Um livro (creio) é algo com um princípio e um fim (mesmo se não for um romance em sentido restrito), é um espaço onde o leitor deve entrar, passear, até mesmo perder-se, mas a um certo ponto encontrar uma saída, ou talvez várias saídas.
Italo Calvino
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Livros
vale a pena encontrar livros quando são as pessoas quem os trazem,
pessoas aladas, borboletas carregadas de hístórias, de línguas e de sol.
Jorge Reis-Sá
pessoas aladas, borboletas carregadas de hístórias, de línguas e de sol.
Jorge Reis-Sá
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Está de parabéns, o centenário Manoel de Oliveira
53 filmes realizados (entre curtas e longas metragens), mais de 100 prémios recebidos, 100 anos e ainda a trabalhar! Manoel de Oliveira é, sem dúvida, um dos maiores cineastas do mundo, "o último dos primitivos", "um visionário",...
Merece, por isso, todas as homenagens que lhe possamos prestar. A nossa biblioteca já lhe dedicou em Novembro uma exposição temática.
Hoje, sugerimos, como leitura, o dossiê oliveiriano especial do JL nº 996 (pp. 6-22)
Merece, por isso, todas as homenagens que lhe possamos prestar. A nossa biblioteca já lhe dedicou em Novembro uma exposição temática.
Hoje, sugerimos, como leitura, o dossiê oliveiriano especial do JL nº 996 (pp. 6-22)
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
António Alçada Baptista (1927- 7/12/2008).
Viajante, ensaísta, memorialista ("Peregrinação Interior"), editor (na Moraes), ficcionista ("O Riso de Deus") – o António Alçada era sobretudo um conversador e um sedutor. Ele seduzia as pessoas com quem se cruzava ao longo da vida, e seduzia os seus leitores com aquele tom suave, como é a inocência da sua obra. Estabeleceu uma ponte entre os dois regimes, em 1974 (as suas "Conversas com Marcelo Caetano" foram uma última tentativa de ler o regime e "O Tempo e o Modo" uma forma de o mudar). Tinha uma inteligência muito intuitiva, o que o levava a pensar com leveza sobre coisas profundas. E chegava antes dos outros a conclusões que poucos hoje lhe atribuem. Isso fazia dele um homem generoso de quem era difícil não gostar. Muita gente lhe deve muita coisa.
Francisco José Viegas em http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt
Alçada Baptista: in memoriam
Muitos já não se lembram, outros nunca souberam, mas António Alçada Baptista foi no seu tempo um dos colunistas de maior sucesso na imprensa portuguesa. As suas crónicas, em jornais como o "Diário Popular", eram lidas e citadas com imenso interesse. Havia nele uma genuína abertura às mais diversas áreas do saber e desprendia-se um toque cosmopolita dos seus escritos, suavemente confessionais, que lhe permitia estabelecer profundos elos de cumplicidade com as mais diversas camadas de leitores. Alçada, um beirão da Covilhã transplantado para Lisboa, gostava de estabelecer pontes - entre pessoas, entre ideologias, entre crenças, entre continentes. Tendo por base a fé cristã, o personalismo de Mounier, os valores da lusofonia e sobretudo o culto da amizade.
Habituei-me desde muito novo a conviver com a prosa ágil de Alçada e a admirar-lhe o talento de pintor de quadros humanos em letra de imprensa. Gostava também de um certo tom humilde da sua escrita, longe das certezas categóricas dos pregoeiros de ilusões. Era um homem que gostava de reflectir sobre a política, a cultura, o quotidiano. Não se importava de exprimir dúvidas e inquietações num país onde demasiada gente cultiva o espírito de trincheira. E era sobretudo um homem de cultura, num sentido muito lato, que não se limitava a perscrutrar o mundo, mas se envolvia nele e procurava torná-lo um pouco melhor. Por isso fundou uma revista como "O Tempo e o Modo" e uma editora fulcral como foi a Moraes. Aí saíram os seus livros mais importantes: "Conversas com Marcello Caetano" (muito incompreendido à época), "O Tempo nas Palavras" e sobretudo a fulgurante "Peregrinação Interior", em dois volumes, um dos melhores roteiros intelectuais que a sua geração legou à posteridade.
Mais tarde viria a cultivar a ficção - faceta literária que nele nunca me interessou - e o texto memorialista, mostrando-se exímio na arte de contar histórias com personagens de carne e osso. Logo ele, que parecia conhecer toda a gente e não ter um só inimigo.
