segunda-feira, 24 de junho de 2013
Universidade de coimbra eleita pela UNESCO como patrimonio mundial da humanidade
quinta-feira, 13 de junho de 2013
13 de junho, data de efemérides
13 de Junho, 1888 - nasceu o poeta Fernando Pessoa
13 de Junho, 1908 - nasceu a pintora Maria Helena Vieira da Silva
13 de Junho, 1984 - morreu o músico António Variações
13 de Junho, 1997 - morreu o poeta Al Berto
13 de Junho, 2005 - morreu o poeta Eugénio de Andrade
Fernado Pessoa nas marchas de Lisboa
Inês Pedrosa e o músico italiano Mariano Deidda encarnam Ofélia e Fernando Pessoa nas tradicionais Marchas de Lisboa. A Casa Fernando Pessoa fez-se representar na tradicional festa da cidade, no dia de Santo António, com uma marcha composta por 100 crianças caracterizadas, abrindo o evento.
domingo, 26 de maio de 2013
Festival Literatura em Viagem presta homenagem a Pessoa, que nem ao Porto terá ido
No "Público" de hoje, artigo de Luís Miguel Queirós
sexta-feira, 10 de maio de 2013
João Villaret: centenário do nascimento

João Henrique Pereira Villaret nasceu em Lisboa, a 10 de Maio de 1913.
A vocação para a arte de dizer e de representar manifesta-se nele desde tenra idade, mas não sem enfrentar algumas contrariedades. A primeira desilusão surge quando a directora do Anglo-Portuguese College, Miss Price, decide não o integrar na récita do colégio por manifesta "falta de jeito para representar". O sentimento que o pequeno João nutria por Miss Price era recíproco, considerando-a "uma chata". Mas admirava, com veneração, outra professora, de seu nome Amália, que sentia por ele a mesma admiração. Chamava-lhe, com muita ternura, "Frei João sem cuidados". E talvez por essa empatia, essa mútua compreensão, Villaret lia de tal maneira "Os Lusíadas" que a docente ficava rendida e nem se atrevia a sugerir qualquer alteração. Pelo precoce entendimento que tinha da poesia, e por se considerar a sua leitura tão exemplar, o jovem, quando frequentava o 3.º ano no Liceu Passos Manuel, era enviado para as salas do 7.º ano (actual 11.º ano de escolaridade) a ensinar os colegas como se devia ler o nosso grande épico. Quando se matriculou na Secção Teatral do Conservatório Nacional de Lisboa, em 1928, aos quinze anos de idade, ninguém previa que decorridos apenas três anos, na noite de 16 de Outubro de 1931, Villaret se estrearia profissionalmente no Teatro Nacional D. Maria II, integrado na Companhia de Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, na reposição da peça "Leonor Teles", de Marcelino Mesquita. Assim se iniciava a gloriosa carreira do actor que, no entanto, não se confinaria ao drama e à alta comédia (Gil Vicente, Shakespeare, Molière, Almeida Garrett, Bernard Shaw, Eugene O'Neill, etc.). João Villaret também nutria um especial apreço pelo teatro de revista, onde se vem a estrear em 1941, suscitando o escândalo daqueles que consideravam o género uma arte menor. Em 1947, para a revista "'Tá Bem ou Não 'Tá?", Aníbal Nazaré, António Porto e Nelson de Barros escrevem-lhe o "Fado Falado", verdadeira peça de antologia da história da música e do teatro popular portugueses. Um recitativo sobre uma melodia de fado onde a letra, que jogava habilmente com a mitologia do género, era não cantada mas verdadeiramente "representada" por Villaret, que assim juntou ao cânone da música portuguesa mais um clássico. Outros êxitos vieram depois, como "Esta Vida é um Corridinho" (1952), "Procissão" (1955), "Rosa Araújo" e "Santo António", os dois últimos criados na revista "Não Faças Ondas!" (1956).
Na sétima arte, participou nos seguintes filmes: "Bocage" (1936), de José Leitão de Barros, onde encarnou o rei D. João VI; "O Pai Tirano" (1941), de António Lopes Ribeiro; "O Violino do João" (1944), de Braz Alves; "Inês de Castro" (1945), de José Leitão de Barros, onde encarnou o papel de bobo; "Camões" (1946), também de Leitão de Barros, onde desempenhou o papel de D. João III; "Três Espelhos" (1947), co-produção luso-espanhola realizada por Ladisdao Vadja; "Frei Luís de Sousa" (1950), de António Lopes Ribeiro, onde encarnou a figura do aio Telmo Pais, talvez o seu desempenho mais sublime no cinema; e "O Primo Basílio" (1959), igualmente de António Lopes Ribeiro.
