segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Começou hoje na nossa escola a SEMANA DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA


PROGRAMA


23 Novembro

· Exposição e actividades de Biologia e Geologia (todo o dia)

· Projecção de filmes sobre Darwin e Evolução das Espécies (clube do Museu - todo o dia)

· Sessão de astronomia. "Era uma vez o Espaço" para os alunos do 7ºano na biblioteca. A primeira palestra será às 14h15 para os alunos do 7ºA e C e a segunda será às 15h10 para os alunos do 7ºB

24 Novembro

· Sessão de experiências interactivas de Física e Química (todo o dia)

· Exposição na biblioteca (em colaboração com a BE - todo o dia e dias seguintes)

· Exposição de trabalhos do 10.º D no átrio central (Interdisciplinaridade – Inglês, Química e Biologia)

25 Novembro

· Exposição, actividades e desafios de Matemática (todo o dia)

26 Novembro

· Exposição e actividades de Informática

· Projecto "Troca de Lâmpadas"


Visitas


23 Novembro

· Visita Estudo UA - 2º CEF

24 Novembro

· Visita à Fábrica da Ciência, com o 12º F

25 Novembro

· Visita Estudo UA (11º I – Prof. Informática de Gestão)

27 Novembro

· Visita de Estudo UA - 8º A e 8º B



Dinamização: Departamento de Matemática e Ciências Experimentais

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Relembrar o MIBE

Relembrar o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares: OUTUBRO 2009


"post" do dia 5 de Outubro

Já repararam que desde o início do mês a nossa Biblioteca se vestiu com alguns adereços diferentes?
Aqui e ali, esperam-nos muitas surpresas - diversas em formatos, cores, tamanhos, cheiros, texturas, finalidades,... grandes, pequenas, coloridas, mais ou menos brilhantes, aos grupinhos, à unidade, à vista, meio escondidas,...
São dezenas de objectos tão díspares e inesperados quanto a nossa imaginação ditou - espalhados entre os livros, quer dizer, estrategicamente colocados nas estantes, a ilustrar as áreas do conhecimento e do saber, a reforçar visualmente a arrumação pela ordem da CDU.
Quando grande parte da escola está em obras, quem diria que no sossego da Biblioteca continuam a nascer encantos e curiosidades que se oferecem à descoberta de novas leituras?

19 de Novembro, Dia Mundial da Filosofia

"Professores e alunos da E. S. J. E. sublinham a importância da Filosofia no mundo contemporâneo."

(assim se lê nos cartazes afixados na nossa Escola)


terça-feira, 17 de novembro de 2009

A "Nowa proza portugalska po Rewolucji Goździków"


O que é isto?

REVISTA POLACA DÁ A CONHECER NOVA LITERATURA PORTUGUESA

A "Nowa proza portugalska po Rewolucji Goździków", ou "nova prosa portuguesa pós-Revolução dos Cravos", esteve em destaque na revista literária polaca "Lampa", que reuniu numa colectânea, catorze escritores portugueses e cinco autores nacionais de BD.

Os catorze escritores escolhidos são João Aguiar, Agustina Bessa-Luís, Mário de Carvalho, Rodrigo Guedes de Carvalho, Mário Cláudio, Almeida Faria, Lídia Jorge, valter hugo mãe, João de Melo, José Luís Peixoto, Jacinto Lucas Pires, José Saramago, David Soares e Gonçalo M. Tavares, a que se juntaram os seguintes autores de banda desenhada: José Carlos Fernandes/Luís Henriques, João Mascarenhas, Pedro Burgos/João Paulo Cotrim.

O projecto, que tem como limite cronológico os textos publicado após o 25 de Abril – um evento histórico bastante conhecido na Polónia –, foi desenvolvido pelo leitorado do Instituto Camões na Universidade de Varsóvia, dirigido por José Carlos Costa Dias.

A "Lampa" é “uma revista de artes para um público jovem culto e habitualmente inclui apresentação e crítica de BD”, explica José Carlos Costa Dias, responsável pelo leitorado do Instituto Camões na Universidade de Varsóvia e organizador da colectânea.

Na revista, cada prosador “é representado por um excerto de cerca de 17 mil caracteres, uma informação biográfica e bibliográfica”, refere José Carlos Costa Dias, que escreveu a nota introdutória à revista e refez muitas das informações biobibliográficas que acompanham os textos dos seleccionados, com a “preocupação em apresentar o autor a um público estrangeiro”.

A ideia foi “juntar consagrados com autores mais jovens mas de qualidade”, explica o leitor do Instituto Camões. No que toca aos consagrados, se não fossem conhecidos na Polónia, eram incluídos com uma obra publicada depois do 25 de Abril, como aconteceu com Agustina Bessa-Luís. Se já o fossem, “a ideia era mostrar algo novo da sua produção literária”.

http://bisleya.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Redes de bibliotecas escolares... uma ideia com 82 anos!

No acervo histórico da nossa BE, tropecei com este livrinho admirável de Lorenzo Luzuriaga: Bibliotecas Escolares, Madrid, Publicaciones de la Revista de Pedagogía, 1927.
Aí, a dado trecho, vem expresso este pensamento: " Para terminar, diremos que en el caso de que varias localidades proximas se pusieran de acuerdo podrían establecerse cambios de libros entre ellas, como si fueran secciones de una general o, si se quiere, conservando cada una su autonomia. En uno y otro caso, los libros se los prestarian unas bibliotecas a otras, como si fueram de la sección circulante de cada una, es decir, por espacio limitado de tiempo y mediante papeletas que cada una conservaria. Con este procedimiento, se tiene la oportunidad de una colaboración economica entre varias escuelas, las cuales pueden reservar una pequeña cantidad de sus presupuestos para la creación y sostenimiento de una biblioteca escolar común". (p. 15)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A BÍBLIA - inquérito



Eis uma sugestão de leitura sobre um tema tão actual:

Inquérito a propósito de "Caim", de José Saramago.

As respostas de A. M. Pires Cabral, Alice Vieira, Gastão Cruz, José Agostinho Baptista, José Augusto Mourão, José Mattoso, Teresa Toldy e Vasco Graça Moura.


No último JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias), nº1020, (de 4 a 17 de Novembro)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

40 anos da Rua Sésamo


O sol nasceu,
como está lindo o céu,
cá vou eu,
vem tu daí também,
aprender como se vai
até à rua Sésamo!


Já lá vão 40 anos. A 10 de Novembro de 1969, estreava nos EUA o "Sesame Street", programa televisivo infantil.

Desde então, as personagens - o Egas, o Becas, o Ferrão, o Monstro das Bolachas, o Poupas Amarelo, o Zé Maria, o Sr Almiro, o André , a Guiomar, a Carolina, a Tita e a Avó Chica - têm povoado os sonhos de várias gerações de fãs deste programa pedagógico que só em 1989 começou a ser emitido em Portugal, adaptado à realidade nacional.

"Sesame Street" conta com um site , onde se podem encontrar vídeos e jogos:
http://www.sesamestreet.org/home

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O MURO DE BERLIM CAIU HÁ 20 ANOS

Construído em Agosto de 1961, dividiu praças, ruas, casas, cidade(s), sistemas políticos, pessoas, vidas... causou mortes, feridos, prisões... Era o "Berliner Mauer" e foi, durante quase 30 anos, uma barreira física e ideológica, erguida entre a República Democrática Alemã e a República Federal da Alemanha; circundava toda a Berlim Ocidental, separando-a do sector oriental; para além de dividir a cidade de Berlim, o "muro da vergonha" marcava a divisão do mundo em dois blocos.
A queda do Muro de Berlim em 9 de Novembro de 1989 abriu o caminho para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada em 3 de Outubro de 1990. Este momento simboliza também o fim da Guerra Fria e da bipolarização, o início do esboroamento da URSS e da independência de muitos países do Leste europeu .

