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sábado, 22 de junho de 2013

Verão

MÚSICA DE VERÃO
 
Longe da sombra do ouvido
a fonte
o cortador de relva

 
Água e relva
entrelaçados nas suas músicas

§

DIA PASSADO AO SOL

Descuidada uma onda brinca com a sua garrafa
passa por cima da água e chega à praia

Um castelo de areia constrói-se protegido
por pouco mais do que marcas de dedos

A água lava-o
A onda abandona a garrafa
Um cargueiro passa ao largo
e assim por diante
 
 BRUNO WEINHALS, "Uma Conversa Passa Pelo Papel e outros poemas"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Primeiras bibliotecas sem livros físicos

A cidade de Bexar Country, no Texas (EUA) vai ter a primeira biblioteca sem livros físicos, revela hoje o Diário Digital. Designada BiblioTech, deverá abrir as suas portas no verão e contará com salas de estudos e de reunião e um espaço interativo para crianças. O empréstimo domiciliário é assegurado mediante o empréstimo de e-readers com uma coleção de ebooks durante duas semanas.
Na semana passada, o
Digital Shift noticiou o caso de uma biblioteca escolar do Minnesota (EUA) que decidiu livrar-se quase na totalidade dos seus livros físicos, mas que mesmo assim se mantém (reforça) como espaço vital de aprendizagem dos alunos.
Ambos os exemplos são reveladores da progressiva tendência de migração dos suportes físicos para os digitais, apesar de no contexto atual, em Portugal, as bibliotecas híbridas estejam mais adequadas às necessidades dos utilizadores.


http://lerebooks.wordpress.com/2013/01/14/primeiras-bibliotecas-sem-livros-fisicos/

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Centro Português de Fotografia assinala o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Comemora-se hoje, dia 23 de abril, o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Desde 15 de novembro de 1995 que, por iniciativa da Conferência Geral da UNESCO, se celebra em todo o mundo o prazer da leitura. A UNESCO distinguiu o dia 23 de abril para comemorar o livro por se tratar de um dia simbólico para a literatura mundial. Foi a 23 de abril que, em 1616, faleceu Miguel de Cervantes. Neste mesmo dia, também faleceu William Shakespeare.
PARA ASSINALAR ESTE DIA, O CENTRO PORTUGUÊS DE FOTOGRAFIA (CPF) APRESENTA AOS UTILIZADORES DOIS DESAFIOS INTERESSANTES
1º DESAFIO: Está vocacionado para que os utilizadores enviem uma frase ou um pensamento da sua autoria sobre a temática Fotografia (tendo em especial ênfase a questão do Direito de Autor), e o envio para o endereço eletrónico do Centro Português de Fotografia: mail@cpf.dgarq.gov.pt Prémio: Oferta de um livro (a designar pelo CPF), para a melhor frase ou pensamento da sua autoria sobre Fotografia, para respostas rececionadas durante o dia 23 de abril de 2012, a partir das 09h00m.
2º Desafio: Passa pelo utilizador responder a uma questão com três (3) opções de escolha e o envio da respetiva resposta para o endereço eletrónico do Centro Português de Fotografia: mail@cpf.dgarq.gov.pt Prémio: Oferta de um livro (a designar pelo CPF), para a primeira resposta correta, rececionada durante o dia 23 de abril de 2012, a partir das 09h00m.
A Unidade Informativa do Centro Português de Fotografia possui quantos documentos bibliográficos? a) Entre 7500 e 10985 documentos bibliográficos? b) Entre 10985 e 12900 documentos bibliográficos? c) Entre12900 e 14856 documentos bibliográficos? Está disponível também uma seleção de publicações em exposição no piso 2, na Unidade Informativa/BPMF do Centro Português de Fotografia.
O CPF deseja Boa Sorte!

sexta-feira, 2 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SEMANA DA LEITURA - III

Nuno Camarneiro, dando autógrafos, hoje, na nossa escola (foto das alunas Inês F e Damila, 11º G)

"Um homem a escrever pode virar o mundo para onde quer. No código certo de letras atrás de letras está tudo o que se conhece, passado, futuro e o presente como deve ser. Um exército venceu uma batalha porque está escrito num livro, um homem morreu, um império caiu, um deus veio à terra. O homem é palavra, o império é palavra, o exército e deus e tudo são palavras inventadas quando a gente se fez gente."

