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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

NOVEMBRO: assim se vestiu a nossa BE


NOVEMBRO
A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras

 (Sophia de Mello Breyner Andresen)





sexta-feira, 2 de novembro de 2012

OUTONO


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


Miguel Torga, Diário X

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A biblioteca (Gonçalo M. Tavares)


A biblioteca
O senhor Juarroz gostava de organizar a sua biblioteca de maneira secreta. Ninguém gosta de revelar segredos íntimos.
O senhor Juarroz primeiro organizara a biblioteca por ordem alfabética do título de cada livro. Rapidamente, porém, foi descoberto.
O senhor Juarroz organizou depois a sua biblioteca por ordem alfabética, mas tendo em conta a primeira palavra de cada livro.
Foi mais difícil, mas ao fim de algum tempo alguém disse: já sei!
A seguir o senhor Juarroz reordenou a biblioteca, mas agora por ordem alfabética da milésima palavra de cada livro.
Há no mundo pessoas muito perseverantes, e uma delas, depois de muito investigar, disse: já sei!
No dia seguinte, assumindo este jogo como decisivo, o senhor Juarroz decidiu arrumar a biblioteca a partir de uma progressão matemática complexa que envolvia a ordem alfabética de uma determinada palavra e o teorema de Godel.
Assim, para estranheza de muitos, a biblioteca do senhor Juarroz começou a ser visitada, não por entusiastas da leitura, mas por matemáticos. Alguns passaram tardes a abrir os livros e a ler certas palavras, utilizando o computador para longos cálculos, tentando assim encontrar a todo o custo a equação matemática que desvendasse a organização da biblioteca do senhor Juarroz. Era, no fundo, um trabalho de descoberta da lógica de uma série, semelhante a 2|9|30|93
Pois bem, passaram dois, três, quatro meses, mas chegou o dia.
Um reputado matemático, completamente vermelho e eufórico, segurando, na mão direita, num bloco gigante coberto de números, disse: já sei!, e apresentou depois a fórmula de progressão da série que baseava a organização da biblioteca.
O senhor Juarroz ficou desanimado e decidiu desistir do jogo.
Basta!
No dia seguinte pediu à sua esposa para organizar a biblioteca como bem entendesse. Por ele estava farto.
Assim foi. Nunca mais ninguém descobriu a lógica da organização da biblioteca do senhor Juarroz.

Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Juarroz

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CNL - resultados

Face aos resultados das provas ontem realizadas na escola, ficam apurados para a fase distrital os seguintes alunos:
3º ciclo do ensino básico : Inês Miguel Esteves Moreira, Benilde Zita Figueiredo, Mariana Lourenço Cunha;
ensino secundário: João Nolasco ferreira, Teresa Nunes, Maria de Lurdes Marrinhas.
Parabéns a todos, os vencedores e também aos concorrentes (19, no total).

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Provérbios com livros - Plano pessoal de leitura

Em Janeiro,
Leio o primeiro.

Em Fevereiro, é Carnaval.
Leio outro, afinal.

Em Março, marçagão,
Leio de manhã, à tarde e ao serão.

Em Abril,
Chego à página mil.

Em Maio,
Pego noutro livro e descontraio.

Em Junho, começa o Verão.
Saio pró campo, com um livro na mão.

Em Julho, faz muito calor.
Ponho-me à sombra e leio com fervor.

Nas férias de Agosto,
Leio ainda com mais gosto.

Chega o mês de Setembro
E já li tantos que nem me lembro.

Em Outubro, começa a chover.
E eu continuo a ler.

Em Novembro, chega o frio.
Leio mais um, de fio a pavio.

Em Dezembro, vem o Natal.
Dar e receber livros é o ideal.

--
Publicada por Carlos A. Silva em A Vida Secreta dos Livros a 4/04/2011


http://avidasecretadoslivros.blogspot.com/2011/04/plano-de-leitura.html

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

As bibliotecas escolares são essenciais

No novo contexto informacional em que vivemos, resultado do desenvolvimento das tecnologias e da Internet, em particular, é fundamental que a escola seja capaz de preparar jovens que, para além de um leque de conhecimentos, alguns axiais como a língua materna e a matemática, dominem um conjunto de competências complexas no que à informação diz respeito. Para responder a essa exigência, as bibliotecas escolares são um bem educativo e cultural essencial.