É preciso não esquecer que há outros muros por ruir - velhos e novos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

UM MINUTO DE ASTRONOMIA


"Diversos relatórios apontam que as maiores contribuições da astronomia para a sociedade não são apenas aplicações tecnológicas ou os pequenos avanços científicos da astronomia, mas sim a oportunidade que todos nós... temos de alargar os nossos limitados horizontes, de nos ajudar a descobrir a beleza e grandeza do Universo e do nosso lugar nele."


O que têm em comum: Nuno Markl, Nicolau Breyner, Silvia Alberto, Sérgio Godinho, Carla Chambel, Francisco Mendes, Cláudia Semedo, Margarida Martins, Helena Coelho, Jorge Gabriel, Luis Represas, Maria Gambina e Vitor de Sousa? São uns improváveis professores de astronomia durante 1 Minuto!

Explicar o que são buracos negros num minuto pode ser uma tarefa de peso para um cientista, mas e para um humorista, um actor ou um músico?
Algumas "estrelas" portuguesas, como Nuno Markl, Nicolau Breyner, Sérgio Godinho e Sílvia Alberto decidiram vestir a camisola do Ano Internacional da Astronomia 2009 e trocar por miúdos os grandes temas do Universo. O resultado está no ar na RTP.

Com apreesentação de Silvia Alberto e Produzido por Science Office e Duvideo,
1 Minuto de Astronomia estreou com o primeiro vídeo "Porque é a Astronomia importante?"


Programação 1 Minuto de Astronomia :

RTP1
Quarta-Feira, 4 de Novembro 9:27 / 11:37 / 17:10 / 18:30
Quinta-Feira, 5 de Novembro 9:21 / 11:36 / 14:20 / 17:08 / 18:40 / 22:47 / 02:38
Sexta-Feira, 6 de Novembro 9:28 / 11:36 / 14:22 / 17:11 / 18:37 / 0:57 / 2:40
Sábado, 7 Novembro 9:49 / 11:35 / 15:58 / 17:15 / 18:13 / 22:59 / 02:55
Domingo, 8 de Novembro 10:00 / 14:45 / 17:12 / 18:28 / 22:59 / 02:41

RTP2
Quinta-Feira, 5 de Novembro 13:00 / 20:31 / 21:06 / 1:15 / 2:07
Sexta-Feira, 6 de Novembro 13:58 / 16:47 / 19:25 / 0:18 / 02:00

terça-feira, 3 de novembro de 2009

EXPOSIÇÃO «PELOS CAMINHOS DE JOSÉ ESTÊVÃO»



Na sala de leitura da Biblioteca da nossa Escola, ainda a comemorar o bicentenário do nascimento do nosso patrono.

De 2 a 23 de Novembro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Todo aquele que abre um livro

Todo aquele que abre um livro entra numa nuvem
ou para beber a água de um espelho
ou para se embriagar como um pássaro ingénuo
A sôfrega retina
vai-se tornando felina e inflada
e os seus liames tremem entre o júbilo e agonia
Um livro é redondo como uma serpente enrolada
e formado de fragmentos onde lateja o sangue de um pulso
que já não é de um autor que nunca o foi
e que será sempre o ritmo do que está a nascer
irrigando o nada e os terraços sobre os abismos
Nunca o livro se completa embora o redondo o circunde
e o mova para o seu interior sem nunca o envolver
Jamais a nuvem se dissipa mesmo quando a claridade ofusca
Como se fosse preciso adormecer nela como sobre os ombros do mundo
para acompanhar o fluxo ingenuamente novo
com os delicados diademas de fogo e espuma
O livro ora é de veludo ora de bronze
e os seus traços abrem janelas ou terraços
sobre o corpo latente como um arbusto entre pedras
Se a palavra vibra como um meteoro ou desliza como uma anémona
ou não é mais do que uma estrela de areia
a sua proa sulca o incessante intervalo
entre o ardor de incompletos liames
e a estátua aérea que se eleva à sua frente
e continuamente se forma e se deforma
por não ser nada e ser o alvo puro
de um movimento ingénuo sonâmbulo e incerto.

(António Ramos Rosa, 1996)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

APRESENTAÇÃO DA CASA DAS CIÊNCIAS

Portal Gulbenkian para professores. Visite em


http://www.casadasciencias.org/index.php?menu=1&intro=1



APRESENTAÇÃO DA CASA DAS CIÊNCIAS

PORTO, 26 DE OUTUBRO DE 2009
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO
DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

Lat 41° 9'7.96"N
Long 8°38'17.43"W


http://www.casadasciencias.org/index.php?option=com_content&view=article&id=130&Itemid=74&menu=1

HOJE É O DIA DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES EM PORTUGAL


Lembram-se do nosso post do dia 2?




Já repararam que desde o início do mês a nossa Biblioteca se vestiu com alguns adereços diferentes?
Aqui e ali, esperam-nos muitas surpresas - diversas em formatos, cores, tamanhos, cheiros, texturas, finalidades,... grandes, pequenas, coloridas, mais ou menos brilhantes, aos grupinhos, à unidade, à vista, meio escondidas,...
São dezenas de objectos tão díspares e inesperados quanto a nossa imaginação ditou - espalhados entre os livros, quer dizer, estrategicamente colocados nas estantes, a ilustrar as áreas do conhecimento e do saber, a reforçar visualmente a arrumação pela ordem da CDU.
Quando grande parte da escola está em obras, quem diria que no sossego da Biblioteca continuam a nascer coisas novas?

A razão?

Desde o ano passado que se comemora em Outubro o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares por decisão da IASL (Dezembro de 2007).
Este ano as comemorações estão subordinadas ao tema "School Libraries: The Big Picture"
O dia 26 de Outubro será, por excelência, o dia das Bibliotecas Escolares em Portugal.


Mais informações no sítio RBE http://www.rbe.min-edu.pt/np4/616.html

e em IASL http://www.iasl-online.org/events/islm/index.htm

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Astérix, o irredutível gaulês, faz 50 anos

Lançado hoje, com uma tiragem de 2 milhões de exemplares, o novo livro "O Aniversário de Astérix e Obélix - O Livro de Ouro" contém desenhos de Uderzo e textos inéditos de Gosciny.
As comemorações não se esgotam nesta edição. No dia 29, a cidade de Paris será "invadida" por menires evocativas o herói gaulês e inaugurará uma exposição com 3 dezenas de originais da série; para o final do ano está prevista uma emissão filatélica dos correios franceses.
Em Portugal está marcada uma festa na embaixada de França, no próximo dia 29.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Porto e as obras do arquitecto José Marques da Silva (1869-1947)


O arquitecto dos edifícios-monumento

Por Sérgio C. Andrade, 18 de Outubro
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/18-10-2009/o-arquitecto-dos-edificiosmonumento-18018663.htm


Teve tanta importância na configuração urbana do Porto no início do séc. XX como Nasoni no séc. XVIII. Viagem à arquitectura do autor da Estação de S. Bento, guiada por André Tavares



Se há um arquitecto que modelou a face do Porto no início do século passado, em particular a Baixa e as zonas de expansão da cidade após o rasgar da Avenida dos Aliados, ele é José Marques da Silva (1869-1947). Associamos a sua assinatura ao desenho da Estação de S. Bento e do Teatro São João, das sedes da seguradora A Nacional e do banco Pinto Leite, nos Aliados, dos edifícios dos Armazéns Nascimento e Conde de Vizela, entre as ruas de Santa Catarina e das Carmelitas. Mas menos conhecido é que lhe coube também projectar os liceus Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas, o bairro operárioO Comércio do Porto, na Constituição, e a Casa de Serralves ou, menos ainda, monumentos, igrejas e jazigos de famílias nos cemitérios da Lapa e de Agramonte.

O arquitecto e professor André Tavares compara a importância da obra de Marques da Silva no Porto nesta época com a que Nicolau Nasoni fez no período barroco. "Ele foi o protagonista da transformação da cidade, ao lado de Correia da Silva (1880-?), o arquitecto do Mercado do Bolhão e dos novos Paços do Concelho), e de Oliveira Ferreira (1884-1957), autor do edifício dos Fenianos do Porto e dos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia, por exemplo)", diz. E acrescenta que a intervenção de Marques da Silva na cidade vai bastante além das dezenas de obras que aqui projectou, prolongando-se também na arquitectura de muitos dos seus alunos na Escola de Belas-Artes (de que foi inclusivamente director em dois períodos, entre 1913-1929).