Vi-o pela última vez há cerca de dois anos, já muito alquebrado, à porta de sua casa, na zona de São Bento. Lembro-me de ter pensado, logo aí, que ficaria para sempre adiado o projecto de lhe fazer uma longa entrevista em que discorresse sobre o tempo em que viveu e o lugar que lhe coube em sorte. Ficou-me de lição: estes projectos nunca devem ser adiados. Alçada Baptista acaba de morrer, aos 81 anos. Em jeito de homenagem, vou regressar às páginas da "Pegerinação Interior", essa obra hoje tão esquecida que me ajudou a incutir o gosto de pensar.
Pedro Correia em http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/
Francisco José Viegas em http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt
Alçada Baptista: in memoriam
Muitos já não se lembram, outros nunca souberam, mas António Alçada Baptista foi no seu tempo um dos colunistas de maior sucesso na imprensa portuguesa. As suas crónicas, em jornais como o "Diário Popular", eram lidas e citadas com imenso interesse. Havia nele uma genuína abertura às mais diversas áreas do saber e desprendia-se um toque cosmopolita dos seus escritos, suavemente confessionais, que lhe permitia estabelecer profundos elos de cumplicidade com as mais diversas camadas de leitores. Alçada, um beirão da Covilhã transplantado para Lisboa, gostava de estabelecer pontes - entre pessoas, entre ideologias, entre crenças, entre continentes. Tendo por base a fé cristã, o personalismo de Mounier, os valores da lusofonia e sobretudo o culto da amizade.
Habituei-me desde muito novo a conviver com a prosa ágil de Alçada e a admirar-lhe o talento de pintor de quadros humanos em letra de imprensa. Gostava também de um certo tom humilde da sua escrita, longe das certezas categóricas dos pregoeiros de ilusões. Era um homem que gostava de reflectir sobre a política, a cultura, o quotidiano. Não se importava de exprimir dúvidas e inquietações num país onde demasiada gente cultiva o espírito de trincheira. E era sobretudo um homem de cultura, num sentido muito lato, que não se limitava a perscrutrar o mundo, mas se envolvia nele e procurava torná-lo um pouco melhor. Por isso fundou uma revista como "O Tempo e o Modo" e uma editora fulcral como foi a Moraes. Aí saíram os seus livros mais importantes: "Conversas com Marcello Caetano" (muito incompreendido à época), "O Tempo nas Palavras" e sobretudo a fulgurante "Peregrinação Interior", em dois volumes, um dos melhores roteiros intelectuais que a sua geração legou à posteridade.
Mais tarde viria a cultivar a ficção - faceta literária que nele nunca me interessou - e o texto memorialista, mostrando-se exímio na arte de contar histórias com personagens de carne e osso. Logo ele, que parecia conhecer toda a gente e não ter um só inimigo.
Vi-o pela última vez há cerca de dois anos, já muito alquebrado, à porta de sua casa, na zona de São Bento. Lembro-me de ter pensado, logo aí, que ficaria para sempre adiado o projecto de lhe fazer uma longa entrevista em que discorresse sobre o tempo em que viveu e o lugar que lhe coube em sorte. Ficou-me de lição: estes projectos nunca devem ser adiados. Alçada Baptista acaba de morrer, aos 81 anos. Em jeito de homenagem, vou regressar às páginas da "Pegerinação Interior", essa obra hoje tão esquecida que me ajudou a incutir o gosto de pensar.
Pedro Correia em http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
"O Rafa e as férias de Verão" na ESJE

Quinta-feira, 4 de Dezembro
15horas
Sala de Audiovisuais
Apresentação do livro da Prof.Drª Fátima Pombo pela DRª Isabel Roste e dos alunos das turmas G e H do 11º ano. A autora estará presente e haverá sessão de autógrafos.
Sobre a obra publicamos um comentário inserido do Blogue da obra, http://oslivrosdorafa.blogspot.com/ e que diz o seguinte:
"No n.º 69 deste mês de Novembro, a revista "Os Meus Livros", com o título “A adolescência vista pelo próprio”, Maria João Pina de Morais, crítica da secção infantil “primeiras letras”, apresenta assim o livro de Fátima Pombo:“Vale a pena ler este livro porque o Rafa interpreta bem a vida; ou seja, perante os pais divorciados e a tentarem reconstruir a vida afectiva, as duas irmãs mais novas e uma avó com Alzheimer, o Rafa não desarma.O livro está escrito em jeito de diário e, quer as paradigmáticas “borbulhas” e respectiva pomada, quer as emocionantes idas à praia com a Pilar, são momentos em que temos muito a aprender.Apesar de às vezes não parecer, a verdade é que as cabeças dos adolescentes pensam coisas giras!”Acresce a este comentário a indicação da editora – a Trinta Por Uma Linha – e a recomendação da idade – 13 anos. "
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Boas leituras...