As formas clássicas de produção, conservação e circulação do saber, intimamente ligadas ao livro e ao impresso, estão a alterar-se profundamente. Crianças e jovens são cada vez mais marcados pelo acesso e uso precoce duma grande parafernália tecnológica - telemóveis, consolas de jogos, mp3, computadores, ipads... -, uma grande apetência por conteúdos audiovisuais e, sobretudo, pela Internet. No final da escola aguarda-os um mercado de trabalho caracterizado pela mudança, flexibilidade, necessidade constante de adaptação e de trabalhadores cada vez mais qualificados. Vão mudar de emprego várias vezes e vão ter de continuar a aprender ao longo da vida.

Quando todo o conhecimento de que necessitamos parece encontrar-se na Web, à distância e velocidade de um clique, as actividades de pesquisa e tratamento de informação tornaram-se mais complexas do que podíamos imaginar. E a geração que apelidamos de "nativos digitais" ou "geração google", apesar da destreza tecnológica, revela grandes fragilidades na procura e uso de conteúdos informativos relevantes e fiáveis, assim como na capacidade de os transformar em conhecimento. Quem é que hoje, no papel de professor ou de pai, não experienciou a frequência com que crianças e jovens se limitam a "googlar" um tema, aplicando a seguir o método do "copiar e colar" para produzirem o trabalho que lhes foi pedido?

Todo este cenário exige que a escola promova o ensino e aprendizagem de diferentes literacias, nomeadamente a literacia de informação, aqui entendida como o conjunto de competências que capacitam para o acesso, uso e aplicação eficaz da informação, em diferentes suportes, formatos e contextos. É este desafio recente, assim como o da leitura, nos tradicionais e nos novos ambientes, que torna as bibliotecas escolares tão necessárias. Vejamos.

Por mais que a tecnologia nos inunde, a leitura continua a ser uma aprendizagem primordial, condição de todas as outras. Aprende-se a ler, lendo, o livro continua a ser o suporte de eleição para essa aprendizagem, e a leitura, analógica ou digital, o instrumento de compreensão global. Nem todas as famílias têm condições para proporcionar livros e um ambiente leitor às suas crianças e jovens. As bibliotecas escolares são, pois, um ponto de acesso ao livro, a outros suportes e a actividades que estimulam o interesse e competências de leitura ao longo da escolaridade.

As bibliotecas escolares são igualmente um espaço de inclusão digital. Alguns programas do Ministério da Educação, o próprio embaratecimento da tecnologia, facilitaram a posse de computador pessoal. Em relação à Internet, considerando os dados do projecto Eukids Online, verificamos que só 78% das crianças e dos jovens portugueses entre 9 e 16 anos acedem à Internet. E cerca de um terço através das bibliotecas, tanto escolares como públicas.

Mas a inclusão digital não se resume ao acesso, pelo contrário, transfere-se cada vez mais, mesmo nos países mais desenvolvidos, para o problema do uso. Entendidas como espaços de aprendizagem, as bibliotecas escolares desempenham um papel fundamental na promoção de um uso seguro, criterioso, crítico e eficaz da informação. Em todos os agrupamentos de escolas e escolas secundárias têm sido o lugar por excelência onde estas questões são especificamente colocadas e trabalhadas com os professores bibliotecários, com todos os docentes já sensibilizados para o tema e, em especial, com os alunos. O Programa Rede de Bibliotecas Escolares tem sido decisivo no desenvolvimento destes espaços na escola.

por MARGARIDA TOSCANO, PROFESSORA E MEMBRO DO GABINETE DA REDE DE BIBLIOTECAS ECOLARES
Artigo Parcial em http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1890187&seccao=Convidados&page=-1

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PORTUGAL

Excerto do poema "Portugal", de Jorge Sousa Braga, dito por Miguel Borges.

http://vimeo.com/11921365

No mesmo sítio, há mais vídeos - e com óptimas interpretações.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Se estivermos atentos, todos os dias há matéria para histórias."