Com uma sensibilidade invulgar e dotado de uma notável intensidade expressiva aliada a um inexcedível poder de comunicação, reabilitou a difícil arte de recitar poesia, prendendo a atenção do expectador, quer em sessões ao vivo (uma que realizou no Teatro de São Luiz seria editada em disco), quer através da televisão. «Não digo versos; procuro reproduzir o momento de angústia, de alegria, de revolta que o poeta sentiu ao escrever o seu poema. Recitando, encontro a plena libertação, pois dou-me esse infinito gosto de interpretar aquilo que amo e que me tocou profundamente.» E Miguel Torga referiu-se-lhe nestes termos: «Nunca é demais agradecer a Villaret o que ele tem feito pela poesia. Os poetas devem-lhe uma espécie de requintada edição oral de alguns dos seus melhores versos; o público, esse resgata-se a ouvi-lo da preguiça que o afastava tragicamente dum convívio que nenhum oiro da terra pode suprir.»
O falecimento prematuro de João Villaret, no auge da glória, vítima de doença cancerosa, a 21 de Janeiro de 1961, causou imensa consternação no país, de tal forma que, durante muitos anos, os lisboetas assinalavam o dia da sua morte com um recital de poesia no Cinema São Jorge, onde a sua voz se ouvia num palco vazio iluminado apenas por um foco de luz. Em sua homenagem, Raul Solnado deu o seu nome ao teatro que abriu, em 1965, na Avenida Fontes Pereira de Melo (às Picoas).
Não sendo muita extensa, a discografia que nos legou constitui um precioso testemunho da sua inigualável arte de dar voz às palavras. Aqui se apresentam dois magníficos espécimes: o poema "Tabacaria", de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos, e a cantiga "Santo António" (letra de Fernando Santos e música de João Nobre):
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Pessoa - Astrólogo,
A visitar: o blogue da Casa Fernando Pessoa no endereço
http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Richard Zenith, o vencedor do Prémio Pessoa 2012
Tem 56 anos, nasceu em Washington mas vive em Portugal há 25 anos, os últimos cinco já com dupla nacionalidade. Richard Zenith, hoje distinguido com o Prémio Pessoa 2012, tinha sido premiado anteriormente pelo Penn Club, pela Gulbenkian ou pela Academy of American Poets pelos seus trabalhos de tradução de autores como Luís de Camões, Sophia de Mello Breyner ou António Lobo Antunes. E, claro, de Fernando Pessoa de quem Zenith é dos maiores divulgadores. Este ano Richard Zenith foi um dos curadores da exposição Fernando Pessoa, Plural como o Universo, que decorreu entre Fevereiro e Maio na Fundação Calouste Gulbenkian. A mostra, que passou antes pelo Rio de Janeiro e São Paulo, foi um marco na divulgação da vida e obra do autor do Livro do Desassosego.
Iniciativa conjunta do Expresso e da Caixa Geral de Depósitos, o prémio tem o valor de 60 mil euros e visa destacar personalidades da Cultura, Artes ou Ciência cuja obra, num determinado ano, tenha obtido destaque no panorama nacional. O júri foi este ano constituído por Francisco Pinto Balsemão (presidente) e Faria de Oliveira (vice-presidente). É ainda composto por Clara Ferreira Alves, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, António Barreto, Rui Baião, Rui Vieira Nery, Diogo Lucena, João Lobo Antunes e José Luis Porfírio. Viriato Soromenho Marques integrou, pela primeira vez, o elenco de jurados. (fonte: Expresso)
IN
http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/?skip=20
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Entrudo em português - Caretos, Pai Velho e o Diabo à solta
Caretos, bailinho, Pai Velho, Morte e Diabo. Assim se vive o Entrudo tradicional em Portugal. Prepara-se a Quaresma, dá-se as boas-vindas à Primavera, parte-se à conquista dos corações das raparigas. Brincadeiras intemporais que, por estes dias, reavivam a chama de um Entrudo que permanece imune aos plásticos dos martelinhos, aos corsos apoteóticos e aos calores tropicais.
http://www.cafeportugal.net/pages/dossier_artigo.aspx?id=1666
domingo, 22 de janeiro de 2012
GUIMARÃES, CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA EM 2012

Guimarães 2012: "Uma cidade portuguesa, europeia e mundial"
Já começou a Capital Europeia da Cultura. Ao longo de um ano Guimarães é o palco para o encontro entre criadores e criações. Um programa mulltidisciplinar que se assume no panorama nacional e internacional.