( Nuno Camarneiro, “No meu peito não cabem pássaros”, p. 93)


“Viver num sítio é ser esse sítio, emprestar-lhe uma alma e receber outra em troca. As biografias deviam ordenar-se por lugares, e não por datas. Nesta rua fui assim, numa outra fui diverso. Ninguém sabe descrever uma cidade, são as cidades que nos escrevem a nós.”

(Nuno Camarneiro, “No meu peito não cabem pássaros”, p. 31)

“Quando um achador de terras se cansa de procurar caminhos, resta-lhe desistir ou abrir uma estrada nova, assim com os seus avós, assim consigo mesmo. Por uma estrada inventada chega-se a qualquer lugar e por palavras escritas chega-se a qualquer vida em qualquer época. Começa-se devagar, com descrença, e vai-se andando encostado ao desespero até que as palavras visitem os sonhos e tomem conta deles. Primeiro uma vida, depois outras que a suportem e justifiquem. Vidas ao lado e vidas antigas, vidas que hão de vir e outras que nunca chegaram a ser. Todas fazem falta, todas servem.”

(Nuno Camarneiro, “No meu peito não cabem pássaros”. p. 181)

SEMANA DA LEITURA - I

Estamos prontos!
E assim, festivamente, nos preparámos para agradáveis convívios de leituras partilhadas ao longo da semana!

Desde já, agradecemos a todos os que nos visitarem: ao escritor, ao ator , aos leitores.


“Lá fora vai um mundo de outros que fazem milhares de gestos necessários: caminham, comem respiram e vivem as vidas que podem viver. A vida é uma dádiva que requer manutenção, precisa de gestos pequenos como dar corda ao relógio ou sorrir a quem passa.”

( Nuno Camarneiro, “No meu peito não cabem pássaros”)

domingo, 24 de julho de 2011

A LEITORA, de PAULA REGO


A BE deseja-vos umas boas férias e ... boas leituras!

domingo, 19 de junho de 2011

Uma Torre de Babel feita de livros *




Em Maio, a artista Marta Minujin (http://www.marta-minujin.com/exhibitions19.html) criou em Buenos Aires uma espantosa obra efémera: uma Torre de Babel de estrutura helicoidal, com uma altura equivalente a sete andares, coberta com 30 mil livros nas mais diversas línguas e dialectos, formando no seu todo uma grande «biblioteca multilinguística».

* IN http://bibliotecariodebabel.com/

sábado, 23 de abril de 2011

DIA MUNDIAL DO LIVRO



O cartaz da DGLB deste ano é da autoria do artista plástico e ilustrador João Vaz de Carvalho, premiado nacional e internacionalmente, editado em vários países.

Este é um dia emblemático para a literatura mundial, razão pela qual a UNESCO escolheu esta data para assinalar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Miguel de Cervantes e William Shakespeare morreram a 23 de Abril de 1616; em 1899, nasceu Vladimir Nabokov. Neste dia, segundo uma antiga tradição catalã, começou a generalizar-se por todo o mundo o hábito de os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge, recebendo em troca um livro.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia


De tanto rir, uma lágrima cai na palma da mão de António. Espantado com a gotinha de líquido translúcido na mão, António aproxima-a dos olhos para melhor a contemplar. É uma gotinha que parece repousar suavemente sobre a pele, tão perfeita na sua redondeza. Olha através dela e vê uma miríade de pequenos arco-íris num festival de luz e cor.

- É a luz solar a ser refractada no interior da lágrima e reflectida para os teus olhos. – Diz uma voz familiar. Orientado pelo som, António foca o seu olhar na superfície da lágrima e vê a imagem nela reflectida do seu tio Rómulo, que acaba de chegar.

- Olha tio Rómulo, uma lágrima minha na palma da minha mão. – Diz António elevando a mão até à altura do olhar de seu tio.

- Parece uma bola colorida, cheia de arco-íris! – Brinca Rómulo, e pergunta. – Sabes de que é feita?

- De água…- responde António hesitante. – …e são salgadas, as lágrimas…

- Sim. – Confirma o tio Rómulo. – Água (H2O), quase tudo, e cloreto de sódio (NaCl). –

Acrescenta com um sorriso.

- E nada mais? – Inquire António com ar desconfiado.