"A ficção é muito mais intensa que a vida"

Lídia Jorge, em entrevista ao "I" - 1/4/2011.

http://www.ionline.pt/conteudo/114485-lidia-jorge-a-ficcao-e-muito-mais-intensa-que-vida

"A Noite das Mulheres Cantoras" é o novo romance da autora algarvia que conta já com 30 anos de escrita.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Que estamos a fazer a nós próprios?"

Velhos, ó meus queridos velhos, saltem-me para os joelhos: vamos brincar?
ALEXANDRE O'NEILL

O número perturbador de velhos portugueses que morreram sós, e estiveram anos sem ninguém disso dar conta, permitiu uma série de piedosas declarações. A "atomização da sociedade", de que falou, admiravelmente, Simone de Beauvoir, num ensaio esquecido mas não datado [La Vieillesse], facilitou o sistema em que sobrevivemos, e que "confina com a barbárie."

Os nossos velhos pagam, amarga e dolorosamente, as nevroses das suas infâncias e as consequências das suas vidas frustradas, esmagadas, irrealizadas e aceitas com a resignação de quem foi alienado para consentir o inevitável declínio. A velhice, tal como as sociedades modernas a tratam, é uma questão de anomalia política, uma mutilação. Podíamos, talvez, atenuar essa violência, essa desolação social, com um pouco de compaixão.

Porém, autorizámos que nos esburacassem os sentimentos. Reparem: deixámo-nos de nos cruzar uns com os outros: simplesmente, atravessamo-nos; afastámo-nos da cordialidade, expulsámo-nos dos laços que nos uniam e justificavam como seres humanos e como comunidade. O nosso coração está oco.

Um país que abandona assim os seus velhos, que assim deixa morrer os seus velhos, é um sítio sem memória, um vácuo no vácuo. Um local inóspito que perdeu a ligação do espiritual e foi ocupado pela desordem estabelecida. Mas os sobressaltos de emoção são momentâneos. A dialéctica da Imprensa impede a durabilidade das nossas indignações, já de si muito ténues e muito frágeis. Os velhos mortos na solidão de todas as mortes serão substituídos pela inclemência da eterna actualidade. Morrem e passam a número. A dissolução do humano assimilou os nossos mais pequenos gestos, as nossas mais escassas fraternidades. A vulgaridade dos factos torna-se banalidade. Chega a ser indecoroso o lado mau da vida que os jornais expõem. Mas é assim. E o que assim é tem muito peso. O peso escandaloso da insensibilidade.

Os nossos velhos não estão, apenas, a morrer nas suas casas geladas de calor humano. Estão a morrer nos jardins, sentados na distância de já haverem perdido o pessoal sentido de identidade. O tempo flui neles e sobre eles, e já lhes não interessa, sequer, a desolação do seu fim de vida. Estão a morrer em caixotes horrendos, os paióis para onde são despejados como inutilidades que se desprezam.

E os jornais vão fornecendo números, levando, finalmente, para as primeiras páginas, aqueles que sempre as tinham merecido. Não gostamos dos nossos velhos. Abandonamo-los nos hospitais, rasuramos da nossa memória os seus afagos de pais e avós, as atenções que nos concederam, o amor que nos ofereceram sem contingências.

Que estamos a fazer a nós próprios?

Baptista-Bastos
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1785013&seccao=Baptista Bastos&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Concurso Nacional de Leitura - 2ª fase

A fase distrital decorre na Biblioteca Municipal de Sever do Vouga, dia 18 DE Março 2011.