André Tavares, autor do livro Os Fantasmas de Serralves(Dafne Editora, 2007), é o responsável pelos conteúdos do mapa que a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OA/SRN), a Fundação Marques da Silva e a Câmara Municipal do Porto acabam de lançar dedicado a José Marques da Silva, que está a ser divulgado com um programa de visitas guiadas que começou ontem (ver caixa).

O roteiro identifica 24 edifícios dentro do perímetro da cidade, mas a relevância da arquitectura de Marques da Silva não se esgota no Porto. "Seria preciso acrescentar-lhe, entre outros, os principais projectos de Guimarães - o mercado municipal (actualmente em risco de demolição), o edifício da Sociedade Martins Sarmento e a Igreja da Penha - para termos uma ideia mais completa sobre a sua obra", diz André Tavares.

José Marques da Silva nasceu no Porto e diplomou-se na Academia das Belas-Artes, ente 1882-89. Neste ano, vai para Paris frequentar a École National des Beaux-Arts, onde é aluno do mestre Victor Laloux (1850-1937) e onde, em 1896, conquista o ambicionado DPLG (um arquitecto "diplômé par le gouvernement" pode exercer profissionalmente a profissão, sem ter de passar pelo crivo das ordens profissionais).

Tradição e racionalismo

Na capital francesa, Marques da Silva absorve "uma cultura académica que alia os valores da tradição clássica com o racionalismo e esquemas de compromisso funcional mais adaptados à mecânica da vida moderna", escreve André Tavares na apresentação do mapa. Tratou-se, afinal, do aperfeiçoamento da formação que levava da escola do Porto, que bebia já da mesma tradição francófona.

No regresso à cidade natal, Marques da Silva vai logo poder aplicar o seu projecto de fim de curso na construção da Estação de S. Bento, para acolher o comboio que então acabava de chegar ao Porto. Com o tempo e o seu trabalho continuado, torna-se num dos arquitectos mais influentes, tanto junto do poder municipal como dos empresários (na altura dizia-se "capitalistas") e famílias que a ele recorrem para o projecto das suas casas e edifícios-sede.

André Tavares assinala "o papel muito interveniente" que Marques da Silva desempenhou na discussão técnica do projecto para a Avenida dos Aliados entregue ao arquitecto e urbanista inglês Richard Barry Parker (1867-1947), ligado ao movimento Arts and Crafts, e com o qual a Câmara queria afirmar o Porto como "a" cidade de serviços da Região Norte. "É interessante ver, nessa altura, a associação da racionalidade de construção promovida pelo arquitecto inglês, desenhar a partir da ideia muito óbvia das três janelas em grandes fachadas de vidro sobre uma estrutura toda muito homogénea, como vemos na Rua do Almada, por exemplo, com a intervenção de Marques da Silva e a sua cultura francesa, o seu gosto mais decorativo, com fachadas monumentais de pedra muito trabalhadas e requintadas". Uma influência que iria fazer mais doutrina na configuração futura da Avenida dos Aliados, como depois se pôde ver com edifícios como o do jornal O Comércio do Porto, de Rogério de Azevedo.




As obras de José Marques da Silva

Estação de S. Bento, Praça de Almeida Garrett, 1896-1916

A Estação de S. Bento é a adaptação ao Porto do projecto de fim de curso que Marques da Silva desenhou na Escola de Belas-Artes de Paris, e que expôs depois na Câmara do Porto, logo que regressou. "Ele sabia que o comboio estava a chegar ao Porto e fez o seu projecto à medida das necessidades de uma estação para a cidade", diz André Tavares. No edifício, é visível a influência do mestre de Marques da Silva, Victor Laloux (autor do Quai d"Orsay, em Paris, uma estação ferroviária que é agora um museu). Mas "S. Bento é mais um edifício urbano do que apenas um salão para receber comboios e passageiros", nota Tavares, realçando a importância que a estação, pela sua monumentalidade, tem nesta zona da cidade.

Bairro O Comércio do Porto, R. Constituição/Serpa Pinto, 1899

Para quem conhece as obras mais monumentais de Marques da Silva, não deixa de ser surpreendente ver que ele também abordou o problema da habitação, e também desenhou bairros operários. Um exemplo, que ainda sobrevive mantendo a estrutura original essencial, é o conjunto de pequenas casas implantadas em três ruas na zona da Constituição, numa iniciativa do jornal O Comércio do Porto. A tipologia base é a de quatro habitações geminadas num só volume de quatro frentes, com dois pisos, e rodeado por pequenos jardins, que conseguem "o máximo aproveitamento do espaço e a máxima contenção de custos". O plano original incluiu 14 fogos, que foram construídos entre 1899 e 1904.

Teatro de São João, Praça da Batalha, 1909

É, depois de S. Bento, o outro edifício-monumento com que Marques da Silva marcou a Baixa. O arquitecto aproveitou as fundações e parte dos escombros do anterior teatro, que ardera em 1908. "Nota-se bem a ideia de usar uma "peça de arquitectura" para organizar a irregularidade urbana da Praça da Batalha. O teatro dá-lhe coerência", diz André Tavares. E chama a atenção para os elementos decorativos da fachada e para a solução das portas e das janelas do primeiro piso, com amplos arcos em vidro a emoldurar as janelas instaladas dentro deles. No interior, segue o desenho clássico do teatro à italiana, com a organização dos espaços - os átrios, as escadas e o salão nobre - à francesa, seguindo o modelo da Ópera de Paris.

Casa-atelier, Praça do Marquês de Pombal, 1909

Construída num terreno ao lado da casa do seu sogro José Lopes Martins, a casa de Marques da Silva mistura criteriosamente as funções de residência e de atelier, tendo o cuidado de, ao mesmo tempo, as separar e fazer comunicar. A fachada para o Marquês mostra "o entusiasmo decorativo", bebido na estética do românico, com que o arquitecto sempre pontuava as obras. A sala de estar denota o mesmo cuidado decorativo, tanto na projecção da sua bow window como nas formas do fogão de sala ou na escada. O arquitecto fez também intervenções importantes na casa do sogro. Actualmente, ambas as propriedades pertencem à Fundação Instituto Marques da Silva, estando a ser objecto de restauro.

Escola Alexandre Herculano, Avenida de Camilo, 1914-1931

Tanto esta escola como a Rodrigues de Freitas (1918-1932) são obras com que Marques da Silva se envolveu no plano de expansão da cidade e de gestão do crescimento urbano. Qualquer delas tem uma relação estreita com o lugar: a Avenida Camilo, no caso da Alexandre Herculano; a Praça Pedro Nunes, na segunda. Trata-se de dois liceus da República, que respondem ao ideário de instrução do povo, e, arquitectonicamente, seguem "a lógica funcional pragmática" que estava em voga na Europa, diz André Tavares. São edifícios com grande amplitude espacial na disposição ortogonal dos diferentes volumes funcionais. E estão ambos marcados por uma decoração reduzida ao elementar, mas muito eficaz.

Seguros A Nacional, Avenida dos Aliados, 1919

A Avenida dos Aliados, aberta na segunda década do século após a demolição da antiga câmara, é demarcada a sul por dois edifícios monumentais encimados por duas torres-escultura. São ambos de Marques da Silva, que assim deixou também a sua assinatura na "sala de visitas" da cidade. O do lado esquerdo é a sede de uma seguradora, e é marcado por uma pujante docoração Beaux-Arts. São dois edifícios que aproveitam as virtualidades da nova tecnologia construtiva do betão armado que permitia apostar nesta filigrana decorativa. O interior também é muito cuidado, e este contém ainda um hall-galeria comercial (cafetaria, barbearia...) que fazia o espaço urbano entrar pelo edifício dentro. É "a arquitectura como obra total", diz André Tavares.