Ao longo de um ano, a CEC promove o intercâmbio cultural e a partilha de experiências e ideias para o futuro. Um evento da cidade para o mundo onde as pessoas nunca são esquecidas. Sob o mote "tu fazes parte
", Guimarães, em 2012, nas palavras de João Serra, é "uma cidade portugesa, europeia e mundial".
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Prémio "Pessoa" 2011 para Eduardo Lourenço - " o Nobel da Rua dos Douradores"
Ensaísta, professor universitário, filósofo. Eduardo Lourenço é um dos autores portugueses mais consagrados e um intelectual com maior projeção internacional.
É o 25.º premiado com o Prémio Pessoa, uma iniciativa do Expresso em colaboração com a Caixa Geral de Depósitos.
Um trabalho 'ciclópico', como afirmaram os responsáveis científicos da Fundação Calouste Gulbenkian que este ano iniciaram a publicação da obra. De facto, são 38 volumes de ensaios político-filosóficos escritos entre os anos de 1945 e 2010, de um autor que apesar da sua enorme projecção internacional permanece "pouco lido em Portugal", justifica a Gulbenkian.
Prémio "Pessoa" 2011 para Eduardo Lorenço - "O Nobel da Rua dos Douradores"
Eduardo Lourenço eleito Prémio Pessoa (fotogaleria e vídeo) http://aeiou.expresso.pt/o-nobel-da-rua-dos-douradores=f694739
Ensaísta, professor universitário, filósofo. Eduardo Lourenço é um dos autores portugueses mais consagrados e um intelectual com maior projeção internacional.
É o 25.º premiado com o Prémio Pessoa, uma iniciativa do Expresso em colaboração com a Caixa Geral de Depósitos.
A reedição, pela Fundação Caloustre Gulbenkian, da sua obra completa - num total de 38 volumes - foi o motivo mais imediato para a atribuição do prémio. Um trabalho 'ciclópico', como afirmaram os responsáveis científicos da Fundação Calouste Gulbenkian que este ano iniciaram a publicação da obra. De facto, são 38 volumes de ensaios político-filosóficos escritos entre os anos de 1945 e 2010, de um autor que apesar da sua enorme projecção internacional permanece "pouco lido em Portugal", justifica a Gulbenkian.
Eduardo Lourenço nasceu numa pequena aldeia da Beira Alta, em 1923. Cedo radicado em França, permaneceu sempre fortemente ligado a Portugal.
"Fico furioso", afirmou recentemente em entrevista, quando questionado sobre o facto de poder ser considerado exilado. Ainda este ano, na sua aldeia, foi homenageado como figura ímpar da cultura nacional.
O Prémio Pessoa tem, este ano, o valor de 60 mil euros.
domingo, 11 de dezembro de 2011
LUIZ RANCISCO REBELLO (1924-2011)
Advogado, dramaturgo e crítico teatral, Luiz Francisco Rebello publicou também títulos nas áreas do ensaio e da história do teatro.
Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, lamentou, esta sexta-feira, a morte do dramaturgo Luiz Francisco Rebello, referindo que a cultura nacional perdeu «um dos seus mais empenhados promotores».
«Com a sua morte, a cultura portuguesa e em particular as artes do palco perderam um dos seus mais empenhados promotores», refere Cavaco Silva na mensagem de condolências que enviou à família de Luiz Francisco Rebello e foi entretanto divulgada na página oficial da Presidência da República.
Já o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, salientou o pioneirismo de Luiz Francisco Rebello, na defesa dos direitos de autor. «Como vulto da cultura, foi pioneiro na defesa dos direitos de autor, deixando uma herança neste domínio que protege e enobrece diversas gerações que têm a produção cultural como ofício», afirma Francisco José Viegas, num comunicado enviado à Agência Lusa.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Pessoa interessou-se pelo cinema?