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Gonçalo M. Tavares premiado em Itália
O escritor recebeu em 21 de Novembro, em Itália, o Prémio Internacional Trieste 2008, com o livro “1″, originalmente publicado na Relógio D’Água.
É a décima primeira edição do Premio Internazionale Trieste - Poesia. O Prémio é composto por uma parte monetária, no valor de mil e quinhentos euros, e por uma obra de arte. Nos anos anteriores ganharam este prémio autores como Justo Jorge Padròn (Espanha), Alvaro Mutis (Colombia), Tahar Ben Jelloun (Marrocos/ França) e Omar Lara (Chile).
Gonçalo M. Tavares também assinou um contrato, para «sete ou oito livros», com a editora francesa Viviane Hamy. A editora Viviane Hamy, que publicou o romance «Jerusalém» e «O Senhor Valery», parece ter uma especial queda para as letras portuguesas ou relacionadas com lisboa, tendo editado «O incêndio do Chiado», de François Vallejo, passado na capital portuguesa.
Lisboa, aliás, será o cenário de algumas dessas obras, revelou Gonçalo M. Tavares à Lusa.
«Lisboa é uma cidade extraordinária. Tenho um projecto de fazer uma ficção inspirada em Lisboa», disse o escritor sobre o próximo trabalho que, possivelmente, incluirá também as cidades de Estocolmo, Helsínquia, Nova Iorque e Buenos Aires.
Gonçalo M. Tavares, apontado pela crítica francesa como «a revelação portuguesa», exprimiu o desejo de falar sobre as suas obras recentemente traduzidas para francês, «Jerusalém» e «O Senhor Valéry», para dar «a conhecer diferentes mundos e linhas de escrita diferentes».
Comentando as críticas positivas que a comunicação social especializada e generalista francesa lhe têm dedicado, Gonçalo M. Tavares considerou ser «agradável perceber que 'Jerusalém' tem impacto em França. Aprecio a qualidade da recepção e como esta acontece em diferentes espaços. Julgo que há um interesse cada vez maior pela Literatura Lortuguesa em França», concluiu o autor.
A mesma opinião parece ter a escritora Lídia Jorge que, juntamente com Gonçalo M. Tavares, representou a Literatura Portuguesa na iniciativa «Les Belles Étrangères», participando de um debate no Teatro de Châtelet, em Paris, para falar da sua produção literária, da literatura portuguesa e da relação entre as literaturas europeias.
À margem do encontro, Lídia Jorge declarou à Lusa: «Hoje os leitores europeus reconhecem que o imaginário português é um contributo para a Europa, abre uma porta do imaginário com África», (fonte http://diariodigital.sapo.pt/)
Gonçalo M. Tavares também assinou um contrato, para «sete ou oito livros», com a editora francesa Viviane Hamy. A editora Viviane Hamy, que publicou o romance «Jerusalém» e «O Senhor Valery», parece ter uma especial queda para as letras portuguesas ou relacionadas com lisboa, tendo editado «O incêndio do Chiado», de François Vallejo, passado na capital portuguesa.
Lisboa, aliás, será o cenário de algumas dessas obras, revelou Gonçalo M. Tavares à Lusa.
«Lisboa é uma cidade extraordinária. Tenho um projecto de fazer uma ficção inspirada em Lisboa», disse o escritor sobre o próximo trabalho que, possivelmente, incluirá também as cidades de Estocolmo, Helsínquia, Nova Iorque e Buenos Aires.
Gonçalo M. Tavares, apontado pela crítica francesa como «a revelação portuguesa», exprimiu o desejo de falar sobre as suas obras recentemente traduzidas para francês, «Jerusalém» e «O Senhor Valéry», para dar «a conhecer diferentes mundos e linhas de escrita diferentes».