Jazigo de José Lopes Martins, Cemitério da Lapa, 1921

A arquitectura religiosa e funerária foi também cultivada por Marques da Silva, que desenhou as igrejas de S. Torcato e da Penha, em Guimarães. Paralelamente, sempre se interessou pela arquitectura funerária. Em Paris visitou certamente os cemitérios, e em particular o de Père Lachaise, de onde, diz o especialista na sua obra, António Cardoso, trouxe a inspiração "para capelas de inumação ostentatória e gosto românico". Uma dessas capelas é a estrutura central do jazigo que fez para o seu sogro, na Lapa, e que se completa com uma sepultura do outro lado do passeio, criando um território onde cabem ainda dois bancos de pedra. "É trazer a lógica urbana da cidade dos vivos para a cidade dos mortos", diz Tavares.

Casa de Serralves, Rua de Serralves, 1925-1943

É uma das últimas obras a que Marques da Silva tem o nome ligado, já que só no início dos anos 40 é que foi terminada a Casa de Serralves, para a qual o arquitecto fizera, a pedido do proprietário, o Conde de Vizela, um primeiro projecto de ampliação da velha moradia da família. Sabe-se agora que Serralves resultou da contribuição de múltiplos arquitectos e decoradores franceses, de Jacques Émile Ruhlmann a Charles Siclis, Jacques Gréber e Alfred Porteneuve. Mas Marques da Silva, que era uma espécie de "arquitecto de família", acompanhou a obra até ao fim, sendo, de algum modo, o responsável pela síntese coerente com ar de "modernismo temperado", diz André Tavares.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RAUL SOLNADO

Raul Augusto Almeida Solnado (Lisboa, 19 de Outubro de 1929 — Lisboa, 8 de Agosto de 2009) foi um grande humorista, apresentador de televisão e actor português.
Aqui lhe prestamos merecida homenagem no dia em que faria 80 anos.

domingo, 18 de outubro de 2009

50 ANOS de "TELEJORNAL"

O "Telejornal", em emissões diárias e regulares, faz hoje meio século!
Os cinquenta anos do principal noticiário televisivo da estação pública portuguesa servem de pretexto para a inauguração do Museu do Telejornal, nas instalações da RTP, em Lisboa.
A RTP vai ter Portas Abertas a partir de 25 de Outubro para oferecer aos seus visitantes uma experiência única!
No âmbito das comemorações do 50º Aniversário do Telejornal, a RTP vai proporcionar uma visita às suas instalações, com diversos pontos de atracção.

O que pode visitar? http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/novidades/?k=RTP-Portas-Abertas-50-Anos-Telejornal.rtp&post=15491

- Estúdios de Informação: Aqui poderá conhecer os bastidores do Telejornal que diariamente chega à sua casa. Este é o maior e melhor equipado estúdio da Europa, funciona como open space, o que permite que aconteçam vários programas ao mesmo tempo.

- Colecção Museológica: Recentemente inaugurada a Colecção Museológica RTP, permitir-lhe-á desfrutar de um fantástica visita no tempo onde poderá apreciar as mais belas peças da história da RTP, segundo uma lógica cronológica, mostrando equipamentos de gravação, recepção e transmissão.

- Documentário: Preparámos para si um pequeno filme sobre a história do Telejornal e da RTP. Uma viagem feita de recordações, histórias e emoções.

- Primeiro Carro Exteriores RTP: Chegou em 1957 a Lisboa, magnífico, recheado da sofisticada tecnologia da época e constituindo um verdadeiro estúdio móvel, foi o primeiro veículo deste género em Portugal.

- Carro Exteriores Digital: Este veículo permite efectuar a cobertura de grandes eventos em território nacional e internacional. Esta unidade móvel permite albergar até 30 canais de câmara de Alta-Definição, sendo um dos maiores e mais avançados Carros de Exteriores existentes na Europa e no Mundo.


Local:
Sede da RTP
Avenida Marechal Gomes da Costa, 37
1849-030 LISBOA
Entrada gratuita

Na mesma semana a delegação da RTP Porto comemora, igualmente, 50 anos.

PRÉMIO JOSÉ SARAMAGO 2009 - JOÃO TORDO É O VENCEDOR

João Tordo, um jovem escritor de 34 anos, venceu o Prémio José Saramago 2009, que a partir do próximo ano será atribuído também em Espanha, de forma bianual.
Trata-se de umgalardão instituído pela Fundação Círculo de Leitores com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.

As edições anteriores do prémio contemplaram Paulo José Miranda (1999 - "Natureza Morta"), José Luís Peixoto (2001 - "Nenhum Olhar"), Adriana Lisboa (2003 - "Sinfonia em Branco"), Gonçalo M. Tavares (2005 - "Jerusalém") e Valter Hugo Mãe (2007 - "O remorso de Baltasar Serapião").

‘As Três Vidas’, romance do filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco, foi elogiado por Saramago, que criticou a "americanização" da língua portuguesa, apelando à defesa do nosso idioma. "Gostei do livro. Temos de defender e cultivar a nossa língua. A escrita tem de ser composta por 70% de linguagem, da mesma forma que o nosso corpo é composto por 70% de água", disse o Nobel da Literatura, no Museu Municipal de Penafiel, cidade que acolhe o Festival Escritaria, este ano dedicado a Saramago.

O jovem, que concorda plenamente com a receita de Saramago, explicou que a partir de agora sente mais responsabilidade enquanto escritor. "É um prémio que tem mais a ver com o futuro do que com o passado. Tem a ver com o que falta fazer. Saramago é um prémio ao qual temos de fazer jus", disse o premiado.

‘As Três Tidas’ é um romance que passa durante trinta anos, no Alentejo, em Lisboa e Nova Iorque. Leva o leitor a desvendar os mistérios que rodeiam a vida de um velho senhor, dono de um casarão de província.
nas palavras do autor, "(...) é um livro que pode ser lido por todos, desde os 17 aos 77 anos, que tem a ver com o mistério, a aventura, o policial, com momentos de tensão e também momentos de introspecção".


Algumas declarações do júri
IN http://www.josesaramago.org/noticias/noticiasDetalle.php?i=280

Das declarações do júri:

"O autor tem verdadeiras qualidades de ficcionista, sendo especialmente hábil na montagem das sequências narrativas e na caracterização de algumas personagens."

Vasco Graça Moura

"Trava-se, ao longo da narrativa, o contínuo questionamento de uma moral à qual o narrador estivera familiarmente cingido. E tece um discurso dolorido em que ele, perpétua primeira pessoa, ao mergulhar em uma série de acertos malignos, imerge em um desespero irrenunciável."

Nelida Piñón

"Romance assumidamente influenciado pela atmosfera melvilleana de Moby Dick, veicula uma poética fundamental na intertextualidade, espécie de jogo que o autor estabelece com o leitor, com a sua memória cultural e literária."

Maria Nazaré Gomes dos Santos

"Em cada mínomo ponto da estratégia narrativa se reflecte o essencial da complexa estruturação do romance (em abismo). Viver em cima de Três Vidas experimentam as personagens Camila, MP eos secretários, mas também cada um dos múltiplos participantes, como Ustinov ou o Dr. Watson."

Maria de Santa Cruz

"Este é, pois, um romance que cumpre as regras, relacionando os espaços e os tempos com o claro domínio da história que nunca se fecha de forma definitiva permitindo ao leitor uma infinidade de leituras."

Ana Paula Tavares

"Este é, por isso, um romance com a indesmentível força da clássica narrativa fechada, embora expansivamente aberta à representação multifacetada da experiência humana."

Manuel Frias Martins

"Temos escritor."