Os autores pesquisaram todo o espólio de Fernando Pessoa, incluindo a sua biblioteca, e recolheram tudo o que dissesse respeito ao cinema. O resultado é "Fernando Pessoa - Argumentos para Filmes", segundo número da nova série das Obras de Fernando Pessoa que a Ática (chancela que hoje integra o grupo Babel) está a publicar, sob a coordenação de Jerónimo Pizzaro.
Embora o título destaque os argumentos que Pessoa escreveu para cinema - alguns deles já divulgados por Patrick Quillier em "Courts-Métrages" (2007) -, a ambição do livro, que será lançado às 20h00 na FNAC do Chiado, é bastante mais vasta. Ferrari e Fischer coligiram as (poucas) reflexões que Pessoa deixou sobre o cinema em apontamentos soltos, reuniram todos os papéis em que o poeta rascunhou os vários projectos que chegou a acalentar relacionados com o cinema, incluindo a criação de uma produtora, e compilaram as cartas trocadas com José Régio e com a revista Presença a propósito de um inquérito sobre cinema ao qual Pessoa acabaria por não responder.
No que respeita ao núcleo principal do livro, que reúne os argumentos escritos por Pessoa, esta obra acrescenta também enriquecimentos significativos ao que Patrick Quillier já divulgara. "Courts-Métrages" inclui cinco argumentos: dois escritos em inglês, um em inglês e português, e dois em francês, sendo que Pessoa não assume expressamente estes dois últimos como argumentos para cinema. E dos primeiros, Quillier oferece apenas a tradução francesa.
Ferrari e Fischer descobriram mais dois argumentos redigidos em inglês, e incluem a versão original e a tradução portuguesa de todos os textos, dando ainda as cotas dos documentos, bem como as suas características, o que confere a este volume características de edição crítica que "Courts-Métrages" não pretendeu ter. O livro abre com uma introdução dos autores e encerra com um excelente posfácio de Fernando Guerreiro, que coloca o caso específico de Pessoa no contexto da relação que mantiveram com o cinema as gerações de Orpheu e da Presença e, em particular, algumas das principais figuras de ambos os movimentos.
Bandidos & nobreza
Os dois novos argumentos agora descobertos são apresentados pelo próprio Pessoa, respectivamnte, como "Note for a silly thriller or a film" e "Note for a thriller, or film". Ambos narram peripécias em navios - um tópico muito da predilecção de Álvaro de Campos (pense-se em "Opiário" ou "Ode Marítima") -, centradas em objectos preciosos cobiçados por bandidos, mas que afinal nunca estiveram a bordo.
Dos restantes argumentos redigidos em inglês (um deles parcialmente em português), e que Quillier já traduzira, dois tratam de trocas de identidades e envolvem marqueses e duques. O mais completo dos dois é "The Multiple Nobleman", ao qual Pessoa deu título, e para o qual chegou a redigir vários diálogos.
Ainda em inglês, o autor escreveu "The Three Floors", uma ideia para um filme concentrada em dois parágrafos. Pessoa imagina um edifício de três andares, cujos ocupantes têm um estatuto social tanto mais alto quanto mais elevado é o piso que habitam. Mas em todos os andares se repete, com pequenas variações, a mesma cena.
Nos textos redigidos em francês, possivelmente datados dos fins de 1917, em plena época do cinema mudo, o poeta alterna, em duas colunas, descrições de cenas e interpretações delas. Por exemplo: numa coluna escreve "o actor fuma", fazendo-lhe corresponder, na coluna paralela: "Triunfo sobre os seus inimigos, elevação, comando, satisfação". Quillier inventou para estes fragmentos o neologismo "cinématonirique" e aproxima-os das posteriores experiências cinematográficas dos surrealistas.
A par destas incursões literárias, Pessoa ponderou criar uma empresa - a Cosmopolis - que substituiria a Sociedade de Propaganda Portugal e que auxiliaria a indústria do turismo, servindo, ao mesmo tempo, de "centro de propaganda superior do paiz". O cinema seria uma das linhas de actuação da Cosmopolis, que para tanto deveria incorporar uma produtora que efectivamente existia então em Lisboa. Este projecto parece depois ter sido integrado por Pessoa numa nova ideia, a criação do Grémio de Cultura Portuguesa, ao qual atribui uma secção cinematográfica. Finalmente, ainda no âmbito destas possíveis utilizações comerciais e propagandísticas do cinema, concebe uma produtora, a Ecce Film, para a qual chega a esboçar vários logótipos, que Ferrari e Fisher reproduzem. Não menos interessantes são algumas notas soltas, como aquela em que escreve (em inglês): "Na medida em que as coisas são não podem deixar de ser. As coisas passam na medida em que não são. (Símbolo cinematográfico)." Ou ainda a sua afirmação de que o único cinema onde existe arte é o russo e o alemão, o que parece consistente com os trechos em que critica o cinema comercial de Hollywood e as suas estrelas.