Comentando as críticas positivas que a comunicação social especializada e generalista francesa lhe têm dedicado, Gonçalo M. Tavares considerou ser «agradável perceber que 'Jerusalém' tem impacto em França. Aprecio a qualidade da recepção e como esta acontece em diferentes espaços. Julgo que há um interesse cada vez maior pela Literatura Lortuguesa em França», concluiu o autor.
A mesma opinião parece ter a escritora Lídia Jorge que, juntamente com Gonçalo M. Tavares, representou a Literatura Portuguesa na iniciativa «Les Belles Étrangères», participando de um debate no Teatro de Châtelet, em Paris, para falar da sua produção literária, da literatura portuguesa e da relação entre as literaturas europeias.
À margem do encontro, Lídia Jorge declarou à Lusa: «Hoje os leitores europeus reconhecem que o imaginário português é um contributo para a Europa, abre uma porta do imaginário com África», (fonte http://diariodigital.sapo.pt/)
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Português Exacto
Aloja -se em http://www.portuguesexacto.pt/ e é o nome do site que a Porto Editora acaba de lançar; «pretende esclarecer todas as dúvidas relacionadas com o Português, incluindo as mudanças introduzidas pelo Acordo Ortográfico».
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Ler com a Ciência e a Tecnologia
A BE acolhe durante esta semana uma exposição do Clube de Ciências C2 - ESJE, a par de um programa que se espalha por diversos outros espaços, recheado de "Ciência em Poesia", "Ciência em Acção", "Ciência em Comunicação", Ciência em Investigação" e "Ciência em Exposição".
Quem disse que ciência e poesia não podem "casar"? Quem disse que não é possível construir pontes de esparguete? Como se constroem e lançam microfoguetes? Que papel pode ter o Second Life na Educação Virtual Tridimensional?
Há mais questões ! Aqui fica o convite...
Ver mais em
http//www.clubeciencias.esje.edu.pt
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Aveiro: apelo ao espírito científico
Durante cinco dias, o campus universitário de Aveiro transforma-se num mega laboratório científico, com mais de 250 actividades para todas as idades. Trata-se da nona Semana Aberta da Ciência e da Tecnologia que terá 500 sessões com variadíssimas actividades e que espera 12000 visitantes provenientes de todo o país
ver mais em http://www.diarioaveiro.pt/
e em www.ua.pt/semanaberta
ver mais em http://www.diarioaveiro.pt/
e em www.ua.pt/semanaberta
domingo, 23 de novembro de 2008
O Centenário "VOUGUINHA"
O futuro do popular “Vouguinha” vai dominar hoje os discursos que vão fazer-se ouvir nas comemorações do Centenário de uma linha que já conheceu melhores dias
Viagens gratuitas nos comboios da Linha do Vouga marcam o início das comemorações do centenário da inauguração desta linha, que começam este domingo com a recriação da viagem inaugural e o descerramento de uma placa comemorativa na estação de Espinho, numa iniciativa conjunta de várias instituições ferroviárias e das sete autarquias servidas por aquela infra-estrutura.
Durante todo o dia, a população pode viajar gratuitamente nos comboios da Linha do Vouga, em qualquer percurso entre Espinho e Aveiro (via Sernada).
Após o descerramento daquela placa, às 9 horas, e de uma projecção de fotografias de Aurélio Paz dos Reis, que recriam a chegada de D. Manuel II a Espinho em 1908, para a inauguração da Linha do Vouga, um comboio especial parte da estação às 9.26 horas com destino a Oliveira de Azeméis.
No entanto, até à chegada a Oliveira de Azeméis, prevista para as 14.32 horas, o comboio leva os participantes a Santa Maria da Feira (10.01 horas) e a S. João da Madeira (11.56 horas), locais onde se realizam diversas actividades integradas nas comemorações.
Em Santa Maria da Feira, é descerrada uma segunda placa comemorativa na estação, realiza-se uma missa promovida pelos ferroviários, na Igreja Matriz, e diversas actividades de entretenimento.
Às 11.43 horas, já com a presença da Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, parte de Santa Maria da Feira o comboio, com chegada às 12 horas a S. João da Madeira, sendo na estação desta cidade descerrada uma terceira placa comemorativa e visitadas as obras de requalificação do Centro Coordenador de Transportes, inaugurado o túnel rodoviário sob a linha do Vale do Vouga, assinados o Protocolo “Comboios Frequentes” entre a CP, a REFER e a Câmara Municipal de S. João da Madeira e a Consignação pela REFER da empreitada para a “Automatização de 52 Passagens de Nível na Linha do Vouga”, seguindo-se um almoço comemorativo neste local.