As obras escolhidas para esta fase são:

- 3.º ciclo do ensino básico

· " Luka e o fogo da vida", Salman RUSHDIE, Dom Quixote, 1.ª ed. 2010

· "Meia hora para mudar a minha vida", Alice VIEIRA, Caminho, 1.ª ed. 2010

- Secundário

· " Livro", José Luís PEIXOTO, Quetzal, 1.ª ed. 2010

· " Estórias abensonhadas", Mia COUTO, Caminho, 1.ª ed. 1994, reedição 2009

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

LIVROS, LIVROS, BIBLIOTECA

Toda a gente sabe que os livros devoram espaço sem qualquer piedade. E não existe defesa possível. Qualquer que seja o espaço que se lhes dê, nunca chega. Ocupam primeiro as paredes, e depois continuam a espalhar-se por onde conseguirem. Apenas o texto fica poupado. Chegam sempre uns novos, enquanto o dono não tem coração para se livrar de nenhum dos velhos. E assim devagar, sem dar nas vistas, volumes de livres empurram tudo à sua frente. Como glaciares.

Zoran Zivkovic, "A Biblioteca", ed. Cavalo de Ferro, 2010, p. 29


Sinopse
Livro vencedor do prestigiado World Fantasy Award, A Biblioteca reune seis histórias fantásticas ligadas à bibliofilia, fazendo-nos pensar em Jorge Luis Borges e na sua biblioteca infinita, mas também no universo de Kafka ou de Umberto Eco. No conto de abertura, um escritor descobre um site onde todos os seus livros, inclusive os que ainda não escreveu, se podem consultar; num outro, uma comum biblioteca transforma-se durante a noite num arquivo de almas; noutro, ainda, o Diabo decide estabelecer os níveis da literacia infernal... (IN http://www.wook.pt/ficha/a-biblioteca/a/id/9620195)

Uma leitura com humor, deliciosa, cativante, estes seis contos que se interligam em torno de diferentes tipos de bibliotecas: particulares, virtuais, nocturnas, minimais, infernais, requintadas...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O cérebro de um adulto muda tanto como o de uma criança, quando aprende a ler



Cientistas e voluntários portugueses participaram num estudo internacional inédito sobre os efeitos da leitura no córtex cerebral, comparando analfabetos, leitores e ex-iletrados.

(...)

E o que descobriram então os cientistas sobre o que acontece ao cérebro de quem aprende a ler?

Nunca é tarde


IN
http://www.publico.clix.pt/Ciências/o-cerebro-de-um-adulto-muda-tanto-como-o-de-uma-crianca-quando-aprende-a-ler_1465736

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA

Mais uma vez , a equipa da Biblioteca está a organizar, a nível de Escola, a 5ª edição do Concurso Nacional de Leitura. Contamos com a colaboração de todos na divulgação do concurso e no estímulo à participação dos nossos alunos, que tão bons resultados têm obtido.

Para esta edição a equipa da BE escolheu como obras de leitura obrigatória

3º CICLO

FERREIRA, José Gomes – Aventuras de João Sem Medo. Lisboa: Moraes Editores, 1980BESSA-LUÍS, Agustina – Dentes de Rato. Lisboa: Guimarães Editores, 1991. ISBN 972-665-075-5


SECUNDÁRIO:

BRANCO, Camilo Castelo – A Queda de um Anjo. Lisboa: Ulisseia, s/d. ISBN 972-56-8143-6
COUTO, Mia – Mar Me Quer. Lisboa: Caminho, 2000. ISBN 978-972-21-1374-8


Inscrições na Biblioteca até 22 de Novembro ; Prova a 5 de Janeiro de 2011

terça-feira, 19 de outubro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"por onde me levam os livros?"

“(…) os livros levam-nos sempre, de uma maneira ou de outra, a outros livros, que nos levam por outra vez a outros livros, mesmo quando os links já se tornaram tão subtis, tão ténues ou ocultos, que já nem damos por eles.”
José Mário Silva , Póvoa do Varzim, Fev ./2009 – “Correntes d´Escritas” - In http://bibliotecariodebabel.com/geral/mesa-7/

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Por onde me levam os Livros?"

«A vários locais levam os livros. E esta viagem pode ser feita pelo leitor, que viaja por entre as paisagens e locais descritos, como pelo autor, que viaja dentro de si mesmo. O que realmente importa é que estejamos abertos a essa viagem, pelo tempo ou pelo espaço, por mundos reais ou imaginários.»
José Mário Silva , Póvoa do Varzim, Fev ./2009 – “Correntes d´Escritas” - In http://bibliotecariodebabel.com/geral/mesa-7/