBAR foi eleita como melhor Actriz de Teatro Musical, pelo seu papel de Maria em "West Side Story".

quinta-feira, 27 de março de 2008

27 de Março, dia Mundial do Teatro

O ACTOR

O actor acende a boca.
Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor pôe e tira a cabeçade búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.
O que rutila, o que arde destacadamente
na noite, é o actor,
com uma voz pura monotonamente batida
pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca
e retirao adjectivo da coisa, a subtilezada forma,
e precipita a verdade.
De um lado extrai a maçã com sua
divagação de maçã.
Fabrica peixes mergulhados na própria
labareda de peixes.
Porque o actor está como a maçã.
O actor é um peixe.
Sorri assim o actor contra a face de Deus.
Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.
O actor que subtrai Deus de Deus, e
dá velocidade aos lugares aéreos.
Porque o actor é uma astronave que atravessa
a distância de Deus.Embrulha. Desvela.
O actor diz uma palavra inaudível.
Reduz a humidade e o calor da terraà confusão dessa palavra.
Recita o livro. Amplifica o livro.
O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia.
O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.
Como a unidade do actor.
O actor é um advérbio que ramificoude um substantivo.
E o substantivo retorna e gira,
e o actor é um adjectivo.
É um nome que provém ultimamente do Nome.
Nome que se murmura em si, e agita,e enlouquece.
O actor é o grande Nome cheio de holofotes.
O nome que cega.
Que sangra.
Que é o sangue.
Assim o actor levanta o corpo,enche o corpo com melodia.
Corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor.
Como o corpo do actor.
Porque o talento é transformação.
O actor transforma a própria acção
da transformação.
Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto.Faz crescer o acto.
O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base,
com suas tantas janelas,as ruas -o actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.Em estado de graça. Em compactoestado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.
O actor em estado geral de graça.

HERBERTO HÉLDER