Neste primeiro dia de comemorações, o comboio especial parte em direcção a Oliveira de Azeméis, onde, às 14.35 horas, é descerrada uma última placa comemorativa, na estação.
Segue-se um percurso a pé até à Galeria Tomás Costa, na Praça da Cidade, palco da inauguração da Exposição do Centenário da Linha do Vale do Vouga (15.15 horas), mostra que percorrerá os sete concelhos servidos pelo caminho-de-ferro.
Estas comemorações são uma iniciativa da CP, REFER, Fundação do Museu Nacional Ferroviário e das Câmaras Municipais da área de influência da Linha do Vale do Vouga – Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira.
In "Diário de Aveiro"
Viagens gratuitas nos comboios da Linha do Vouga marcam o início das comemorações do centenário da inauguração desta linha, que começam este domingo com a recriação da viagem inaugural e o descerramento de uma placa comemorativa na estação de Espinho, numa iniciativa conjunta de várias instituições ferroviárias e das sete autarquias servidas por aquela infra-estrutura.
Durante todo o dia, a população pode viajar gratuitamente nos comboios da Linha do Vouga, em qualquer percurso entre Espinho e Aveiro (via Sernada).
Após o descerramento daquela placa, às 9 horas, e de uma projecção de fotografias de Aurélio Paz dos Reis, que recriam a chegada de D. Manuel II a Espinho em 1908, para a inauguração da Linha do Vouga, um comboio especial parte da estação às 9.26 horas com destino a Oliveira de Azeméis.
No entanto, até à chegada a Oliveira de Azeméis, prevista para as 14.32 horas, o comboio leva os participantes a Santa Maria da Feira (10.01 horas) e a S. João da Madeira (11.56 horas), locais onde se realizam diversas actividades integradas nas comemorações.
Em Santa Maria da Feira, é descerrada uma segunda placa comemorativa na estação, realiza-se uma missa promovida pelos ferroviários, na Igreja Matriz, e diversas actividades de entretenimento.
Às 11.43 horas, já com a presença da Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, parte de Santa Maria da Feira o comboio, com chegada às 12 horas a S. João da Madeira, sendo na estação desta cidade descerrada uma terceira placa comemorativa e visitadas as obras de requalificação do Centro Coordenador de Transportes, inaugurado o túnel rodoviário sob a linha do Vale do Vouga, assinados o Protocolo “Comboios Frequentes” entre a CP, a REFER e a Câmara Municipal de S. João da Madeira e a Consignação pela REFER da empreitada para a “Automatização de 52 Passagens de Nível na Linha do Vouga”, seguindo-se um almoço comemorativo neste local.
Neste primeiro dia de comemorações, o comboio especial parte em direcção a Oliveira de Azeméis, onde, às 14.35 horas, é descerrada uma última placa comemorativa, na estação.
Segue-se um percurso a pé até à Galeria Tomás Costa, na Praça da Cidade, palco da inauguração da Exposição do Centenário da Linha do Vale do Vouga (15.15 horas), mostra que percorrerá os sete concelhos servidos pelo caminho-de-ferro.
Estas comemorações são uma iniciativa da CP, REFER, Fundação do Museu Nacional Ferroviário e das Câmaras Municipais da área de influência da Linha do Vale do Vouga – Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira.
In "Diário de Aveiro"
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Antes de começares a ler...
«Arranja a posição mais cómoda: sentado, estendido, enroscado, deitado. Deitado de costas, de lado, de barriga. Na poltrona, no sofá, na cadeira de baloiço, na cadeira de praia, no pufe. Numa cama de rede, se tiveres alguma cama de rede. Em cima da cama, naturalmente, ou dentro da cama. Até podes pôr-te de cabeça para baixo, em posição de yoga. Com o livro virado ao contrário, bem entendido.
(...)
Bem, afinal de que estás à espera? Estende as pernas, estica também os pés numa almofada, em duas almofadas, nos braços do sofá, nas orelhas da poltrona, na mesinha de chá, na secretária, no piano, no mapa-mundo. Descalça primeiro os sapatos. Mas só se quiseres ficar de pés soerguidos, porque senão torna a calçá-los. E agora não fiques para aí de sapatos numa mão e livro na outra.