Pilar del Río




Biografia de João Tordo:

Escritor e jornalista português nascido em 1975, em Lisboa. Formou-se em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa e, de seguida, optou por estudar jornalismo em Londres, Inglaterra. João Tordo viveu na capital inglesa durante três anos, entre 1999 e 2002, e durante este período escreveu artigos para publicações como o semanário O Independente e as revistas Ícon e Notícias Magazine, assim como para a BBC World Service. Entretanto, começou a produzir textos literários e em 2001 foi o vencedor do prémio de Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude. Em 2002, após deixar Londres, João Tordo mudou-se para os Estados Unidos da América e em Nova Iorque participou em workshops de Escrita Criativa do City College. Regressou então a Lisboa para trabalhar como jornalista freelancer, nomeadamente para as revistas Sábado e Elle e para o semanário Expressoe o JL. Em finais de 2004 lançou o seu romance de estreia, "O Livro dos Homens Sem Luz", uma história de mistério cuja acção decorre em Londres e que é inspirada em autores como Edgar Allan Poe e nos ambientes dos contos góticos. "Hotel Memória" é outro romance seu, publicado em 2007.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PRÉMIOS LITERÁRIOS


O romance "Myra", de Maria Velho da Costa (edição da Assírio & Alvim), foi o escolhido pelo júri do PEN clube para o Prémio de Ficção.

O Prémio Fernando Namora, atribuído pelo Estoril Sol, teve como vencedor o escritor Mário de Carvalho, com o romance "A Sala Magenta" (Caminho).

João Paulo Borges Coelho foi o vencedor da segunda edição do Prémio Leya 2009, com o romance "Os Olhos de Hertzog".

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A CIDADE DEPOIS...

É um título de um livro de Pedro Paixão, escrito após o 11 de Setembro e constituído por 13 textos e um poema de Walt Whitman. Adequando-se a leitura pelos alunos do ensino secundário, o livro é recomendado pelo ME para o 10º ano. Uma vez que a obra se encontra esgotada, o autor passou a disponibilizá-la, via web, gratuitamente. Aqui:


http://www.pedropaixao.net/ACidadeDepois/PedroPaixao-ACidadeDepois.pdf.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Festival "A Língua Toda" - em Aveiro, de 16 a 19 de Outubro.



A Associação Oficinas Sem Mestre (OSM) une-se à Editora Alma Azul para celebrar, de 16 a 19 de Outubro em Aveiro, no festival comemorativo A LÍNGUA TODA, os 10 anos de existência da editora dedicados à literatura, à celebração dos seus autores e seus públicos, contribuindo para a facilitação do acesso de uns às palavras pensantes de outros.

Eu quero ler. E tu? Este é o lema-convite da Alma Azul que deu o mote para o programa poético criado pela OSM.
Haverá diálogos improvisados ao vivo entre palavra dita e música (16 Outubro, 22h30, no Performas), conversas e debate sobre a Identidade Cultural Portuguesa, partindo de Eça de Queiroz e Eduardo Lourenço (17 de Outubro, 18h, na Binibag-guesthouse), projecção de filmes sobre Alberto Pimenta e Antero de Quental, com a presença dos seus realizadores (17 de Outubro, com Edgar Pêra e 19 de Outubro, com José Medeiros, às 22h na sala estúdio do Teatro Aveirense); um Workshop de Escrita Criativa com crianças (18 Outubro, 11h30, na Binibag-GuestHouse) e uma Oficina de Leitura da obra de Fernando Pessoa (18 de Outubro, 18h Mercado Negro) a que se segue uma tertúlia com a psicóloga Joana Amaral Dias e Elsa Ligeiro (Alma Azul), seguida de um jantar para alimentar a continuação das conversas.
Ao longo do fim-de-semana haverá também festas com DJ´s no Lobbie bar (17 Outubro, 24h) e Mercado Negro (18 Outubro, 22h) e poemas para todos, disponíveis na Pizzarte, Clandestino, Lobbie bar, Performas e Mercado Negro.

A Associação Oficinas Sem Mestre, sediada em Aveiro, é uma associação sem fins lucrativos que promove a reflexão pluridisciplinar sobre temas da Saúde Mental, actuando pela criação de actividades e eventos que contribuam para o desenvolvimento de sinergias na comunidade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura 2009.



«Há roseiras em volta do monumento aos combatentes. Transformaram-se num matagal. Tão emaranhadas que asfixiam as ervas.Dão rosas brancas, pequenas e amarrotadas como papel. Rumoreja. Começa a amanhecer. Em breve será dia.
Todas as manhãs, no seu caminho solitário em direcção à azenha, Windisch regista o dia que começa.»
(In “O Homem é um Grande Faisão sobre a Terra”).

Escritora alemã, Herta Müller, oriunda de uma minoria suábia na Roménia, nasceu em 1953 na aldeia de Nitzkydorf, que hoje já se declarou em festa; estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou depois como tradutora numa fábrica de Timisoara; foi perseguida antes de ser demitida das suas funções, em 1979, por se ter recusado a colaborar com a polícia política de Nicolae Ceaucescu. Vive em Berlim desde 1987.

Segundo a Academia Sueca, a autora tem "uma escrita com a densidade da poesia e a franqueza da prosa, onde se retrata o universo dos desapossados".
Müller está publicada em Portugal com “O Homem é um Grande Faisão sobre a Terra”, editado pela Cotovia, e “A Terra das Ameixas Verdes”, editado pela Difel.

"Quem ganhou não fui eu, foram os livros, e não a minha pessoa, e julgo que é a melhor forma de lidar com a situação" - garantiu Herta Müller ao falar num conferência de imprensa sobre a distinção que hoje lhe foi atribuída.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Semana Nobel

Os vencedores do Nobel de Química de 2009 foram revelados nesta quarta-feira. Venkatraman Ramakrishnan, Thomas A. Steitz e Ada E. Yonath ganharam o prémio por pesquisas sobre a estrutura e a função do ribossoma.


Na terça-feira, dividiram o Nobel da Física, o chinês Charles Kuen Kao, que pesquisa a transmissão da luz através de fibras para fins de comunicação óptica, o canadiano Willard Sterling Boyle, e o americano George Elwood Smith, inventores de um circuito semicondutor para imagens .


Já o Nobel da Medicina, divulgado na última segunda-feira, foi para Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak, pela descoberta dos mecanismos de protecção dos cromossomas por meio dos telómeros.


O Nobel da Paz será atribuído nesta sexta-feira, em Oslo, na Noruega.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

OUTUBRO - Mês das Bibliotecas Escolares


Já repararam que desde o início do mês a nossa Biblioteca se vestiu com alguns adereços diferentes?
Aqui e ali, esperam-nos muitas surpresas - diversas em formatos, cores, tamanhos, cheiros, texturas, finalidades,... grandes, pequenas, coloridas, mais ou menos brilhantes, aos grupinhos, à unidade, à vista, meio escondidas,...
São dezenas de objectos tão díspares e inesperados quanto a nossa imaginação ditou - espalhados entre os livros, quer dizer, estrategicamente colocados nas estantes, a ilustrar as áreas do conhecimento e do saber, a reforçar visualmente a arrumação pela ordem da CDU.
Quando grande parte da escola está em obras, quem diria que no sossego da Biblioteca continuam a nascer encantos e curiosidades que se oferecem à descoberta de novas leituras?

A razão?

Desde o ano passado que se comemora em Outubro o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares por decisão da IASL (Dezembro de 2007).
Este ano as comemorações estão subordinadas ao tema "School Libraries: The Big Picture"
O dia 26 de Outubro será, por excelência, o dia das Bibliotecas Escolares em Portugal.


Mais informações no sítio RBE http://www.rbe.min-edu.pt/np4/616.html

e em IASL http://www.iasl-online.org/events/islm/index.htm

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

«Ler - Para Quê? Ler - Porquê?»