Finalmente, a breve correspondência com a Presença que este volume transcreve abre com uma carta a Régio, na qual Pessoa se dispõe a responder a um inquérito sobre cinema. Mas logo na carta seguinte emenda a mão: "Ao inquérito sobre o cinema não responderei. Não sei o que penso do cinema".
Nova poesia das imagens
A primeira conclusão a retirar do abundante material, maioritariamente inédito, que este livro reúne, defendem os autores, é a de que "a ideia de que Pessoa não se interessou pela cinema estava completamente errada". E recordam que esta tese era ainda defendida em 2008, na entrada sobre cinema do Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, coordenado por Fernando Cabral Martins e editado pela Caminho. Joana Matos Frias, autora da dita entrada, afirma expressamente que "Pessoa nunca se interessou pelo cinema", o que, segundo Ferrari, sugere que não teria tido conhecimento atempado da edição de Quillier, publicada no ano anterior.
Mas Ferrari e Fisher também admitem que o que encontraram não basta para se "construir uma teoria" da relação de Pessoa com o cinema, e lembram que este "não escreveu ensaios sobre o assunto, como António Ferro ou Casais Monteiro". Acham que o seu livro demonstra que Pessoa se interessava pelo cinema, mas não que "se interessava imenso por cinema".
De facto, é difícil defender, mesmo perante estas novas evidências, que a atenção de Pessoa pelo cinema suplantasse a que seria de esperar de qualquer cidadão europeu culto da época. Se o cinema apaixonou boa parte dos presencistas, o único que, na geração de Orpheu, se interessou seriamente pelo cinema parece ter sido António Ferro.
O que não quer dizer que, de um modo difícil de detectar em evidências textuais, o cinema, como algo que impregnava a cultura da época, não tenha tido importância na obra poética de Pessoa ou Sá-Carneiro. Mas, para darmos a devida dimensão a estas escassas e dispersas reflexões de Pessoa, basta pensarmos, por exemplo, em Guillaume Appolinaire, oito anos mais velho do que o poeta português, que, pela mesma altura, via no cinema a síntese de todas as artes e decretava que o livro ia desaparecer e ser substituído pelo filme. Uma mudança que Appolinaire saudava, acreditando que essa nova poesia das imagens, dispensando a palavra, daria aos poetas "uma liberdade até hoje desconhecida".
In http://www.publico.pt/Cultura/dois-mil-exemplares-de-argumentos-para-filmes-de-fernando-pessoa-lancados-esta-semana_1502365?all=1
sábado, 12 de junho de 2010
por Terras do Demo com Aquilino Ribeiro - "Ó cagaréus de Aveiro, vinde cá agora, vinde" ("O Malhadinhas")
A Beira Alta não tem símile no Mundo. Em poucas dezenas de quilómetros reproduz-se a terra toda: amenidade e braveza, a colina e o vale, a civilização e a selvajaria.
(A. R. , conferência no Brasil, 1952)
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Agostinho da Silva nasceu há 100 anos
LICEU NACIONAL DE AVEIRO (actual Escola Secundária José Estêvão), onde se recusou a assinar a Lei Cabral que obrigava todos os funcionários públicos à declaração de não participação em qualquer sociedade ou instituição secreta ou "subversiva" considerada atentatória contra o regime. Impedido de ser professor na escola pública, deu aulas privadas (Mário Soares e Manoel de Oliveira foram alguns dos seus alunos), colaborou em revistas literárias, criou o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, fundou em 1940 os Cadernos de Informação Cultural. Passou pelos calabouços da PIDE, no Aljube, após o que se fixou no Brasil de onde regressou a Portugal em 1969. Livre pensador, filósofo, professor toda a vida, morreu em 1996.