Regula a luz de modo a não te cansar a vista. Fá-lo já, porque assim que estiveres mergulhado na leitura, nem penses em mexer-te. Arranja-te de maneira que a página não fique na sombra, um emaranhado de letras negras sobre um fundo cinzento, uniformes como uma ninhada de ratos; mas tem cuidado para que não lhe bata de chapa uma luz demasiado forte e que não se reflicta no branco cru do papel roendo as sombras dos caracteres como num meio-dia do Sul. Tenta prever agora tudo o que puder evitar-te o interromper a leitura. Os cigarros ao alcance da mão, se fumares, e o cinzeiro. Que mais é que falta? Tens de ir fazer chichi? Bem, tu é que sabes.»
Italo Calvino, "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante"
(...)
Bem, afinal de que estás à espera? Estende as pernas, estica também os pés numa almofada, em duas almofadas, nos braços do sofá, nas orelhas da poltrona, na mesinha de chá, na secretária, no piano, no mapa-mundo. Descalça primeiro os sapatos. Mas só se quiseres ficar de pés soerguidos, porque senão torna a calçá-los. E agora não fiques para aí de sapatos numa mão e livro na outra.
Regula a luz de modo a não te cansar a vista. Fá-lo já, porque assim que estiveres mergulhado na leitura, nem penses em mexer-te. Arranja-te de maneira que a página não fique na sombra, um emaranhado de letras negras sobre um fundo cinzento, uniformes como uma ninhada de ratos; mas tem cuidado para que não lhe bata de chapa uma luz demasiado forte e que não se reflicta no branco cru do papel roendo as sombras dos caracteres como num meio-dia do Sul. Tenta prever agora tudo o que puder evitar-te o interromper a leitura. Os cigarros ao alcance da mão, se fumares, e o cinzeiro. Que mais é que falta? Tens de ir fazer chichi? Bem, tu é que sabes.»
Italo Calvino, "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante"
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Leitura(s) com a Matemática
Parecem ninhos as mãos que se recolhem nos bolsos à medida que o Outono avança.
Parecem dedos hirtos os ramos unidos das árvores nuas que assomam em direcção ao céu.
Diversa é a paisagem cá dentro da escola: na Oficina de Matemática, "uma ideia liga-se a outras com três dedos de uma mão sendo o quarto dedo a liberdade de criar e o quinto a emoção de o fazer".
Como quem procura o calor de um ninho onde é possível aquecer o coração!
[citação retirada do expositor da Oficina de Matemática que se encontra no corredor central do 1º andar]
M. A.

A Biblioteca Escolar tem em exposição uma homenagem simbólica a Manoel de Oliveira, 99 anos, o mais "velho" cineasta em actividade. De momento realiza o filme "Singularidades de uma rapariga loira", sobre o conto homónimo de Eça de Queirós.
Quase a fazer 100 anos (12 de Dezembro), M.O. mantém uma invejável actividade, tendo afirmado que a sua melhor realização ainda está para vir...
Assim esperamos.
(PS. Para os mais curiosos, a BE possui o citado conto...Venha ler a história de Macário e a sua noiva)
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
Novo sítio sobre Literatura

Como estímulo à curiosidade dos nossos leitores, apresenta-se um novo site sobre Literatura onde encontrarão alguns nomes conhecidos...
Para ler/ver devagar...
http://www.PNETliteratura.pt
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Poeta Fernando Guimarães vence Prémio Ruy Belo
O Prémio Literário Ruy Belo 2008, galardão da Câmara Municipal de Sintra, foi atribuído ao poeta Fernando Guimarães, com o livro "Na Voz de um Nome". O livro de Fernando Guimarães foi distinguido entre 47 títulos concorrentes na categoria de obra poética publicada no biénio 2006/2007.
Fernando Guimarães nasceu no Porto em 1928; além de poeta, destaca-se no campo da literatura igualmente como ensaísta e tradutor. Esta não é a primeira vez que Fernando Guimarães é galardoado; já lhe foram atribuídas importantes distinções nacionais , como o Prémio D. Dinis (1985), da Fundação Casa de Mateus, o Prémio do Pen Clube (1988) e o Prémio da Fundação Luís Miguel Nava (2003).
A sua bibliografia inclui, na poesia, títulos como "Casa: o seu desenho" "As Mãos Inteiras", "O Anel Débil", "Tratado de Harmonia","A Analogia das Folhas; no ensaio, "Linguagem e Ideologia", "Simbolismo, Modernismo e Vanguardas" e "Os Problemas da Modernidade", entre outros.