“O livro deve ser um instrumento de mudança de velocidade. Deve mudar a velocidade do leitor, travá-la ou aumentá-la. Vou ler um livro: vou mudar de velocidade. Ou não: não estou contente, nem com a minha velocidade, nem com a velocidade do mundo, vou pois ler um livro.”
(Gonçalo M. Tavares, “Ípsilon”, jornal “Público”, 18/Abril/2008)

Afirma-se com frequência que os jovens não gostam de ler, substituindo um livro por um programa de televisão, por exemplo.
Ao depararmo-nos com este grave problema, nós, os leitores, temos obrigação de dizer aos não-leitores o porquê de se ler e para quê ler um livro.
Em primeiro lugar, um livro não é apenas um pequeno ou grande maço de folhas escritas com histórias inúteis e cansativas; um livro é um passaporte para um mundo de fantasia onde se vive o real e o irreal, onde se percebe o inexplicável. E o melhor é que cada livro é um passaporte para um mundo de fantasia diferente.
Só por isso, um livro já deve ser lido, para despertar em cada uma das viagens o sentido aventureiro de cada leitor, a procura de universos e realidades diferentes do nosso quotidiano, o conhecer de novos sentimentos e mesmo a compreensão de muitos outros que nunca tínhamos entendido.
Mais razões? Sim mais ainda… Para quê ler? Para brincar com as palavras, para sorrir com cada episódio, para sonhar com o desconhecido, para conhecer o passado e descobrir o futuro, para misturar todas as sensações…
E porquê? Porquê ler? Porque temos necessidade de experimentar sentimentos e sensações, de sentir a felicidade e a dor, de sorrir e chorar e, principalmente, temos necessidade de correr em busca do desconhecido de cada viagem que nos é proporcionada por cada leitura.


Teresa Nunes, nº13, 11ºH
Escola Secundária José Estêvão, 17 de Setembro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Camilo Pessanha na web

A Biblioteca Nacional (BN) fez no dia 24 de Setembro a apresentação pública do sítio Web sobre Camilo Pessanha, um incentivo para se revisitar este autor. Representante do simbolismo português, o «exilado da beleza», deu-nos, num só livro, "Clepsidra", uma poética de símbolo, sugestão e música, construída com ânsia, abulia e sentido de diluição, de inutilidade da vida.

Fernando Pessoa considerou-o seu mestre; António Ferro disse, sobre "Clepsidra", o único livro do poeta, publicado em 1897: «a nossa geração tem um missal. Saiu o livro de Camilo Pessanha. A alma de todos nós, desnorteada, tem, enfim, um relógio».

Com efeito, o título "Clepsidra" funciona ele próprio como símbolo de uma poesia de símbolos: no grego significa "relógio de água"; a terminação "–idra" remete para "hidra", mitológico monstro marinho, serpente de inúmeras cabeças que nascem e se desenvolvem à medida que são cortadas, símbolo da impotência humana perante os obstáculos, manifesto sobre a fragilidade da condição humana, a efemeridade das coisas e da existência.

sábado, 26 de setembro de 2009

Hoje é o Dia Europeu das Línguas


“Uma língua é o lugar de onde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto.”


Vergílio Ferreira (texto “À voz do Mar”. In “ Fotobiografia”)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Bartolomeu de Gusmão

Luso-brasileiro, um dia sonhou construir um "instrumento de andar pelo ar"; esse singelo balão movido a ar quente, arquitectado pelo prodigioso espírito inventivo do "padre voador" permitiu-lhe subir suavemente à altura da sala das embaixadas no pátio da Casa da Índia, em Lisboa, há 300 anos (8 de Agosto de 1709), diante de sua Majestade D. João V, muita fidalguia e outras gentes.
A saga ficcionada da construção da "máquina voadora", sonho intimamente ligado ao saber e à matéria, faz parte da rede temática de "Memorial do Convento", de José Saramago.

"Quem foram os Pioneiros da Ciência na Grécia Antiga?"

Euclides, Aristarco, Apolónio, Pitágoras, Erasístrato, Arquimedes, Hipócrates, Teofrasto, Eratóstenes, Hiparco...
Na "Superinteressante" de Setembro (pp. 68-69) podemos aprender o essencial sobre muitas das descobertas destes sábios pioneiros de um dos períodos de ouro da História da Ciência na Hélade dos séculos VI a II a. C.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Leituras Recomendadas"

"Fútil é aquele que ultrapassa livros como se fossem obstáculos. No entanto, quem lê com atenção os obstáculos que tem à sua frente acabará por cair, pois os obstáculos, de uma forma geral, não são legíveis. Deve ler livros e ultrapassar obstáculos. Nunca o inverso. "

(Gonçalo M. Tavares, Crónica "Recomendações para Setembro - Horóscopo Geral" - revista "Máxima", Setembro de 2009)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

LER: Mistérios, nas horas do recomeço!







É sempre bom recomeçar um ano lectivo, apesar das preocupações e dos constrangimentos.
Estamos em obras num edifício que já leva mais de 50 anos de idade física e numa escola que já conta mais de um século e meio. Por estes dias e durante muitos meses, vamos ter de conviver com andaimes, ruídos, pó, adaptações, problemas, soluções - de um lado, escola, contentores, aulas,alunos, professores, funcionários.... do outro, obras, operários, arquitectos... Ofícios vários, a mão e o espírito em zonas contíguas, artificialmente separadas por barreiras improvisadas. Por isso nos lembrámos do "Operário em Construção", de Vinícius de Moraes , e das "Perguntas de Um Operário Letrado", de Bertolt Brecht. Sophia ajudou-nos:


"{ A casa}

Os homens a constroem com materiais
Que vão buscar à terra
Pedra vidro metal cimento cal
Com suas mãos e pensamento a constroem
Mãos certeiras de pedreiro
Mãos hábeis de carpinteiro
Mão exacta do pintor
Cálculo do engenheiro
Desenho e cálculo do arquitecto
Com matéria e luz e espaço a constroem
Com atenção e engenho e esforço e paixão a constroem

Esta casa é feita de matéria para habitação do espírito
Como o corpo do homem é feito de matéria e manifesta o espírito"

(Sophia de Mello Breyner Andresen, excertos de um poema inédito, 1990)

Então, com entulho, tijolos, pedras, uma janela velha da velha escola que em breve será nova, com livros que contam um bocadinho da nossa história e objectos variados de trabalho, fizemos, na sala de leitura da nossa Biblioteca, a primeira instalação de abertura do ano, aquela com que vos acolhemos e damos as boas-vindas.
Está à vossa espera, para ser vista e...lida. Porque "Todas as coisas têm em si um halo de mistério. E não apenas aquelas em que o mistério está visível, como no olhar de um cão a interrogar. Mas mesmo nas coisas mais positivas e crassas e materiais como uma pedra.(...)" (Vergílio Ferreira, "Pensar")

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Hoje é o Dia internacional da Literacia - 2009

por declaração da UNESCO, em 1965.

"Literacia e Empowerment" é o tema para o biénio 2009-2010, no contexto da Década da Literacia proclamada pelas Nações Unidas.



Read more: http://bibliotequices.blogspot.com/#ixzz0QY3fv9RF

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Recomecemos...com felicidade e votos de bom ano escolar

Recomeça


Recomeça...

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.



E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar

E vendo,

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.

(Miguel Torga, "Diário" XIII)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

1969, 20 de Julho, "Walking on the Moon" (Sting & The Police)


"Niel Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, penduradada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num burburinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam,
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobre-humano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira
da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho."

A. Gedeão, "Novos Poemas Póstumos", Ed. Sá da Costa, 1990

Chegada do Homem à Lua

40 anos da chegada do Homem à Lua - um acontecimento dos mais importantes do último século, marca um dos maiores feitos da humanidade.

"Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade", disse o astronauta Neil Amstrong ao pisar o mar da Tranquilidade, em 20 de Julho de 1969.

domingo, 12 de julho de 2009

Julieta Monginho ganhou Grande Prémio da APE


"A Terceira Mãe", de Julieta Monginho, editado pela Campo das Letras, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela APE/Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, no valor de 15.000 euros. Ao Prémio concorreram 101 obras, o maior número de sempre, de 101 escritores - 69 homens e 32 mulheres - tendo a chancela de 35 editoras.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Bookcrossing? O que é?


"O Bookcrossing é um clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros.

O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca."




http://www.bookcrossing-portugal.com/


Neste site de apoio português procura-se esclarecer todos os bookcrossers de língua portuguesa sobre o movimento bookcrossing e as iniciativas desenvolvidas em Portugal.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

BYPASS


A BYPASS é uma publicação hiperdisciplinar anual, editada por Álvaro Seiça Neves e Gaëlle Silva Marques, que convida vários autores, de diversas áreas e nacionalidades, a apresentarem um trabalho escrito/visual sobre o tema proposto para cada número. O tema do número inaugural é ARQUITECTURA e é dado a conhecer hoje na Casa Fernando Pessoa .