- Sabes António, as lágrimas têm propriedades ópticas excepcionais devido a uma mistura complexa de muitos átomos e moléculas que não só a água e o cloreto de sódio.

- Quantos átomos e moléculas diferentes numa única lágrima? – Pergunta António, curioso a olhar mais de perto para a lágrima que tem na mão?

- Um número astronómico de átomos de oxigénio e hidrogénio; um nada menos de carbono, nitrogénio e enxofre; algumas pitadas de potássio, sódio, cloro, cálcio, ferro e manganésio; vestígios de outros elementos, quanto baste. Enfim, podemos dizer que a tabela periódica dos elementos está muito bem representada numa lágrima.

- Tudo isso numa única lágrima? – Insiste António. – Como é que sabemos isso, como é que conseguimos ver tantos elementos nesta lágrima se ela é assim tão transparente e sem cor?

- As ciências analíticas, qualitativas e quantitativas, avançaram muito. – Começa a explicar o tio Rómulo – Os cientistas têm hoje, ao seu dispor, inúmeras técnicas e equipamentos muito sensíveis que são capazes de desvendar, pela análise de uma diminuta amostra de lágrima, a sua composição elementar.

- Podes começar? – Desafia António.

- Em pouco mais de um grama de lágrima, cerca de um mililitro de emoção, e através de espectroscopias, electroforeses e cromatografias, somos capazes de chegar à seguinte observação: para além da água, que pressentimos, encontramos gorduras, proteínas e peptídeos de vários tamanhos e funções, alguns açúcares, sais e muitos outros compostos com baixos e altos pesos moleculares.

- Tanta coisa num pedacinho de água? Para quê? – Questiona António espantado.

- Sabes António, a lágrima tem como principal função limpar e lubrificar os olhos. Os cientistas descobriram que os componentes do líquido lacrimal se dispõem em três camadas sobre o olho. A primeira é rica em mucina, uma proteína ligada a açúcares, que forma um gel cheio de água e que protege a córnea do olho de forma homogénea e transparente à luz visível.

- E a segunda camada? – Interrompe António ávido de saber.

- A segunda é uma solução aquosa verdadeira. Contem proteínas como a lisozima, lactoferrina, albumina e outros complexos imunológicos solúveis em água, que atacam micróbios e protegem os olhos de infecções. E é também nesta camada aquosa que encontramos a maioria dos sais, cuja presença permite a regulação da pressão osmótica entre o interior e o exterior do olho. Aliás, a composição em sais faz eco da noite uterina amniótica e é semelhante à do plasma do sangue. É como se fosse uma onda do nosso mar interior a banhar a superfície ocular!

- E a última, a que está, se bem entendi, por cima de todas? – Pergunta António atento.

- A última camada é feita de óleos, gorduras próprias de lágrima, que criam uma barreira que reduz a evaporação da sua água. Para os olhos não secarem!

- É como se fosse azeite por cima de uma gotinha de água? – Comparou António.

- Sim, mas são outras as gorduras produzidas pelas glândulas de meibómio. – Especifica Rómulo.

- E as lágrimas são todas iguais? – Pergunta António introspectivo.

- São iguais entre humanos, diferentes entre os vários animais. As do crocodilo têm outras proteínas, óleos e diferentes concentrações de sais.

- E esta que saltou do meu riso é diferente daquelas que escorrem em carreiros quando choro? – Indaga António.

- Pouca diferença há, pois essas lágrimas estão armazenadas no mesmo saco lacrimal. Quando choras ou ris, os músculos faciais, que modelam a expressão do teu rosto, apertam o saco e assim são expulsas as lágrimas. – E continua o Tio Rómulo depois de uma breve pausa – Os cientistas descobriram que numa lágrima de emoção há mais de umas hormonas e outras moléculas cerebrais, como a acetilcolina. E se estiveres doente, ainda outras diferenças haverá no grupo proteico da albumina.

- Quer dizer que as lágrimas reflectem a saúde do meu corpo e se estou triste ou contente? - Questiona António desconfiado.

- Sim. – Responde Rómulo, com um brilho no olhar. – As lágrimas são impressões bioquímicas de um momento do teu ser. Como estão em contacto com todos os líquidos corporais, pela continuidade do plasma sanguíneo, são transparentes na verdade que contam, se as analisarmos em tubos bem esterilizados, claro está.