Agostinho da Silva é dos mais paradoxais pensadores portugueses do século XX. O tema mais candente da sua obra foi a cultura de língua portuguesa, num fraternal abraço ao Brasil e aos países lusófonos. Todavia, a questão das filosofias nacionais não é para si decisiva, parecendo-lhe antes uma questão académica: «Não sei se há filosofias nacionais, e não sei se os filósofos, exactamente porque reflectem sobre o geral, se não internacionalizam desde logo».
(...)
Segundo ele, seria possível valorizar aquilo que a seu ver nos distinguiria como povo e como cultura: um povo e uma cultura capazes de albergar em si «tranquilamente, variadas contradições impenetráveis, até hoje, ao racionalizar de qualquer pensamento filosófico».
Império do futuro precavido e purgado dos males que arruinaram os quatro anteriores, sem manias de mando, ambições de ter e de poder, sem trabalho obrigatório, sem prisões e sem classes sociais, sem crises ideológicas e metafísicas. Esse já não era o império europeu, dessa Europa ávida de saber e de poder, e por isso esgotada como modelo para os outros 80% da humanidade, menos ávida de poder e mais preocupada com o ser.
Trazer por isso o mundo à Europa, como outrora levámos a Europa ao mundo, tal a missão da cultura de língua portuguesa, construindo o seu domínio com uma base espiritual e sem base em terra, porque a propriedade escraviza e só não ter nos torna livres.
(Fonte "Público", P2 e http://cvc.instituto-camoes.pt/filosofia/1910h.html)
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
RAUL SOLNADO
Aqui lhe prestamos merecida homenagem no dia em que faria 80 anos.
domingo, 18 de outubro de 2009
50 ANOS de "TELEJORNAL"
Os cinquenta anos do principal noticiário televisivo da estação pública portuguesa servem de pretexto para a inauguração do Museu do Telejornal, nas instalações da RTP, em Lisboa.
A RTP vai ter Portas Abertas a partir de 25 de Outubro para oferecer aos seus visitantes uma experiência única!
No âmbito das comemorações do 50º Aniversário do Telejornal, a RTP vai proporcionar uma visita às suas instalações, com diversos pontos de atracção.
O que pode visitar? http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/novidades/?k=RTP-Portas-Abertas-50-Anos-Telejornal.rtp&post=15491
- Estúdios de Informação: Aqui poderá conhecer os bastidores do Telejornal que diariamente chega à sua casa. Este é o maior e melhor equipado estúdio da Europa, funciona como open space, o que permite que aconteçam vários programas ao mesmo tempo.
- Colecção Museológica: Recentemente inaugurada a Colecção Museológica RTP, permitir-lhe-á desfrutar de um fantástica visita no tempo onde poderá apreciar as mais belas peças da história da RTP, segundo uma lógica cronológica, mostrando equipamentos de gravação, recepção e transmissão.
- Documentário: Preparámos para si um pequeno filme sobre a história do Telejornal e da RTP. Uma viagem feita de recordações, histórias e emoções.
- Primeiro Carro Exteriores RTP: Chegou em 1957 a Lisboa, magnífico, recheado da sofisticada tecnologia da época e constituindo um verdadeiro estúdio móvel, foi o primeiro veículo deste género em Portugal.
- Carro Exteriores Digital: Este veículo permite efectuar a cobertura de grandes eventos em território nacional e internacional. Esta unidade móvel permite albergar até 30 canais de câmara de Alta-Definição, sendo um dos maiores e mais avançados Carros de Exteriores existentes na Europa e no Mundo.
Local:
Sede da RTP
Avenida Marechal Gomes da Costa, 37
1849-030 LISBOA
Entrada gratuita
Na mesma semana a delegação da RTP Porto comemora, igualmente, 50 anos.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
“De Amadeo a Paula Rego, 50 Anos de Arte Portuguesa (1910-1960)”
Esta exposição traça um percurso pelas práticas artísticas da primeira metade do século XX, em Portugal, e apresenta a sua lenta e complexa modernização num contexto cultural e politicamente adverso. Quando as distâncias entre os países europeus iniciaram o seu processo de colapso e a circulação da informação se constituiu como parte triunfante do novo mundo, a arte moderna portuguesa desenvolveu-se por episódios singulares e amplas descontinuidades. A reacção a este contexto foi a emigração de alguns dos mais relevantes artistas para Paris: primeiro Amadeo de Souza-Cardoso, situação interrompida pela Grande Guerra e sua morte prematura; posteriormente o caso maior e definitivo de Maria Helena Vieira da Silva, a quem Salazar viria a retirar a própria nacionalidade.