Só por curiosidade e com orgulho: Álvaro Seiça Neves foi aluno na nossa escola!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

“De Amadeo a Paula Rego, 50 Anos de Arte Portuguesa (1910-1960)”

Exposição no MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA – MUSEU DO CHIADO, até 31.10.2009


Esta exposição traça um percurso pelas práticas artísticas da primeira metade do século XX, em Portugal, e apresenta a sua lenta e complexa modernização num contexto cultural e politicamente adverso. Quando as distâncias entre os países europeus iniciaram o seu processo de colapso e a circulação da informação se constituiu como parte triunfante do novo mundo, a arte moderna portuguesa desenvolveu-se por episódios singulares e amplas descontinuidades. A reacção a este contexto foi a emigração de alguns dos mais relevantes artistas para Paris: primeiro Amadeo de Souza-Cardoso, situação interrompida pela Grande Guerra e sua morte prematura; posteriormente o caso maior e definitivo de Maria Helena Vieira da Silva, a quem Salazar viria a retirar a própria nacionalidade.

As dinâmicas das vanguardas sobre o incipiente contexto moderno permitiram construir um conjunto significativo de experiências, quer no início do século, quer na transição da década de 40 para 50s, com a terceira geração modernista. Também pela primeira vez se apresentam os desenvolvimentos da prática fotográfica desenvolvidos neste período. Quase sempre marginalizados pela História da Arte surgem agora como uma participação plena e em diálogo com as outras práticas artísticas. É para esta época e reconfiguração da modernidade então operada, que esta exposição presta especial atenção. Foram de facto os Abstraccionistas, os Neo-realistas e os Surrealistas que produziram essa modernidade prometida por Amadeo de Souza-Cardoso, passada como testemunho por Almada Negreiros e que estes artistas deram corpo e conflitualidade. No seu limite Joaquim Rodrigo e Paula Rego abriram outros caminhos para novas ficções.


Pedro Lapa, Director do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado


http://www.mnac-museudochiado.imc-ip.pt/

segunda-feira, 6 de julho de 2009

João Coração

Foi aluno na nossa escola, "O mais surpreendente compositor, cançonetista, humorista e anti-ícone pop nascido nesta desamada pátria nos últimos muitos anos" - João Coração é o seu nome artístico.

Teve hoje lançado o seu segundo álbum de estúdio, “Muda que Muda”. Guitarra, bateria, clarinete e teclas compõem a formação da banda que acompanha o vocalista (...) num "tratado pop onde cabem Talking Heads, Gainsbourg, palmas, coros desbragados, órgãos "kitsch", westerns, luso-honky-tonks e as canções que vão ganhar o Festival da Eurovisão. É o rei do charme tuga, é o disco pop deste Verão."

"Num momento em que voltou a ser cool cantar em português, João é mais uma prova de que alguma da melhor música portuguesa da actualidade tem um enorme Coração ."


http://ipsilon.publico.pt/musica/critica.aspx?id=235570


http://www.ruadebaixo.com/joao-coracao-maxime-19-de-junho.html

sábado, 4 de julho de 2009

LISBOA - Um miradouro para Sophia

Digo:
«Lisboa»
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver


Sophia de Mello Breyner Andresen


Este poema está desde ontem numa placa, no miradouro da Graça que agora tem o nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen falecida há cinco anos.

Trata-se de parte de um projecto arquitectónico assinado por Gonçalo Ribeiro Telles (que já desenhara o jardim da casa de Sophia, na Travessa das Mónicas, ali perto).

Assistiram à homenagem familiares da escritora e vários amigos da família, membros da autarquia, escritores e editores, entre os quais Manuel Alegre, António Osório, Pilar del Río, Teresa Belo, Zeferino Coelho, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Jerónimo Pizarro, Maria Teresa Horta e um grupo de senhoras octogenárias, antigas vizinhas de Sophia.
Foi ainda inaugurado um busto de António Duarte, réplica de um original em bronze, esculpido nos anos 50. O rosto de Sophia olha de frente para a cidade «oscilando como uma grande barca», para o castelo, para o «corpo amontoado de colinas», para o rio ao fundo.

“Se tivesse sido membro da Academia Sueca, teria votado no nome de Sophia para Prémio Nobel em vez de Saramago” disse, não uma nem duas vezes, José Saramago, admirador de Sophia de Mello Breyner Andresen sobre quem escreveu também que havia alcançado como poeta a perfeição e a beleza da linha pura.



http://blogpt.josesaramago.org/2009/07/03/%c2%abao-olhar-sem-fim-o-sucessivo%c2%bb-homenagem-a-sophia/


http://bibliotecariodebabel.com/

terça-feira, 30 de junho de 2009

«Far other worlds and other seas»

A partir de amanhã e até sábado, a Universidade do Porto vai ser a capital da Utopia europeia. Durante estes quatro dias mais de 200 investigadores oriundos de universidades de todo o mundo vão reunir-se na Reitoria da Universidade do Porto para o 10º Congresso Internacional da Sociedade Europeia de Estudos Utópicos, que terá por título «Far other worlds and other seas».

De carácter eminentemente interdisciplinar, a área dos Estudos sobre a Utopia engloba temas tão diversos como a Arquitectura, o Planeamento Urbano, Ciência, Educação, Política, Literatura, Cinema ou Ambiente. Para abordarem todas estas matérias foram convidados mais de 200 investigadores que estarão divididos por 42 painéis.


http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=32868&op=all

O programa completo pode ser consultado na página http://web.letras.up.pt/uss2009.

domingo, 28 de junho de 2009

"O blog vai iluminando o caminho do seu autor. É essa a sua virtude."

“Um blogue não é mais do que a oportunidade de escrever na página infinita da internet, expressão que considero belíssima e a quem ninguém liga nenhuma”, disse ontem José Saramago na sessão de apresentação do livro "O Caderno", via internet, livro que reúne textos publicados pelo Nobel da Literatura no seu blogue, aberto em Setembro de 2008.
O encontro, moderado por José Mário Silva e Isabel Coutinho, teve a conversa aberta aos cibernautas, que puderam colocar perguntas ao autor.

http://rpc.blogrolling.com/redirect.php?r=891cac47db160a438190761908d31610&url=http%3A%2F%2Fbibliotecariodebabel.com

sábado, 27 de junho de 2009

Rede de Bibliotecas Escolares: tempo de balanço.


13 anos, mais de duas mil bibliotecas escolares acessíveis a cerca de um milhão de alunos, um investimento de 40 milhões de euros na qualificação, remodelação e apetrechamento de bibliotecas escolares.



Há 13 anos, poucas escolas do país tinham biblioteca: havia apenas 164 bibliotecas na Rede de Bibliotecas Escolares. Em 2009, os 2.º e 3.º ciclos estão totalmente cobertos, o secundário está acima dos 90 por cento e só o 1.º ciclo continua com um défice de bibliotecas, com cerca de 40 por cento de cobertura. Actualmente, são 900 no 1.º ciclo e 1163 nos ciclos seguintes.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

valter hugo mãe, o escritor que também canta no Governo

Quer ouvir? É aqui:

http://vimeo.com/5177895



O Governo é a nova banda de António Rafael e Miguel Pedro (Mão Morta), Henriques Fernandes (Mécanosphère) e valter hugo mãe (voz e letras).

O timbre vocal, a letra e o vídeo são muito curiosos e interessantes

"Meio bicho e fogo" é o título da primeira música da nova banda portuguesa que faz parte da colectânea «Novos Talentos Fnac 2009».

As letras do albúm "Geração Matilha", dos Mundo Cão, já tinham a mão do autor de "letras minúsculas".

http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1266892&seccao=M%FAsica




Na próxima edição da LER, o autor de "O remorso de baltazar serapião" e de "O apocalipse dos trabalhadores" revela os outros novos projectos em que está envolvido.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

" No mundo de Sophia"

«É a paisagem mais maravilhosa que vi na minha vida»

«Piso às quatro e meia a terra grega. Entrada maravilhosa à saída de Patras. Vamos rente ao mar entre oliveiras e ciprestes e montanhas azuladas. Calor leve, ar perfumado. As montanhas ligam a terra ao Olimpo. Paramos e vou molhar os pés, as mãos, os braços e a cara no mar. A água é maravilhosa, transparente e fresca. Bebo-a. É muito salgada. É a paisagem mais maravilhosa que vi na minha vida.»