- E eu que pensava que as lágrimas eram só água e sais, nada mais! – Exclama António.

- Tudo o que hoje sabemos é pouco, comparado com o que amanhã podemos vir a descobrir! – Diz Rómulo ao tocar com um dedo na lágrima na palma da mão do António.


António Piedade - Crónica a partir do poema “Lágrima de Preta”, de António Gedeão (in "Máquina de Fogo", 1961) e elaborada para o Exploratório Infante D. Henrique, Centro de Ciência Viva de Coimbra, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a decorrer entre 22 e 28 de Novembro de 2010.


IN http://dererummundi.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Três portas principais



Ler e imaginar são duas das três portas principais — a curiosidade é a terceira — por onde se acede ao conhecimento das coisas. Sem antes ter aberto de par em par as portas da imaginação, da curiosidade e da leitura — não esqueçamos que quem diz leitura diz estudo—, não se vai muito longe na compreensão do mundo e de si mesmo.

“El concepto de utopía ha hecho más daño que bien”, La Prensa Gráfica, San Salvador, 1 de Junho de 2005


http://caderno.josesaramago.org/

sábado, 13 de março de 2010

LITERACIA

(...) ser capaz de ler não define a literacia no complexo mundo de hoje. O conceito de literacia inclui a literacia informática, a literacia do consumidor, a literacia da informação, a literacia visual, a literacia matemática, a literacia das artes e a literacia científica entre outras. Por outras palavras, os adultos letrados devem ser capazes de obter e perceber a informação em diferentes suportes. Além do mais, compreender é a chave. Literacia significa ser capaz de perceber bem ideias novas para as usar quando necessárias.

(...) a escola deve ser de novo convocada a assumir a responsabilidade da preparação para a cidadania. O ensino não pode apresentar-se como instrumental, esvaziado, desligado da construção do cidadão. Cidadania e literacia são indissociáveis; e as políticas de ensino que desliguem a aprendizagem da formação do cidadão estão votadas ao insucesso."

Barbara K.Eric, in "CTAP Information Literacy" (adaptado)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

LER


"Há uma literatura para quando se está aborrecido. Abunda. Há uma literatura para quando se está calmo. Esta é a melhor literatura, acho eu. Também há uma literatura para quando se está triste. E há uma literatura para quando se está alegre. Há uma literatura para quando se está ávido de conhecimento. E há uma literatura para quando se está desesperado."

Roberto Bolaño, in "Os Detectives Selvagens"

domingo, 17 de janeiro de 2010

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

LIVROS, LEITURAS E "LEITORAS DE LIVROS"


LAURA I. E LAURA B., LEITORAS DE LIVROS

IN http://paulinhoassuncao.blogspot.com/




"Perdiz-de-Dentro é um lugarejo de Minas Gerais onde vivem apenas 52 pessoas. Quarenta e nove jamais leram um livro; uma já viu um livro voando; as duas últimas (na verdade, duas mulheres) são leitoras em todo o tempo e em toda a vida. Estivemos ontem em Perdiz-de-Dentro e foi um gosto encontrar essas duas leitoras, Laura I. e Laura B., e ter com elas a infindável conversa a respeito de livros. Curiosamente, Laura I. e Laura B. só lêem páginas ímpares, sob a alegação de que as páginas pares quase amiúde domam o que os livros possuem de selvagem, de agreste, de desgoverno. Amores as duas tiveram, amores de morro abaixo e de morro acima. Eram quase sempre homens inquietos na geografia, uns eram bandoleiros, outros atravessadores de mares. Eles apareciam no lugarejo de repente e, de repente, partiam. Iam com flor de beijos nos lábios e, ali, igualmente deixavam pétalas de beijos nas duas mulheres. E todos, todos eles, a seu modo, traziam um livro a tiracolo. Em Perdiz-de-Dentro os livros ficavam, e em Perdiz-de-Dentro compunham as estantes. Pois ontem lá estivemos. E com as leitoras tratamos de livros. E bem achamos que Perdiz-de-Dentro é a súmula do mundo. O que pode mais querer um escritor a não ser a fidelidade de duas leitoras, Laura I. e Laura B., leitoras de páginas ímpares, pois as pares de nada servem? O paraíso de um escritor é a vila de Perdiz-de-Dentro. "