As dinâmicas das vanguardas sobre o incipiente contexto moderno permitiram construir um conjunto significativo de experiências, quer no início do século, quer na transição da década de 40 para 50s, com a terceira geração modernista. Também pela primeira vez se apresentam os desenvolvimentos da prática fotográfica desenvolvidos neste período. Quase sempre marginalizados pela História da Arte surgem agora como uma participação plena e em diálogo com as outras práticas artísticas. É para esta época e reconfiguração da modernidade então operada, que esta exposição presta especial atenção. Foram de facto os Abstraccionistas, os Neo-realistas e os Surrealistas que produziram essa modernidade prometida por Amadeo de Souza-Cardoso, passada como testemunho por Almada Negreiros e que estes artistas deram corpo e conflitualidade. No seu limite Joaquim Rodrigo e Paula Rego abriram outros caminhos para novas ficções.
Pedro Lapa, Director do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado
http://www.mnac-museudochiado.imc-ip.pt/
quinta-feira, 21 de maio de 2009
JOÃO BÉNARD DA COSTA (1935-21/5/2009)
João Pedro Bénard da Costa nasceu a 7 de Fevereiro de 1935, em Lisboa, e cresceu entre a casa da Avenida António Augusto de Aguiar e os Verões na Arrábida – sobre os quais escreveu longamente nas crónicas do PÚBLICO.
Na Universidade começou com o curso de Direito, mas rapidamente mudou para Histórico-Filosóficas. É desse tempo que vêm algumas das suas mais fortes amizades, figuras como Pedro Tamen, Nuno Bragança, Alberto Vaz da Silva, Nuno Portas, Manuel de Lucena, Francisco Sarsfield Cabral, Paulo Rocha.
Entre 1957 e 1960, Bénard, já apaixonado por cineastas como Rosselini e Bresson, dirige o cineclube Centro Cultural de Cinema e também a Juventude Universitária Católica (1958/58). Casa-se em 1958, um ano antes de terminar a licenciatura. É depois de conhecer António Alçada Baptista que surge a ideia de criarem uma revista. O primeiro número de O Tempo e o Modo sai em 1963 com Alçada como director e Bénard como chefe de redacção e, mais tarde, Vasco Pulido Valente como subchefe.
Em 1965 Bénard faz parte do grupo de 101 católicos portugueses que assinam um manifesto contra a guerra colonial (grupo que incluía também Francisco Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner, Ruy Belo, Lindley Cintra). Três anos depois sai da Igreja Católica – estava-se em Maio de 1968.
No ano seguinte, é convidado para a secção de cinema no serviço de Belas Artes da Gulbenkian (onde já era investigador no Centro de Investigação Pedagógica) e organiza ciclos inesquecíveis, começando ao mesmo tempo a dar aulas de Cinema no Conservatório. No início dos anos 70 dirige o Centro Nacional de Cultura.
Em 1980, Vasco Pulido Valente, então secretário de Estado da Cultura, convida-o para o cargo de subdirector da Cinemateca Portuguesa, então dirigida por Luís de Pina. Depois da morte deste, Bénard assume a direcção, em 1991, cargo que manteve até ao fim da vida – um trabalho pelo qual foi condecorado, em Setembro passado, pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, com a medalha de mérito cultural.
Foi só quando os problemas de saúde de Bénard se agravaram, no ano passado, que o subdirector Pedro Mexia assumiu a direcção interina. Antes disso, em 2006, nas vésperas da sua licença especial para continuar na direcção depois da idade da reforma, Bénard escreveu numa crónica que corria o risco de ser “abatido no activo”. Um abaixo-assinado pela sua continuação começou imediatamente a circular na Internet e a então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, acabou por lhe renovar a licença especial.
Em 1990 foi galardoado com a Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente Mário Soares. Em 1997, Jorge Sampaio, nomeou-o presidente da Comissão do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades. E em 2001 foi galardoado com o Prémio Pessoa.
Bénard da Costa escreveu vários livros, entre os quais Muito lá de casa e Filmes da Minha Vida/Os Meus Filmes da Vida. As crónicas no PÚBLICO mereceram-lhe o Prémio João Carreira Bom.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1381942&idCanal=14
segunda-feira, 23 de março de 2009
Biblioteca Digital Camões
cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes.html - 42k -