Diário de viagem de Sophia de Mello Breyner Andresen, 11 de Setembro de 1963.


Cinco anos depois da morte de Sophia de Mello Breyner, a escritora que faria 90 anos em Novembro, o P2 visitou o seu espólio e revela diários, poemas e cartas, entre histórias contadas por dois dos filhos, Maria e Miguel Sousa Tavares.

Alexandra Lucas Coelho (texto) e Daniel Rocha (fotos) - "Público", 21.06.2009


http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=/main2.asp%3Fdt%3D20090621%26page%3D4%26c%3DC

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Vida nos Mares

Abriu ontem o SEA LIFE do Porto, na zona do Castelo do Queijo - 31 aquários, 5.600 animais marinhos de uma centena de diferentes espécies, uma viagem temática contando uma história que começa da nascente do Douro e vai até ao Oceano Atlântico...

www.sealifeeurope.com

domingo, 14 de junho de 2009

Os Mistérios de Lisboa or What the Tourist Should See

O filme "Os Mistérios de Lisboa or What the Tourist Should See", que o realizador José Fonseca e Costa rodou a partir de uma obra de Fernando Pessoa, foi exibido, em ante-estreia, em Lisboa no cinema São Jorge, ontem, dia do 121º aniversário do nascimento do poeta.
Escrito, adaptado e realizado por José Fonseca e Costa, o filme estrutura-se em torno de um guia que Fernando Pessoa escreveu em 1925 sobre Lisboa. Descoberto apenas em 1988 no espólio do autor, o livro destinava-se a mostrar Lisboa aos turistas que visitassem a capital e foi redigido originalmente em inglês.
Mais do que mostrar monumentos, jardins, praças e ruas de Lisboa como um postal ilustrado, José Fonseca e Costa quis, sobretudo, prestar homenagem a Fernando Pessoa, num percurso que dá a conhecer não só a cidade, mas também Portugal. (fonte: DN, Público)

sábado, 13 de junho de 2009

Digitalizada Biblioteca de Fernando Pessoa

Digitalizar integralmente a biblioteca de Fernando Pessoa? Projecto ambicioso e demorado!
1400 livros, digitalizados ao ritmo de 30 por dia, ao longo de um ano...
Vamos agora poder folhear os livros do poeta, encontrando notas que ele foi deixando nas margens.
Um contributo valioso para sabermos mais sobre Fernando Pessoa (que hoje festejaria o seu aniversário) e as "pessoas" que o habitaram. Basta ir ao site da Casa Fernando Pessoa:

http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/

Leia mais sobre o assunto:

http://livros.sapo.pt/noticias/artigo/3614.html

domingo, 7 de junho de 2009

Bicentenário de José Estêvão

Há 100 anos (26/12/1909), em Aveiro, na Praça de Joaquim Melo Freitas (antiga Praça do Comércio), foi inaugurado o OBELISCO DA LIBERDADE, para comemorar o primeiro centenário do nascimento do Dr José Estêvão Coelho de Magalhães e também para evocar a colaboração notável que esta cidsade teve nas lutas liberais, em particular os aveirenses condenados à morte por terem sido pioneiros na revolução de 16 de Maio de 1828. Esta iniciativa pertenceu ao "Clube dos Galitos"; o monumento, com cariz da chamada "Arte Nova", é da autoria de Ernesto Korrodi. Durante a cerimónia, tocou pela primeira vez a "Banda de José Estêvão", organizada e dirigida por António Santos Lé.


(João Gonçalves Gaspar, In "AVEIRO 2009, Recordando Efemérides"; edição da Diocese de Aveiro, 2009)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Prémio Camões 2009: Arménio Vieira diz que talvez vá comprar a sua primeira bicicleta



Cidade da Praia, 02 Jun (Lusa) - A poesia e a escrita do escritor cabo-verdiano Arménio Vieira "engrandece a Língua Portuguesa", afirmou hoje à Agência Lusa o ministro da Cultura de Cabo Verde, ao comentar a atribuição do Prémio Camões.

"É um escritor/poeta de ruptura, que saiu da tradicional ladainha da terra de Cabo Verde e abriu-se ao mundo. Arménio Vieira faz uma literatura de dissidência saudável. Rompeu com a tradição e abriu-se ao mundo. Aliás, o mundo é pequeno para ele", afirmou Manuel Veiga, que considera "O Eleito do Sol" a melhor obra do autor.

Sobre o facto de, pela primeira vez, Cabo Verde ter sido distinguido com o Prémio Camões, Manuel Veiga considerou que "já era mais que tempo", lamentando, porém, que Manuel Lopes, um dos maiores autores cabo-verdiano, já falecido, nunca tenha sido galardoado com um prémio "mais que merecido".


Fonte:

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1251811



Quem é, afinal, o Vencedor do Prémio Camões 2009?



Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre (http://pt.wikipedia.org/wiki/Arm%C3%A9nio_Vieira)

Arménio Adroaldo Vieira e Silva (Praia, Santiago, 24 de Janeiro de 1941) é um jornalista e escritor da língua portuguesa,

Elemento activo da geração de 1960, colaborou em SELÓ - folha dos novíssimos, "Boletim de Cabo Verde," revista "Vértice" (Coimbra), "Raízes", "Ponto & Vírgula", "Fragmentos", "Sopinha de Alfabeto", entre outras publicações.

Foi redactor do extinto jornal "Voz di Povo".

Publicações do autor:

* 1981 - Poemas - África Editora - Colecção Cântico Geral. - Lisboa.
* 1990 - O Eleito do Sol - Edição Sonacor EP - Grafedito - Praia.
* 1998 - Poemas (reedição) - Ilhéu Editora - Mindelo.
* 1999 - No Inferno - Centro Cultural Português - Praia e Mindelo.
* 2006 - MITOgrafias - Ilhéu Editora - Mindelo.

Curiosidades:

Três poemas seus (Lisboa - 1971, Quiproquo e Ser tigre), encontram-se no CD Poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, de Afonso Dias.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Júlio Pomar distinguido com Prémio da Latinidade 2009

Com 83 anos, Mestre Pomar é o mais recente vencedor deste Prémio da União Latina, que visa " a consagração da sua obra como grande artista plástico, a nível nacional e internacional".

Júlio Pomar, 83 anos, natural de Lisboa, estudou nas Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e do Porto, realizando a primeira exposição individual nesta cidade, em 1947. Nos anos 1960 foi viver para Paris, dedicando-se à pintura, desenho, cerâmica e gravura.

Fundada em 1954, a União Latina é composta por 37 Estados de língua oficial ou nacional românica e tem como objectivo promover a reflexão sobre os valores culturais e linguísticos do conjunto da comunidade latina e a consciência da identidade cultural comum destes povos.

Nas edições anteriores foram galardoados o cineasta Manoel de Oliveira, 2002, o ensaísta Eduardo Lourenço, 2003, o arquitecto Álvaro Siza Vieira, 2004, o político e ex-Presidente da República Portuguesa Mário Soares, 2005, a professora e investigadora de Estudos Clássicos Maria Helena da Rocha Pereira, 2006, o professor e historiador José Mattoso, em 2007, e o actor e encenador Luís Miguel Cintra em 2008.

A sessão solene de entrega do Prémio da Latinidade decorrerá dia 03 de Junho, pelas 16:00, no Instituto Camões, e será presidida pela secretária de Estado e dos Assuntos Europeus, Teresa Ribeiro, em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O Prémio da Latinidade "João Neves da Fontoura" consiste numa escultura, intitulada "Diónisos", criada pela artista portuguesa Conceição Lamy Godinho.


Fonte

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/518391

segunda-feira, 1 de junho de 2009