Como tradutor, transpôs para a língua portuguesa poemas de autores como Byron, Shelley, Keats e Dylan Thomas.
Fernando Guimarães nasceu no Porto em 1928; além de poeta, destaca-se no campo da literatura igualmente como ensaísta e tradutor. Esta não é a primeira vez que Fernando Guimarães é galardoado; já lhe foram atribuídas importantes distinções nacionais , como o Prémio D. Dinis (1985), da Fundação Casa de Mateus, o Prémio do Pen Clube (1988) e o Prémio da Fundação Luís Miguel Nava (2003).
A sua bibliografia inclui, na poesia, títulos como "Casa: o seu desenho" "As Mãos Inteiras", "O Anel Débil", "Tratado de Harmonia","A Analogia das Folhas; no ensaio, "Linguagem e Ideologia", "Simbolismo, Modernismo e Vanguardas" e "Os Problemas da Modernidade", entre outros.
Como tradutor, transpôs para a língua portuguesa poemas de autores como Byron, Shelley, Keats e Dylan Thomas.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
LIVROS ESQUECIDOS
-Daniel, não podes contar a ninguém o que vais ver hoje. Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém.
Um homenzinho com traços de ave de rapina e cabeleira prateada abriu-nos a porta. O seu olhar aquilino poisou sobre mim, impenetrável.
-Bom dia, Isaac. Este é o meu filho Daniel - anunciou o meu pai. - Está quase a fazer onze anos, e um dia ficará a tomar conta da loja. Já tem idade para conhecer este lugar.
O tal Isaac convidou-nos a entrar com um leve gesto de assentimento. Uma penumbra azulada cobria tudo, insinuando apenas traços de uma escadaria de mármore e uma galeria de frescos povoados de figuras de anjos e criaturas fabulosas. Seguimos o guardião através daquele corredor palaciano e chegámos a uma grande sala circular onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula retalhada por feixes de luz que pendiam lá do alto. Um labirinto de corredores e estantes refletas de livros subia da base até à cúspide, desenhando uma colmeia tecida de túneis, escadarias, plataformas e pontes que deixavam adivinhar uma gigantesca biblioteca de geometria impossível. Olhei para o meu pai, boquiaberto. Ele sorriu-me, piscadando-me o olho.
O tal Isaac convidou-nos a entrar com um leve gesto de assentimento. Uma penumbra azulada cobria tudo, insinuando apenas traços de uma escadaria de mármore e uma galeria de frescos povoados de figuras de anjos e criaturas fabulosas. Seguimos o guardião através daquele corredor palaciano e chegámos a uma grande sala circular onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula retalhada por feixes de luz que pendiam lá do alto. Um labirinto de corredores e estantes refletas de livros subia da base até à cúspide, desenhando uma colmeia tecida de túneis, escadarias, plataformas e pontes que deixavam adivinhar uma gigantesca biblioteca de geometria impossível. Olhei para o meu pai, boquiaberto. Ele sorriu-me, piscadando-me o olho.
-Bem-vindo ao cemitério dos Livros Esquecidos, Daniel.
(...) O meu pai ajoelhou-se ao pé de mim e, sustendo-me o olhar, falou-me com aquela voz leve das promessas e das confidências.
- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há muitos anos quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que ninguém já se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. Agora só nos têm a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?
O meu olhar perdeu-se na imensidade daquele lugar, na sua luz encantada. Fiz um sinal de assentimento e o meu pai sorriu.
- E sabes o melhor? - Perguntou.
Abanei a cabeça em silêncio.
- O costume é que a primeira vez que alguém visita este lugar tem de escolher um livro, aquele que preferir, e adoptá-lo, assegurando-se de que ele nunca desapareça, de que permaneça sempre vivo. É uma promessa muito importante - Para toda a vida - explicou o meu pai. - Hoje é a tua vez.
Carlos Ruiz Zafón - "A Sombra do Vento")
terça-feira, 28 de outubro de 2008
SOBRE A LEITURA
A leitura é um antídoto do medo. Quem saboreia o prazer da leitura nunca está sozinho. Entende a transitoriedade de tudo, e a possibilidade de mudança. Entende-se a si mesmo, e aprende a saber o que quer.
(Inês Pedrosa, "Expresso" 27/09/2008)
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